Relações egoístas

Uma das coisas que me incomodam profundamente é a falta de respeito pelo outro. A gente vive uma época delicada… Muitas pessoas parecem incapazes de ter empatia, de enxergar além do próprio umbigo. É como se o mundo se resumisse a elas mesmas, ao que acham certo e o outro estivesse ali apenas para atendê-los. E isso, mais que um ato de desrespeito, é um ato de agressão, de falta de amor.

Infelizmente, esse tipo de comportamento acontece nas diferentes dinâmicas de convivência mútua.

Na empresa, pode ser aquele chefe que olha para o colaborador como se fosse alguém que precisa estar 24 horas à disposição, uma pessoa que não tem família, não precisa almoçar… É como se o colaborador vivesse apenas para aquilo. Isso o obriga a ter uma vida que gira em torno da empresa.

Isso também acontece na escola. Conheço educadores que parecem desconhecer que seus alunos possuem outras disciplinas, atividades de outros professores que também precisam ser realizadas. Embora eu entenda que possam ter boa intenção, e mais dedicação seja fundamental no processo de aprendizagem, é preciso compreender as especificidades das relações e as próprias limitações que as circunstâncias impõem.

Na vida a dois, essa incapacidade de ver o outro se torna ainda pior. Defendo a importância de se doar pelo parceiro, pela parceira. Porém, também defendo que o outro seja visto. E essa atitude significa notar quando a pessoa amada não dá conta de atender você. Tem gente que, em nome de suas carências, atropela as carências do/a companheiro/a, cobra uma atenção que a outra pessoa naquele momento está impossibilitada de dar. Talvez por esgotamento físico, mental…

Quando não vemos o outro, as necessidades e impossibilidades do outro, estamos sendo egoístas. Estamos resumindo a vida aos nossos desejos. E relacionamentos pautados em motivações egoístas não são satisfatórios, produtivos e felizes.

Brigas destroem histórias de amor

Toda discussão, no relacionamento, é desgastante. E, com frequência, tem potencial para deixar marcas na história do casal.

O ideal é que os casais não discutissem; apenas dialogassem – mesmo quando há o embate de ideias.

Porém, a vida real de um casal não é um mar de rosas. Todo mundo perde a razão de vez em quando. Vez ou outra, “a casa cai”, né?

Pesquisadores do assunto dizem que, enquanto o casal briga, existe um casal. O silêncio, a ausência de embates, é indicador de que o relacionamento já acabou. Podem viver juntos, mas, na alma, estão separados.

Eu acredito nisso. Porém, noto que, com frequência, as discussões são ofensivas. Na briga, quase sempre há o desejo implícito de vencer, de ferir o outro. E é nesse jogo que as mágoas podem surgir.

Pede-se perdão depois, perdoa-se, mas palavras ditas não voltam atrás. Na memória, fica o registro da ofensa, da humilhação.

E é justamente esse registro negativo que vai distanciando o casal.

Às vezes, sequer são necessárias palavras. Pode ser um gesto, um semblante irônico, carregado de desprezo. Tudo isso fica registrado e machuca o romance.

Quando discutimos com a pessoa amada, nem sempre nos damos conta que estamos plantando sementes que produzirão dissabores futuros e até desamor. Porque amor se conquista e se alimenta diariamente. Atitudes que ofendem, que magoam, esfriam os sentimentos. 

Com o tempo, perde-se a intimidade, o desejo, a empolgação. Falta inclusive disposição para o sexo. A relação pode até ser mantida, pode-se reconhecer os benefícios da companhia do outro… Mas não tem a mesma graça, a mesma vivacidade. E isso não é porque a paixão foi embora. É porque, no coração, ainda ecoam os gritos, as ofensas, os gestos grosseiros, os semblantes cheios de rancor…

 

O amor dele é verdadeiro?

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Acho que não é novidade para ninguém que nem todo mundo que diz “te amo” ama de fato. Muita gente mente. E, na verdade, tem mais um monte que não sabe direito o que é amor. Às vezes, é só desejo, carinho ou… ilusão.

O amor se revela em práticas. Quem ama, demonstra. E não demonstra apenas na cama, ou nos momentos que antecedem o sexo.

Como amor bom é amor prático, alguns comportamentos sugerem que é necessário colocar em dúvida o “te amo” que o parceiro diz. Vou listá-los.

Justificar seus erros – Quem ama, não magoa. É fato que vez ou outra todo mundo erra. Porém, é questionável o amor de gente que toda hora precisa ficar se justificando, explicando que não fez isso ou aquilo por querer. Quando o parceiro ama de verdade, a família nota, as pessoas próximas percebem que você é bem tratado/a.

Sabe perdoar – Quem ama, perdoa. Não significa ser bobo. Significa compreender que, mesmo quando há amar, erros podem ser cometidos. A pessoa que ama tem um olhar generoso, compreensivo. É capaz de aceitar as diferenças e até mesmo as limitações do parceiro.

Se promete, cumpre – Esse é um aspecto fundamental. Gente que tem problema em honrar com seus compromissos é gente que não tem palavra. E se não tem palavra, o “te amo” pode ser vazio, como qualquer outra promessa. Quem cumpre o que promete é digno de confiança.

Cuida de você – Cuidar não é o mesmo que ter ciúme enlouquecedor. Também não tem nada a ver com fazer papel de pai ou mãe. Cuidar é respeitar, proteger, amparar, acolher, abraçar, ouvir… A pessoa que cuida está sempre por perto. E não abandona mesmo quando você está doente, aborrecida, chata.

Prefere a sua companhia – Manter certa individualidade, preservar amizades, ter tempo para você, para a família e para os amigos são atitudes fundamentais inclusive para a saúde do relacionamento. Entretanto,  quando a gente ama, é com a pessoa amada que a gente quer ficar.

Inclui você nos planos futuros – Pelo menos, pra mim, esse é um dos pontos mais importantes. Quando a gente ama muito uma pessoa, quer essa pessoa com a gente. Pra sempre. Você sonha, mas seus sonhos incluem o outro. Nos seus sonhos, esse alguém participa, está junto. Se a pessoa que diz “te amo” não possui projetos que incluem você, não divide os projetos dela contigo, sinto lhe informar que esse amor é da boca pra fora. 

A tentação do divórcio

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Eu não defendo que pessoas infelizes vivam juntas. Ter um relacionamento amoroso não é e nem deve ser o motivo da felicidade de alguém. Porém, também não pode ser a razão da infelicidade. Tem relacionamento que é uma verdadeira desgraça na vida de algumas pessoas. Ninguém merece desrespeito, agressão, manipulação… Uma vida a dois deve ser digna.

Entretanto, muita gente tem banalizado o casamento. A pessoa se casa já considerando o divórcio. Na verdade, é como se levasse o divórcio junto pra cama do casal. “Estou aqui com ela, mas o divórcio também está. Se ela não me fizer feliz, eu fico com o divórcio”.

Talvez isso pareça um pouco exagerado, mas em certa medida tem acontecido com frequência. E o que é pior: alguns pais têm dado um empurrãozinho. A moça (ou o rapaz) vai casar e a mãe (ou o pai) diz:

– Filho, seu quarto estará sempre aqui. Se alguma coisa der errado, não esqueça que essa é sua casa.

Pai e mãe devem amar, ajudar, apoiar os filhos. Devem orientá-los a não entrar num casamento problemático. Porém, devem ser os primeiros a incentivá-los na construção de um relacionamento sólido.

Sabe, casamento é um negócio complicado, difícil, porque viver bem a dois é quase um milagre. Isso significa que a vontade de desistir vez ou outra vai aparecer. Então, se a pessoa entra na relação considerando a possibilidade do divórcio, a motivação para fazer dar certo será menor. É como se houvesse uma pré-disposição em parar.

Tudo na vida é assim… Se a gente começa alguma atividade admitindo que, se não gostar, vai parar, o que acontece? A gente para. E quando começa sabendo que precisa concluir a tarefa? A gente luta até esgotar todas as possibilidades. 

Com o relacionamento não é diferente. Os problemas vão surgir e a paixão um dia vai embora. Restarão duas pessoas. Se tiverem disposição para ignorar a tentação do divórcio, terão alguma chance de construir um relacionamento feliz.