O seu parceiro não te escuta?

dialogo

A boa comunicação num relacionamento é quase uma arte. Não é nada fácil se fazer entender. Por vezes, até temos boa vontade, mas nem sempre usamos as estratégias adequadas. Eu sei que para muitos casais o diálogo se tornou tarefa quase impossível. E, infelizmente, porque conversar passou a ser sinônimo de briga. Quando o outro diz “precisamos conversar”, dá frio na barriga e tudo que se deseja é sumir do mapa.

Para que o diálogo funcione e você seja efetivamente ouvido pelo parceiro, tenho algumas dicas que considero bastante relevantes. Talvez as dificuldades de comunicação na sua relação não sejam sua responsabilidade. Porém, partido da premissa de que devemos fazer o nosso melhor pela preservação do romance, sugiro quatro coisas.

Não altere a voz – Complicado, né? Principalmente, se estamos irritados, se nos sentimos contrariados. Acontece que, quando grita, você perde o controle e sua argumentação se fragiliza. Pior, quando grita, o outro se “arma”. A outra pessoa se sente atacada e não te ouve. O diálogo, na verdade, torna-se uma briga verbal. Luta-se para ver “quem vence”. E a relação só funciona quando os dois vencem.

Não use generalizações – Com frequência, generalizações são péssimas. E isso porque, quase sempre, são injustas. Quando você diz para o outro: “você sempre faz isso”, está excluindo toda e qualquer possibilidade de o outro ter feito algo diferente daquilo que está sendo mencionado. Tipo: “você nunca sai comigo!”. Será que é isso mesmo? O outro, de fato, nunca saiu com você? Ao usar generalizações do tipo “sempre” e “nunca”, você coloca o parceiro na defensiva, na obrigação de se explicar. E mais: vai te atacar dizendo que você nunca reconhece o que ele/ela faz. Por isso, o ideal é que sejamos pontuais, claros, objetivos. Diga o que realmente te incomoda e exemplifique. Tipo, ao invés de “você nunca sai comigo”, diga: “faz dois meses que não saímos. Gostaria de sair com você”.

Deixe o outro terminar de falar – Ouça os argumentos do parceiro. Da mesma forma que desejamos ser ouvidos, o outro também quer ser ouvido. Se não deixamos que o outro termine de falar, não existe diálogo. A ansiedade em querer resolver logo, não ajuda na conversa.

Não tenha discursos prontos – Se o objetivo é dialogar, dialoga-se com base na troca de argumentos. Quando temos um discurso pronto, não ouvimos o que o outro diz. Apenas queremos impor nosso ponto de vista.

Como eu disse anteriormente, sei que nem sempre somos os responsáveis pela ineficácia do diálogo. Porém, não custa lembrarmos que a maneira como agimos contribui – ou não – para o sucesso da comunicação no relacionamento.

Ps. O texto vale para homens e mulheres. Por isso, no lugar de parceiro, pode-se ler “parceira”. 

Não quero te ouvir

atencao
Poucas vezes escrevi inspirado por uma imagem. Entretanto, algumas imagens reclamam sentidos. Pedem que a gente converse com elas.

Hoje, “trombei” com esta fotografia. Foi compartilhada no Facebook. Tinha uma legenda. Nem li. Apenas salvei. Queria dialogar com a foto. Sem a interferência de outros dizeres.

Enquanto contemplava a cena, pensei na maneira como temos vivido. Estamos ilhados. Não ouvimos mais ninguém.

somPara muita gente, a companhia é um som qualquer. Uma música, alguém falando no rádio. No ônibus, no carro, caminhando pelas calçadas, ou mesmo enquanto corre em volta do parque, pessoas de diferentes idades se isolam do mundo. Optam por nada ouvir. Nem mesmo a voz do coração. Roubam a oportunidade de se (re)conhecerem.

O barulho das ruas, o trânsito, o movimento. Ou o simples ruído que vem das árvores, dos pássaros… nada é ouvido. Nada é notado. De alguma maneira, o aparelho ajuda a nos fecharmos em nós e para nós mesmos.

Enquanto o fone está ali, mandamos um recado para quem se aproxima:

– Não quero te ouvir. Me deixe em paz!

Mais que se distanciar de tudo, quando não escutamos, deixamos de perceber, sentir, experimentar. Sentimentos, emoções; sorrisos ou lágrimas… Tudo é ignorado. O outro é rejeitado.

Na medida em que o volume aumenta, cresce o abismo entre nós e aqueles que nos cercam. Quem reclama nossa atenção, não basta chamar. Nem adianta apenas tocar. Conquistar a escuta de alguém é sonho de outros tempos. Talvez por isso tanta gente fale alto. É um grito interior, desejo de ser notado.