O injusto processo para tirar a Carteira de Habilitação no Brasil

Para tirar a carteira de habilitação, o Brasil, que é um país de gente pobre, tem um sistema injusto e que sacaneia o cidadão. Tirar a CNH por aqui custa muito caro. E não há justificativa alguma para o modelo que temos.

Ao falar sobre isso com algumas pessoas, já ouvi coisas do tipo: “se o cara não tem dinheiro pra tirar carteira, não dirige, ué? Não vai ter dinheiro pra comprar carro mesmo”. Acontece que fazer a CNH não significa, necessariamente, ter carro; milhares de pessoas dirigem para ganhar a vida – seja como motoristas de empresas ou particulares.

O argumento para o processo atual foram os inúmeros acidentes de trânsito. Alegava-se que o condutor precisava ser melhor preparado. Então “inventaram” um sistema burocrático, moroso e que, atualmente, se não houver reprovações, custa, à vista, mais de R$ 2,5 mil. Detalhe, não faz muito tempo, inventaram o tal do simulador, que, na prática, só onera ainda mais os custos. E sem resultados práticos.

Dirigir bem, ter responsabilidade no trânsito, ser cuidadoso, respeitar as leis, nada tem a ver com autoescola. A autoescola pode existir. Deve existir. Mas, em hipótese alguma, deveria ser obrigatória.

Quem tem mais de 40 anos, provavelmente tirou a carteira de habilitação de um jeito bem diferente. Eu, por exemplo, aprendi a dirigir com um tio. Motorista experiente, cuidadoso e muito generoso, em cerca de uma semana, me ensinou tudo que eu precisava.

Quando chegou o momento de tirar a CNH, procurei uma autoescola para cuidar da documentação. Recebi algumas orientações, fiz o psicotécnico, estudei sozinho para legislação e, antes do teste prático, contratei três aulas para pegar os macetes da prova de rua e da baliza. Pedi para usar o carro da autoescola na prova. Fui aprovado.

Tudo muito simples e rápido.

Entretanto, as regras mudaram. Hoje, são inúmeras aulas de legislação, outras tantas no simulador e, por fim, as aulas práticas.

Na teoria, isso pode ser lindo. Mas é totalmente desnecessário e não tem melhorado o trânsito das nossas cidades. O candidato faz todo esse longo percurso e, quando encara o trânsito do dia a dia, parece ser obrigado a aprender tudo de novo.

Numa época em que aceita-se que engenheiros, professores e até profissionais da gastronomia sejam formados na modalidade de educação a distância, nada justifica a obrigatoriedade de fazer todo o processo para tirar a CNH numa autoescola.

Só existe uma razão (não admitida pelas autoridades): o sistema foi feito para custar caro e beneficiar um setor econômico.

Para aqueles que gostam de comparar o Brasil com os Estados Unidos, vale dizer que, por lá, embora cada estado tenha suas próprias regras, é possível estudar a legislação de trânsito em casa, pegando as informações na internet, e não é necessário fazer aulas práticas. Além disso, todos os testes – teórico, de visão e direção – podem ser feitos num único dia. Ou seja, você entra no departamento de trânsito cedo e, no mesmo dia, está habilitado. Não passou? Pode tentar no dia seguinte e, se passar, a CNH fica pronta na hora. Custo baixo – cerca de 50 dólares.

E então? Nosso sistema é melhor que o deles?

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As manchetes dos jornais de Maringá

O DIÁRIO: – 10% dos acidentes envolvem não habilitados
Este ano já são 235 acidentes com motoristas não habilitados em Maringá. Desses, 147 deixaram feridos e três pessoas morreram. A multa para quem dá o veículo para um motorista sem CNH chega a R$ 1.170. Em média são registrados entre 500 e 600 acidentes por mês em Maringá.

HOJE NOTÍCIAS: – Vereadores insistem em mudar eixo de ruas
Praticamente em todas as reuniões do Conselho Municipal de Planejamento e Gestão Territorial há propostas da Câmara para transformar uma rua residencial em comercial. Há lei que define quais ruas podem ser comerciais. A rua para ser comercial deve ter largura mínima de 20 metros.

JORNAL DO POVO: – Festival de Cinema começa hoje na UEM
O festival será realizado no campus da Universidade Estadual de Maringá. Além das exibições de filmes, haverá mostra competitiva e debates com temas focados na Lei Rouanet, políticas públicas e privadas de cultura, formação de platéias e jornalismo cultural. O evento começa hoje e se estende até o dia 28 de maio.

Provas para CNH serão por meio eletrônico

Tudo digitalizado. É isto que pretende o Detran do Paraná. A partir de janeiro as provas teóricas para retirada ou renovação da Carteira de Habilitação serão feitas num terminal eletrônico. O teste começa em Curitiba. Mas a intenção é estender o modelo eletrônico para todo o Estado até julho de 2010. Vantagens: mais segurança, agilidade e imunidade às fraudes.

As manchetes do dia

– Paciência e horas de espera para renovar CNH
O jornal O Diário destaca que os motoristas podem perder quase 3 horas para cumprir os trâmites necessários para a renovação da carteira de habilitação na 13ª Ciretran. Em apenas um dia, o motorista pode perder mais de uma hora e meia nas filas. Mas, em alguns casos, ele tem que retornar mais duas vezes. A falta de funcionários é uma das causas da demora.

– Calamidade no Sul
A manchete do Hoje Notícias trata dos mais de 100 municípios que estão em estado de emergência ou decretaram estado de calamidade pública em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. As regiões atingidas começam a receber doação e contabilizar os prejuízos para recomposição das cidades.

– Pesquisa revela otimismo com vendas na cidade
O Jornal do Povo fala da pesquisa realizada pela Acim para conhecer a expectativa dos empresários em relação às vendas para o Dia das Crianças. 82% deles estão otimistas com as vendas; 16% estão indiferentes e apenas 2% estão pessimistas. Ainda de acordo com a pesquisa 64% espera vender mais do que no mesmo período do ano passado.

As manchetes…

Jornais de Maringá em circulação nesta quinta-feira, 18 de setembro:

– A cada duas horas uma CNH é suspensa
O jornal O Diário de hoje destaca que a cada mês 350 motoristas maringaenses atingem o limite de 20 pontos por infrações no trânsito. A reportagem aponta que a própria da Ciretran considera o número elevado. Mas reconhece que é reflexo da falta de respeito à legislação de trânsito. Quem é notificado da suspensão e não entrega o documento na Ciretran pode ficar até dois anos sem poder dirigir.

– Sindicato faz campanha para resgatar a imagem dos postos
A manchete do Hoje Notícias trata do lançamento de uma campanha que visa resgatar a imagem dos postos de combustíveis. A campanha é do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Paraná. A entidade pretende mostrar aos consumidores como funciona o mercado de combustíveis.

– Criança inspira Semana Nacional de Trânsito
A manchete do Jornal do Povo ressalta o início da Semana Nacional do Trânsito. O tema deste ano é “A criança e o trânsito”. Em Maringá, as crianças poderão participar de várias atividades educativas sobre o assunto.

Inspeção nas auto-escolas…

Abrimos o CBN Maringá de hoje falando sobre a inspeção anual dos centros de formação de condutores. Em Maringá, ocorre no mês de outubro próximo. A inspeção do Detran é necessária para renovação da licença. Todo mês uma região do Paraná passa pela fiscalização. De novembro do ano passado para cá as inspeções geraram 80 processos administrativos contra auto-escolas de todo o Estado. Trinta e seis foram advertidas; três foram descredenciadas – uma era de Sarandi.

Cá com meus botões penso que a inspeção é frouxa. As chamadas auto-escolas não formam condutores, apenas preparam os alunos para passar na prova do Detran. A maioria daqueles que não aprendeu a dirigir anteriormente (é claro que se trata de um ato irregular) sequer tem noção sobre o espaço ocupado pelo veículo nas vias e estacionamentos. São condutores que sabem estacionar porque aprenderam uma regrinha básica levando em conta alguns pontos de referência; conduzem o veículo com base em dicas dos instrutores. Essas mesmas pessoas quando pegam outro carro, diferente do usado na auto-escola, sofrem até para tirá-lo do lugar.

E o problema das auto-escolas vai além… Muitas delas não possuem pistas adequadas para a formação dos motociclistas. O treinamento é feito em espaços menores, em circuitos diferentes dos usados nos testes de avaliação do Detran. Resultado? Alunos reprovados por se surpreenderem com as diferenças entre as pistas. Conseqüência? Novos custos para obtenção da CNH. Quem lucra? Detran e centros de formação de condutores. Por isso mesmo, tenho dito que os CFC’s são verdadeiras máquinas de caça-níquel.

Carteira de habilitação..

Estava lendo a notícia sobre a nova resolutação do Contran. Como apresentado abaixo nas manchetes, o Contran emitiu uma nova resolução que amplia a carga horária do curso teórico e de direção. A justificativa é a de sempre, reduzir acidentes.

Posso estar errado, mas penso que a nova resolução é só mais uma iniciativa que prejudica os cidadãos. Ampliar a carga horária do curso teórico e prático só beneficia os centros de formação de condutores. Estes, por sinal, só tem a função de ensinar as pessoas a passarem na prova do Detran. Não ensinam a dirigir. Os CFC’s são máquinas caça-níquel. Pior, eles têm a “bênção” do Contran.

Estudar mais teoria e ficar mais tempo nas ruas vai representar mais gastos na hora de tirar a carteira de habilitação. Está provado que ficar dando voltinhas nas ruas e passar tempo diante dos livrinhos de legislação de trânsito não resolve o problema. As pessoas conhecem as leis e, quase sempre, sabem dirigir. Acidentes de trânsito acontecem por imprudência do motorista e desrespeito à legislação; raramente por falta de conhecimento.

Renovação da CNH…

Cumpri hoje meu último compromisso com o Detran para renovar minha CNH. Nunca um processo de renovação da habilitação foi tão demorado. Esta foi a terceira vez que procurei o órgão para assegurar o direito de dirigir por mais cinco anos. Nas vezes anteriores, tudo foi relativamente rápido. Uma visita ao Detran, pagamento de taxas, exames e CNH em casa, via Correios. Desta vez, foram quatro idas ao departamento de trânsito local, muita fila, espera… Enfim, perdi um tempo enorme e tive de ter muita paciência – como outros tantos motoristas em situação semelhante. Felizmente, acabou. Espero que na próxima vez as coisas sejam mais simples.