Viver sem receitas…

No mundo do trabalho, na escola, na vida… A gente gosta de receita. Receita. Como fazer?!

E, de fato, quando temos receitas, elas facilitam demais. Afinal, já foram testadas. É só pegar o que outra pessoa fez e aplicar. É fácil.

Na cozinha, tem gente que não tira uma panela do lugar sem a indicação do tipo de panela que deverá ser usada. Acho legal esse rigor.

Mas eu não dou conta disso.

Em tudo que faço, tento dar a minha cara. Pode ser num bolo de cenoura ou na apresentação de um conteúdo em sala de aula para meus alunos.

É fato que consulto as “receitas”. Procuro ver como outras pessoas fazem ou fizeram, mas me atrevo a dar meu toque pessoal.

Dá certo sempre? Não.

Na cozinha, às vezes, o bolo não cresce… No trabalho, às vezes não se é compreendido ou há confrontos por gostos, preferências, rotinas.

Entretanto, viver sem ser refém das receitas permite certa autonomia no pensar. Ajuda no desenvolvimento da criatividade.

E sabe o que é melhor? A gente consegue dar conta de resolver problemas naquelas horas em que algo diferente acontece e ninguém tem uma explicação pronta sobre como resolver.

E como a vida sempre nos traz situações inesperadas, vale a pena ousar viver sem seguir receitas.

Quando a “casa cai”, é possível manter-se calmo e ver alternativas onde ninguém parece ver.

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Tempo para não fazer nada

A gente vive numa cultura em que estar desocupado, não ter nada pra fazer, é sinônimo de tédio, e até de preguiça. Precisamos nos manter 100% ativos. E o tempo todo.

Porém, existe uma diferença entre ter momentos em que não fazemos nada e sermos improdutivos.

O não fazer nada é, na prática, o lugar da criatividade, da imaginação, da curiosidade, da reflexão.

Se estamos o tempo todo ocupados, falta-nos o tempo para elaborar os conflitos do dia a dia, falta-nos tempo para descobrir quem somos, o que gostamos e, principalmente, para as grandes ideias.

Não é por acaso que resolvemos algumas coisas na nossa cabeça justamente quando estamos tomando banho.

Gente, ninguém tem uma ideia nova se passa o dia todo atarefado, sem tempo para si mesmo.

Pesquisadores da Spanish Resting State Network descobriram que os momentos vagos, aqueles em que não fazemos nada, despertam uma área importante do nosso cérebro, uma região responsável pela introspecção e pela autodescoberta. Até mesmo as soluções para os nossos principais problemas surgem nesses momentos em que estamos ociosos.

O que é mais curioso é que, conforme os pesquisadores notaram, quando estamos ativos, essa região do cérebro não funciona; outras estão em funcionamento para nos manter ativos.

Mas esse “não fazer nada” só funciona de verdade se a gente não está com um smartphone nas mãos, se não estamos assistindo TV, jogando…

Por isso, se você deseja ser uma pessoa melhor, um profissional mais criativo, alguém capaz de ter boas ideias,não ocupe todo o seu tempo. E nem se culpe por em alguns momentos ficar totalmente ocioso, com a mente vagando, meio que no “modo avião”, sem uma tarefa definida. Precisamos disso!!! Então… permita-se não fazer nada. 

Como desenvolver a criatividade?

A criatividade é um enorme diferencial na vida das pessoas. Quem é criativo parece ser capaz de ir mais longe, de fazer diferente, de fazer melhor.

Mas, diferente do que muita gente pensa, a criatividade não é atributo apenas de alguns privilegiados. Ou da área artística, por exemplo.

Todos nós nascemos com potencial para o desenvolvimento da criatividade.

O que faz toda diferença é a maneira como administramos a vida. E em especial, como educamos nossos filhos.

Por exemplo, fazer tudo sempre do mesmo jeito é um hábito nocivo para o desenvolvimento da criatividade.

E isso vale inclusive para coisas bobas, como, por exemplo, o trajeto que fazemos de casa à escola das crianças.

Se a gente altera a rotina de vez em quando, provoca na criança a surpresa, o questionamento: “por que viemos por aqui?”.

Isso parece bobo, mas, no cérebro da criança, esse pequeno incômodo, provoca a dúvida e a cabecinha dela se abre para uma nova percepção da realidade.

Na escola, funciona do mesmo jeito. Se a dinâmica de aula é sempre a mesma: o professor fala e a criança precisa o tempo todo absorver apenas o que é falado para, depois, na prova, devolver esse conteúdo do jeitinho que foi apresentado em sala, como vai desenvolver a criatividade?

Se, na escola, nossas perguntas só pedem uma resposta e só existe uma resposta correta, os alunos internalizam isso. Tudo mais deixa de ter valor, pois só há uma única maneira de fazer as coisas.

Por outro lado, se o ambiente é dialógico, rico em experiências, se são permitidas outras estratégias para se chegar a um resultado, a criança internaliza essa polifonia.

E o que acontece? O cérebro se abre. Assimila-se uma visão coletiva. As várias formas de entender o mundo tornam a minha visão mais rica. Ampliam-se os critérios e capacidades de dar respostas novas para problemas novos ou antigos.

Portanto, preste atenção nisso, não existem pessoas criativas e pessoas não criativas. Existem pessoas com níveis diferentes de desenvolvimento de criatividade.

Nosso desafio é proporcionar em casa e na escola um ambiente favorável para o desenvolvimento dos recursos internos que vão assegurar a capacidade de dar respostas criativas a própria vida e aos problemas enfrentados no cotidiano.

Ser você mesmo…

autentico

Durante muito tempo, todo e qualquer ato produtivo era um desafio para mim. Não por me faltarem ideias, mas por desejar que fossem geniais. Bom, não vou dizer que ainda não exija muito de mim. Talvez ainda queira a perfeição. Entretanto, os anos me ensinaram que a perfeição não existe. Também aprendi que algo supostamente perfeito não é garantia de que vai agradar as pessoas.

Parte significativa das coisas que faço, faço de maneira pública. Ou seja, são consumidas pelas outras pessoas. Pode ser um texto do blog, um programa de rádio, de televisão ou um cerimonial. Isso quer dizer que agir norteado pela expectativa do que os outros vão pensar sobre o que faço é aceitar ser tolhido na essência do próprio ato criativo.

Cito um exemplo muito particular: os textos do blog, em especial aqueles nos quais falo sobre relacionamentos. Comecei a publicar na internet em 2005. Na época, escrevia quase exclusivamente sobre política – a política local, de Maringá. Porém, lia e estudava sobre relacionamentos há alguns anos. Na mesma época, fazia pós em Psicopedagogia. Aprendia mais sobre a infância, sobre o ser humano. Entretanto, não me achava capaz de falar sobre as pessoas. Na verdade, tinha medo dos julgamentos. O que as pessoas, em especial os conhecidos, os meus colegas de profissão (jornalistas e professores) diriam sobre mim? Me achariam ridículo?

Eu não lembro ao certo quando publiquei o primeiro texto sobre relacionamentos. Tenho a impressão que foi em 2008. Também não sei bem o que me motivou fazer isso. Simplesmente aconteceu. Recordo apenas que já não sentia prazer em escrever sobre o cotidiano político maringaense. Eu queria falar de gente. Estava em crise comigo mesmo por conta disso. Pensava parar o blog. Abri e parei uma meia dúzia de blogs. Aos poucos, porém, o que era um desejo de criar se materializou em posts que foram se misturando a outros que tratavam de economia, cultura, educação… Eu agora escrevia sobre relacionamentos.

E sabe o que aconteceu? Nada. O mundo não parou por conta das minhas publicações a respeito de relacionamentos amorosos. As pessoas não deixaram de falar comigo. Não deixei de ser respeitado como jornalista e nem como professor. É fato que muitos dos meus primeiros leitores foram embora, deixaram de frequentar o blog. Também é verdade que teve gente que achou minha iniciativa ridícula, questionou (em fofocas) que autoridade eu tinha para falar sobre o que eu falava… Mas nada disso mudou efetivamente minha vida. A única coisa que mudou é que passei a ter prazer em escrever. Eu sentia satisfação a cada publicação.

O mais incrível disso tudo é que, ao me alegrar com o que fazia, o blog se tornou algo realmente bom pra mim e, aos poucos, passou a ser relevante para outras pessoas. Hoje, algumas milhares de pessoas passam por aqui, de diferentes partes do Brasil e do mundo, e leem meus posts, compartilham, comentam… Algumas se tornam leitoras; outras vão embora após meia dúzia de textos. E qual a minha gratificação? Falo de coisas que acredito, que, se ainda não vivo, tento viver.

Por que conto isso pra você? Porque não raras vezes somos reféns das expectativas alheias. A gente coloca na cabeça que o outro vai nos avaliar. E ao nos avaliar, não vai gostar do que fizemos, vai nos achar ridículos. No fundo, nos tornamos reféns do nosso ego, que é carente de reconhecimento. Quando isso acontece, travamos. Deixamos de fazer o que sonhamos. Passamos a viver uma vida pequena, mediados pelo olhar do outro. Perdemos a autenticidade. Deixamos de viver a nossa verdade. 

E sabe o que é mais curioso nisso tudo? As outras pessoas estão pouco ligando para nós. Todo mundo está ocupado demais, focado em seus próprios problemas, em seus próprios dilemas. Vez ou outra até podemos ser alvos do olhar alheio. Até sermos motivos de risos. Mas e daí? Qual o problema? Talvez, de fato, alguém ria de nós. Mas outros podem nos aplaudir. Quem não se arrisca, perde oportunidades, simplesmente se apaga.

Europa em crise e sobras de comida para pagar contas

Tem alguma coisa errada no mundo… Não é só um problema econômico. Uma crise. Quem poderia vislumbrar que encontraríamos notícias como esta?

Holandeses vendem sobras de comida para driblar crise

Não, não vou discutir economia. Nem sustentar que estamos “nos fins dos tempos”. Entretanto, não dá para dizer que é só reflexo da crise que desestabiliza os países ricos da Europa.

Confesso que ler essa notícia me incomodou profundamente. No Brasil, em especial na região onde moramos, muita gente desperdiça. E o desperdício começa no campo. Parte da safra fica na terra, parte nas estradas e também há perdas nos armazéns das cooperativas. E não são raros os casos de pessoas que jogam comida fora.

Não é o que está acontecendo na Holanda.

Para levantar uma graninha extra, as pessoas comem e vendem as sobras. É o exercício pleno da criatividade e do completo aproveitamento dos alimentos. Também cresce a procura por bares que permitem que os clientes levem de casa a própria refeição.

Nos “bancos de alimentos”, há filas. E uma em cada seis famílias está com dificuldades para pagar as contas dos supermercados.

Dá para imaginar esse cenário? Em nada lembra a Holanda de tempos atrás, país que também recebia brasileiros interessados em acumular euros e retornar com algum patrimônio.

O cenário também não faz parte da imagem que projetamos dos países desenvolvidos.

Seria a crise do capitalismo? Não sei. De tempos em tempos, passamos por crises. Faz parte de um ciclo natural. Porém, há algo de diferente no ar.

Sei apenas que o que acontece na Holanda e noutros países da Europa sugere que vivemos um momento de redefinição das forças econômicas, com a construção de um novo mundo – ainda desconhecido, e que não dá para apostar se será melhor ou pior do que o que conhecíamos.

Um texto: às vezes, toca; outras, só palavras jogadas ao vento

Minha vida é construída sobre uma rotina. É a única forma de fazê-la funcionar. Não há outra forma de trabalhar cerca de 13 horas por dia, dar conta de ser pai de família, cuidar do corpo e da mente e ainda dormir algumas horas – afinal, ainda não inventaram um jeito da gente viver sem dormir.

E é nessa rotina que encontro um tempo para o blog. Escrever faz parte do meu dia. Tenho um tempo para isso. Programei minha vida em torno de algumas prioridades. Entre elas, está a publicação de pelo menos um texto a cada dia.

Acontece que a mesma rotina que faz minha vida funcionar é a que me consome em torno da busca de um tema. Os minutos passam e, quando vai batendo no limite – naquele horário que ou “brota” um texto ou nada vai pra rede -, é impossível evitar a ansiedade e até um certo estresse.

Já disse aqui que superei o sentimento de escravidão. Por muito tempo sofri em função da obrigação que sentia de publicar. Hoje, estou mais relaxado. Entretanto, ainda sinto necessidade de escrever. Preciso produzir. É um compromisso com os leitores. Porém, é, primeiro, um compromisso comigo mesmo.

Mas quem disse que é tão simples assim?

Às vezes, tenho o tema. Faltam os argumentos. Outras, tenho o tema e os argumentos. Mas cadê a disposição para colocar “no papel”? Sem contar a dúvida: alguém está interessado em ler isto?

Não gosto de ler bobagens. Então, por que meus leitores perderiam tempo com algo descartável?

Sabe, o processo de criação é sempre desafiador. Ainda esta semana ouvia o trecho de uma entrevista concedida pelo cartunista Lukas ao jornalista Marcelo Bulgarelli, na época que ele ainda era repórter da CBN Maringá. Ele falava da dificuldade que muitas vezes sentia para criar um cartoon. Tinha a ideia, mas os traços nem sempre traduziam seus desejos.

Também é assim com os textos. Idealizo, mas eles têm vontade própria. Vão para onde querem ir. Algumas vezes, tocam; outras, são apenas palavras jogadas ao vento.

Crise de criatividade e a dura realidade

Acompanho semanalmente a coluna de alguns jornalistas, cronistas etc. Também tem alguns blogueiros que fazem parte da minha lista de leitura obrigatória. São pessoas que gosto, que admiro – seja pela capacidade de argumentação, pela criatividade ou pelos bons temas. Entretanto, noto que ninguém consegue ser sempre brilhante. Ainda que sejam admiráveis, não há uma regularidade. Há textos que são únicos; outros que são “apenas” bons.

Confesso que isto me tranquiliza. Afinal, não raras vezes me sinto em plena crise de criatividade. Nenhum tema me empolga. Nada que esteja disposto a fazer me faz vibrar. O resultado é mais que esperado: nenhuma produção se torna significativa.

Na faculdade, numa das minhas disciplinas sempre discuto a produção cultural e as consequências do ritmo quase industrial que se impõe ao mercado da arte. Com frequência, comento que não há criatividade que resista a agenda das gravadoras, editoras, emissoras de tevê etc.

Todo mundo tem bons e maus dias. Portanto, não é só talento.

Fico imaginando o drama que vive um autor de novelas. O cara tem que escrever todos os dias durante oito, nove meses. Como é possível criar personagens e histórias que surpreendam durante todo o tempo em que a obra estiver no ar? É impossível. Ainda que existam auxiliares, gente para incentivar, trocar ideias. Afinal, tem dias que a gente simplesmente não quer sair da cama. Muito menos sentar em frente a um computador e produzir. E produzir de maneira criativa, cativante.

Cá com meus botões, entendo que deveríamos respeitar o tempo de cada um. Permitir que cada “artista” tenha a chance de ser único. No entanto, isto é só um sonho utópico. Nenhum colunista mantém seu emprego se escrever durante quatro semanas seguidas e precisar de outras três para voltar a produzir um único texto; nenhum escritor vai conseguir sobreviver de sua produção se não entregar um novo livro dentro dos prazos desejados pela editora… E assim por diante. Vale até para nós, blogueiros de plantão. Sem novos textos, a página perde visitantes. E sem eles – ou seja, vocês – não há razão para seguir por aqui.

Correria faz a gente produzir menos…

Quanto mais a gente corre, menos a gente é criativo.
É isso que indica uma pesquisa realizada pelo neurocientista Mark Jung-Beeman.
Ele estuda o assunto há 15 anos.
Jung-Beeman é da Universidade Northwestern, EUA.

Portanto, quem quer ter idéias genias, precisa ter um tempo pra si.
Ficar ocioso, sem fazer nada, é o caminho para ser criativo.