Por que os homens mentem?

Será que dou conta de responder? Acho difícil, é complexo demais. Mas, reconheço, o tema é desafiador. Sinceramente, e não estou mentindo, não tentaria sequer levantar hipóteses a respeito do assunto. Afinal, as razões podem ser as mais variadas. Entretanto, vou me atrever e listar aqui algumas considerações em respeito a uma amiga repórter que sugeriu que escrevesse sobre os motivos que levam um homem a mentir.

Até para defender minha “espécie”, diria que homens e mulheres mentem. E não venham me dizer que mentem mais que elas. Talvez poderíamos afirmar que as mulheres são mais competentes que nós. Fingem melhor. Por isso, conseguem sustentar uma mentira e até convencer-nos que se trata de uma verdade.

Mas, vamos em frente… Não faremos aqui uma “guerra dos sexos”.

Do ponto de vista bíblico, estamos tratando de um pecado. Além de condenado nos escritos sagrados, a Bíblia sustenta que os adeptos desse comportamento não entrarão no reino dos Céus.

Embora relevante, não vou discutir o assunto sob essa perspectiva.

Entendo que tal hábito, além de nocivo para o próprio indivíduo, pode resultar em mágoas, tristezas, decepções. Contudo, acredito que ninguém pode sustentar que nunca faltou com a verdade. Por motivos humanamente justificáveis – ou não – todos nós já mentimos.

Mente-se para explicar um atraso, para se dar bem nos negócios, evitar confronto ou agradar alguém e até para conquistar uma pessoa. Podem ser repetidas para não magoar a mãe que errou na hora de botar o sal na comida ou para explicar o encontro com a amante. “Inocentes” ou não estão sempre ali, prontas para serem ditas.

Numa relação, homens podem mentir para parecem mais másculos, competentes ou até carinhosos. Ainda são capazes de fazer isso para atraírem uma mulher ou sustentarem a infidelidade. Afinal, querem parecer ativos, competem entre si e, numa cultura machista como a nossa, levá-las para a cama é motivo de orgulho.

A sedução muitas vezes não é um jogo sincero. Máscaras são usadas para ocultar a face real com suas contradições, defeitos, inseguranças, medos. Elogios e gentilezas acabam sendo feitos motivados por segundas intenções. A disposição para se esperar pelo outro nem sempre é paciência ou compreensão. Não há garantias de que o abraço carinhoso é amigo. O sorriso ou a voz suave escondem a verdade. A verdade oculta, mascarada pode ser única e exclusivamente o desejo por sexo – e não necessariamente o compromisso. A mulher torna-se apenas objeto de conquista, um prêmio.

Não há remédio para tais mentiras. Elas sempre serão estratégia repetida por muitos homens. Classificá-los todos como iguais – ou acreditar que nunca haverá gestos sinceros – também é cometer um erro. Por isso, sempre haverá oportunidade para se encontrar a pessoa certa, o homem certo.

Para essa minha amiga – e para outras mulheres que possam se interessar por este breve ensaio -, diria apenas que sejam menos inocentes, mais pacientes, prudentes e sábias. Nem sempre uma melodia faz uma canção. Nem todos os elogios, sorrisos e palavras são sinceros. A observação atenta, e não precipitada, pode resultar em boas escolhas e no encontro do parceiro ideal.

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Está tudo bem?

Faz parte de nossos hábitos. Daqueles que repetimos sem ao menos pensar. Encontramos alguém e logo perguntamos: “está tudo bem?”. Não nos damos conta necessariamente do que representa a frase. Simplesmente verbalizamos. É uma maneira gentil, educada de abordar as pessoas. Escapa quase que de maneira inconsciente.

Dia desses, estava num velório. Observava as pessoas cumprimentando a viúva. De repente, chega um amigo da família. Ao falar com a mulher que tinha perdido o marido, logo tascou: “tudo bem com a senhora?”. Do meu canto, em silêncio, foi impossível não esboçar um sorriso. Aquele homem acabara de cometer uma gafe.

O fato só revela o quanto essa frase é repetida mais por um hábito do que necessariamente por uma preocupação real nossa com o que está sentindo a outra pessoa. Claro, existem exceções. Como também existem pessoas que, ao ouvir um “tudo bem?” já começam a expor toda sua vida. Ali desfilam os problemas no trabalho, no casamento, com vizinhos… enfim. E quem simplesmente quis ser educado, acaba ouvindo o que não esperava – ou não desejava. Afinal, o diálogo obvio é mais ou menos este:

– Tudo bem?
– Sim, tudo bem. E você?
– Está tudo bem, graças a Deus.

Gosto dessa troca de gentilezas. Como tantas outras pessoas, repito com freqüência. Mas confesso que a frase “está tudo bem” me incomoda um pouco. Às vezes, chego a evitar a resposta. Não pelo fato de não estar me sentindo bem, mas porque me pego pensando na profundidade do que representaria essa pergunta.

Sei. É meio filosófico isto, mas pare para pensar um pouco: o que é estar tudo bem? Não vale estar bem só de saúde. Também não pode ser apenas financeiramente. E se a saúde vai bem e a carteira também, ainda assim não dá para dizer: “está tudo bem”. Para essa condição se realizar, é preciso ir além.

Você pode ter dinheiro, mas estar infeliz com o emprego; pode ter uma boa casa, mas ter um péssimo casamento; ou pode ter um bom relacionamento com sua mulher, com seu marido, mas viver em tensão constante com a sogra; quem sabe está irritado porque seu carro vive dando problemas; ou ainda porque tem sonhos que nunca consegue realizar.

Estar tudo bem seria estar pleno. Numa condição de bem estar em todas as áreas da vida.

Não é possível viver sem os problemas cotidianos. Por isso, estar tudo bem é quase uma utopia. Sempre existirão espinhos. Alguns mais dolorosos; outros, menos. Mas estarão lá.

Uma resposta convicta, consciente – “está tudo bem!” – é quase um ato de fé. Também é uma necessidade, um motivo a se buscar, uma expressão, uma crença de que problemas existem, mas que nenhum deles é maior que a razão de nosso existir.

Descobrir as prioridades

A desistência de Orestes Quércia da disputa por uma vaga no Senado me fez pensar que há momentos em que descobrimos o que realmente vale a pena na vida. O ex-governador de São Paulo abre mão da corrida eleitoral por causa da saúde. Ele sabe o que é mais importante. Tratar-se do câncer, lutar para vencer a doença são suas prioridades. Nada mais importa.

Na nossa vida muitas vezes demoramos para descobrir quais são nossas prioridades. É comum arrastarmos por dias, meses e até anos determinadas situações que nos consomem. Simplesmente não tomamos uma decisão. As incertezas tiram o nosso foco e não conseguimos descobrir o que realmente é mais importante. Tem gente que chega ao final da vida sem ter vivido. E isto por não ter tido atitudes coerentes com seus sonhos, desejos, aspirações.

Na verdade, quem passa a vida sem se conhecer, chega ao final dela sem saber por que viveu.

As revistas da semana

VEJA: – O partido do polvo. A reportagem principal desta semana fala do PT e de como o partido tem estendido seus tentáculos na máquina pública. Desde 2003, quando Lula chegou ao poder, seus seguidores aceleraram uma operação de conquista de postos-chave do estado. Dos quarenta cargos mais cobiçados do governo, os partidários de Lula e filiados ao PT ocupam 22. Nesses postos eles controlam orçamentos anuais que, somados, chegam a 870 bilhões de reais. Isso representa um quarto do produto interno bruto brasileiro. Ou seja, que 25% da riqueza nacional está sob administração direta de quadros partidários e ligados a sindicatos e centrais sindicais, todos comprometidos com um programa duradouro de poder. Ainda na edição, o fim da versão impressa do Jornal do Brasil; e os efeitos das múltiplas atividades simultâneas no cérebro.

ÉPOCA: – A cartada de Serra. Em queda nas pesquisas, o tucano vai ao ataque e explora o crime cometido contra sua filha para tentar chegar ao segundo turno. Mulheres de 20, Quem são e o que querem as mulheres de 20. Uma pesquisa exclusiva revela a rotina, as aspirações e os dilemas de uma geração de brasileiras que está adiando a entrada na vida adulta. Elas têm tudo o que suas mães e avós não tiveram – liberdade, dinheiro e carreira –, mas ainda sonham com filhos. A vitória dos medíocres, como “Glee” abriu caminho para as séries que exaltam tipos fracassados.

ISTO É: – Sonhos, como usá-los na vida real. A ciência revela que sonhar deixa a memória afiada, ajuda a lidar com as emoções e nos treina para os obstáculos da vida real. FHC: um pote até aqui de mágoas. Alijado da campanha tucana, que prefere usar a imagem de Lula à dele, o ex-presidente deixa claro ao partido que está insatisfeito e ataca os marqueteiros de José Serra. Dois meninos, muitos sonhos e uma tragédia. Como era a vida dos mineiros que tentaram emigrar para os EUA, mas acabaram nas mãos de narcotraficantes mexicanos.

CARTA CAPITAL: O império vacila. The Economist: Como os EUA vão exercer o poder bélico após a retirada do Iraque? Perguntas sem respostas: a respeito das violações de dados secretos, pairam diversas dúvidas. Uma delas: como ligar as criminosas quebras de sigilo à sucessão presidencial?

As revistas da semana

VEJA: Casar faz bem. A reportagem mostra que em tempos modernos, em que a preocupação com a carreira ocupa tanto tempo, casar ainda está na moda. Ainda na edição, a Veja procura discutir a viabilidade de algumas promessas dos candidatos à presidência da República; a tatuagem: de moda a obsessão; e ascensão social do negro no Brasil.

ÉPOCA: – As 100 melhores empresas para trabalhar e as lições da campeã Google. Na empresa símbolo do trabalho no século XXI, um ambiente criativo e inspirador com tempo livre, mesa de bilhar, massagem – e até almoço grátis. Eles querem ser perfeitos: uma nova geração de narcisistas exige de si e dos outros nada menos que a beleza absoluta. Até onde isso pode levar? Segundo as pesquisas, a aposta do presidente Lula em derrotar senadores adversários e eleger no lugar uma bancada de amigos pode dar certo. E ainda tratando de política, Tiririca: Pior que está não fica? O início do horário eleitoral traz uma nova legião de candidatos cômicos.

ISTO É: – Nunca fomos tão felizes. Com a economia a todo vapor e os avanços sociais no país, brasileiros descobrem que nunca foram tão felizes. Eles compram carro próprio, viajam mais, adquirem casa própria e realizam seus sonhos. Celebridades e quase celebridades invadem o horário eleitoral apostando que o eleitor já não suporta os políticos tradicionais. Ossos de São João Batista, agora na Bulgária. A descoberta da suposta ossada do santo expõe a pressa de quem quer explorar a fé para ganhar dinheiro com o turismo religioso.

CARTA CAPITAL: – A Petrobras na mira. A estatal, entre os jogos do mercado, financeiro e a sucessão presidencial. Ministério da Defesa vai retomar buscas por desaparecidos na Guerrilha do Araguaia. Os materiais encontrados serão enviados para o Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília. PT decide processar Serra por usar Lula em propaganda na TV. A exploração da popularidade do presidente por um nome da oposição reforça a tese de que é personagem central de sua própria sucessão.