Não se compare!

Não tenha o outro como referência para medir sua felicidade. Frequentemente, observamos os movimentos aparentes das outras pessoas e, por nem sempre estarmos bem, afundamos de vez. Sentimos até uma dorzinha de cotovelo em função do sucesso e/ou da alegria alheia.

Inscreva-se no canal e ative o sininho!

Escolha bem os seus amigos

Ouça a versão em podcast!

Acredito no princípio de que devemos amar todas as pessoas. Mas também entendo que posso escolher com quem vou conviver, com quais pessoas vou dividir minha vida.

Amar todas as pessoas significa desejar o bem a todas elas. E, em todas as oportunidades, tratá-las como minhas semelhantes. Amar o outro é incluí-lo e reconhecê-lo como parte da minha humanidade.

Entretanto, para a convivência diária, é necessário ser seletivo. Devemos escolher bem os nossos amigos. E, para isso, existem alguns critérios. Além da importância da simpatia mútua, devo lembrar que quem convive comigo influencia as minhas emoções, contribui para o meu desenvolvimento.

Quando você tem amizade e convive com gente que vive descontente, que reclama de tudo, sacrifica a sua estabilidade emocional. Pessoas que vivem zangadas, irritadas, falando mal das outras trazem toda essa energia pra nossa vida.

As interações com as pessoas não são apenas meros contatos. Há em cada interação uma troca de energias… Algumas podem trazer esperança, alegria, paciência, amor… Essas pessoas fazem emergir o que há de melhor em nós.

Por outro lado, tem gente que traz pessimismo, desconfiança, inveja, ansiedade e outros tantos sentimentos e emoções que nos esvaziam, que sugam tudo que existe de bom em nossa alma. Quando ficamos muito expostos a essas pessoas, nosso equilíbrio é comprometido.

Por isso, é fundamental escolher com cuidado quem faz parte de nossa vida. É fato que não convivemos apenas com quem escolhemos. Justamente por isso torna-se ainda mais importante fazer escolhas inteligentes. Afinal, se não podemos escolher todas as pessoas que passam pela nossa vida, que pelo menos as escolhidas possam ser boas influências, grandes fontes de inspiração.

Podemos escolher que tipo de gente queremos ser

Não temos controle de tudo, mas podemos escolher que tipo de gente queremos ser.

Não gosto do discurso de que somos os responsáveis por nossas conquistas e fracassos. Acho que essa ideia falha quando confrontada com a realidade. O mundo que a gente vive e as condições de vida de cada pessoa condicionam as conquistas individuais.

Um exemplo… Imagine um garoto que acabou de chegar à universidade. Ele acorda às cinco e meia da manhã, entra num ônibus às 6 e 15 e chega ao trabalho às 8h. No almoço, come qualquer coisa, pois tem apenas uma hora de intervalo. Ele sai às 5 e meia da tarde e já vai direto para a faculdade. Chega às 7h e já entra em sala de aula para estudar até às onze da noite. Depois, pega outro ônibus e só vai estar em casa perto da meia noite. Esse garoto dorme durante a semana apenas cinco horas por noite, nunca tem uma refeição balanceada. Estuda apenas alguns minutos no ônibus, quando consegue um lugar para sentar.

Por outro lado, imagine um rapaz da mesma idade, mas que pode dormir bem todas as noites, entre oito e nove horas por noite, ajuda a família na empresa apenas meio período, faz suas refeições em casa e tem todo o suporte da família para priorizar os estudos.

Qual dos dois garotos terá mais chance de obter sucesso na faculdade?

Por mais que o primeiro se dedique, dormir poucas horas todas as noites, comer mal e estar sempre cansado afetam profundamente o desempenho dele. E isso esse garoto não controla. Talvez ele não dê conta de persistir; talvez seja engolido pelas circunstâncias e abra mão da faculdade. Ou seja, as condições de vida dele condicionam o desempenho e poderão limitar suas conquistas futuras.

Entretanto, deixa eu voltar a frase inicial… Não temos controle de tudo, mas podemos escolher que tipo de gente queremos ser.

O garoto de nossa história não tem controle de tudo, mas ele pode escolher ser dedicado, responsável, ético, justo… Ele pode escolher estar sempre aberto ao aprendizado, a fazer bem tudo que lhe chegar às mãos… Pode escolher viver reclamando da vida que tem ou seguir lutando para conquistar uma vida melhor.

Todos nós podemos escolher que tipo de gente queremos ser. Podemos escolher ser pessoas respeitosas, tolerantes, amáveis, caridosas… Essas são escolhas que podemos fazer.

Nas grandes perdas, surgem oportunidades de mudança

​Muitas vezes as coisas têm que dar errado para que certas falhas sejam notadas, a rota corrigida e uma grande mudança possa acontecer na vida da gente.

Todos os erros e fracassos são nossos professores – isto, se estivermos dispostos a ser humildes e aprender.

Não é simples compreender essa ideia quando estamos vivendo momentos difíceis. Porém, trata-se de uma das grandes verdades que norteiam a existência.

Se as coisas funcionam razoavelmente, quase sempre não fazemos os ajustes necessários. Vamos levando… Geralmente, nos damos por satisfeitos pelo simples fato de temermos alterar a rota.

A expectativa de mudança causa ansiedade e medo.

Por isso, quando algo dá muito errado – e isso pode ser a perda de uma pessoa que amamos, uma demissão ou, quem sabe, a falência da empresa -, somos obrigados a recomeçar.

De certo modo, perdemos as referências, o chão que nos dava segurança e temos que começar do zero.

Se tivermos a humildade de compreender que aquele péssimo momento pode nos ensinar coisas novas, temos a chance de nos reconstruirmos. Isso vale até mesmo para um país que, por alguma razão, pode ter escolhido um projeto político ruim ou algo parecido.

O que precisamos ter é humildade para aprender. E, principalmente, para percebermos que um fracasso não sugere que devemos adotar soluções antigas, mas sim buscarmos novas alternativas. Afinal, a vida é um caminho para frente. Não se anda para trás.

Você aceita ouvir críticas?

Estar disposto a abrir-se para avaliações externas é uma das estratégias mais importantes para o crescimento pessoal. Embora não seja a coisa mais agradável do mundo ouvir uma avaliação crítica, a atenção ao relato de possíveis falhas pode servir como alavanca para o nosso desenvolvimento.

Quando a gente não aceita escutar os questionamentos alheios, a gente se fecha para o mundo.

Este tipo de atitude acontece na esfera pessoal, nos relacionamentos e também nas corporações.

Às vezes, não estamos tendo sucesso nos relacionamentos. Achamos que todo mundo conspira contra nós. Porém, frequentemente, nos sabotamos sem perceber. Quem está de fora, geralmente enxerga o que não enxergamos. Ainda assim, é muito difícil alguém chegar em nós e dizer: “você está pisando na bola nisso, nisso e naquilo…”.

Por isso, quando uma pessoa se atreve a pontuar nossas falhas, deveríamos ser agradecidos. É necessário ter bastante ousadia para abordar criticamente alguém. Existe possibilidade da pessoa estar errada a nosso respeito? Claro que sim. Porém, se ela pensa assim, será que outras pessoas não pensam a mesma coisa? E se pensam, talvez estejamos nos comunicando mal; nossas ações estão construindo uma imagem distorcida de quem somos. Por isso, ouvir as críticas pode nos levar a mudar algumas de nossas práticas.

No mundo dos negócios, é a mesma coisa. Conheço gestores cheios de certeza, donos da verdade. Ser assertivo é fundamental para o sucesso de um empreendimento. Contudo, quando um empresário ignora as críticas externas, perde a chance de reavaliar suas ações. Ouvir gente reclamando, falando mal, causa desconforto. Ainda assim, é melhor ter pessoas apontando os defeitos que só ressaltando as virtudes. Elogios frequentes cegam.

Evidente que há necessidade de filtrarmos todas as críticas que nos são feitas. Entretanto, a maneira como o mundo nos enxerga informa como as pessoas estão nos vendo. Revela como acham que somos. Por isso, manter uma escuta atenta às avaliações externas nos ajuda a reavaliar atitudes e, por isso mesmo, permite o desenvolvimento.

É preciso se aceitar

aceitar

Gosto demais da palavra “aceitar”. Em especial, gosto do que ela significa. Nos relacionamentos, por exemplo, representa entender o outro, acolher o outro, tolerar alguns defeitos… Aceitar que a perfeição não existe. Mas, antes de conjugar o verbo na relação, é fundamental aplicá-lo a nós mesmos. Precisamos nos aceitar.

Semanas atrás ouvi alguém se lamentar. É uma pessoa que cometeu erros no passado, muitos deles ligados à personalidade, ao seu jeito de agir diante da vida e até no trato com a família, amigos, colegas de trabalho.

– Talvez um dia eu consiga mudar.

A frase trazia um tom triste. Era como se estivesse lutando, lutando… Porém, ainda faltasse muito para tornar-se quem realmente quer ser.

Reconhecer nossas fragilidades é o primeiro passo; o segundo, é querer mudar. Se a gente identifica os defeitos e deseja superá-los, há chance de ser melhor, de tornar-se uma pessoa melhor. No entanto, também é necessário se aceitar. Não adianta viver se lamentando. Muito menos achar que “num estalar de dedos”, vai estar mudado, será outro. Os erros que cometi ontem poderão ser repetidos amanhã – nem sempre por uma decisão deliberada, mas por hábitos adquiridos.

Crescimento é isso: aprender com os erros, aperfeiçoar-se, tornar-se um ser humano melhor.

Estar insatisfeito com certos comportamentos é condição necessária para ser diferente. Ainda assim, é preciso entender que todos nós temos coisas para trabalhar. Ninguém está pronto. Nunca estará. Não adianta “deprimir”.

Neste sentido, há uma doutrina cristã que pode ser aplicada aqui. Segundo o pensamento bíblico, como pecador que é, o homem nunca será santo, mas deve buscar incansavelmente a santificação. Acho que o processo é mais ou menos esse mesmo: temos defeitos, mas, se desejamos mudar, podemos mudar. A mudança, porém, é uma conquista diária. É devagar… Um passo de cada vez. E também nisto consiste a beleza da vida: a cada dia temos um novo desafio a vencer – ainda que seja apenas dentro de nós, em nossa luta interior.