Prefeitura falha no atendimento à população de rua

A prefeitura de Maringá tem falhado nas políticas de atendimento à população de rua. E não é de hoje. O problema se arrasta há várias gestões. Porém, acentuou-se nos dois últimos anos. Embora a gente não tenha estatísticas oficiais, é visível o aumento da quantidade de pessoas que estão nas ruas.

Gente nas ruas é resultado, geralmente, de três situações: dependência química, perda de emprego e conflitos familiares. Ou seja, a solução para o problema passa pelo desenvolvimento de políticas públicas bastante distintas. Desde a prevenção e tratamento de dependentes químicos até acolhimento das famílias.

Contudo, essas políticas não possuem efeito imediato. Por isso, além de cuidar das causas, há necessidade de ações imediatas. Não dá para o poder público se proteger atrás da legislação que permite o ir e vir das pessoas. Moradores de rua, principalmente quando são dependentes químicos, fazem abordagens que intimidam, assustam e colocam em risco a população.

Hoje, dificilmente alguém consegue circular por alguns espaços públicos sem ser abordado por gente pedindo dinheiro e, por vezes, de maneira intimidadora. A população acaba se sentindo insegura, com medo.

Por isso, é fundamental que o poder público tenha ações ostensivas. É necessário colocar a guarda municipal, assistentes sociais e até mesmo a polícia para abordar essas pessoas diariamente. Há necessidade de uma política ostensiva. O poder público precisa oferecer amparo para esse público, insistir que participem dos programas de inserção, mas ao mesmo tempo é preciso que sintam que a cidade tem comando. A população de rua não pode se sentir livre, à vontade para ficar onde quiser e agir como bem entender.

Golpe do bilhete premiado

golpe

Quem cai no golpe do bilhete premiado? Eu me surpreendo sempre quando vejo o noticiário e descubro os perfis das vítimas. É impressionante! Tem gente simples, mas tem gente supostamente esclarecida. E o que leva a pessoa a ser seduzida? Primeiro, a habilidade dos criminosos; segundo, a ganância.

Soube do caso de uma professora. Ela perdeu R$ 100 mil. E os golpistas não levaram mais, porque não quiseram. A vítima sacou o dinheiro, que era de uma casa que havia vendido, e só não deu outros R$ 100 mil porque os bandidos não esperaram pela grana.

É curioso ouvir o relato dos funcionários do banco. Eles a questionaram sobre o motivo do saque. Ela respondeu que aplicaria na compra de um sítio. Como estranharam o comportamento da cliente, insistiram que negócios não podem ser feitos de última hora, que poderia estar sofrendo um golpe. A professora sustentou que era esperta e ninguém ia passá-la para trás. As lágrimas de desespero, enquanto registrava a ocorrência na delegacia, demonstram que nem sempre dá para ser auto-confiante.

Sabe, eu nunca acreditei em dinheiro fácil. Nem apostas eu faço. Conheço gente que vez ou outra embarca em “novidades”, aquelas parecidas com pirâmides, e até faturam seus trocados. Existem inclusive alguns produtos que são vendidos dessa forma: você ganha pelo simples fato de alguém, que foi seu cliente, estar vendendo o tal objeto. Porém, pra mim, não dá. Talvez eu seja conservador demais, ou seguro demais.

Acho, porém, que a ganância tem norteado as escolhas de muita gente. O golpe do bilhete só seduz porque a pessoa vê ali uma oportunidade de ganhar dinheiro fácil. Pior, há uma motivação que vai para além da ganância. Enquanto o golpe se desenvolve, a vítima acredita que está se dando bem, que vai se dar bem cima do outro “tolo”. Ou seja, há um desejo desonesto. O estímulo, que faz funcionar o golpe, nasce da ganância combinada com certo “mau-caratismo”; não tem nada a ver com “vou ajudar o outro comprando o bilhete”.

Ou seja, se nossas motivações fossem virtuosas, éticas, o golpe nunca se efetivaria.

Pais que matam filhos; filhos que matam pais

Uma das primeiras notícias que li na manhã desta quinta-feira foi esta:

Embriagado, homem mata filha a facadas e tenta se matar em Minas Gerais

A gente não precisa ir além do título para ficar chocado. É triste. Lamentavelmente, não é um fato raro no noticiário nacional. Pais que matam filhos, filhos que matam pais…

Alguns dizem: “sinal dos tempos”…

Se “sinal dos tempos” for o desamor, o desapego, sim; é “sinal dos tempos”. Tempos estes já existentes na história desde sempre. Então não venham me dizer que isso começou agora. Laços familiares nunca foram motivo para evitar agressão entre pessoas do mesmo sangue e até morte.

Estranhamos, não queremos, não aceitamos, mas humanos são contraditórios e nem sempre possuem amor ou respeitam a vida – até mesmo dos seus. E a bebida, embora possa contribuir para romper com certos valores, apenas revela a verdadeira face dos sujeitos.

Caso Lavínia: a obsessão que mata

Não leio notícias negativas. Principalmente as que envolvem mortes, tragédias. Evito sempre. Até mesmo apresentando o jornal, procuro ignorar o que há de mais sangrento. Não se trata de uma negação da realidade; apenas uma atitude para preservar o espírito, as emoções.

Entretanto, há momentos em que os tragédias falam mais alto que minhas convicções. A morte da pequena Lavínia, de seis anos, é um exemplo disso. Desde o início da semana, estou vendo as manchetes, mas procurando ignorá-las. Nem por aqui quis comentar o fato. Acontece que falando ou não sobre o assunto, um outro caso envolvendo uma garota chamada Lavínia está movimentando o blog.

Acabei me sentindo obrigado a entender o caso. Não foi difícil. Uma mulher obcecada pelo amante se sente desprezada por ele. Pede dinheiro a ele. Não ganha. Para se vingar, mata a filha do cara.

Este é o resumo da história. Ou seja, o fato. O que temos depois – inclusive na narrativa jornalística – são os detalhes do fato.

É desnecessário recontar o que aconteceu. Não são necessários nomes. Nada. O que vale é parar pra refletir um pouco: por que sentimentos tão bons – como o amor – podem provocar tragédias? Talvez seja porque não exista amor. Algumas pessoas não amam; são possessivas, sentem-se donas.

Ainda assim, diria que até aí não temos grandes conseqüências. Possessão, ciúme geram briga, tiram a paz… Perturbam o relacionamento. Mas não matam ninguém. O problema é quando transcendem o desejo de ser único, exclusivo.

Raiva e ódio são sentimentos humanos. Quando se perde o objeto de desejo, podem despertar a vingança. Querer vingar-se também é humano. É nosso. Está em nós.

Por isso, o que diferencia quem comete crimes como esse contra a pequena Lavínia das demais pessoas tidas como normais é a forma como esses sentimentos são administrados. Atire a primeira pedra quem nunca sentiu vontade de se vingar de alguém… É doloroso reconhecer, mas o nosso coração não é bom. Ser bom, fazer o bem, conter-se, silenciar a vingança é negar nossos impulsos mais cruéis. E isto não nasce em nós. Aprende-se.

As manchetes dos jornais de Maringá

O DIÁRIO: Após bispo e deputado, prefeito é vítima de furto
Nos últimos três meses, três autoridades foram vítimas de furto em suas residências: o deputado Wilson Quinteiro, o bisco Anuar Battisti e agora o prefeito Silvio Barros. Neste ano já são 227 furtos registrados na polícia, mas só 1% foi elucidado.

HOJE NOTÍCIAS: Procon orienta pesquisar
Pesquisar preço é o mandamento na hora de comprar peixe no período da Páscoa. A variação de preço, segundo pesquisa do Procon de Maringá, pode chegar até 200% conforme o estabelecimento. Este ano, o preço médio de peixes e frutos do mar está mais barato em relação a 2009. Houve queda de 5,6% ao considerar a pesquisa feita em supermercados e peixarias do município.

JORNAL DO POVO: Paraná consolida liderança na produção de grãos
O Paraná consolida sua posição como maior produtor de grãos do país, e vai colher em 2010 um volume de 30,3 milhões de toneladas. O IBGE revisou sua pesquisa mensal sobre levantamento de safra realizada no mês passado e constatou que a produção paranaense será ainda maior. O levantamento publicado ontem aponta um aumento de 20% sobre a produção obtida no ano passado, safra que foi prejudicada pelo clima.

Tentativa de assalto…

Tentativa de assalto no Unibanco terminou com feridos.
Foi agora há pouco… Por volta das 11h.
Dois jovens chegaram numa motocicleta.
Entraram, foram recebidos com tiros pelos seguranças.
Duas pessoas foram feridas.
Os bandidos fugiram.
Não haviam policiais na região central da cidade.
Mesmo a motocicleta tendo falhado, escaparam.

Atualizado: Três assaltantes foram mortos em confronto com a polícia após o assalto. Outros cinco suspeitos foram presos e devem ser apresentados à imprensa às 16h.

Jornalista é espancada…

A bela aí do lado foi espancada quase até a morte. Trata-se da jornalista americana Anne Pressly, 26 anos. Ela é âncora de um telejornal da KATV, na cidade de Little Rock, Arkansas.

A polícia não sabe se o espancamento está relacionado ao trabalho dela ou se teria sido resultado de uma violência após um assalto, já que a bolsa da jornalista foi levada pelos criminosos.

PS- Anne está internada e corre risco de morte.

Atualizado (segunda-feira, 27/10): A jornalista morreu nesse fim de semana em virtude do espancamento sofrido.

Foto: Associated Press