Você valoriza o que tem?

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Vou me incluir na pergunta… O que valorizamos? Quase sempre, aquilo que não temos. Ou o que corremos o risco de perder.

Valorizamos nossa saúde quando estamos doentes; valorizamos a força de nossas pernas quando encontramos dificuldade para subir uma escada… Valorizamos o trabalho quando ele falta…

A lógica se repete também em nossos bens materiais. O carro conquistado há alguns anos, a casa já comprada, o celular com um ano de uso… Tudo isso é pouco valorizado.

Nossos olhos se voltam para o que ainda não possuímos. O carro do colega de trabalho, a casa do vizinho, o novo lançamento de smartphone…

Mas sabe o que é pior? Fazemos isso com pessoas. As pessoas que amamos quase sempre se tornam comuns, cheias de defeitos e até um fardo. Tem aqueles que chegam inclusive a cobiçar a família do vizinho, a mulher do outro…

O professor Mário Sérgio Cortella lembra que geralmente valorizamos apenas aquilo que corremos o risco de perder. Eu acrescento, lembrando do filósofo Platão, que amamos aquilo que não temos.

Meu convite é muito simples: valorize o que você tem, aproveite as coisas que possui, alegre-se com quem está contigo e diante de você todos os dias. Um dia seus filhos irão embora, seus pais deixarão essa vida e até a sua cama poderá ser apenas um leito de dor… Olhe menos para o que não tem e descubra o valor do que possui. Viva com prazer e intensidade com tudo que é seu.

Confundimos qualidade de vida com consumo

Um dos equívocos que a gente comete é confundir qualidade de vida com consumo. Acredita-se que consumir é ter qualidade de vida. Mais que isso, confunde-se inclusive prazer e felicidade com consumo. O sujeito fica feliz quando vai pro shopping e sai de lá abarrotado de sacolas. Ou quando se frequenta os restaurantes mais badalados… Ter carros modernos também é termômetro dessa tal qualidade de vida.

Gente, essa visão é obra do imaginário coletivo. Foi construída pela sociedade capitalista em que vivemos. Somos estimulados a comprar. Por isso, não é difícil entender por que distorcemos o próprio sentido do que é viver.

Vive-se para consumir. O consumo passou a ser a medida de boa vida das pessoas. E todo mundo mede seu estado de bem-estar pela quantidade de coisas que pode comprar. Quem pode comprar menos, sente-se excluído, sofre, deseja inclusive a vida do outro. Passa dias, semanas e anos na busca incansável de ter as mesmas possibilidades que o colega “mais riquinho”.

Essa tem sido a lógica da maioria de nós. Basta refletir sobre o que fazemos.

Trabalhar oito horas por dia já não é suficiente. É preciso ir além – acumular empregos ou atividades extras, que poderão ser feitas em casa. Queremos a tal “qualidade de vida” – casa boa, carro bom, televisor gigante… Queremos celular de última geração, tablet, férias duas vezes por ano – mas não qualquer férias; tem que ser em algum lugar cheio de glamour.

Essa é a medida da qualidade de vida.

Acontece que, ao fazer isso, ignora-se que qualidade de vida não é um momento de prazer. Não é o que o dinheiro pode comprar. Isso até contribui, mas não é garantia de nada.

Qualidade de vida tem a ver com bem-estar físico e emocional. De nada adianta consumir tudo que se deseja, mas ter como custo estresse, cansaço, ansiedade e até insônia. Não adianta ter boa cama, mas não conseguir dormir.

Sabe, não adianta ter carro bom e não ter prazer ao dirigir – enquanto dirige, xinga o motorista do lado, fala ao celular, buzina, grita…

Não adianta ter férias num paraíso duas vezes por ano, mas passar as demais semanas e meses do ano sem namorar a mulher, sem conversar com os filhos, sem ler um bom livro.

Não adianta ter dinheiro para frequentar os melhores médicos, mas estar com o colesterol alto, sofrer hipertensão ou ter a libido reduzida por causa da pressão na empresa.

Mentiram pra nós. E nós acreditamos. Disseram que viver bem é ter coisas, ter a chance de comprar tudo que desejamos. O problema é que não param de nos oferecer coisas.

O problema é que nos incentivam a consumir cada vez mais e nos transformaram em escravos de um sistema que aprisiona nossa mente e rouba nossa saúde, nossa paz de espírito. Rouba o nosso tempo.

Viver assim não é viver. Qualidade de vida não é nada disso. Mas nos engaram. E, tolos como somos, não conseguimos mudar nada disso. Ninguém está satisfeito com a vida que tem, mas não consegue romper com o modelo proposto. Lamentável!

As coisas não são feitas pra durar

Talvez em algum momento você já entrou nesta discussão. E por mais que isso não pareça correto, é um fato. Os objetos que usamos no dia-a-dia são feitos para deixar de funcionarem num tempo inferior ao que seria normal.

Especialistas afirmam que um celular, por exemplo, teria vida útil de 12 anos. Entretanto, com dois anos de uso, começa a se tornar obsoleto. Isso acontece porque ele foi feito para ser rapidamente substituído. Você sabe… Geralmente, em dois anos, o smartphone fica lento, desempenho comprometido, alguns aplicativos não rodam…

Vale o mesmo para máquinas de lavar, liquidificadores, chuveiros, aparelhos de televisão, computadores, geladeiras… E até bens de muito maior valor, como um carro, por exemplo, ou itens básicos do dia a dia, como uma lâmpada elétrica. Afinal, existe tecnologia para que a lâmpada nunca queime. Mas qual a vantagem de vender uma lâmpada que nunca precisará ser substituída?

Para que a gente esteja sempre consumindo, duas grandes estratégias são utilizadas: a primeira, é estimular o desejo. Somos o tempo todo incentivados a consumir. De certo modo, o mercado promete que os produtos são capazes de nos satisfazer. São alegradores.

E quando compramos, isso realmente acontece. Por meio da publicidade, é despertado o nosso desejo de comprar. Às vezes, ficamos até impacientes para adquirir um determinado produto. Ao comprá-lo, a sensação inicial é indescritível. O prazer é muito grande. Isso passa logo, claro.

A outra estratégia para promover o consumo é justamente tornar os produtos obsoletos em pouco tempo. A durabilidade é bem menor do que poderia ser… E os dispositivos também se tornam antiquados em muito pouco tempo – um televisor com mais de 10 anos, ainda que esteja funcionando bem, não é um item que te orgulha de deixá-lo na sala de casa, né?

Embora as indústrias nem sempre admitam que encurtam a vida útil dos produtos, nós consumidores precisamos ter consciência de que vivemos numa sociedade que se sustenta pelo nosso consumo. A lógica para isso nem sempre é moral e ética. E, no final, nós é que somos as mercadorias que fazem a máquina girar.

A sedutora Black Friday

A Black Friday é uma grande celebração do consumo. Consumo que há muito tempo deixou de ser a concretização de uma necessidade. Hoje, é a satisfação de desejos. Desejos que são estimulados por diferentes estratégias de comunicação e marketing.

Um dia de promoções em toda a rede lojista do país é apenas mais uma das estratégias de mercado. Na prática, temos promoções o ano todo. E, com frequência, os preços praticados estão muito próximos dos que podemos conseguir num dia qualquer (se for feita uma pesquisa razoável em diferentes empresas).

Ou seja, a compra de um produto sempre pode ser adiada. Não é, quase sempre, porque a ansiedade é grande… É “preciso” realizar o desejo de ter aqui e agora o objeto desejado.

E o que é adquirido logo perde a graça. Em pouco tempo, outro produto terá de ser comprado.

Na verdade, como diz o sociólogo Zigmunt Bauman, o mercado não sobreviveria se as pessoas se apegassem às coisas. Estas logo devem ser descartadas…

A arte do marketing está voltada para evitar a limitação de opções. Quando se abre o site de uma loja virtual, as possibilidades são tantas que, por vezes, ficamos tontos, indecisos.

Não compramos apenas o necessário; compramos o que salta aos olhos. Afinal, a sociedade de consumo funciona sob a lógica do desejo, do despertar e do realizar os desejos por meio das compras.

Os desejos são cultivados de forma cuidadosa. E frequentemente são caros. Não poucas vezes, causam endividamento e comprometimento da renda e até de compras futuras, inclusive de objetos e/ou serviços realmente necessários.

Porém, poucas pessoas dão conta de passar “em branco” numa Black Friday. Já estamos condicionados. A sociedade moderna-líquida é destinada e feita para o consumo.

A fragilidade do consumidor

comprasHoje, 15 de março, é Dia do Consumidor. A relação entre quem vende e quem compra melhorou muito nos últimos anos. Há motivos para comemorar. Existe legislação que protege o consumidor… Existe o Procon. E agora a presidente Dilma anuncia um pacote de medidas que pretende ampliar a proteção ao consumidor.

A iniciativa do governo vem em boa hora. Penso que o cidadão é a parte fraca. É quem sofre o prejuízo direto e, por vezes, não tem o que fazer. O aumento do comércio online, principalmente, trouxe novas demandas. E a regulamentação proposta será fundamentar para mudar essa realidade. Entretanto, ainda entendo que os maiores problemas não estão na relação com o varejo.

O que mais me incomoda é a sensação de impotência diante das grandes companhias. Bancos, empresas de telecomunicação, operadoras de planos de saúde parecem acima do bem e do mal. Atropelam os direitos do consumidor, fazem o que bem entendem e seguem impunes. Multas aplicadas não são pagas. E o cidadão segue refém.

Nos bancos, longas filas, cobranças de taxas por serviços não requeridos, juros altos…
Nas teles, tarifas altas, serviço sem qualidade, péssimo atendimento (inclusive pela internet ou telefone), cobranças indevidas…
Nos planos de saúde, compra-se imaginando certa proteção e, no momento que o usuário mais precisa, descobre que alguns serviços não são cobertos…

Para essas corporações, parece não haver lei. Com contratos de difícil compreensão, inacessíveis ao cidadão, conseguem driblar até mesmo a Justiça. E ao consumidor só resta pagar… E pagar caro. Lamentavelmente, diante delas, até o governo parece frágil.

Qualidade de vida e consumo: alguém nos enganou

Será que não há prazer nas coisas simples?
Será que não há prazer nas coisas simples?

Um dos equívocos que a sociedade contemporânea comete é confundir qualidade de vida com consumo. A gente acredita que consumir é ter qualidade de vida. Mais que isso, confunde-se inclusive prazer e felicidade com consumo. O sujeito fica feliz feliz quando vai pro shopping e sai de lá abarrotado de sacolas. As mulheres, principalmente. Os homens preferem outras coisinhas – carros novos, por exemplo.

Claro, essa visão é obra de uma construção social. Numa sociedade capitalista, não poderia ser diferente. Somos estimulados a comprar. E, por isso, não é difícil entender por que fazemos essa confusão danada.

Vive-se para consumir. O consumo passou a ser a medida da qualidade de vida das pessoas. E todo mundo mede seu estado de bem-estar pela quantidade de coisas que pode comprar. Quem pode menos, sente-se excluído, sofre, deseja inclusive a vida do outro. Passa dias, semanas e anos na busca incansável de ter as mesmas possibilidades que o colega “mais riquinho”.

Essa tem sido a lógica da maioria de nós. Basta refletir sobre o que fazemos. Trabalhar oito horas por dia já não é suficiente. É preciso ir além – acumular empregos ou atividades extras, que poderão ser feitas em casa. Queremos a tal “qualidade de vida” – casa boa, carro bom, televisor LCD, plasma ou sei lá o quê… Queremos celular de última geração, tablet, férias duas vezes por ano – mas não qualquer férias; tem que ser numa praia badalada, famosa e com direito a muita comilança e festas. 

Essa é a medida da qualidade de vida.

Acontece que, ao fazer isso, ignora-se que qualidade de vida não é um momento de prazer. Não é o que o dinheiro pode comprar. Isso até contribui, mas não é garantia de nada.

Qualidade de vida tem a ver com bem-estar físico e emocional. De nada adianta consumir tudo que se deseja, mas ter como custo estresse, cansaço e até insônia. Não adianta ter boa cama, mas não conseguir dormir. Não adianta ter carro bom e não ter prazer ao dirigir – enquanto dirige, xinga o motorista do lado, fala ao celular, buzina, grita… Não adianta ter férias num paraíso duas vezes por ano, mas passar as demais semanas e meses do ano sem namorar a mulher, sem conversar com os filhos, sem ler um bom livro. Não adianta ter dinheiro para frequentar os melhores médicos, mas estar com o colesterol alto, sofrer hipertensão ou ter a libido reduzida por causa da pressão sofrida na empresa.

Sabe, mentiram pra nós. E nós acreditamos. Disseram que viver bem é ter coisas, ter a chance de comprar tudo que desejamos. O problema é que não param de nos oferecer coisas. O problema é que nos incentivam a consumir cada vez mais e nos transformaram em escravos de um sistema que aprisiona nossa mente e rouba nossa saúde, nossa paz de espírito. Rouba o nosso tempo. 

Viver assim não é viver. Qualidade de vida não é nada disso. Mas nos engaram. E, tolos como somos, não conseguimos mudar nada disso. Ninguém está satisfeito com a vida que tem, mas não consegue romper com o modelo proposto. Lamentável!

Coca-cola e o veneno nosso de cada dia

Não sei se pra todo mundo, mas pelo menos pra mim esta notícia chamou a atenção:

Coca-Cola no Brasil tem substância suspeita de causar câncer

Eu gosto de Coca. Não sou daqueles que tomam todos os dias. Na verdade, nem todas as semanas. Entretanto, gosto de Coca e de outros refrigerantes. Mas me incomodou a informação de que o corante da bebida tem substâncias cancerígenas. E, detalhe, não adianta trocar a Coca pela Pepsi. Ambas têm o mesmo fornecedor do corante de caramelo que contém a tal química “venenosa”.

Mas, apesar de saber disso, sei que deixar de tomar a bebida não vai resolver muito o problema. Na verdade, todo produto que contém alguma química – e isso vale até para o pãozinho que a gente compra na padaria – traz consigo algum tipo de prejuízo para a saúde.

Na verdade, tenho a impressão que parte da epidemia de câncer, hipertensão e outras doenças que a sociedade enfrenta nesses últimos tem origem nos alimentos industrializados. É uma impressão. Mas é assim que me sinto todas as vezes que vou ao mercado, ao restaurante, lanchonete etc. Sempre acho que a comida da mesa é o “veneno nosso de cada dia”. E nem adianta correr muito. Se a gente foge dos industrializados e vai para as frutas, verduras etc, consome-se outro tipo de veneno, aqueles que vêm nos agrotóxicos.

Sinceramente, acho que morremos um pouco cada vez que comemos.

O que justifica ficar 10 horas na fila por um iPhone?

Os produtos da Apple são um sucesso. Objetos de desejo em todo o mundo. Entretanto, não entendo alguém que fica 10 horas numa fila para comprar um iPhone 4S. O cara que comprou o primeiro a ser vendido no Brasil chegou a dizer que era “como ganhar uma medalha”.

Gente, está tudo muito esquisito.

É verdade que o aparelho é uma herança de Steve Jobs. Também é verdade que é febre entre os fãs da Apple. Ainda é verdade que se trata de um equipamento único. Mas seria para tanto? Precisaria de horas numa fila? Por que isso?

Se alguém tiver resposta, me ajude. Eu não consigo entender.