Algumas pessoas preferem ter uma vida pequena

Algumas pessoas escolhem ter uma vida pequena. Poderiam ser maiores do que são, fazer muito mais… Porém, optam por uma condição menor.

Não há problema em fazer esse tipo de escolha – desde que seja consciente. Talvez você tenha talento, capacidade, habilidades para ser um profissional de uma grande multinacional, trabalhando em Nova Iorque. Mas escolheu ficar numa cidade do interior, viver perto da família, criar os filhos com tranquilidade. Isso é digno! Afinal, ser bem sucedido não significa ter dinheiro, fama, poder.

Entretanto, algumas pessoas até gostariam de fazer coisas grandes. Mas parecem ter medo de ousar, de tentar, de experimentar…

Na vida, tudo tem um custo. Se eu quero passar no vestibular de Medicina numa instituição pública, tenho que dedicar 12 a 14 horas do meu dia estudando. E estudando um monte de coisas que não fará nenhuma diferença nos meus dias. Estudando matérias pelas quais não tenho a menor simpatia. Terei que encarar aulas com professores de todo tipo, inclusive não vou gostar de muitos deles.

Gente que escolhe ter uma vida pequena é gente que foge dos desconfortos diários, dos enfrentamentos cotidianos. Na escola, será pequeno aquele que escolhe as matérias que vai estudar e aquelas que vai deixar pra depois. Prefere o papo no whatsapp as horas debruçado sobre os livros.

No trabalho, será pequeno aquele que escolhe a alegria do happy hour do que ficar mais horas trabalhando no planejamento dos próximos meses.

No relacionamento, será pequeno aquele que escolhe ter razão do que engolir alguns sapos, silenciar certas palavras e abrir mão de certos desejos pessoais.

Pessoas que preferem ter uma vida pequena não querem o desconforto do suor, das feridas… Não querem sangrar na caminhada.

Sim, volto a afirmar, não há problema em escolher se pequeno. Mas é preciso saber aceitar essa condição, não viver se culpando, entender que a responsabilidade de uma vida pequena é sua e não dos outros.

Ele tem medo de compromisso

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Em que consiste o medo do compromisso? A pessoa tem mesmo uma espécie de bloqueio ou se trata apenas de uma desculpa para não se envolver de verdade?

Os pesquisadores do comportamento humano sustentam que as duas coisas podem acontecer. Porém, quem está do outro lado, ou seja, quem está envolvido emocionalmente com a pessoa que não quer o compromisso, muitas vezes sofre e sofre muito. Inclusive por sentir-se rejeitado(a).

A psicóloga Mila Cahue afirma que falar em “medo de compromisso” é tanto questionável. Não necessariamente porque não existe esse tipo de medo. Mas principalmente porque, hoje, existe uma confusão danada a respeito das expectativas envolvendo o relacionamento.

Tem gente que passa a viver junto quando ainda nem sabe direito o que sente pelo outro. A pessoa faz a opção de dividir o mesmo teto para conhecer o outro… E não por já conhecer e saber o que quer, o que espera da relação. Embora esse “modelo” possa parecer o ideal para algumas pessoas, acaba criando situações que podem resultar em problemas. Uma das partes pode sentir-se no direito de não assumir nada mais sério… Pode achar que está tudo bem pro outro… Pode se acomodar… Pode achar que esse “conhecer” não precisa ter um prazo pra virar outra coisa… E pior, quase sempre, uma das partes cria a expectativa de que já formam um casal; ou seja, é sério – quando, para o outro, ainda não é.

Na prática, o que acontece nesses casos é um descompasso nas expectativas. Enquanto pra um, está tudo funcionando como o previsto, para o outro, se estão juntos é porque possuem um relacionamento de compromisso pleno. Talvez por isso não seja recomendado morar juntos enquanto as pessoas não se conhecem de fato e não têm certeza do que desejam para elas.

Uma outra questão importante é que realmente tem crescido o número de pessoas que não querem se comprometer. Querem ter parceiras ou parceiros, dividir camas, ambientes etc, mas sem pensar em casamento. E embora para os mais tradicionais isso possa parecer um absurdo, faz parte da realidade. É necessário aceitar que hoje não há um único modelo de afetividade. Se a pessoa não quer chegar a um nível mais profundo de relacionamento, tem suas razões. Ela tem direito de fazer essa escolha. Cabe à sociedade, respeitar e ver com naturalidade que existem homens e mulheres que não desejam se comprometer da maneira mais tradicional.

Entretanto, o que não é justo, o que não é correto é deixar de avisar quais são seus propósitos no começo de um flerte. É fato que muita gente vai descobre o nome do parceiro depois da primeira noite na cama. Ainda assim, respeitar o outro é deixar claro quais são suas motivações. Algo do tipo “o que eu quero com você”, “o que você pode esperar de mim”. Não dá pra achar que o outro está na mesma sintonia e que também está apenas a fim de “curtir a vida”.

Mas também existem aquelas pessoas que simplesmente não dão conta de assumir um compromisso por algum bloqueio emocional. O pedagogo e autor do livro “Quieres casarte conmigo?”, Fernando Alberca, aponta que há pessoas que “estacionam” na fase da paixão. São incapazes de avançar para a etapa seguinte, a do amor, do comprometimento. Trata-se, segundo ele, de um estado típico da adolescência. E como a adolescência tem começado por volta dos nove anos, mas tem se estendido até os 35, muita gente não tem maturidade suficiente para envolver-se de forma plena. Essas pessoas, quando são cobradas para assumir um compromisso mais profundo, entram em “colapso emocional” – ficam com medo, confusas… Se reconhecem que alguma coisa está errada, devem procurar ajuda, principalmente na terapia. A maioria, porém, acha que está tudo muito bem.

Quanto àquele que está esperando a decisão do outro, há poucas possibilidades de solução de curto ou médio prazos. Ou aceita que o “parceiro” não vai se comprometer, ou vive a vida “na fé”, ou abre mão do romance e tenta se reconstruir. Afinal, nessas horas é preciso unir cabeça e coração. Valorizar os sentimentos sim, mas sem deixar de refletir sobre as implicações para a vida, para o futuro.