Por que o PT quer a queda do ministro Levy?

Como governar o país quando até mesmo membros do governo não o apoiam e são contrários a quase tudo que está sendo feito?

Este é o cenário enfrentado pela presidente Dilma.

Sem apoio popular, com a base fragmentada no Congresso, um vice que está de olho na presidência e sob risco de impeachment, Dilma também não pode contar com o PT.

Nesta última semana, o presidente do partido, Ruy Falcão, pediu a demissão do ministro da Fazenda. Joaquim Levy é responsável por medidas impopulares. É quem está propondo uma série de cortes nos gastos do governo. E também é o principal articulador da nova CPMF.

O PT acha que o pragmatismo de Levy é um erro. E que o governo Dilma precisa de um novo ministro da Fazenda.

A grande pergunta que se faz é: quer trocar o ministro por quê? Para quê?

Está claro que o país está quebrado. Falta dinheiro para investimentos e até para os programas sociais. Não foi o Levy quem criou o caos. Eu até concordo que Dilma precisava de um ministro medalhão… Daqueles nomes poderosos da economia. Henrique Meirelles talvez seria o nome ideal. Mas, vamos ser claros: o ministro Levy não tem muito o que fazer diante da situação que encontrou. Ele pegou o país falido. Embora os cortes feitos, inclusive em programas sociais, sejam péssimos para o país, de onde mais o ministro poderia tirar dinheiro para fechar as contas do Estado?

O PT defende reduzir os juros. E isso seria ótimo. Mas o que fazer com a inflação que já está na casa dos 10%? Está provado que o modelo de crescimento dos últimos anos, baseado no estímulo ao consumo interno, chegou ao seu limite.

Cá com meus botões, tenho a impressão que o motivo para o PT pedir a queda de Joaquim Lévy é outro: o PT quer se salvar. O partido já entendeu o governo Dilma não tem salvação. Ao tornar públicas determinadas críticas, o PT quer descolar sua imagem da imagem de Dilma.

O problema é que, ao fazer isso, o PT contribui para afundar ainda mais o governo, que precisa de apoio para aprovar projetos que podem não pôr fim à crise, mas que talvez indiquem ao mercado que chegamos ao ponto de começar a sair do fundo do poço.

O apelo da presidente Dilma

A presidente Dilma deu posse aos novos ministros nessa segunda-feira. E fez um pedido simples: que os ministros conversem mais com o congresso nacional.

O pedido de Dilma tem uma razão: o governo se isolou. e esse isolamento trouxe prejuízos. O governo não conseguiu aprovar várias medidas no Congresso nesse ano… Os deputados, sob o comando de Eduardo Cunha, se sentiram livres para propor projetos que potencializaram ainda mais a crise… E, nesse descompasso todo, a sensação que o brasileiro passou a ter é que o governo não governa.

Em 2014, a presidente Dilma não teve uma vitória fácil. As eleições de outubro passadas foram difíceis, desgastantes. E quem perdeu não aceitou a derrota. Aécio Neves não aceitou a derrota. Nem boa parte dos eleitores dele.

Como a campanha se desenvolveu num clima de ódio, de rivalidade exacerbada, o fim da disputa eleitoral não representou o fim do embate. Com o Brasil em frangalhos, pelos erros da equipe econômica, e medidas equivocadas da presidente Dilma, a popularidade do governo despencou. E os mais de 54 milhões de votos obtidos nas urnas deixaram de ter força diante de tantos problemas.

Hoje, a presidente não tem popularidade, não tem o respeito da população, não consegue apoio no Congresso nem mesmo de sua base política. Para completar, corre o risco de sofrer impeachment. Pode até não haver base legal para a cassação da presidente, mas o assunto não sai da pauta política do país.

Por isso, o pedido de Dilma é quase um apelo. Em outras palavras, a presidente parece dizer: me salvem!!! Me ajudem a sair desse buraco!!!

Sinceramente, não sei se vai resolver. Não sei até que ponto ainda há tempo para salvar o governo Dilma.

Eu espero, porém, que venham resultados positivos. Não necessariamente pelo bem do governo petista, mas pelo bem do povo brasileiro.

Brasil: um doente terminal

Um doente diagnosticado como paciente terminal. Foi assim que o jornal britânico Financial Times classificou o Brasil numa reportagem publicada nesse fim de semana.
Ainda comparando o Brasil a um doente, o jornal definiu:

“os rins têm falhado; o coração vai parar em breve. A economia está uma bagunça”.

Segundo o Financial Times, diante de todo ambiente desfavorável, o sofrimento do Brasil está apenas no começo.

Sim, a economia do Brasil está uma bagunça. O pragmatismo do atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy, parece não combinar com o governo Dilma, com o jeito petista de administrar. Não há sintonia. Joaquim Levy parece estar sozinho… E, pior, por ser técnico demais, o ministro não dá conta de agir politicamente, de saber se articular dentro de um governo que não quer fechar as torneiras. O ministro também tem sido infeliz ao se pronunciar publicamente.

Diante de cenário tão confuso, chama atenção o editorial da Folha de São Paulo desse domingo. O título resume tudo: última chance. Sim, a presidente Dilma talvez tenha alguns poucos dias para provar que pode concluir o mandato.

O jornal repete algo que eu disse na Metrô FM na semana passada: a presidente Dilma errou demais. Nas palavras do jornal, Dilma abusou do direito de errar. Desde que venceu as eleições, a presidente esgotou as poucas reservas de paciência que a população ainda tinha.

Para a Folha, se quiser salvar o mandato, Dilma precisa impor medidas extremas e apresentá-las ao Congresso. A Folha reconhece: sem aumento de impostos, o Brasil não escapa. E o Congresso, por sua vez, precisa deixar de futrica, de fazer politicagem e ajudar a salvar o país.

Cá com meus botões, é disso que eu duvido. Não confio na capacidade da presidente reagir, não consigo vê-la sequer em sintonia com sua equipe econômica. E confio ainda menos no Congresso. Comandado por Eduardo Cunha, na Câmara, e Renan Calheiros, no Senado, a lógica que impera por ali parece ser do “quanto pior, melhor”. E, por isso, sem boa vontade de ajudar o governo petista, o caminho parece ser mesmo o que aponta o Financial Times… Logo o coração vai parar.

PS. Este foi o meu comentário na Metrô 96.5 FM nesta segunda-feira, 14. 

As manchetes do dia

– Mototáxi é legalizado e aguarda ação da prefeitura
O jornal O Diário destaca que foi sancionada a lei que regulamenta o mototáxi no país. A atividade depende de regras a serem estabelecidas pelos municípios. A prefeitura de Maringá vai avaliar a necessidade do serviço.

– Astronauta divulga robótica como método de aprendizado
A manchete do Hoje Notícias trata da visita a Maringá de Marcos Pontes, o primeiro astronauta brasileiro a pisar no espaço, na Missão Centenário. Ele destacou que a robótica na educação permite aprender movimentos transversais aplicados em várias disciplinas.

– Cidade tem 105 casos notificados da nova gripe
O Jornal do Povo fala que até ontem foram notificados em Maringá 105 casos suspeitos da nova gripe. Desse total, 64 já saíram do período de isolamento domiciliar, estão curados e já voltaram à rotina normal de atividades.

Diário do Noroeste de Paranavaí
Gestante é internada em Paranavaí com suspeita da gripe A

Jornal Umuarama Ilustrado
Mecânico bate com a moto em ônibus e acaba morto

Folha de Londrina
Jornada do trabalhador paranaense está em 13,4% menor

Gazeta do Povo
Escolas e faculdades suspendem as aulas

Jornal do Brasil
Secretários recuam e Rio adia volta às aulas

O Globo
Gripe faz Rio também adiar volta às aulas

Valor Econômico
Comitê quer reduzir vazão mínima do rio S. Francisco

O Estado de S.Paulo
70% do Conselho de Ética tem ficha com problemas

Folha de S.Paulo
Câmbio e queda de preço derrubam lucro da Vale

Chega de Renan?

Meu amigo Andye Iore disse que não agüenta mais ouvir falar em Renan Calheiros. Eu também não – e acredito que muita gente compartilha esse sentimento. Entretanto, não dá para pedir o silenciamento da imprensa. O presidente do Senado representa tudo aquilo que a gente precisa eliminar do cenário político nacional.

Claro que alguns vão dizer que a mídia estaria sendo golpista por forçar a barra para que Renan perca o mandato. Não concordo com essa idéia. Apenas penso que a pressão exercida para limpar a suposta honra do Senado Federal não pode se restringir a Renan. Se não dá para “cuidar” de todo mundo dessa vez, é preciso não perder de foco o problema da ausência de ética e moralidade na política. Depois de Renan, outros políticos merecem ser alvo dos holofotes investigativos da imprensa, Ministério Público e Procuradoria Geral da União.