Facebook exclui conta de usuários

Cá com meus botões, entendo que muita gente usa mal as redes sociais. Duas coisas se sobressaem: primeiro, exibir-se ou se promover; segundo, atacar ou criticar pessoas, empresas etc.

No primeiro caso, pode até incomodar um pouco os “amigos”, dar o que falar, mas, quase sempre, são atitudes inofensivas (não mudam a vida da gente). No segundo, a coisa é um pouco mais complicada. Dependendo da situação, pode até se configurar crime virtual.

Entretanto, não sei dizer até que ponto é justo banir as contas de alguns desses usuários. Hoje, por exemplo, vi a notícia de uma grávida que teve a conta encerrada pelo Facebook. Ela publicou uma foto em que aparecia apenas de calcinha e cobrindo os seios. Pra mim, a foto é de gosto duvidoso. Entretanto, não parece afrontar a moral, os bons costumes… enfim.

Por outro lado, uma página considerada racista foi tirada da rede na Austrália. Publicada no Facebook, apresentava aborígenes como bêbados e pessoas que cometem fraudes para receber benefícios sociais do governo.

As redes sociais têm seus critérios. Podem banir usuários, censurá-los. Embora ninguém leia as “regras de uso” antes da abertura de uma conta, elas existem e não são negociáveis. No entanto, sempre que vejo notícias sobre exclusão de pessoas que estão na rede, fico pensando se as regras não deveriam ser mais claras, inclusive definidas por uma legislação nacional – previamente debatida com a sociedade e amplamente divulgada -, prevendo inclusive penalidades em caso de mau uso.

E ainda a respeito do exibicionismo, isso é problema de formação mesmo… Falta de bom senso. Ou carência.

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Pai mata casal por causa do Facebook: por que é difícil aceitar que nem sempre somos amados?

Tem gente que ainda parece querer separar o universo digital do mundo real. O conceito de virtual, ao ser atribuído a tudo que é feito na rede, causa a impressão que se trata de algo separado da vida cotidiana, real, palpável (por isso mesmo, tem alguns que, escondidos atrás da tela de um computador, criam coragem para falar tudo que nunca diriam noutra situação).

Não é assim. Já disse aqui que é uma enorme bobagem separar as coisas. O mundo digital só é virtual pela ausência de elementos que ocupem um espaço físico. No entanto, impacta, e muito, no nosso dia a dia.

Costumo dizer que a discussão que você tem com um amigo pela rede não acaba quando desliga o computador. A mágoa continua ali, muito viva, incomodando, fazendo sofrer.

A ofensa virtual não é diferente daquela que é feita entre amigos ou “cara a cara”. Desligar a máquina não elimina os efeitos. Eles seguem conosco.

Um exemplo claro disso é o sentimento de exclusão. Da mesma forma que alguns sentem-se rejeitados quando não são convidados para a festa de aniversário de um amigo, a pessoa fica ressentida ao não ser adicionada no Facebook de alguém que ela considera amiga.

É uma idiotice. Mas é assim que funciona. A maioria se incomoda com essas coisas. Como se incomodaria com fato semelhante ocorrido fora do universo virtual (o caso do aniversário, como ilustrei).

E os loucos da vida real também o são no mundo digital. Basta ver o que fez esse sujeito nos Estados Unidos. Marvin Potter, de 60 anos, surtou. O cara matou um casal porque a filha dele foi excluída como amiga da rede social. Vingança tola, vazia, injustificável.

Tudo bem… É provável que exista algo que vá além da simples exclusão da garota. O casal deve ter tido alguma motivação para excluir a filha de Marvin do Facebook. O pai tomou as dores da menina. E isso deve ter colaborado para aumentar seu ódio.

Mas é uma loucura isso.

Sabemos que ninguém está completamente isento de ser vítima de um psicopata, um doente mental. Ainda assim, diria que as pessoas estão perdendo a dimensão completa da realidade.

Ninguém é obrigado a ser amigo de ninguém. No convívio cotidiano; muito menos nas redes sociais. A gente segue quem a gente quer. E se o “amigo” mais parece um intruso na rede, qual o problema de excluí-lo?

Da mesma forma que nos afastamos dos idiotas de plantão, evitamos quem nos desagrada na rede.

As pessoas não devem forçar serem aceitas.

Tem quem gosta da gente; tem quem nos ignora e aqueles que nos odeiam. A vida é assim.

Será que é difícil entender isso?

Mundo “free” x nossos crimes

Abri o blog para falar sobre uma coisa e acabei tentado a elaborar um texto sobre outro tema. Inspirado no comentário deixado por um leitor, respondi no post anterior que, em tempos de internet, é preciso rever algumas questões sobre o que é e o que não é crime. Exemplo, baixar música pela rede.

Pela legislação em vigor, tal comportamento é um crime. Por isso, resumi: “somos todos corruptos”. Claro, nele não tratava apenas desse tipo de hábito. Entretanto, está aí um exemplo de atitude que se torna um comportamento social. Isto sugere que quando a realidade se impõe há necessidade de se repensar algumas coisas.

Concordo que todo autor deve ser remunerado por aquilo que produz. Também entendo que não é justo reproduzir determinados conteúdos sem algum tipo de benefício aos seus criadores. E, gostando ou não, é isso que as coisas acontecem hoje na internet.

Não raras vezes já encontrei textos meus publicados por aí sem nenhum tipo de citação, inclusive ao meu nome. Já vi até mesmo posts impressos em forma de “artigo”. Ninguém me ligou, mandou email… Nada.

Acontece que esse tipo de situação se tornou possível em função da internet. E passou a ser tão comum compartilhar informações, pegar coisas, baixar músicas, filmes, livros etc etc que ninguém mais se dá conta se isto é ou não é legal. Parece que temos um mundo “free”.

Por isso, entendo que, se o mundo mudou, a lei precisa mudar. Até mesmo a concepção do que é ser ético – num contexto digital. A ética é uma construção social. Logo, são nas relações humanas que se define o que é um comportamento ético.

Concluo dizendo que propor um modelo, uma forma para lidar com essa nova realidade seria muita ousadia de minha parte. Não tenho autoridade pra isso, muito menos uma opinião formada sobre a maneira mais adequada de agir. Ainda assim, entendo que não devo ser tipificado como criminoso por baixar música pela internet.

Somos todos corruptos

Geralmente faço essa afirmação em duas das disciplinas com as quais trabalho na faculdade. Afinal, o termo “corrupção” está longe de significar tão somente desvio de recursos, ou ladroagem. Somos corruptos todas as vezes que corrompemos o sistema. Ou seja, quando baixo um filme pela internet, cometo um crime – sou corrupto. Vale o mesmo para a compra de um DVD pirata ou até de mercadorias do Paraguai – pneus, por exemplo.

Por isso, na disciplina de Comunicação Digital e Internet, ao tratar de ética no jornalismo feito nas redes, sustento o nosso comportamento corrupto na web – que vai desde baixar determinados conteúdos até reproduzir informações e fotos sem autorização de seus autores. Já noutra matéria, Leitura Crítica da Mídia, aponto que temos uma natureza marginal. Por exemplo, por vezes preferimos comprar produtos piratas em função dos preços. Além disso, somos tentados a burlar a Receita sonegando impostos.

Claro, há outros tantos exemplos de atos corruptos que cometemos. E em tempos de internet há inúmeros casos de gente que rouba o sinal de rede sem fio do vizinho ou até divide com ele o pagamento pelo serviço – até mesmo mandando um cabo por cima do telhado. Pode até parecer inofensivo, mas contraria a lei.

Um cidadão de Teresina (Piauí) está sofrendo as consequências dessa prática. Primeiro, foi multado em R$ 3 mil pela Anatel – por dividir a rede Wi-Fi com três vizinhos. Depois, foi chamado pela Polícia Federal para responder pelo crime de estar atuando indevidamente como prestador de serviços de telecomunicação.

Alguém pode até dizer: “que exagero!”. Também acho. Porém, conforme a lei, ele cometeu um crime. Ou, poderíamos dizer, é um corrupto. Como muitos de nós.

Internet: tudo para todos?

Hugo Chávez quer um espaço na internet só para ele. Será a trincheira dele na internet. Isto foi o que disse nessa última semana o presidente da Venezuela. O ditador, travestido de democrata, alega que quer garantir o direito dele de se comunicar com o mundo.

É isso mesmo. É um direito de Chávez. Direito dele e todos. É verdade que Chávez não precisava disso. Ele já controla a imprensa do país. Quem fala mal do presidente venezuelano é censurado. Mas Chávez afirma que não vai tocar na internet. O que pretende fazer é ter também o espaço dele para se comunicar.

A internet é um bom lugar para Chávez debater com sua gente e com o mundo. Na verdade, a rede mundial de computador tem por princípio a pluralidade de ideias, informações e ainda permite que todos possam se expressar.

Como disse na semana passada, aqui mesmo, a internet é essencialmente democrática. Claro, não em todos os lugares. Na China, por exemplo, o acesso a determinadas páginas é controlado pelo governo. Fato lamentável. Mas que não significa ser impossível driblar.

Entretanto, o que quero voltar a refletir é sobre esse princípio de “tudo para todos”. Afinal, é assim que funciona a internet. Pode-se encontrar de tudo na rede. Notícias, entretenimento, serviços… Enfim, o mundo está na tela do computador. Com a vantagem que não só se consome, mas também é possível produzir e compartilhar conteúdos.

Acontece que, como falei no texto anterior, a internet celebra a ignorância. No século XIX, alguns autores diziam que só a elite intelectual tinha sensibilidade para produzir e consumir arte. A visão deles era bastante restrita – quem sabe, até preconceituosa. No entanto, traz uma premissa bastante reveladora: nem todos são artistas; nem todos são capazes de apreciar uma obra de arte.

As coisas funcionam assim. É falácia acreditar que podemos fazer tudo que desejarmos. Até podemos, mas ninguém pode assegurar a qualidade, a eficácia dessas ações. Por exemplo, tem gente que ama música. Por isso, estuda anos e anos, se dedica, mas nunca é capaz de encantar o público.

Outra situação, o ramo de vendas. Há milhões de vendedores espalhados por aí. Mas quantos são de fato vendedores? Há centenas de cursos preparatórios. Eles ajudam. Dão orientações preciosas, mas não produzem um vendedor. É preciso ter uma espécie de aptidão natural.

Sabe, não quero aqui pontuar que nascemos determinados a fazer certas coisas e sem habilidade para outras tantas. Contudo, é preciso reconhecer que podemos aprender técnicas, saber tudo sobre uma atividade, mas ainda assim não sermos os mais indicados para aquela tarefa.

É assim na internet. Nós todos estamos aqui. E quem ainda não produz na rede só não o faz por opção. Dia desses Hugo Chávez poderá estar postando num blog ou escrevendo no twitter. Esse é o espírito democrático da rede. Mas exatamente por isso não temos garantias. Ninguém está seguro. A rede de boatos e mentiras produz mais estragos que nossas vizinhas fofoqueiras, pois a escala da disseminação de bobagens é global.

Por ignorância, inocência ou sei lá o quê, as pessoas se permitem consumir mentiras. Não raras vezes já falei sobre os textos não escritos por Arnaldo Jabor, mas publicados em sites, blogs etc e replicados por emails como sendo dele. Não adianta o cronista dizer que não é o autor. As pessoas leem como se fosse.

Ainda nesta semana falei no blog sobre uma mulher que entrou em contato comigo toda preocupada. Motivo? As mensagens que espalham o medo pela internet por causa de supostos riscos da vacina contra a gripe A.

Concluo, a democracia assegurada pela internet é um bem de todos. Porém, precisamos usá-la com sabedoria. Checar a origem e a veracidade da informação é o mínimo que se recomenda antes de reproduzirmos o que se divulga na rede.