Não espere as oportunidades…

O filósofo francês Denis Diderot escreveu “não esperes que as oportunidades venham sozinhas; você tem que fazer isso acontecer”.

Embora seja uma frase curta, a afirmação do filósofo resume uma ideia preciosa: precisamos construir nossas oportunidades.

É fato que algumas acontecem naturalmente.

Talvez você encontre um amigo na rua, um cara que gosta bastante de você… Há meses não se falavam. Vocês se encontram, conversam dez minutos e ele diga: fulano, a minha empresa abriu uma vaga para um profissional que tem o seu perfil. Te encontrar aqui foi uma coincidência maravilhosa. Você tem interesse na vaga?

Sim, essas coisas podem acontecer. São oportunidades que surgem quando não esperamos.

Entretanto, a regra não é essa. As oportunidades geralmente não batem a nossa porta. Precisamos construir o cenário para que aconteçam.

Você não se tornará diretor de uma empresa sem, primeiro, buscar a formação e o preparo necessários para a função. Depois, é fundamental entregar seu currículo, tentar estabelecer vínculos com pessoas que trabalham no local, manter contato, estar disponível para outras funções, ter presença ativa no LinkedIn e não deixar de demonstrar, sempre que possível, que é uma pessoa que reúne as habilidades desejadas para o bom exercício profissional.

Isso vale para todas as outras áreas da vida. Tem gente que vive amores platônicos… Ama, mas nunca se relaciona com a pessoa amada. Parece esperar que a outra pessoa venha bater na sua porta pra dizer: ei, eu também amo você!

Desculpa aí, mas isso dificilmente vai acontecer.

As oportunidades que sonhamos estarão ao nosso alcance se agirmos. Somos nós que fazemos as oportunidades acontecerem.

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Persista em seus sonhos

Só quem persiste transforma sonhos em realidade. Não existe receita mágica. O universo conspira a favor daqueles que se esforçam, que trabalham. É verdade que alguns parecem ter tudo “de mão beijada”, são os que “têm sorte”. Entretanto, essa não é a regra. Nossos projetos se tornam reais quando estamos dispostos a lutar por eles. E o momento para fazer isso é agora.

Sabe, não é nada fácil olhar para o mundo e ver gente brilhando, conquistando e você se sentir um fracassado. E o mundo premia os vencedores. Portanto, todos os holofotes são para eles. Logo, se a gente não consegue, é impossível evitar a tristeza, a decepção…

A amiga está ali com o corpo deslumbrante, perfeito. Fez academia, tratamento estético, perdeu peso… Está deslumbrante. O colega de trabalho ganhou a promoção, trocou de carro, está negociando um apartamento novo… É o modelo de profissional bem sucedido.

Quando a gente olha para as conquistas do outro, nossos fracassos tornam-se ainda mais dolorosos. Entretanto, a primeira coisa que precisamos compreender é que a medida do nosso sucesso não é a medida do sucesso alheio. Devemos ter nossas próprias metas. E dentro da nossa realidade. Devemos caminhar de acordo com nossos limites e tentar superá-los pouco a pouco. É assim que a gente vence.

Ter pressa nos leva a tropeçar. E às vezes recuperar-se do tombo é mais difícil que subir um degrau de cada vez (está aí o exemplo de Eike Batista, o brasileiro que queria ser o homem mais rico do planeta e agora está bem enrolado com a Justiça, além de ter sido desmoralizado).

Não existe esforço sem resultado. E se o resultado esperado ainda não apareceu é porque é preciso persistir um pouco mais; significa que o caminho é mais longo do que imaginávamos, significa que é necessário um pouco mais de empenho.

Deixa eu contar uma história pessoal… Em 2004, tentei pela primeira vez o mestrado. No ano anterior, tinha saído da graduação como melhor aluno. Tinha a melhor média entre todos os cursos. Sonhava com a vida acadêmica e, por isso, achei que estava preparado para ingressar na pós. Estudei, fiz meu projeto. Mas reprovei. Faltou um ponto. Aquilo mexeu comigo. Embora tenha começado a dar aulas pouco depois, relutava tentar de novo. Nos últimos três anos, porém, alguns amigos mais próximos começaram a insistir “você merece o mestrado”. Eu lembrava do fracasso e tinha a impressão que aquilo não era pra mim. Apenas no segundo semestre de 2012, fui realmente tocado a tentar.

Mais maduro, percebi meus limites e fiz um planejamento. Não adiantava achar que meus conhecimentos eram suficientes para garantir a aprovação na primeira tentativa. Aceitei os sacrifícios e resolvi apostar em duas frentes, Educação e Letras. Participei do processo de seleção em Educação a fim de conhecer as políticas do departamento e para cursar como aluno especial; também busquei informações em Letras para fazer disciplinas na área… E trabalhei com afinco ao longo de 14 meses nesse projeto pessoal. Aos poucos, os resultados começaram a aparecer. Conquistei professores simpatizantes aos meus projetos, passei nas provas escritas. Por fim, saíram os editais. Eu estava lá entre os aprovados e no topo das listas, em primeiro lugar.

O sentimento de ser aprovado nos dois mestrados foi especial. Hoje, com o doutorado também concluído, sinto-me recompensado.

Os anos de dúvida se eu era capaz, se eu dava conta trouxeram ensinamentos. Os questionamentos feitos por alguns de que eu era apenas um “atrevido” em sala de aula machucaram sim, mexeram com minha autoestima. Ter ouvido que eu apostava em tantas áreas e que por isso nunca seria bom em nenhuma delas também incomodou. As conquistas, no entanto, me ajudaram a perceber que não precisamos ser especialistas numa única coisa. Mas isso tem um custo, é claro. É fundamental ter um foco, a meta deve ser clara. Não dá para se dispersar. Mas vale a pena. Quando a gente acredita e se dispõe a pagar o preço, na hora certa a vitória vem.

As comparações sociais não são saudáveis

O mundo que a gente vive tem inúmeras oportunidades para medirmos nosso valor em relação às pessoas que nos rodeiam. Quase todo mundo está divulgando sua vida bem-sucedida nas redes. A gente até sabe que parte do sucesso divulgado é fake. Mas imagem é tudo, né?

O efeito desse conteúdo sobre nós pode ser bastante negativo.

Frequentemente, nos questionamos se somos bons o suficiente. E vamos listando uma série de defeitos que supostamente possuímos e que nos colocam pra baixo.

Se estou nas redes e meus vídeos não recebem tantas curtidas e nem são visualizados por milhares de pessoas, o problema deve ser minha falta de carisma.

Se sou professor e meus alunos não vivem curtindo minhas fotos e nem fazendo comentários bonitinhos em minhas postagens, talvez seja porque não gostam de mim.

Se você se pega fazendo essas comparações, saiba que faz um enorme mal à sua autoestima.

As comparações sociais não são saudáveis. Estudos demonstram que os prejuízos são grandes, principalmente para as mulheres – maiores vítimas desse tipo de comportamento.

Além dos efeitos emocionais, as comparações tiram os olhos de nossos objetivos, fazem com que nos sintamos mal com o que estamos fazendo, afinal sempre haverá alguém que parece mais feliz, mais saudável, mais bem-sucedido, mais amado.

Pesquisas mostram que pensar coisas do tipo “essa pessoa é melhor do que eu” alimenta a depressão e a inveja.

Comparar-se com quem tem menos sorte que você ou que tem uma vida supostamente menos afortunada, também não é legal. Geralmente, produz certo alívio, porque traz a sensação de “não estou tão mal assim”, mas, no fundo, você sabe que está se enganando, porque talvez seus objetivos não estão sendo alcançados e isso também causa frustração.

Portanto, ao invés de comparar-se com as outras pessoas, lembre-se de um princípio básico: as pessoas possuem habilidades distintas, histórias diferentes, conhecimentos que podem beneficiá-los. Portanto, se for para olhar para o outro, que seja para aprender com o outro, não para querer ser como o outro.

A única comparação útil é aquela que a gente faz com a gente mesmo: eu sei hoje mais do que ontem? Tenho realizado hoje coisas melhor que ontem? Observar atentamente nossos avanços e tentar compreender onde estamos falhando e onde estamos acertando é o tipo de atitude inteligente que devemos manter.

Não podemos perder nossos valores

Nas relações de trabalho ou nas relações pessoais, não podemos perder nossos valores.

O que são os valores? Considero como as nossas grandes verdades, aquelas que balizam, referenciam nossas ações.

Os valores nos identificam. Fazem parte de nossa identidade.

Quando nossos valores são confrontados, é preciso ser fiel ao que consideramos essencial – ainda que paguemos um preço por isso.

Entendo que todos devemos estar abertos para nos questionarmos, para refletirmos a respeito de nossas práticas e até colocarmos em xeque algumas de nossas crenças.

Mas existe uma distância entre a abertura para o questionamento e a relativização constante dos valores.

A abertura para o questionamento é necessária para nosso desenvolvimento. Permite que avancemos! Ajuda a nos atualizarmos, nos capacita para viver bem o tempo presente.

a fidelidade aos valores é o que assegura nossa coerência. Se notamos que algo que considerávamos relevante não é tão relevante assim, abandonamos e assumimos outro referencial de conduta. Porém, isso não significa mudar de postura diante das primeiras pressões.

Gente que não é fiel aos seus valores é gente que se corrompe facilmente, que não tem direção, não sabe onde quer chegar… Ou seja, é gente que não tem credibilidade, porque hoje age de uma maneira e amanhã de outra.

Os valores referenciam nossas atitudes em qualquer circunstância – seja dentro de casa, na empresa, na escola, na igreja… Se estamos com as contas em dia ou com problemas financeiros.

Os valores são o conjunto de crenças que revela quem, de fato, somos. Permitem que sejamos notados como gente que sabe o quer, que tem posicionamento e não é influenciado por modismos nem por cara feia!

Somos movidos pela admiração alheia

Quer ganhar meu coração? Diga que me acha o máximo.

Nas empresas, mais que o salário, a melhor estratégia para estimular o colaborador é o reconhecimento. Nos relacionamentos, a melhor estratégia é admirar – e verbalizar isso – o parceiro, a parceira, o amigo, a pessoa com quem você convive.

Somos seres afetivos. Sociais e sociáveis. Embora algumas pessoas vivam muito bem solitárias, a maioria deseja ser notada. Sim, somos carentes!

Nossos movimentos se dão em razão do outro. E quando o que fazemos é reconhecido, o coração se alegra.

É evidente que, aos poucos, aprendemos qual a diferença entre o reconhecimento em palavras e o reconhecimento prático. Afinal, tem muita gente que elogia, aplaude, mas é hipócrita – as ações contradizem o que falam.

Algumas pessoas inclusive exageram na dose. Falam sobre qualidades e títulos que não temos. Se nos conhecemos um pouquinho, rapidamente sabemos que há excesso. E se há excesso, cheira mal.

Recordo que trabalhei numa empresa na qual meu chefe geralmente me apresentava com títulos e experiências que não possuía. Dava ênfase em tudo aquilo. Parecia que eu era o máximo. Entre quatro paredes, porém, minhas contribuições geralmente eram minimizadas e tudo aquilo que falava de mim entrava em contradição na escuta profissional.

Ou seja, havia ali, naquela dinâmica, um discurso que soava falso. Isso colocava em xeque o aparente reconhecimento do meu valor.

Por isso, o reconhecimento nas relações – sejam elas profissionais ou pessoais – deve se dar na medida certa. É necessário ser consequência de conhecimento real do profissional e de seu valor. As virtudes devem ser identificadas, aplaudidas e não podem ser esquecidas no momento em que as fragilidades forem identificadas. Do contrário, as ações tornarão os elogios vazios e a conduta se mostrará incoerente.

Gestores dinossauros

Os conflitos nos modelos de gestão corporativa são bastante comuns. Principalmente num tempo em que as rupturas são constantes e há poucas certezas. Nada se faz como se fazia há 20, 40 ou 100 anos. Tudo é fluído.

E não se trata apenas de demandas que surgiram em função da legislação. As mudanças ocorrem por um conjunto de variáveis. Entre elas, a quantidade de informações, as tecnologias digitais, a profissionalização por meio da educação continuada, as exigências do público consumidor.

Tudo isso faz com que as pessoas que estão no comando sejam pressionadas a se atualizarem.

Entretanto, o processo não é tão simples.

É difícil esperar que alguém que está numa determinada função há 30 anos se atualize. É comum que gente que está no mercado há muito tempo, principalmente em posições de gerência, coordenação, chefia, sustente-se no argumento de que possui mais experiência que os demais e sabe quais são as melhores estratégias.

O problema é que pouca coisa que se fazia no passado ainda tem valor hoje. As pessoas não são as mesmas, as expectativas são outras e o conjunto de procedimentos adotados precisa ser renovado.

A insistência naquilo que dava certo gera descompasso com o mundo contemporâneo. Às vezes, o negócio até se sustenta financeiramente, mas fica estável – não cresce, não se desenvolve e, o que é pior, geralmente afasta os bons talentos.

Gente com cabeça aberta, que dialoga com as novidades de mercado, quase sempre gosta de experimentar, inovar – ainda que corra o risco de errar. É gente que observa as tendências e tenta incorporá-las. Procedimentos históricos podem até ser funcionais, mas não são atrativos. Por isso, esses profissionais entram em choque com os modelos antigos de gestão. São pessoas que pensam por si mesmas – algo que não é bem aceito pelos velhos administradores.

E como será o futuro dos dinossauros das empresas? Vão quebrar? Alguns sim. Mas não todos. Muitos apenas perderão a oportunidade de se tornarem referência entre lideranças que se adaptam e dão exemplo de como viver o novo mundo se cria e recria a cada dia. Serão ilhas, não de excelência – apenas daquela antiguidade saudosista que insiste que o passado parecia melhor que o presente.

Ps. E o presente não é nem melhor nem pior que o passado; é apenas isso: o presente.

Você aceita ouvir críticas?

Estar disposto a abrir-se para avaliações externas é uma das estratégias mais importantes para o crescimento pessoal. Embora não seja a coisa mais agradável do mundo ouvir uma avaliação crítica, a atenção ao relato de possíveis falhas pode servir como alavanca para o nosso desenvolvimento.

Quando a gente não aceita escutar os questionamentos alheios, a gente se fecha para o mundo.

Este tipo de atitude acontece na esfera pessoal, nos relacionamentos e também nas corporações.

Às vezes, não estamos tendo sucesso nos relacionamentos. Achamos que todo mundo conspira contra nós. Porém, frequentemente, nos sabotamos sem perceber. Quem está de fora, geralmente enxerga o que não enxergamos. Ainda assim, é muito difícil alguém chegar em nós e dizer: “você está pisando na bola nisso, nisso e naquilo…”.

Por isso, quando uma pessoa se atreve a pontuar nossas falhas, deveríamos ser agradecidos. É necessário ter bastante ousadia para abordar criticamente alguém. Existe possibilidade da pessoa estar errada a nosso respeito? Claro que sim. Porém, se ela pensa assim, será que outras pessoas não pensam a mesma coisa? E se pensam, talvez estejamos nos comunicando mal; nossas ações estão construindo uma imagem distorcida de quem somos. Por isso, ouvir as críticas pode nos levar a mudar algumas de nossas práticas.

No mundo dos negócios, é a mesma coisa. Conheço gestores cheios de certeza, donos da verdade. Ser assertivo é fundamental para o sucesso de um empreendimento. Contudo, quando um empresário ignora as críticas externas, perde a chance de reavaliar suas ações. Ouvir gente reclamando, falando mal, causa desconforto. Ainda assim, é melhor ter pessoas apontando os defeitos que só ressaltando as virtudes. Elogios frequentes cegam.

Evidente que há necessidade de filtrarmos todas as críticas que nos são feitas. Entretanto, a maneira como o mundo nos enxerga informa como as pessoas estão nos vendo. Revela como acham que somos. Por isso, manter uma escuta atenta às avaliações externas nos ajuda a reavaliar atitudes e, por isso mesmo, permite o desenvolvimento.