Sofrer por ciúme

ciume_sofrimentoO ciúme é um dos sentimentos mais nocivos no relacionamento. Entretanto, por mais estragos que faça, nem sempre se resume a um “não querer sentir”.

É verdade que um ou outro pode achar “gostoso” o fervor gerado por esse sentimento. Algo do tipo “se não sofro, não amo” – como se todo amor precisasse de um drama. Mas, como regra, penso que a maioria das pessoas não se sente confortável com as sensações causadas pelo ciúme.

Quem não é “doente” de ciúme, geralmente olha para o ciumento e acha que basta “desligar a chave” ou controlar-se. Não é assim que funciona. Como afirma a educadora e especialista em relacionamentos Marcia Baczynski:

Querer deixar de sentir ciúme é tão inútil quanto querer deixar de sentir tristeza. É uma emoção, simplesmente, vai continuar sentindo.

O ciúme não é como um aplicativo de celular que você baixa, usa… E se não gostar, desinstala. Há uma origem pra isso. Pesquisadores apontam que começa na infância, como resultado da forma como a criança se relaciona com a mãe – ou com o cuidador. Dependendo do tipo de afeto, da estrutura desse relacionamento, vai ter mais ou menos segurança no convívio com a pessoa amada. Por isso, o ciúme é quase como um aviso, um alerta da mente de que há um risco. Risco de perder. E esse perder nem sempre é um perder o parceiro/a parceira no sentido sexual. Pode ser o risco de perder a admiração, o encantamento… No romance, a pessoa deseja ser o herói, a heroína ou a musa (ou até a melhor cozinheira) do parceira/da parceira e, por isso, teme que outro alguém ocupe esse lugar. Ou seja, nem sempre tem a ver com cama.

Superar esse sentimento, portanto, não é coisa que se aprende. Não basta ler um texto sobre o assunto, dicas na internet ou um livro de auto-ajuda. Ciúme não se deixa de sentir. O que dá para fazer é aprender a trabalhar com ele, manejá-lo, entendê-lo e tentar reagir de outras maneiras, principalmente não fazendo o parceiro infeliz. Requer esforço, leva tempo e precisa de paciência, tolerância. De todos envolvidos.

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Ciúmes do que não vê

Na distância, o ciúme cria imagens, fantasmas

É horrível estar distante dela. Não saber como está, com quem está, o que está fazendo. Estaria falando com alguém? E como estará vestida? Será que está atraindo os olhares de alguém? Teria alguém a paquerando?

Relacionamentos são mesmo complicados. Estando perto ou distante, nem sempre é possível controlar certos sentimentos. O ciúme é um deles. Às vezes, nem é um ciúme exagerado, possessivo. Mas acaba machucando.

E, pra quem tem, a ausência é uma das situações mais complicadas. Na distância, falta controle. Não há o que fazer. Perde-se a referência. E a mente começa a girar. Cria imagens de todas as formas. Em alguns momentos, até fantasmas.

Enquanto as horas passam, a boca seca, o coração fica acelerado. Aparecem aqueles “tiques nervosos” do tipo mexer os pés sem parar, não conseguir manter-se muito tempo no mesmo lugar, tamborilar os dedos… O corpo transpira. Falta concentração.

O que fazer?

O negócio é mais complicado do que parece.

Costumo brincar que só resta mergulhar nos próprios sentimentos, experimentar a angústia ou enfrentá-la. Não é simples, é claro. Sentimentos assim estão dentro da gente. Não se diz: fique bem, fique em paz. Porém, é preciso entender que não faz bem para o coração. E pode desgastar o relacionamento.

Se fica só com a pessoa, incomoda, mas machuca um só. Se é transformado em cobranças, ligações a cada minuto, causa irritação e mágoa.

Acho sim que vale conversar com o outro. Tentar entender o cenário em que o parceiro ou parceira vai estar. Negociar pequenos comportamentos que desagradam e tentar manter uma certa proximidade, mesmo na distância. Entretanto, a melhor saída ainda amar a si mesmo e desenvolver um relacionamento de confiança, cumplicidade e compromisso mútuo.

A insegurança que nos mata

Uma das coisas que mais faz sofrer é a insegurança. No relacionamento, machuca demais. Rouba a alegria, gera constante estresse e, por vezes, motiva conflitos com o parceiro – que podem resultar até mesmo em separação.

Como não ficar inseguro quando a namorada faz uma viagem com amigos e você não está lá e nem conhece todo mundo que está com ela? Como não sentir-se incomodado se ele sai com amigos para uma festa, que terá várias outras garotas e você sabe que, por mais correto que seu amor seja, ele não é o tipo que passa por um ambiente sem chamar atenção? Como evitar a insegurança se as amigas dela não gostam de você e fazem de tudo para criar um ambiente favorável pra que ela conheça outros homens?

Complicado, né?

É difícil encontrar quem não tem uma dosezinha de insegurança. Nem que seja bem pequenininha. Pode até ser para situações muito específicas – bem diferentes das que listei. Mas a insegurança está lá… E incomoda. E sabe de uma coisa? A própria Psicologia explica explica, mas não dá conta de tratar de forma satisfatória desse sentimento. Afinal, teorias não silenciam a dor do coração. E quem sente só queria uma coisa: não sentir-se inseguro. Ou “prender” a pessoa amada para não correr o risco de perdê-la. Como não dá, o negócio é lidar com esse medo.

Semelhante a outros sentimentos, a insegurança tem origem na nossa própria história. No relacionamento, também pode ser motivada pela dinâmica do romance. Mas, em geral, embora internalizados, o medo e a insegurança vêm das “ameaças” externas.

Nascemos indefesos. Somos dependentes. A maneira como somos educados pode nos levar à autonomia ou a eterna dependência afetiva. Como não existem pais/educadores perfeitos, todo mundo desenvolve algum tipo de “transtorno” emocional. E aqueles que não são inseguros podem até ter confiança em excesso – o que também não é bom.

Encontrar o equilíbrio – que é o que todo mundo precisa – não é tarefa fácil. Depende de constante autoconhecimento. E de uma luta consigo mesmo.

Dá pra evitar o incômodo diante dos quadros que listei acima? Difícil, né? Como ficar bem se você sabe que seu namorado está num ambiente favorável a ser alvo de piriguetes ou de “mulheres bem sucedidas”? Tem que confiar muito nele e no próprio taco. Rsrs. Até dá pra controlar o ciúme exagerado, as perguntas insistentes, as ligações de quinze em quinze minutos… Mas impedir o coração de ficar angustiado é uma outra história.

Tem coisas que acontecem no coração que não é tão simples evitar. A pessoa não escolhe ficar insegura. A pessoa não escolhe ficar triste. A pessoa não escolhe sentir ciúme… Ninguém escolhe sofrer. As atitudes que temos diante dos fatos até podem significar escolhas. Mas nem sempre são conscientes.

Sinceramente… eu não tenho respostas pra esse tipo de dor. Apenas entendo que, se está machucando, é necessário reconhecer que tem algo errado. E se não está bem, e a relação é que produz essa ansiedade toda, dialogar com sinceridade ajuda – embora não signifique o fim desse sentimento, pois ele nasce, como dissemos, nas “ameaças” externas (e ninguém vai trancar o namorado em casa).

Outra coisa a fazer é identificar e reconhecer a própria história. A vida da gente, aquilo que já passamos, motiva muito do que sentimos. Às vezes, o problema está na gente… numa carência afetiva desenvolvida ao longo da infância e adolescência. Entender também a dinâmica do relacionamento e perceber se ele tem base sólida é fundamental para continuar – ou não – apostando no romance. Se o parceiro ou a parceira tem histórico de infidelidade e é, por isso, que gera medo… Se o relacionamento não tem compromisso… Se há dúvidas sobre o amor do parceiro… Talvez o melhor seja dar um ponto final. Não vale viver angustiado por algo sem futuro.

Quando a desconfiança mata o relacionamento

Dizem por aí que uma pitada de ciúme faz bem. Não duvido disso. Na medida certa, o sentimento pode esquentar o relacionamento. Um pouquinho de ciúme revela cuidado, desejo, vontade, querer… Mostra que não quer perder, que se importa, que o outro é o seu bem maior.

Entretanto, diferente do ciúme existe a desconfiança. E a desconfiança não faz bem. Machuca, afasta, separa, destrói.

A desconfiança pode surgir por dois motivos. A primeira, quando o parceiro tem um comportamento que gera, que provoca o sentimento no outro. Em outras palavras, a pessoa dá ou deu motivos para isso. Quem sabe já tenha sido infiel, vive um relacionamento desapegado… Em algum momento do relacionamento, perdeu o interesse no romance.

O segundo motivo para a desconfiança é de ordem particular. Muito pessoal. Está na cabeça do desconfiado. Pode até ter uma razão externa: ter sido machucado no passado, traído noutro relacionamento, por exemplo. Entretanto, não tem a ver com o parceiro atual. A pessoa não se curou. A insegurança é dela, mas ainda assim leva isso para o relacionamento.

Esse sentimento é bastante perigoso. Geralmente, gera brigas, enfrentamentos e muita mágoa. A pessoa que é alvo da desconfiança pode fazer tudo, tentar mostrar-se confiável, fiel, mas nada põe fim ao problema. O sentimento está ali, corroendo ambos. Os dois sofrem.

Outras vezes, a desconfiança se dá de maneira silenciosa. Pode não haver o confronto, mas existe a vigia constante. O desconfiado sente necessidade de ter as senhas do email, facebook, twitter, instagram e todas as redes sociais. Quer ver o extrato bancário. E o celular, o whatsapp são objetos de constantes “investigações”.

Com ou sem brigas, a vítima sente-se acuada. Aos poucos, entristece e, por mais que ame o outro, vai se afastando. Passa a viver tensa, começa a ver fantasmas; acorda no meio da noite assustado. Tem medo até de si mesmo. Da pior maneira, descobre que não há graça naquelas crises. No início, talvez, até se sentia bem com as discussões motivadas por tanto “cuidado”. Entretanto, o tempo acaba roubando o “encanto” do que parecia ser inofensivo e revela o monstro da desconfiança que envenena o romance, tira a paz, a segurança, a felicidade do relacionamento.

Relacionamentos são baseados na confiança. Quando o laço é quebrado ou já não existe, dificilmente se sustentam. Ainda que haja o desejo de tentar, de investir, enquanto houver dúvida, não haverá espaço para um amor pleno.

As revistas da semana

VEJA: – O poder da autoajuda. Não adianta torcer o nariz. Entenda por que milhões de brasileiros encontram nesses livros inspiração, amparo e soluções reais para seus problemas. Ainda na edição, a importância do ciúme. Pesquisadora sustenta que o ciúme funciona como um detector de ameaças, de que algo de errado está acontecendo na relação. O custo de nossa falta de pontualidade. As estatísticas mostram que a ineficiência dos serviços públicos e privados no país rouba horas preciosas dos cidadãos. A origem disso é também cultural: o Brasil tem um dos povos menos pontuais do mundo.

ÉPOCA: O Brasil empreendedor. As histórias inspiradoras de gente que abriu um negócio próprio, mudou de vida – e está construindo um novo país. A revista traz sete lições para quem quer começar a empreender. Também na edição, Almodóvar e Penélope Cruz revelam os bastidores de seu novo filme. O cineasta ainda diz que o mundo ficaria louco sem ficção. E a briga entre os parentes pelo legado de Chico Mendes.

ISTO É: 11 perguntas que a ciência não consegue responder. Tudo sobre misteriosos fenômenos, como a cura pela fé, o fim do mundo e a premonição, que ainda desafiam o conhecimento humano. Marajás: o Tribunal de Contas descobre mais de mil funcionários públicos com salários milionários. A Isto É trata das perdas que José Serra terá se concorrer à presidência da República. O tucano tem muito a perder se deixar o governo paulista. Por isso, só entrará na briga nacional se conseguir fazer da campanha uma disputa entre ele e Dilma e não entre FHC e Lula.

CARTA CAPITAL: Personagem do mundo. Lula não é só o presidente mais popular do Brasil. Ganha também aprovação planetária. Ainda na edição, o Ministério Público volta a atuar contra os crimes de repressão e o enredo de poder e sangue na Itália.

Uma doença chamada ciúme…

Texto produzido para o programete que faço na Rede Novo Tempo.

Quero voltar a falar sobre a relação dos pais e filhos… Quero falar sobre este assunto ainda sob a perspectiva da tragédia que aconteceu em Santo André. Por mais que o assunto possa parecer repetitivo, é importante refletir sobre aspectos que dizem respeito a nossa vida. A morte da adolescente Eloá, o drama sofrido pela amiga dela, a Naiara, e a prisão de Lindemberg devem servir de estímulo para aprendermos algumas lições.

A primeira delas: muitos pais estão criando futuros Lindemberg’s. É isto mesmo. Não estou dizendo que os pais estão preparando assassinos. Estou afirmando que tem muito pai e mãe por aí ensinando os filhos a serem egoístas a ponto de entenderem que é direito deles terem acesso a determinados bens. Lindemberg matou Eloá porque entendeu que a menina só poderia ser namorada dele; e de mais ninguém.

Esse rapaz não foi preparado para experimentar a frustração. E a frustração faz parte da educação. O ser humano precisa saber lidar com a frustração. Temos que entender que não podemos ter tudo que queremos. Mas o pai e a mãe que dão tudo que o filho quer estão prestando um desserviço à sociedade. A criança de hoje vai se tornar um adulto que não sabe lidar com os “nãos” da vida. E você sabe, a vida reserva muitos “nãos” pra todos nós.

Infelizmente, Lindemberg não soube ouvir um não da Eloá. A história terminou do jeito que você já sabe…

Além de dizer não para nossos filhos e não poupá-los da frustração, a segunda lição que devemos aprender é: o ciúme é uma doença. É uma doença que precisa ser combatida. E o ciúme também é aprendido. O ciúme surge por insegurança, por falta de auto-estima e pela ausência de uma orientação adequada.

Os pais precisam ficar atentos. O ciúme se manifesta muito cedo. Seja no trato da criança com os amiguinhos ou mesmo no relacionamento da criança com os pais. Quando notado, o ciúme precisa ser tratado para impedir que se torne um sentimento continuo. Muitos crimes passionais são cometidos por ciúme. Isto sugere que esse deve ser combatido.

E aqui um último recado: se você encontrar alguém muito ciumento pelo caminho, evite essa pessoa. Não aceite certos comportamentos como naturais. Em toda relação, um certo cuidado é natural, necessário. Mas quando motiva brigas, retaliações, acessos de raiva, há indicações claras de que o sentimento pode motivar ações irracionais.