Artistas descartáveis

fama

Um dos temas mais recorrentes em aula, quando discuto com meus alunos sobre a música contemporânea, é a efemeridade do sucesso. Os anônimos de hoje podem ser celebridades amanhã. As celebridades de hoje podem ser artistas tidos como fracassados amanhã.

Na verdade, não considero um fracasso aqueles que deixam de estar em evidência na mídia; penso que são apenas vítimas de uma lógica cruel. Artistas são produtos. E semelhante à moda que vive momentos – as chamadas tendências da moda -, os produtos da indústria cultural são descartáveis. Permanecem apenas alguns nomes que resistem aos modismos.

Pensava nisto nesta manhã quando vi uma nota no F5, da Folha.

Após cobrar R$ 120 mil no auge, Naldo agora faz shows por R$ 15 mil

Eu nunca ouvi nada desse funkeiro. O máximo que conheço da voz dele foi por “trombar” com um comercial de uma operadora de celular. Também vi alguns títulos de notas publicadas em sites sobre a carreira dele, e em especial a respeito do casamento com outra celebridade do momento, a Mulher Moranguinho.

Não sei se Naldo é bom ou ruim. Nem estou interessado em saber. Entretanto, quando vira notícia por reduzir o cachê, a mídia inicia o processo de desconstrução da imagem. Repete uma fórmula conhecida: o sucesso ou o fracasso das celebridades vende notícias. Quando parar de vender, o artista sai de vez do cenário midiático – terá cumprido seu ciclo (do anonimato à fama, da fama ao limbo).

É fácil perceber o quanto são descartáveis. Se voltássemos no tempo, e não precisa ir tão longe… cinco anos atrás, notaríamos que muitos daqueles que estavam em destaque, já foram esquecidos. E os sobreviventes geralmente são aqueles que já tinham história e alguns poucos que têm talento de fato ou criaram uma identificação maior com o público, adaptando-se, principalmente, às novas tendências.

Como produtos, os artistas são usados pela indústria. Interessam enquanto geram lucro. Depois, muitos deles praticamente pagam a fim de encontrar uma casa de shows que abra espaço para se apresentarem – ou, no caso de atores, se submetem a fazer qualquer programa de humor, filme de quinta categoria etc para manter viva a carreira. Simplesmente perderam o encanto. E a insistência de alguns deles em sobreviver até parece incomodar. É a cultura do descarte que se repete dia após dia, com a concordância de todos nós, consumidores de “arte”.

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Exibicionismo na rede, noticiário e o leitor

rede
Na lista de sites que espio diariamente está o Globo.com. Noto com freqüência que entre as notícias relevantes, também há inúmeras bobagens. Entretanto, parece cada vez mais recorrente as publicações baseadas no exibicionismo virtual de certas “estrelas”. Hoje, entre outras, encontrei:

Com calça colada, Gracy Barbosa agradece por mais um dia de trabalho

A “notícia” dá conta de uma publicação de Gracyanne Barbosa nas redes sociais. Noutra, Joana Prado aparece pronta para malhar:

Joana Prado acorda cedo e posta na internet: ‘Já malhei e adorei a Deus

Nas informações do esporte, também existe espaço para o exibicionismo:

De short minúsculo e saltão, Daniele Hypólito dá bom dia: ‘Bora treinar’

Sempre me questiono sobre a atuação do jornalismo. Entretanto, como sustento para meus alunos, a informação oferecida tem uma referência principal: o gosto do público. O público é voyer, logo tornou-se “normal” o “noticiário” baseado no exibicionismo de “estrelas”. Além disso, brinca-se à vontade com a libido masculina. Funciona!

Quanto aos hábitos de se mostrar na rede, aí só pode ser carência mesmo, necessidade de curtidas e comentários. Sintoma de solidão e falta de afeto.

Xanddy e Carla Perez: reféns da fama

Como estou reclamando do mundo, vamos a mais uma. O que o público tem a ver com a vida íntima dos famosos? Com o casamento das celebridades?

Gente, será que não temos mais nada pra fazer não?

É fato histórico. Desde sempre foi assim. Na antiguidade, sabia-se da vida dos nobres pelas cozinheiras, pelos serviçais. Tecnologicamente e economicamente, evoluímos. Mas, no comportamento, somos parecidos com nossos antepassados.

As pessoas se interessam pela intimidade dos outros. Principalmente, se são pessoas importantes. Entretanto, essa curiosidade, esse de consumo voyer, me incomoda profundamente.

Tudo bem, sou rabugento, chato mesmo. No entanto, o famoso não tem direito nem de curtir uma crise entre quatro paredes. O que acontece – e até o que não acontece – vai parar na imprensa.

Vi hoje a reclamação de Xanddy, marido da Carla Perez. O sujeito usou o Instagram pra negar a crise no casamento. Mas a sua reclamação maior não foi em função do constrangimento pra ele e pra mulher. Foi por causa dos filhos.

Nossos filhos são os mais atingidos. São crianças e ficam sendo interrogados.

É bem isso mesmo. As crianças, que nada tem a ver com a história, são inocentes, pagam um preço alto por serem filhos de famosos. O povo fala da celebridade e a família paga a conta.

Não me parece justo.

Aí alguém pode dizer: “ah… mas é só não ter problema”. Ignorância demais, né? O fato de se tornar conhecido não isenta a pessoa de problemas. E a fama nem deveria representar uma prisão, como infelizmente ocorre.

Acho que tudo poderia ser muito mais simples se o público se dispusesse a ser apenas isso: público. Com direito a ser fã. Mas sem cultuar seus ídolos a ponto de invadir a vida privada deles.

PS – Claro, tem celebridade que escolhe exibir sua intimidade. Mas aí é uma outra história.

Trabalhar de biquíni não é prostituição

A afirmação não é minha. É da panicat Babi Rossi. A mesma que teve a cabeça raspada, ao vivo, no programa Pânico, da Band.

Em entrevista a revista Quem, ela defendeu seu trabalho e respondeu as críticas daqueles que a julgam por se apresentar de biquíni no horário nobre da televisão.

Falam que somos garota de programa, só porque você está de biquíni. Mas, gente, é uma beleza, é tão natural, o corpo humano é tão bonito. Adão e Eva nasceram pelados! Deus fez a gente assim, então, qual é o problema? Eu estou ali de biquíni, mas estou trabalhando.

Babi tem razão. Exibir o corpo na telinha não a define como prostituta (embora a prostituição também possa ser um trabalho). O fato de desfilar diante das câmeras com biquínis minúsculos não significa que seja garota de programa. E ainda que outras colegas de Pânico já tenham agido como prostitutas de luxo, ninguém pode dizer – até que provem – que ela também faça sexo por dinheiro.

Enfim, como já disse por aqui, não é o tamanho da roupa nem o que a pessoa veste que define o que ela é.

Entretanto,  embora o corpo humano seja bonito – em especial, os dessas garotas, escolhidas por seus atributos físicos para se exibirem na televisão -, Babi não pode negar que se vende. A panicat não pode posar de inocente. Ninguém desfila com pouca roupa diante de câmeras de TV porque é um “traje” mais confortável. A razão é conhecida: mexer com a libido do público, seduzir, provocar e garantir audiência.

Ou seja, meninas de biquininho na TV são estratégia de audiência. É pra prender sujeito mal resolvido na frente na televisão… A proposta é jogar com o desejo, com a vontade. Essas garotas estão ali para chamar a atenção do público não pelo conteúdo intelectual do programa, mas sim porque seus corpos atraem olhares, despertam o que há de mais instintivo. Ainda que não passem de experiências imagéticas, essas garotas atuam no campo do prazer.

Panicats e afins – bailarinas, auxiliares de palco etc – podem não vender seus corpos para o sexo. Mas os entregam a um outro mercado: o do espetáculo e da sedução vulgar. Vendem seus corpos como produtos que atendem a um desejo voyer do telespectador. Elas não estão ali porque falam bem, porque têm grandes ideias, porque são geniais. São mulheres que aceitam ser objeto… objeto de desejo, mas objeto. O produto delas não é o conhecimento. É o corpo. Por isso, também são descartáveis. Têm data de validade – como qualquer outra mercadoria.

Xuxa, Galisteu e o “espólio” de Ayrton

A Xuxa foi no Pedro Bial e disse que procurou o Senna pra voltarem. A Adriane Galisteu, namorada do então piloto, ficou mordida e usou o twitter pra expressar seu descontentamento.

Esse é o resumo do novo embate público entre Xuxa e Galisteu. E tudo por causa de um ex-namorado. Famoso sim. Ídolo sim. Mas… morto. E o coitado nem está aqui pra se defender.

Já escrevi sobre a Xuxa no blog. Já defendi o direito dela de se expressar e revelar ter sido vítima de abuso. Mas tem coisas que são muito imbecis.

O mundo todo sabe do romance dela com Ayrton. Todos os fãs também sabem que, quando ele morreu, o piloto estava com Galisteu.

O que seria elegante da parte da Xuxa? Respeitar isso.

Sabe o que mais? A família dele deveria fazer o mesmo.

– Ah… mas a família não gostava da Adriane. Preferia a Xuxa; alguém aí talvez possa dizer.

O que isso tem a ver com a história? Quando morreu, ele estava com a então modelo. Não era com Xuxa. Ponto final. Dona Viviane Senna, principalmente ela, deveria agir com a elegância de uma mulher que sabe ir além da habilidade de sustentar-se sobre um salto alto.

E tem mais… Se a Xuxa e a família de Ayrton não sabem lidar com isso, a Galisteu também não. O que ela ganha em expressar publicamente seu incômodo diante dessas declarações? Nada. Não ganha nada. Fica parecendo uma viuvinha traída. E pior, deve deixar o atual marido desconfortável.

Convenhamos, né? Um pouco mais de compostura e respeito até a memória do morto seria de bom tom.

O engraçado é que essas celebridades só reproduzem em escala midiática o que muita gente faz no dia a dia. E o “falecido” nem precisa estar literalmente morto. Tem gente que passa a vida inteira sem enterrar de vez um romance que acabou. E, por vezes, ainda fica disputando com outras ex quem foi a mais amada.

Socorro, viu? Vamos viver! A vida se faz com olhar voltado para o que está adiante, não no retrovisor.