Seja você mesmo!

Somos todos um pouco atores e atrizes… Encenamos personagens de nós mesmos. Em cada situação ou ambiente, nos travestimos e assumimos um papel. E é isso que assegura nosso trânsito em diferentes espaços.

Por exemplo, com seu chefe, você assume o papel de profissional. E como profissional, tem um determinado jeito de falar, de se portar… Quando você vai à escola, comporta-se de acordo com aquele ambiente e com os amigos que tem. Em casa, com seus pais ou com sua esposa, namorada ou namorado, você também assume uma maneira de ser e agir – você atua como filho, marido… Esse processo nem sempre é consciente. Mas, basta observar um pouco, e você vai notar que assumimos esses diferentes papeis. Temos agora até personagens para as redes sociais. Em cada ocasião, um personagem.

Isso significa que mentimos em cada uma dessas situações? Não necessariamente. Ter posturas diferentes não significa mentir a respeito de si, nem deixar de ser autêntico. Afinal, você nunca será na empresa a mesma pessoa que é em casa. A empresa talvez tenha um dress code (um jeito específico de vestir-se), uma formalidade ao falar… coisas que em casa são desnecessárias. Enfim, ambientes diferentes pedem ou permitem comportamentos diferentes.

Entretanto, algumas pessoas confundem-se com os personagens e deixam de ser quem realmente são. São pessoas que se tornam tão boas atrizes e atores que perdem a própria identidade. Gente que passa a agir em função dos aplausos que recebe no palco da vida e começa a silenciar as próprias verdades. Há pessoas que, ao notarem que são admiradas quando se comportam de uma determinada forma, passam a mentir para si mesmas. Agridem a própria identidade.

Quando isso acontece, deixamos de ser nós mesmos para nos tornarmos alguém que em nada se parece conosco. Se você é uma pessoa extrovertida, brincalhona, piadista, daquelas que faz piadas tontas… E que, achando que para ser aceito, precisa parecer um intelectual, você deixou de ser você.

Deixa eu te dizer uma coisa… Existe uma enorme distância entre ter bom senso e não fazer uma piada fora de hora e querer parecer uma pessoa introspectiva, sempre concentrada… ou até sisuda.

Assumir um personagem para agradar alguém pode até te fazer ser querido, admirado, aplaudido… mas nunca vai te fazer sentir-se realmente amado. Sabe por quê? Porque amor tem a ver com verdade. Se sou amado pelo que pareço ser, na prática, não sou amado. Se em algum momento minha verdadeira face for revelada, serei rejeitado. E isso só aumenta a insegurança, o medo de se mostrar, de ser jugado.

Por isso, ainda que possa parecer seguro esconder os seus defeitos, entenda que você só se sentirá verdadeiro amado ou amada quando a outra pessoa te aceitar e gostar de você, apesar dos seus defeitos.

Hoje é um dia maravilhoso!

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Por quê? O que há de especial?

Hoje é um dia maravilhoso, porque hoje é hoje. Não é qualquer dia. É hoje. Um dia a menos de vida; um dia a mais de vida. Eu e você temos a oportunidade de vivê-lo. Nunca haverá outro dia como este. Eu e você nunca seremos amanhã o que somos/fomos hoje.

Consegue perceber a beleza desta ideia? Na verdade, não se trata apenas de uma ideia; é uma das grandes verdades. Cada dia é único. E por ser único deveríamos experimentar cada dia como uma oportunidade de viver o melhor de nós.

Nem sempre é isso que acontece. Não raras vezes, saímos da cama já com o pensamento: hoje é um dia horrível. E listamos em nossa mente as razões de o dia ser horrível.

Se lembrássemos que o dia de hoje não pode ser recuperado, que não é possível recuperá-lo lá na frente, talvez tivéssemos uma atitude diferente. Talvez olhássemos para nosso dia e, mesmo antevendo as inúmeras tarefas a desempenhar, quem sabe até compromissos pouco agradáveis, agiríamos com a consciência de que nenhum dia é descartável na existência.

Nossos dias são como bombons raros, exemplares únicos, reunidos numa só caixa. Não há na caixa da vida nenhum bombom igual ao outro. Cada dia que desejamos que acabe logo, cada dia que queremos pular, é como um bombom que jogamos fora e que nunca mais teremos a chance de saborear, porque não há na caixa nenhum outro igual.

Portanto, a cada amanhecer, seja o dia que for, olhe para seu dia como um presente da vida e procure abraçá-lo com gratidão, reconhecendo que é único, não repetível. E por isso hoje precisa ser o seu melhor dia.

Você não tem o controle de tudo

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Um discurso recorrente entre muitos coachs e profissionais que atuam como mentores de carreiras é de que você está no controle de sua vida, é você que escreve seu destino. Noutras palavras, você é o responsável por seu sucesso ou fracasso.

Aqui do meu cantinho costumo repetir: tem coisas que a gente não controla.

O discurso de que estamos no controle tem sim sua importância. Afinal, muita gente se acomoda e parece esperar um milagre do Céu para tornar realidade os seus sonhos.

A pessoa segue o mantra do “deixa a vida me levar” ou fica o tempo todo se lamentando da má sorte.

Gente assim tem pouca chance de conquistar alguma coisa, de fazer a diferença na vida.

É necessário assumir as responsabilidades e trabalhar pelos seus sonhos.

Porém, isso não quer dizer que você tem o controle de tudo. Na verdade, o tempo todo estamos sujeitos a ventos e tempestades.

Eu estou aqui, fazendo o melhor que posso. Teoricamente, estou no controle. Entretanto, posso sair daqui a pouco do trabalho e sofrer um acidente. Isso pode me tirar da rota que desenhei por algumas horas, dias ou até mesmo mudar completamente minha vida.

Talvez você esteja aí tentando viver a ideia de que está no controle de sua vida. Porém, também não controla acidentes, uma mãe doente, a perda de um filho… Não controla o humor do seu chefe, o sucesso financeiro da empresa para a qual trabalha, nem mesmo é capaz de dizer se sua atividade profissional será relevante daqui a 10 anos. Você pode e deve escolher seus amigos, mas não tem garantia da fidelidade deles.

A ideia de que estamos no controle tem limites. A realidade se impõe e muita coisa não depende de nós.

Aceitar as limitações e seguir adiante

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Com muita frequência, a gente trava diante da vida em função dos nossos medos. Nos sentimos inseguros em assumir determinadas tarefas ou em desenvolver certos projetos, porque olhamos para nós mesmos e concluímos que não temos capacidade para aquilo.

Às vezes, nossas limitações ficam muito claras. Sabemos exatamente que elas estão ali… E que são parte do que somos.

Entretanto, também é fato que as limitações que possuímos só se tornam barreiras intransponíveis porque nós as superestimamos. As limitações se tornam gigantes e nos sentimos como pequenos insetos.

O escritor Austin Kleon, ao falar sobre a própria experiência dele, num percurso que o levou a ser um dos autores mais vendidos no mundo, lembra que é preciso aceitar as limitações e seguir adiante.

Note, a proposta aqui não é aceitar os limites e desistir; é aceitar os limites e prosseguir.

Nossas limitações talvez nos obriguem a um redirecionamento, a um esforço maior… Mas não são incapacitantes. Um baixinho que sonha ser jogador de basquete, provavelmente não vai conseguir jogar profissionalmente; a altura será um problema. Entretanto, ele pode se preparar, estudar e se tornar um excelente técnico de basquete, comandar equipes profissionais e até chegar a uma seleção.

Eu adoraria ser engraçado,  divertido… Talvez isso permitiria que meus textos, vídeos, podcasts tivessem milhares de visualizações. Mas isso não me faz desistir. Eu estudo muito, me preparo e compartilho conteúdos sérios. O público é menor, mas construí certa relevância nesse segmento. Minhas limitações poderiam me paralisar. Mas eu segui adiante e estou aqui com você hoje.

Por isso, volto a dizer… Nossas limitações podem trazer inseguranças. Mas é preciso aceitá-las e seguir adiante em busca de nossos sonhos.

O medo pode nos impedir de viver

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Li um pensamento que gostaria de compartilhar: nossos medos não detêm a morte, mas sim a vida.

A ciência entende o medo como uma ferramenta importante de autodefesa. O medo nos coloca em estado de alerta e prepara nosso corpo para reagir diante de uma situação de perigo.

Entretanto, o mesmo medo que é fundamental para agirmos de forma prudente, cuidadosa, sábia, também pode nos paralisar.

E muitos de nós, por medo, deixamos de viver.

O pensamento resume essa ideia: o medo não nos impede de morrer, mas pode nos impedir de viver.

Por medo de ser rejeitado, quantas pessoas deixaram de dizer “eu te amo” para uma garota ou um garoto?

E o sonho de ter o próprio negócio? Ou quem sabe de mudar de profissão? Quem sabe a vontade era mudar de cidade ou até de país?

Ter medo do que pode acontecer é importante para agirmos racionalmente, com planejamento, tentando prever as consequências.

Mas se o medo se torna uma barreira, se nos paralisa, estamos abrindo mão da vida.

Na Bíblia, tem um texto que gosto bastante. Josué havia se tornado líder do povo de Israel. Ele estava inseguro. Josué tinha diante dele uma série de batalhas, cidades que precisavam ser conquistadas.

Deus então diz a Josué: se valente!

A palavra não é para Josué se tornar um homem raivoso, nervoso, agressivo; era para que enfrentasse seus medos e seguisse em frente, se tornasse o líder que o povo precisava.

Parece-me que todos os dias o Universo ainda nos diz: se valente! Enfrente seus medos, lute por seus sonhos, não se deixe abater diante das dificuldades. Afinal, nossos medos não detêm a morte, mas detêm a vida.

Você se conhece?

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A jornada para o conhecimento de si é desafiadora. É necessário empenhar tempo em contemplar a si mesmo na busca por compreender quem sou.

Nesse fim de semana, participei de um seminário para casais. O especialista responsável pelas palestras propôs algumas atividades. Entre elas, perguntas aparentemente simples, mas que fizeram todos se demorarem na busca por respostas.

E quais perguntas eram essas? As perguntas mais difíceis eram aquelas que diziam respeito a quem somos – o que realmente gostamos, queremos, sonhamos, nossas virtudes e fraquezas.

Pouco nos conhecemos.

Na antiguidade, os gregos davam muito valor ao autoconhecimento. O filósofo Sócrates se tornou conhecido pela frase “conhece-te a ti mesmo”. Platão ia além…Ressaltava que um homem não poderia governar uma cidade enquanto não fosse capaz de governar a si mesmo. Por isso, sustentava que ninguém antes dos 50 anos estaria pronto para ser o governante de um povo.

Nós, em nossa cultura superficial, não apenas desconhecemos o mundo; pouco sabemos sobre nós mesmos. E por não sabermos quem de fato somos, vivemos uma vida vazia; falta-nos um propósito. Muitos de nós estamos doentes, doentes emocionais. Sofremos com angústia, ansiedade, medo, pânico…
Investir em conhecer a si mesmo é o primeiro e mais importante passo para o cuidado de si. Nenhuma conquista é mais importante que saber quem sou, o que me realiza, o que me faz feliz.