Conhece gente que se diz autêntica e machuca os outros?

Autenticidade. Eu gosto desta palavra. Ela me faz pensar em coisas boas… E em algo muito precioso: a verdade. Embora a compreensão sobre verdade seja bastante complexa, acredito que existe o falso e o verdadeiro. Particularmente, para ter um parâmetro sobre a verdade, adoto a Palavra de Deus como referência – inclusive como base para nossos comportamentos cotidianos, para nossos relacionamentos.

Entretanto, ainda que a palavra “autenticidade” me traga bons sentimentos, me preocupo com a maneira como muita gente a utiliza para justificar atitudes grosseiras e até violentas.

Sim, meus caros amigos e amigas, tem gente que se diz autêntico para justificar respostas atravessadas, desrespeito e até a humilhação de outras pessoas. Costumo dizer que, mesmo uma pessoa polida e elegante em suas atitudes, pode vez ou outra ofender alguém próximo. E pode fazer isso sem ter a intenção de magoar. Eu já fiz isso. Várias vezes, inclusive. Em muitas dessas ocasiões, minha esposa, a Rute, que tem uma sensibilidade diferenciada, puxa minha orelha e assinala que fiz bobagem.

Entretanto, não falo aqui dessas situações excepcionais, que acontecem esporadicamente. Falo de pessoas que assumem uma pseudo-identidade de transparência, dizendo-se autênticas, e que atropelam os sentimentos das outras.

Para essas pessoas, costumo dizer que a autenticidade só tem uma função: revelar o ser humano horrível que, arrogantemente, se diz verdadeiro, sincero.

Gente que se diz autêntica, mas fere as outras, não passa de uma pessoa cheia de coisas ruins por dentro, que usa a autenticidade como máscara para se dizer boa pessoa. É como se falasse: “machuco você, mas falo o que penso; sou verdadeiro/a”. A pessoa se apoia na tese da verdade para justificar suas más ações e ainda tenta se colocar como superior… Em jogo é colocada a ideia: “sou melhor do que você, porque machuco, mas não minto, não finjo igual você faz”.

Não há mérito algum numa autenticidade que revela uma pessoa horrível por dentro. Esse tipo de comportamento sugere duas coisas: pra quem está por perto, um convite, caia fora! Para a própria pessoa, um desafio: busque ajuda, mude de comportamento.

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O outro é meu espelho

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A necessidade de acolhimento, de aprovação, do aplauso alheio pode nos levar a viver uma mentira. Já falei aqui várias vezes sobre o risco de assumirmos um personagem que mata a nossa personalidade e destrói nossa autoestima. 

Porém, a preocupação com a avaliação do outro tem um lado positivo. Qual é? Quando essa preocupação motiva uma mudança. 

O outro sempre será nosso espelho. E se soubermos aprender com isso, podemos crescer como pessoas. 

Por exemplo, se eu noto que todas as vezes que meus colegas de trabalho se dispersam quando me aproximo deles no refeitório, eu tenho um indicador de que algo não está funcionando. E numa situação como essa tenho algumas possibilidades de reação… Talvez o problema seja comigo; talvez seja com eles. E aí reside a diferença entre quem é bem resolvido e quem não é; entre quem é capaz de aprender com o outro e quem se moda ao outro apenas para ser aceito. 

Neste exemplo, você pode ter um grupo de pessoas que se dispersa quando você chega, porque você é aquele cara sério, que não gosta de fofocas e não aceita piadas machistas. Se você se molda ao grupo para ser aceito, você está atropelando sua identidade. Ou seja, você precisa trabalhar isso para não viver em busca de aprovação dos outros. 

Porém, tem o outro lado… Talvez você seja aquela pessoa chata, que reclama de tudo, vive se lamentando ou fazendo piada sem graça… Gente com disposição para aprender pode notar nesse afastamento dos colegas a necessidade de mudar, de se tornar uma pessoa mais agradável. E esse tipo de mudança faz crescer… Torna mais sociável, mais amigável… 

Ou seja, o outro é importante para meu crescimento. Quem diz “eu sou assim e quem quiser gostar de mim, ok; quem não quiser, dane-se”, quem pensa assim, estaciona na vida, não passa de um estúpido. 

O outro deve sempre me levar a uma reflexão, a uma autocrítica. Não se trata de insegurança; trata-se da necessidade de autoconhecimento. Eu me olho e questiono: “tem algo em mim que não está funcionando e precisa mudar?”. 

Ser bem resolvido não é estar acima das críticas alheias; é reconhecer nas críticas que recebo se são vazias ou são degraus oferecidos pelo universo para meu crescimento. 

A caminhada é mais fácil quando nos abrimos para os relacionamentos

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Precisamos de gente em nossa vida. Embora a existência seja, de certo modo, solitária, é fundamental ter com quem somar e dividir.

A caminhada é solitária por que as pessoas entram e saem da nossa vida. Cada uma delas deve construir seus próprios projetos, relacionamentos… Muitas delas se afastam para dar conta das próprias necessidades e, com isso, também se distanciam emocionalmente.

Outras tantas deixam nossa vida porque a morte tiram-nas de nós.

Entretanto, embora sempre existam partidas, precisamos ser receptivos àqueles que chegam. Sei que para muitas pessoas isso é desafiador. Tem gente que já sofreu tanto em relacionamentos que prefere se manter distante. Também há quem é introspectivo e se sente mais confortável sozinho – eu sou uma dessas pessoas. Conviver parece não ser algo agradável.

Entretanto, é preciso romper com as barreiras que nos separam das outras pessoas. Vivemos melhor quando nos relacionamos. Ainda que muita gente nos deixe durante o percurso, é necessário quem encontramos; trazê-las para perto de nós, dividirmos as experiências e as coisas boas que temos, também somar forças para a construção de nossos sonhos e aprendermos aquilo que podem nos ensinar.

Se a gente não se abre para o outro, a vida não se torna apenas solitária, experimentamos a solidão e nos tornamos mais frágeis.

São os relacionamentos que nos fortalecem, que possibilitam as trocas e que possibilitam inclusive as conquistas pessoais e profissionais. Tudo se torna muito mais difícil quando estamos sozinhos. Não se trata apenas de ter alguém com quem você possa conversar, trata-se de contar com gente para agregar, aprender, ensinar, auxiliar na realização de um projeto, facilitar na abertura de uma porta – às vezes até para mediar o contato com alguém que você sonha conhecer.

Por isso, é importante não nos fecharmos em nós mesmos; a caminhada fica mais fácil quando nos abrimos para os relacionamentos.