Não podemos perder nossos valores

Nas relações de trabalho ou nas relações pessoais, não podemos perder nossos valores.

O que são os valores? Considero como as nossas grandes verdades, aquelas que balizam, referenciam nossas ações.

Os valores nos identificam. Fazem parte de nossa identidade.

Quando nossos valores são confrontados, é preciso ser fiel ao que consideramos essencial – ainda que paguemos um preço por isso.

Entendo que todos devemos estar abertos para nos questionarmos, para refletirmos a respeito de nossas práticas e até colocarmos em xeque algumas de nossas crenças.

Mas existe uma distância entre a abertura para o questionamento e a relativização constante dos valores.

A abertura para o questionamento é necessária para nosso desenvolvimento. Permite que avancemos! Ajuda a nos atualizarmos, nos capacita para viver bem o tempo presente.

a fidelidade aos valores é o que assegura nossa coerência. Se notamos que algo que considerávamos relevante não é tão relevante assim, abandonamos e assumimos outro referencial de conduta. Porém, isso não significa mudar de postura diante das primeiras pressões.

Gente que não é fiel aos seus valores é gente que se corrompe facilmente, que não tem direção, não sabe onde quer chegar… Ou seja, é gente que não tem credibilidade, porque hoje age de uma maneira e amanhã de outra.

Os valores referenciam nossas atitudes em qualquer circunstância – seja dentro de casa, na empresa, na escola, na igreja… Se estamos com as contas em dia ou com problemas financeiros.

Os valores são o conjunto de crenças que revela quem, de fato, somos. Permitem que sejamos notados como gente que sabe o quer, que tem posicionamento e não é influenciado por modismos nem por cara feia!

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Somos movidos pela admiração alheia

Quer ganhar meu coração? Diga que me acha o máximo.

Nas empresas, mais que o salário, a melhor estratégia para estimular o colaborador é o reconhecimento. Nos relacionamentos, a melhor estratégia é admirar – e verbalizar isso – o parceiro, a parceira, o amigo, a pessoa com quem você convive.

Somos seres afetivos. Sociais e sociáveis. Embora algumas pessoas vivam muito bem solitárias, a maioria deseja ser notada. Sim, somos carentes!

Nossos movimentos se dão em razão do outro. E quando o que fazemos é reconhecido, o coração se alegra.

É evidente que, aos poucos, aprendemos qual a diferença entre o reconhecimento em palavras e o reconhecimento prático. Afinal, tem muita gente que elogia, aplaude, mas é hipócrita – as ações contradizem o que falam.

Algumas pessoas inclusive exageram na dose. Falam sobre qualidades e títulos que não temos. Se nos conhecemos um pouquinho, rapidamente sabemos que há excesso. E se há excesso, cheira mal.

Recordo que trabalhei numa empresa na qual meu chefe geralmente me apresentava com títulos e experiências que não possuía. Dava ênfase em tudo aquilo. Parecia que eu era o máximo. Entre quatro paredes, porém, minhas contribuições geralmente eram minimizadas e tudo aquilo que falava de mim entrava em contradição na escuta profissional.

Ou seja, havia ali, naquela dinâmica, um discurso que soava falso. Isso colocava em xeque o aparente reconhecimento do meu valor.

Por isso, o reconhecimento nas relações – sejam elas profissionais ou pessoais – deve se dar na medida certa. É necessário ser consequência de conhecimento real do profissional e de seu valor. As virtudes devem ser identificadas, aplaudidas e não podem ser esquecidas no momento em que as fragilidades forem identificadas. Do contrário, as ações tornarão os elogios vazios e a conduta se mostrará incoerente.

Gestores dinossauros

Os conflitos nos modelos de gestão corporativa são bastante comuns. Principalmente num tempo em que as rupturas são constantes e há poucas certezas. Nada se faz como se fazia há 20, 40 ou 100 anos. Tudo é fluído.

E não se trata apenas de demandas que surgiram em função da legislação. As mudanças ocorrem por um conjunto de variáveis. Entre elas, a quantidade de informações, as tecnologias digitais, a profissionalização por meio da educação continuada, as exigências do público consumidor.

Tudo isso faz com que as pessoas que estão no comando sejam pressionadas a se atualizarem.

Entretanto, o processo não é tão simples.

É difícil esperar que alguém que está numa determinada função há 30 anos se atualize. É comum que gente que está no mercado há muito tempo, principalmente em posições de gerência, coordenação, chefia, sustente-se no argumento de que possui mais experiência que os demais e sabe quais são as melhores estratégias.

O problema é que pouca coisa que se fazia no passado ainda tem valor hoje. As pessoas não são as mesmas, as expectativas são outras e o conjunto de procedimentos adotados precisa ser renovado.

A insistência naquilo que dava certo gera descompasso com o mundo contemporâneo. Às vezes, o negócio até se sustenta financeiramente, mas fica estável – não cresce, não se desenvolve e, o que é pior, geralmente afasta os bons talentos.

Gente com cabeça aberta, que dialoga com as novidades de mercado, quase sempre gosta de experimentar, inovar – ainda que corra o risco de errar. É gente que observa as tendências e tenta incorporá-las. Procedimentos históricos podem até ser funcionais, mas não são atrativos. Por isso, esses profissionais entram em choque com os modelos antigos de gestão. São pessoas que pensam por si mesmas – algo que não é bem aceito pelos velhos administradores.

E como será o futuro dos dinossauros das empresas? Vão quebrar? Alguns sim. Mas não todos. Muitos apenas perderão a oportunidade de se tornarem referência entre lideranças que se adaptam e dão exemplo de como viver o novo mundo se cria e recria a cada dia. Serão ilhas, não de excelência – apenas daquela antiguidade saudosista que insiste que o passado parecia melhor que o presente.

Ps. E o presente não é nem melhor nem pior que o passado; é apenas isso: o presente.

Você aceita ouvir críticas?

Estar disposto a abrir-se para avaliações externas é uma das estratégias mais importantes para o crescimento pessoal. Embora não seja a coisa mais agradável do mundo ouvir uma avaliação crítica, a atenção ao relato de possíveis falhas pode servir como alavanca para o nosso desenvolvimento.

Quando a gente não aceita escutar os questionamentos alheios, a gente se fecha para o mundo.

Este tipo de atitude acontece na esfera pessoal, nos relacionamentos e também nas corporações.

Às vezes, não estamos tendo sucesso nos relacionamentos. Achamos que todo mundo conspira contra nós. Porém, frequentemente, nos sabotamos sem perceber. Quem está de fora, geralmente enxerga o que não enxergamos. Ainda assim, é muito difícil alguém chegar em nós e dizer: “você está pisando na bola nisso, nisso e naquilo…”.

Por isso, quando uma pessoa se atreve a pontuar nossas falhas, deveríamos ser agradecidos. É necessário ter bastante ousadia para abordar criticamente alguém. Existe possibilidade da pessoa estar errada a nosso respeito? Claro que sim. Porém, se ela pensa assim, será que outras pessoas não pensam a mesma coisa? E se pensam, talvez estejamos nos comunicando mal; nossas ações estão construindo uma imagem distorcida de quem somos. Por isso, ouvir as críticas pode nos levar a mudar algumas de nossas práticas.

No mundo dos negócios, é a mesma coisa. Conheço gestores cheios de certeza, donos da verdade. Ser assertivo é fundamental para o sucesso de um empreendimento. Contudo, quando um empresário ignora as críticas externas, perde a chance de reavaliar suas ações. Ouvir gente reclamando, falando mal, causa desconforto. Ainda assim, é melhor ter pessoas apontando os defeitos que só ressaltando as virtudes. Elogios frequentes cegam.

Evidente que há necessidade de filtrarmos todas as críticas que nos são feitas. Entretanto, a maneira como o mundo nos enxerga informa como as pessoas estão nos vendo. Revela como acham que somos. Por isso, manter uma escuta atenta às avaliações externas nos ajuda a reavaliar atitudes e, por isso mesmo, permite o desenvolvimento.

Quando começa o futuro?

A gente vive uma verdadeira revolução. Alguns a chamam de revolução 4.0. Na prática, ela significa muitas incertezas em relação ao futuro. Principalmente, se haverá emprego para todas as pessoas.

Justamente por isso, os mundos do trabalho e da educação estão sendo impactados pela impossibilidade de prever o que vai acontecer.

No trabalho, quais as profissões do futuro? Nada se sabe. Nossa imaginação não dá conta de prever que profissões serão criadas.

Quando começa o futuro? Já começou. Vemos todos os dias gente fazendo coisas que nunca imaginaríamos.

A educação é demandada a responder essa nova realidade. Como preparar os alunos para viver esta revolução? Que conteúdos deveriam ser trabalhados em sala? Que cursos deveriam ser criados?

Não existem respostas simples. É possível, porém, deduzir algumas coisas. Há necessidade de compreendermos que lidar bem com esse mundo novo passa muito mais por uma atitude individual do que pela espera de receitas, de respostas prontas.

As mudanças são rápidas demais. Quando concluímos um curso, o conhecimento adquirido está defasado.

O segredo é estar aberto para todas as possibilidades. Partir dos conhecimentos adquiridos, mobilizá-los diante do novo e ter a capacidade de aprender outras coisas a fim de nos reinventarmos. E uma reinvenção a cada dia.

Então quais pessoas serão bem-sucedidas? Aquelas que estão atentas às tendências do mercado. Não se trata de saber tudo, mas de sentir os movimentos que ocorrem no seu entorno e ter a flexibilidade para adaptar-se.

É fundamental ter agilidade no processo de aprendizagem. Quem não se interessa por estar sempre estudando, terá muitas dificuldades.

Também é preciso ser produtivo. Fazer mais, melhor e em menos tempo.

Outra característica: manter o foco. Em tempos tão plurais e de distrações múltiplas, quem sabe bem o que quer e mantém-se focado, faz mais e conquista melhores resultados.

Ser transparente. Com as redes sociais, tudo que falamos e fazemos pode ser observado. Se escondemos algo, será descoberto. A vida que se mostra precisa ser coerente com a vida vivida.

Por fim, devemos rir de nós mesmos. Espera-se que as pessoas sejam leves, cobrem-se menos, não tenham vergonha de seus fracassos, sejam capazes de fazer graça com seus defeitos.

A mesma beleza que abre portas pode punir

Numa sociedade que valoriza a aparência, pessoas consideradas bonitas também têm mais êxito profissional. Estudos desenvolvidos pelo economista e professor Daniel Hamermesh, da Universidade de Londres, revelam que, no Reino Unido, em média, os homens bonitos ganham cerca de 5% a mais; já os menos atrativos, 13% a menos. Em países orientais, as mulheres bonitas recebem 10% a mais e as consideradas menos atrativas, até 31% a menos.

Sabemos que a beleza importa. E é por isso que a maioria das pessoas gasta diariamente um tempo se arrumando. Afinal, a beleza pode ser produzida. Ou potencializada com roupas adequadas, cuidados com a pele, cabelos, maquiagem, exercícios físicos, alimentação etc.

O professor Daniel observou que os homens gastam aproximadamente 32 minutos por dia para cuidarem do asseio e se produzirem; as mulheres, cerca de 44 minutos.

Investimos tempo, energia e dinheiro na beleza. Os números da indústria estética confirmam que cuidar da aparência é uma de nossas prioridades. Basta observar que, em 2018, apesar de todas as dificuldades econômicas do país, o mercado da beleza cresceu 2,7% e projeta um aumento de vendas ainda mais significativo para este ano. O Brasil já é o terceiro maior faturamento da indústria da beleza mundial. Ficamos atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

Mas a beleza que abre portas no mercado de trabalho também pune as pessoas consideradas belas. Elas são invejadas e, nas empresas, como frequentemente são as escolhidas para certos projetos, são as mais criticadas pelos colegas, porque se espera delas que também sejam as mais talentosas, as mais habilidosas.

Os estudos do professor Daniel Hamermesh ajudam a compreender como nossos julgamentos baseados nas aparências podem ser injustos. A vida das pessoas que não estão na lista das mais atrativas se torna bem mais difícil; já os bonitos podem até ter mais portas abertas, mas sofrem com a inveja, as cobranças e até os buchichos maldosos no cafezinho.

Pois é… As relações seriam bem mais simples se tratássemos as pessoas considerando apenas o fato de serem gente como a gente.

O que realmente importa?

Saber o que é importante para você é a condição primeira para a felicidade.

É fato que a gente quer muitas coisas da vida. Quer experimentar, sentir, tocar, estar… Possuir.

A gente quer conhecer lugares, pessoas… Sentir determinados gostos… Vestir certas roupas…

Quer possuir alguns tipos de celular, modelos de carro… E até viver determinadas experiências profissionais, pessoais e, por que não dizer, amorosas.

Mas tem um detalhe, a quantidade de coisas, de experiências, de lugares, de pessoas e até de profissões que está a nossa disposição é infinitamente maior do que as possibilidades que temos de vivenciá-las.

Por isso é fundamental saber o que é de fato importante para você. Há um universo de opções, mas nem tudo pode ser nosso. É preciso escolher. Toda escolha envolve uma perda, uma renúncia. E quando se renuncia, é necessário conviver bem com a ausência.

Por exemplo, se eu escolho ter um pouco de tempo para estar em casa, para me cuidar e cuidar da minha família, provavelmente perderei dinheiro. E, ao diminuir minha renda, deixarei de ter alguns confortos que hoje tenho. Vou dar conta de viver bem como essa renúncia e ainda assim me sentir realizado?

Então, o que realmente é importante para você? Saber o que importa ajuda a ter foco e passamos a não gastar energias, e principalmente tempo, naquilo que não acrescenta em nossa vida.

Tudo tem um custo…

Quando queremos muito alguma coisa, precisamos nos dedicar para conquistá-la. Isso vale para todas as áreas da nossa vida. Uma carreira, por exemplo, não é construída por acaso.

A frase é clichê, mas é um fato: nada cai do céu. Nada é de graça. É necessário empenho para que nos tornemos excelentes naquilo que desejamos ser ou fazer.

Claro, desenvolvemos certas habilidades e algumas atividades podem parecer mais simples de realizar. Mas ainda assim, a excelência se conquista no investimento diário, na busca de conhecimento, no treinamento…

O que somos, temos ou fazemos bem é resultado de muito trabalho – por vezes, até suor e lágrimas.