Na segunda, uma música

Num tempo em que as músicas banalizam os relacionamentos, falam de homens e mulheres como objetos de puro prazer e conquistas são referenciadas em valores econômicos, a canção de hoje merece destaque. E por contrariar essa “lógica”. O clipe é uma história “à parte”.

Não diria que “Mocinho do cinema” tem uma poesia única. Não. A música de Ivo Mozart é simples. E na simplicidade está a graça, a beleza desta canção.

O personagem não leva a mocinha pra cama. A música não fala de sexo. Não tem ritual de acasalamento. Mas tem conquista. E de um jeito bem diferente do sustentado pelos sertanejos e funkeiros. Não tem carrão, conta bancária… Nada disso.

Se estou sem carro não me importo ir de carona
Tudo o que eu quero nessa vida,
é viver de coisas boas

Apenas um sujeito comum, com jeito simples de viver e que ainda acredita que a vida vai além de poder, riqueza. É possível ser mais sendo gente. Sem necessidade de exibir-se, de desfilar objetos de valor e nem ter que se impor como mais forte.

Sei que não sou o mocinho do cinema
E nem pareço o Romeu da Julieta
E sempre uso chapéu velho e camiseta
Mas sempre faço valer a pena
Pra ser feliz o amor tem que ser verdadeiro
Felicidade é a chave do segredo
Só com um sorriso ponho cores no seu mundo

Convido os amigos e leitores a ouvirem a música desta segunda-feira. E, claro, curtirem o clipe. Vale a pena.

Amor bom é amor prático

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Sim, sou romântico.  E “à moda antiga”. Sou daqueles que ainda escrevem bilhetes, se aventuram a construir frases poéticas. Entretanto, nada disso tem valor se as palavras não se traduzirem em gestos, ações. Quem ama, cuida. Quem ama, faz. 

O mundo está cheio de galanteadores, mas que são incapazes de amar de verdade. No ouvidinho, falam coisas bonitas… até levarem a “presa” pra cama. Depois da conquista, tudo muda.

Certa vez escrevi, “o amor é sentimento ou decisão?”. Penso que o amor é as duas coisas. A gente sente, mas a gente também faz. Quem ama, age pelo outro. É capaz de falar (e deve falar), mas também sabe proteger, sabe negociar, sabe renunciar.

Quem ama, compartilha. Divide. Divide os planos, divide os sonhos, divide até a conta bancária. Tem disposição pra levar pro trabalho, tem capacidade de ouvir a reclamação, sabe entender as tristezas, conforta quando chora. Também se mostra pronto para orientar, para aconselhar… Rejeita a vontade de acusar, de ofender. E não se nega a acolher. 

Conquistas deles, orgulho do professor

O ano acadêmico ainda não terminou. Tem muita coisa pra acontecer ainda. Inclusive, os exames pra moçadinha que, por algum motivo (e existem vários), não conseguiu fechar as notas.

Karen e Dani, responsáveis pela produção da Circular Pocket
Karen e Dani, responsáveis pela produção da Circular Pocket

Porém, uma parte da minha missão está encerrada: meus orientandos concluíram o curso. Entregaram e apresentaram suas monografias. E de maneira digna, concluíram a faculdade de Jornalismo.

Nesta semana, vivi grandes emoções junto com eles. A primeira delas, foi à distância. Minhas “meninas”, a Karen e a Dani lançaram a revista Circular Pocket. Em julho deste ano, a Circular era só um TCC – Trabalho de Conclusão de Curso. Mas foram para a banca final empolgadas, com a expectativa não apenas de serem aprovadas. Queriam mais: transformar o projeto em uma revista de verdade.

Lembro que coloquei uma meta pra elas: lançar a revista em setembro. Não deu. Mas nessa sexta-feira, 7 de dezembro, a monografia virou publicação. E uma galera lotou o Tribos Bar para o lançamento.

Não estive lá, mas comemorei muito a realização delas. Meninas, estou orgulhoso de vocês!

Tayenne Carvalho durante a apresentação
Tayenne Carvalho durante a apresentação

Neste semestre, não orientei projetos com trabalhos práticos. Porém, fiquei plenamente realizado com as pesquisas da Tayenne Carvalho e da Aline Yuri. Ambas monografias nasceram de uma atividade de estudos que desenvolvo ainda no segundo ano. Recordo que aceitaram o desafio de produzir, na época, um artigo científico já pensando no TCC. E não desistiram.

Na terça-feira, às 19h, a Tayenne apresentou. Às 20h30, foi a vez da Aline.

A Tayenne é uma daquelas pessoas que não se contenta com o simples. Por isso, quis identificar a relação existente entre a mídia e a transformação de bandidos/criminosos em celebridade. Para isso, estudou o caso do Maníaco do Parque. Foi de tirar o fôlego. Impressionante! Principalmente, por notar que centenas de mulheres escreveram para esse estuprador e homicida. Como entender a cabeça delas?

Aline Yuri mostra a Vip como reprodutora de discurso machista

a Aline escolheu usar um dos métodos que mais gosto: a Análise do Discurso. E partiu para um tema que nasceu nas próprias discussões feitas em sala de aula: como a mídia, por vezes, contribui com o discurso machista e realimenta a posição da mulher como mero objeto de prazer sexual. Foi assim que ela analisou a revista Vip, apontando que a publicação não apenas transforma a mulher em mercadoria, como também ensina os homens a conquistá-las, descartá-las e se firmarem como “predadores”. 

Elas deram show nas apresentações. Mostraram segurança e encheram de orgulho este professor e amigo. Receberam aplausos dos colegas e elogios dos avaliadores. Melhor impossível.

Confesso que já sinto saudade. Saudade das conversas, das orientações e dos “puxões de orelha” – afinal, fazem parte do processo, né? Sempre brinco com meus alunos que não oriento vários trabalhos ao mesmo tempo. Porém, quem se dispõe a pesquisar comigo ganha um chato de presente, daqueles que incomodam bastante, exigem muito. E as meninas me toleram bem. O resultado foi a avaliação de excelência que receberam de todos. Fico feliz por elas. Parabéns, Tay… Parabéns, Aline. Vocês são demais!

Marcelo Henrique propôs um programa de rádio em defesa da cidadania
Marcelo Henrique propôs um programa de rádio em defesa da cidadania

Porém, fechar este post e não falar do Marcelo Henrique seria cometer uma injustiça. Não o orientei. Mas participei da banca dele na segunda-feira, dia 3. O Marcelo é um comunicador nato. Um amigo querido. Alguém que acompanhei durante todo o curso e por quem torci demais. Ele teve como orientadora uma professora jovem e muito competente, a Mariana Lopes – pessoa que admiro demais. E, ao meu lado, para avaliá-lo, a unanimidade Luzia Deliberador. Senti um prazer enorme em estar na banca porque sei que chegar ao final do curso foi uma conquista e tanto para o Marcelo. Ele conseguiu. Caríssimo amigo, parabéns!

Relacionamento não se resolve no grito

É de uma tremenda falta de respeito os xingamentos, palavrões e até mesmo gritos contra o parceiro. Sei que no relacionamento há momentos de conflito. Mas, desculpem-me, ninguém vai me convencer que é natural e inconsequente disparar uma saraivada de impropérios contra a pessoa amada.

Ama? Então, respeite.

O dia a dia nos consome. E tem momentos que a raiva se sobrepõe ao amor. Entretanto, no relacionamento, devemos exercitar o autocontrole. Quem grita, xinga, humilha o parceiro, está plantando espinhos. O que a gente fala, a gente esquece; o que a gente ouve, nem sempre esquece. Por isso, os momentos de rispidez e agressividade verbal motivam desgastes que podem afastar duas pessoas que se amam.

– Ah… mas às vezes ele faz coisas que me deixa possessa?
– Mas ela nunca consegue reconhecer o que faço, vive reclamando…

Caríssimos, se a relação tem problemas, conversem. Gritar não resolve. Xingar, muito menos. Gritar, xingar, ofender, humilhar são recursos usados pelos fracos. Gente sem sabedoria, sem argumento e que precisa impor autoridade faz uso dessas estratégias. É coisa de desesperado, de gente insegura. Quem ama, conquista.

No momento de ira, é normal haver uma elevação de voz. O tom ficar mais ríspido. Mas existe uma enorme diferença entre uma voz mais firme e gritos – principalmente, se acompanhados de palavrões ou frases depreciativas.

Esses comportamentos agressivos plantam a discórdia, roubam o respeito, acabam com a admiração mútua. Criam desconfortos e mágoas. Dentro do casamento, deixam o ambiente pesado e levam os filhos a repetirem o exemplo dos pais.

Nada justifica agir assim. Somos seres racionais. Damos conta de controlar nossas emoções. Só não fazemos isso quando nos tornamos reféns de nossos instintos. Quem é bem resolvido, se cala, espera, fala na hora certa e faz o impossível tornar-se possível.

Quem é o outro pra mim?

O que eu espero dele?
O que busco nele?
Que função tem na minha vida?
Afinal, pra quê serve?

Talvez essa discussão seja um pouco negativa. Quem sabe, pessimista pelos questionamentos dos valores humanos. Entretanto, egoístas que somos, o outro quase sempre é objeto de nosso desejo se ocupa algum papel. Papel que nós projetamos e que o outro desempenha.

No post anterior, propus refletirmos sobre por que o outro é quem precisa mudar. Nunca reconhecemos que também carecemos de mudanças. E isto acontece porque nem sempre somos capazes de reconhecer que o mundo não gira em torno de nós.

O outro existe. O outro tem sentimentos. O outro é como nós. É um de nós.

Portanto, por que vejo no outro alguém que deva servir aos meus interesses?

É verdade que num planeta que superou os 7 bilhões de habitantes, posso me sentir no direito de me relacionar com pessoas com as quais simpatizo, com as quais tenho afinidades e os mesmos ideais.

Porém, não é assim que funciona. Quase sempre, nossas escolhas não se dão apenas por conta de simpatia, afinidades ou projetos. Escolhemos nos relacionar com aqueles que se prestam a atender as nossas necessidades.

Ao longo dos anos, aprendi no convívio com uma dessas pessoas raras, únicas, que as relações não devem se basear na utilidade. Não devo tratar bem apenas porque a pessoa me é útil.

Lembro de diálogos do tipo:
– Por que ele você trata bem? Não seria por que precisa ou vai precisar de um favor?

Ou ainda:
– Você notou que só dá atenção para as pessoas quando elas são importantes?

A gente faz isso. E com muita frequência. Usamos nossas habilidades para nos fazer queridos pelos que podem nos ajudar hoje ou amanhã. Ou quando queremos conquistar alguém. Depois da conquista, revelamos todas nossas contradições, mal humor, desapego… nosso egoísmo.

Sabe, tenho uma certa birra do tal de networking. A rede de contatos profissionais, por vezes, é baseada em relações falsas, hipócritas. O sujeito busca tornar-se próximo de pessoas tão somente pelas possibilidades profissionais que podem ser abertas a partir desses contatos. É algo necessário? Sim, mas, convenhamos, é a institucionalização da falsidade. Muita gente faz caras e bocas pra pessoas com as quais sequer trocaria uma única palavra não fossem as posições que ocupam. Trata-se de um jogo de interesses em que não há inocentes. Porém, não deixa de ser um “toma-lá-dá-cá”.

Não creio que deixaremos de ser assim. Faz parte da natureza da sociedade contemporânea. As relações são baseadas em interesses. No profissional e no afetivo. Porém, é uma pena que sejamos tão mesquinhos. Afinal, a grandeza do homem está justamente na capacidade de reconhecer no outro qualidades, virtudes e contradições também presentes em si mesmo.

Sucesso entre as mulheres…

Texto do programete que apresento na Rede Novo Tempo:

A revista Época do dia 3 de novembro traz uma reportagem curiosa – embora polêmica. A publicação baseia a discussão num estudo australiano. A pesquisa científica sugere que a presença de possíveis genes gays em homens heterossexuais é capaz de atrair, seduzir as mulheres. Ou seja, homens portadores desses genes fariam mais sucesso com as mulheres.

Já disse aqui que respeito e defendo o conhecimento científico. Mas também declarei que a mesma ciência que ajuda o ser humano também o confunde.

No caso da pesquisa citada, os cientistas australianos tentam justificar o sucesso de alguns homens com as mulheres fazendo uso de um argumento baseado na teoria da evolução. É questionável. Mas alguns aspectos podem servir de lição, principalmente para os homens.

Longe dessa suposição científica sobre a presença de genes gays em homens heterossexuais, podemos apontar o que agrada as mulheres. Elas se sentem atraídas por homens capazes de compreendê-las. As mulheres gostam de ser ouvidas; gostam de quem sabe identificar uma crise de TPM e respeitá-la em suas crises. Mulheres apreciam parceiros que conseguem notar quando trocam a cor ou mudam o corte dos cabelos. Elas preferem homens que conseguem admirá-las mais do que seus times de futebol.

Por isso, não tenho nenhuma dúvida ao dizer que essas características não precisam genéticas; só precisam ser adquiridas. O que diferencia esses homens é a sensibilidade.

E, sabe, não estou aqui dando nenhuma receita para conquistar as mulheres. Quero apenas destacar características fundamentais em qualquer homem que deseja ser amado por sua companheira e, principalmente, fazê-la feliz.

Junto com isto, aproveito para sugerir algo que considero essencial na educação dos filhos… Eduque seus meninos para serem homens, mas não os ensine a ser machões. Muitos homens hoje não conseguem lavar uma louça para a esposa porque entendem que esse serviço é coisa de mulher. São incapazes de surpreendê-las preparando o jantar, porque nunca aprenderam a cozinhar. Foram educados de forma machista. Aprenderam com seus pais que cozinhar é coisa de mulher. Aprenderam com a mãe que varrer uma casa não é serviço de homem.

Permitir que um menino chore não vai transformá-lo em homossexual. Deixar um garoto brincar de boneca com a irmã não vai alterar sua masculinidade. Pelo contrário. Vai garantir que se torne um homem de verdade, com a sensibilidade necessária para ser um bom marido, um bom amante, um grande pai. E, diferente do que diz a pesquisa, isso nada tem a ver com genes gays… Tem a ver com educação.