Meu retorno às reportagens e uma Câmara mais sensível ao apelo popular

Depois de seis anos, retornei à reportagem ontem à tarde. Estava com saudade. E voltei para fazer algo que gosto: especiais sobre política. Vou conciliar a primeira edição do CBN Maringá, a produção e gravação do Questão de Classe a as externas, principalmente na Câmara de Vereadores.

Ser âncora da CBN é um orgulho. Quem me conhece um pouco, sabe bem do que estou falando. Estou na emissora por opção e pelo prazer que tenho em trabalhar na “rádio que toca notícias”. Entretanto, sentia falta das externas. Buscar o assunto, encontrar o entrevistado, pedir por atenção para gravar uma entrevista – ou colocá-lo, ao vivo, no jornal de um colega – são coisas que gosto de fazer.

Nessa terça-feira, estive no Legislativo. Foi a primeira vez que retornei à Câmara após ter deixado as reportagens. Confesso que senti um friozinho na barriga. A responsabilidade é grande. E tinha um gosto de novidade. Acho que até me atrapalhei com o “ao vivo” dentro do jornal da tarde. Quando terminei, tive que ligar para o Gilson Aguiar e fazer aquela pergunta básica:

– Ficou bom? O que achou?

Mas, sabe, preciso confessar outra coisa: tem uma coisa diferente na atual Legislatura. As sessões continuam um circo, é verdade. Nunca será diferente. Já me conformei. Aquela coisa de vereador falando na tribuna e outros papeando no celular, parlamentar chegando atrasado, votando sem saber direito no que está votando… enfim, isso tudo está lá. Não mudou. Nem vai mudar.

Entretanto, há no grupo atual de vereadores – não em todos, é claro – uma sensibilidade maior ao apelo popular. Uma preocupação com a imagem da Casa. A possibilidade de revisão dos chamados supersalários é um exemplo disso.

Ontem, enquanto conversava com o vereador Carlos Eduardo Sabóia, da Comissão de Finanças e Orçamento, ele foi muito claro: “estamos retomando essa discussão porque a população acha imoral o subsídio de R$ 12 mil”. Esse valor não é ilegal. Pelo contrário. Contudo, a sociedade reagiu, foi dura nas críticas aos parlamentares e, hoje, os mesmos vereadores que votaram os subsídios na surdina, escondidos, estão dispostos a voltar atrás.

É uma conquista da sociedade? Sim. Mas é preciso reconhecer que os atuais vereadores estão mais comprometidos com a população que os elegeu.

Acho que uma frase que ouvi ontem do Belino Bravin resume bem este momento:

– Não adianta a gente remar contra a maré.

E se estão dispostos a respeitar a população, significa que, definitivamente, estamos amadurecendo – tanto nós, eleitores, quanto eles, os políticos (nossos representantes).

Mudanças na CBN Maringá

Carlos Emori e Carina Bernardino
Escrevo este post enquanto preparo a abertura do CBN Maringá desta quarta-feira. Há pouco, tirei o nome de Carina Bernardino da ficha técnica. E tiro não por causa de uma ausência momentânea – férias, folga, troca de horário… Depois de um ano e dois meses, a jornalista deixa de figurar na abertura como produtora do jornal. É definitivo. Ela será substituída por Carlos Emori.

Murilo Battisti, no ano passado, quando recebeu o prêmio Top Etanol
Carina não está deixando a CBN. Ela vai para a reportagem. A partir da próxima segunda-feira, devo ler o nome dela ao lado de Luciana Peña. Será nossa nova repórter. Vai ocupar o lugar de Murilo Battisti. Este sim está se desligando da emissora. Vai para o Canadá. E não é por causa da Luiza, né?

São novos ares. Para todos nós. Boa sorte, Carina. Você é capaz. O rabugento aqui vai sentir falta de você falando sem parar. Seja bem vindo, Emori. Creio que faremos uma boa dupla. Estou otimista. Quanto ao Murilo, sentiremos saudade. Você fará falta, caríssimo. Que a temporada no Canadá represente crescimento e garanta a realização de seus sonhos.

PS- O Murilo se despede da equipe local da CBN no próximo fim de semana. Ainda contaremos com suas reportagens ao longo desta semana.

A Câmara ainda consegue nos surpreender. Desta vez, de maneira positiva

A política às vezes nos surpreende. Como entender o que houve na tarde dessa quinta-feira na Câmara de Maringá?

Ainda hoje pela manhã entrevistei o presidente Mário Hossokawa. Ele foi objetivo: a chamada oposição ficaria fora das comissões permanentes da casa. Quando a escolha dos integrantes foi fechada lá estavam Humberto Henrique, Marly Martin e Mário Verri.

Dá para entender?

Nos últimos três anos, houve articulação, diálogo e nada. Ninguém entrou nas comissões. A exceção foi o vereador Flávio Vicente, mas este não é oposição – apenas figurava entre os parlamentares da oposição em alguns temas.

Hoje foi diferente. Por isso, a surpresa.

Sem dúvida, uma boa notícia para começar o ano.

Para quem não entende de política e muito menos de Legislativo, esse papo aqui pode não fazer sentido. Entretanto, posso sustentar que a presença desses vereadores nas comissões poderá fazer diferença na qualidade dos trabalhos da Câmara.

Por exemplo, a Comissão de Constituição e Justiça é a responsável por tratar da constitucionalidade dos projetos. Faz a análise sob esse prisma. Marly é a única advogada no Legislativo. E estava fora da CCJ. Os membros anteriores não tinham nenhuma afinidade com os temas do Direito. Mesmo assim, comandavam a comissão.

No caso da Comissão de Finanças e Orçamento, as discussões não contavam com a presença de nenhum especialista. Tudo em função da política de exclusão dos vereadores de oposição. Com isso, a comissão abria mão do conhecia de Humberto Henrique, que é contador.

Quer dizer, o que os vereadores fizeram hoje mostra que os trabalhos começam bem neste último ano da atual legislatura. É um bom sinal.

Quem sabe outras notícias positivas venham por aí… A redução do salário dos vereadores poderia ser uma delas, não acha?

Hossokawa revela os bastidores da aprovação do salário de R$ 12 mil para os vereadores

Nunca teremos acesso ao que acontece nos bastidores do poder. Temos fragmentos, recortes. Não a realidade concreta. Por exemplo, o que aconteceu antes de ser aprovado os mais de R$ 12 mil de subsídios para os vereadores de Maringá? Não estávamos lá. O que chega ao público sempre será uma versão.

Hoje, na CBN Maringá, ouvimos os esclarecimentos do presidente Mário Hossokawa. Ele se defendeu. Disse que não foi o responsável pelo aumento superior a 90%. Não era uma proposta da presidência.

– Eu não sou o patrão dos vereadores. (…) Foi uma decisão dos vereadores.

Hossokawa sustentou que, se dependesse dele, não seriam R$ 12 mil. Seriam R$ 9,4 mil. Essa teria sido a proposta que fez ainda quando ainda estava em discussão o número de parlamentares para a legislatura que começa em 2013.

No entanto, as coisas mudaram quando a Câmara foi pressionada pelo Ministério Público e Tribunal de Contas a cortar 44 cargos comissionados. Além da exoneração de 29 que atuavam no gabinete da presidência, cada vereador perderia um assessor.

Vários parlamentares resistiam à determinação do MP e TC. Os servidores demitidos eram nomeações políticas, indicações dos próprios vereadores. No entanto, não restava escolha a Mário Hossokawa. Sem o desligamento dos 44 CC’s, o presidente seria responsabilizado por improbidade administrativa.

Então, veio o acordo.

Todos votariam a favor da eliminação desses cargos, mas ao mesmo teria que ser votado junto o subsídio para a próxima legislatura. Então, não teve outra saída. (…) A gente teve que fazer isso aí para que pudesse passar a nova estrutura para cumprir o TAC que nós assinamos.

O TAC, para quem não sabe, é um Termo de Ajustamento de Conduta. Foi assinado pela presidência como um compromisso da Câmara de Maringá junto ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas de que as demissões seriam feitas. Entretanto, os vereadores teriam pedido a contrapartida: o aumento dos salários.

– Foi feita uma amarração ali. Aprovariam essa nova estrutura com essa condição.

Lamentável, alguns dirão. Que vergonha, outros falarão. Fomos enganados, podem expressar.

Neste momento, prefiro apenas dizer… Não sabemos se foi exatamente assim. Contudo, a revelação feita pelo presidente Mário Hossokawa mostra, ainda que parcialmente, os bastidores do poder. As negociações, as costuras, os acordos necessários para fazer a máquina pública funcionar. Não há altruísmo. Os interesses particulares ou de grupos quase sempre virão antes da defesa da coletividade.

Silvio Barros admite deixar a prefeitura sem terminar o mandato

Ele não quer. Disse isso com todas as letras na CBN Maringá. Preferia concluir o mandato. Entretanto, entre o “desejo do coração” e a determinação de seu grupo político, ficará com a segunda opção. Esta é a posição do prefeito Silvio Barros. Isso significa que ele pode deixar sim a administração municipal antes do dia 31 de dezembro de 2012.

– Não é o desejo do meu coração. Eu não gostaria de não terminar meu mandato. Ainda tem muitas coisas que eu quero fazer, ainda tem muitas coisas que eu quero deixar concluídas e não estão concluídas.

A afirmação é do prefeito. Mas ele entende que tem um papel dentro do seu grupo político. E sabe qual é seu compromisso.

– Eu não posso desconsiderar o fato de que não cheguei na prefeitura sozinho. (…) Precisou um projeto político para eu poder chegar lá. Eu não posso simplesmente virar as costas e dizer: agora o que vale é o meu interesse pessoal e o grupo político não tem interesse nenhum.

Ele continuou:

– No final do ano, eu não poderei continuar, mas nosso grupo político poderá continuar. (…) Agora fico eu no dilema aqui de saber como é que a gente vai lidar com isso, porque eu gostaria de terminar o meu mandato.

Depois de dizer isto, reafirmei – por meio de uma pergunta – o que parecia já estar claro na entrevista: Silvio Barros não quer deixar o cargo, mas pode sim abrir mão do mandato, provavelmente em março, em função do interesse maior de seu grupo político. A resposta foi direta: será um trabalho de convencimento, mas não depende apenas dele.

Como ouvi o secretário, líder do partido e irmão do prefeito, Ricardo Barros, na sexta-feira passada (23), fico com a impressão que Silvio só não deixará a prefeitura no início de 2012 caso o governador Beto Richa tenha outros planos para seu secretariado. O Ricardo quer. Tanto que defendeu a tese sem mesmo consultar o irmão.

E a ideia é simples: Ricardo deixa o governo; Silvio assume uma vaga no primeiro escalão do Estado. De tabela, o vice Carlos Roberto Pupin ganha a vaga de Silvio.

Ainda que possa parecer estranha a “construção” idealizada por Ricardo Barros, ela é bastante coerente. E só traz ganhos para o grupo que hoje comanda a cidade.

Raciocínio simples…

Ricardo não precisa da vaga de secretário. Pode até integrar o governo federal. Como vice-presidente nacional do PP, articulador político que é, fazer parte da equipe de Dilma não é uma impossibilidade. Pelo contrário. Por outro lado, não ter um cargo político também não lhe fará falta. Ele coordenará nacionalmente as campanhas do partido às prefeituras municipais. Portanto, livre, pode fazer muito mais.

Já o prefeito ficará sem mandato em 31 dezembro do ano que vem. Ter uma posição de destaque no governo estadual é um bom negócio. Dá visibilidade a Silvio Barros. Algo que fará diferença para a disputa de uma vaga em 2014 – seja para a Câmara Federal ou Assembleia Legislativa.

Quanto ao Pupin, paga-se uma espécie de dívida política com o vice, que sempre esteve ao lado de Ricardo e Silvio, mas teve pouquíssima visibilidade durante esses sete anos de administração. Além disso, por alguns meses, garante a projeção que ele não teve na gestão e que rende votos numa provável disputa pela prefeitura de Maringá.

Quer mais? Caso Pupin se torne prefeito já no início do ano, ele terá anulada a chance de disputar a reeleição em 2016, abrindo espaço para outro nome do próprio grupo. Quem sabe a própria Cida Borghetti, esposa do Ricardo.

É uma jogada de mestre. Basta saber se a população vai aceitar bem. Em especial, que desgaste poderá causar a imagem do bem avaliado prefeito Silvio Barros.

Vamos aguardar…

A noite de lançamento do Manual de Redação da CBN

A CBN sempre me empolga. Acho que poucas vezes tive a chance de trabalhar numa empresa que pudesse me fazer tão bem. Diria que todas as experiências anteriores foram especiais. Não tenho ressentimento de nenhum lugar. Só boas lembranças. Entretanto, fazer parte da “rádio que toca notícias” é um orgulho. Sinto-me bem todas as vezes que a luz acende e vejo “no ar”.

Entretanto, o sentimento de satisfação não fica restrito à apresentação do jornal. Ontem, por exemplo, escrevi e vivenciei mais um grande momento da minha história na CBN.

Foto de Renata Thomazi

Mariza Tavares - foto de Renata ThomaziRealizamos o lançamento do Manual de Redação. O evento serviu para comemorar os 20 anos da rede e os 13, em Maringá. Foi no Hotel Bristol e contou com a presença de Mariza Tavares.

Para quem não sabe, Mariza Tavares comanda há CBN em todo país há 10 anos. Antes disso, porém, foi do jornal O Globo, trabalhou na sucursal da Veja no Rio… É uma jornalista respeitada e digna da posição que ocupa.

Mais que fazer uma palestra, a diretora geral de Jornalismo da Rede optou por um formato mais leve, informal e entendeu que seria interessante um bate-papo com os âncoras da emissora local. Por conta disso, eu e o Gilson Aguiar fomos desafiados a dividir com ela esse momento importante de discussão sobre a profissão, redes sociais, ética e o próprio manual da CBN. Uma atitude generosa de alguém que sabe muito sobre Jornalismo, rádio e que comanda alguns dos melhores profissionais do país.

Foto de Luís Claudio

Gilson Aguiar - Foto de Renata Thomazi
Tive o privilégio de dar as boas vindas aos convidados. Gente que faz parte do nosso dia a dia – alunos, colegas de profissão… enfim, amigos estavam ali para prestigiar o evento. Impossível não sentir uma pontinha de orgulho por fazer parte de um momento tão especial para um grupo prestigiado de comunicação. Impossível não sentir-se agradecido pelo privilégio de estar com amigos, conversando sobre algo que é minha paixão: o jornalismo. E isto num ambiente repleto de pessoas em que muitas delas me conhecem por minhas aulas, por meu desempenho no radiojornalismo ou simplesmente pelos contatos profissionais.

Em momentos como estes é possível entender o quanto é fundamental trabalhar com o que se gosta, com pessoas que admiramos, tratando com gente diferenciada, em lugares que fazem a vida valer a pena. Nessas horas entendemos que o que é ter prazer com o que se faz.

Renato Russo e a nossa música

Faz 15 anos que Renato Russo morreu. A fim de homenageá-lo, pedi aos amigos do Facebook que sugerissem uma música do cantor e compositor. A ideia era escolher três ou quatro para colocar trechinhos no final do jornal. Em poucos minutos, foram mais de 30 comentários. Quase 20 músicas sugeridas.

Cá com meus botões, fiquei pensando: bons tempos aquele em que artistas construíam uma trajetória de sucesso colocando em evidência tantas músicas e com poesias tão belas. Bons tempos aqueles em que o tempo não silenciava as canções. Pelo contrário, eternizava-as.

O que dizer de “Será“, primeiro sucesso do Legião Urbana? E “Pais e filhos“? O ritmo intenso e a letra dura de “Que país é esse“? Dá para contestar “Monte Castelo”?

Renato foi músico, letrista… Daqueles artistas completos. Tinha uma bela voz, interpretação que emocionava, filosofava com suas canções e ainda era politizado.

Bem diferente do que a gente anda vendo por aí, né?

Desde ontem estou “ensaiando” para escrever um texto sobre a pobreza de muitas das canções que, atualmente, embalam milhões de pessoas. Espero postar ainda nesta terça-feira. Entretanto, hoje, ao lembrar da morte de Renato Russo, lamentei ainda mais a morte precoce de artistas tão completos que, ao nos deixarem, também levaram com eles um pouco da beleza, poesia e profundidade da nossa música.

Projeto que aumenta salários dos vereadores afronta a inteligência dos maringaenses

Junho de 2008. Este é o mês. E tem um dia: 10. Dia 10 de junho de 2008 é a data em que os vereadores de Maringá rejeitaram o projeto que previa aumento de salários para a legislatura 2009-2012. Na época, estava em votação um acréscimo de 29,8%. Isto garantiria a eles um subsídio de R$ 7,4 mil. Mas, por 11 votos a 4, o projeto foi rejeitado. E isso aconteceu depois da forte pressão da sociedade. Foi uma vitória do povo.

Acontece que nossos nobres parlamentares resolveram ressuscitar o aumento. Sim. Ressuscitar é o termo.

Vou explicar…

Terça-feira passada, dia 13, junto com os projetos que previam aumento no número de cadeiras no Legislativo, um outro tratava dos salários. E, segundo o texto, os subsídios dos vereadores serão de R$ 9,4 mil a partir de janeiro de 2013. O projeto não foi votado, mas pode ir a plenário ainda nesta quinta-feira.

Como a Câmara chegou a esse valor?

Simples. Foi lá atrás, buscou o aumento rejeitado em 2008, projetou as perdas inflacionárias até o final de 2012 e, fechado o cálculo, chegou aos R$ 9,4 mil.

Ou seja, mandou “tirar a pedra” e está tudo pronto para ressuscitar o morto. O aumento salarial rejeitado em 2008 foi resgatado. É como se o projeto do final da legislatura passada não tivesse sido reprovado por 11 votos; apenas ficado “guardado” na gaveta da presidência para ser analisado num momento mais oportuno.

A proposta de aumento salarial dos vereadores é uma agressão aos cidadãos maringaenses.

Os parlamentares estão afrontando a inteligência dos eleitores. Estão rindo da nossa ingenuidade.

Chegam para nós, dizem que não é aumento, só uma reposição da inflação e ficamos em silêncio.

Desculpem-me, caros edis, não é o que acontecendo.

Em 2008, os senhores rejeitaram o aumento. Disseram para a população:

– Concordamos com o povo; abrimos mão do aumento. Vamos continuar trabalhando pelos mesmos salários.

Esse foi o discurso ao final daquela votação do dia 10 de junho de 2008. Então, como agora querem o que ficou para trás? Não abriram mão do aumento? Por que agora querem os atrasados?

Os parlamentares agem como o dono de um imóvel que, ao final do contrato, diante das reclamações do locatário, diz:

– Tudo bem, não vou aumentar o aluguel.

Acontece que, depois de mais um contrato, ele agora pede o aumento do último período e ainda o do contrato que já havia sido encerrado um ano atrás.

É mais ou menos isso que os vereadores de Maringá estão fazendo.

Eles não querem a inflação apenas desse mandato. Querem recuperar também o que já haviam rejeitado. E com o singelo discurso que trata-se só da inflação.

Não, senhores. Não é só a inflação. Se for para recuperar as perdas do período, devem tratar apenas dessa legislatura. O aumento referente às perdas de 2005-2008 já foi rejeitado. É assunto enterrado. Morto.

O que os nobres parlamentares estão se atrevendo a fazer é operar o milagre da ressurreição. Com a diferença, que dar vida ao morto dessa história aqui só traz alegria para eles mesmos.

Como cidadãos e eleitores, está na hora de deixarmos os aplausos dados aos vereadores por rejeitarem o aumento no número de cadeiras do Legislativo e assumir nosso papel, cobrando coerência e justiça no que diz respeito aos salários.

Atualizado: O projeto que trata dos salários não vai mais tramitar em regime de urgência. Portanto, segue nas comissões e talvez só volte ao plenário no próximo ano. É uma primeira vitória da sociedade.