Quando Deus fará justiça?

O verso 5, do Salmo 12, traz uma mensagem importante para nossos dias. O texto diz o seguinte: “Por causa da opressão do necessitado e do gemido do pobre, agora me levantarei, diz o Senhor. Eu lhes darei a segurança que tanto anseiam.”

Dias atrás, eu disse aqui: o Deus da Bíblia é o Deus dos pobres. A lógica meritocrática, competitiva, baseada na luta constante por ocupar o lugar mais alto do pódio, custe o que custar… Essa lógica não é bíblica. Fomos nós, os homens caídos, que criamos esse mundo excludente, injusto, desigual. Fomos nós, que, em nome de uma pseudo felicidade, que seria proporcionada pelo dinheiro, pelos bens materiais, pela fama, que produzimos a fome de tantos e a abundância de alguns poucos. 

Deus não sonhou isso pra nós! Esse nunca foi o plano divino para o ser humano.

O salmo de hoje traz a voz de Deus dizendo que, por causa da opressão do necessitado, por causa do gemido do pobre, Ele, Deus, se levantará para dar a segurança que os necessitados, que os pobres precisam. 

Quando isso vai acontecer? Não sei! Não sei quando Deus irá interferir na história para fazer justiça e aliviar as dores dos necessitados, dos pobres do mundo. 

Mas eu sei que, hoje, você e eu, que somos cristãos, temos um papel a cumprir. Nós somos as mãos de Deus no mundo atual. Por nossas atitudes, por nossas escolhas, nós podemos tentar aliviar um pouco a opressão do necessitado, a fome do pobre… E fazemos isso não apenas dando uma cesta básica, mas também em nossa prática cidadã – inclusive por meio do voto.

Pense nisso!
Um grande abraço.

Como Deus olha os pobres e os oprimidos?

Como você acha que Deus olha para as pessoas mais pobres, as mais oprimidas, as mais sofridas? Sabe, eu nunca fui um militante político. Nunca fui eleitor da esquerda. Mas eu quero que você entenda uma coisa: o Deus da Bíblia é o Deus dos pobres, dos oprimidos.

Basta folhearmos o texto sagrado para notarmos o incômodo do Criador ao ver suas criaturas criando hierarquias sociais e explorando os próprios semelhantes.

O verso 9 do Salmo 9 diz: “o Senhor é refúgio para os oprimidos”. No verso 12 do mesmo Salmo, lemos que “ele [Deus] não ignora o clamor dos oprimidos”

Hoje, enquanto vivemos neste mundo, Deus não interfere nas escolhas humanas. Ele permite que o homem exercita sua liberdade. Mas nada entristece mais a Deus do que ver pessoas feitas da mesma matéria, gente que é do mesmo pó, criando classificações, maltratando umas às outras… 

Mas o salmo que lemos traz uma promessa: Deus não ignora o clamor dos oprimidos. Deus é o refúgio dos oprimidos. É o consolo, é a certeza de que um dia será feito justiça.

Veja só o que diz o verso 18: “Mas os pobres nunca serão esquecidos, nem se frustrará esperança dos necessitados”

Guarde essa palavra no coração! 

Nada é nosso!

Ouça a versão em podcast!

Eu não sei quando entendi isto, mas há algum tempo compreendi que esta é uma das poucas verdades absolutas: nada é nosso! Tudo que supostamente possuo hoje, não é meu. Na verdade, tenho a ilusão de que é meu. Na prática, sou apenas uma espécie de mordomo. É meu agora. Meus bens, meu dinheiro… tudo pode trocar de mãos em algumas horas. As riquezas são do mundo; nos apropriamos delas por alguns instantes durante uma curta existência.

O único valor das coisas que estão sob meu domínio, o único valor que possuem, é o valor de uso. Nada que tenho e que não uso tem valor. E tudo deixará de estar sob meus domínios assim que deixar esta vida. Ou mesmo, talvez por uma adversidade, também posso perder tudo que hoje parece ser meu.

A compreensão dessa verdade é tão avassaladora que joga em minha cara o quanto a vida é efêmera. Mais que isso, coloca diante de mim o quanto é vazio lutar tanto, esgotar-se na busca por possuir coisas. Também revela a imbecilidade vivida por muitos daqueles que medem o próprio valor pessoal pelo tamanho da conta bancária, pela quantidade de bens.

A real descoberta dessa verdade poderia nos ajudar a dividir mais. Afinal, se compreendo que aquilo que possuo não é efetivamente meu e só tem valor efetivo aquilo que eu posso usar, por que eu deveria reter tudo em meu poder deixando um humano, que é semelhante a mim, passar fome, sem um sapato nos pés ou um casaco para protegê-lo nos dias frios?

Os luxos que o dinheiro nos garante não são eternos. São prazeres imediatos, temporários. Até se justificam se usufruímos, mas fazem pouco sentido se são apenas possibilidades não vividas. Temos apenas um corpo; de que servem centenas de peças de roupas caríssimas? E as dezenas de pares de calçados? E as casas imensas, se ocupamos diariamente alguns metros quadrados e por algumas poucas horas? De que adianta poder pagar por milhares de refeições no melhor restaurante de Paris se só consigo comer uma de cada vez?

Nada é nosso! Quando a vida se esgota ou mesmo a saúde vai embora, nada sobra, tudo que parece ser nosso, troca de mãos ou perde seu valor de uso.

Os efeitos nocivos da desigualdade social

​A desigualdade é uma das características das sociedades capitalistas. Ela funciona, inclusive, como uma espécie de mecanismo motivador da busca por condições de vida melhores. Justamente por alguns conquistarem condições privilegiadas, toda uma sociedade se move na tentativa de chegar a esse lugar privilegiado.

Em diferentes momentos históricos, houve tentativas de pôr fim às desigualdades. Porém, todas fracassaram. As políticas de igualdade produziram uma igualdade artificial, mentirosa e que, na prática, empobreceu a população. Também parece ser da natureza humana o desejo da conquista, a competitividade, a insatisfação que faz com que queiramos sempre mais e mais. As experiências têm provado que isso não é ruim. Afinal, na busca por ganhar mais, acumular mais e viver melhor, as nações se desenvolvem, tecnologias são criadas e até mesmo as condições de saúde e bem-estar das pessoas têm melhorado ao longo da história.

Entretanto, o conceito de desigualdade social transcende a ideia de uma sociedade em que as condições de riqueza são desiguais. O conceito retrata o abismo que pode existir entre quem tem mais e quem tem menos. E essa distância, quanto maior é, mais problemas traz.

Estudos têm provado que sociedades desiguais são mais violentas, têm mais gente nas prisões, maiores níveis de obesidade e de doenças mentais, mais pessoas infelizes, menores expectativas de vida e baixos níveis de confiança. Além disso, pesquisadores descobriram que a desigualdade social aumenta a segregação e os resultados educacionais de crianças, jovens e adultos são piores.

Por outro lado, a existência de políticas de promoção humana com a finalidade de reduzir a desigualdade social, além de garantirem rendimentos maiores para os trabalhadores, ainda asseguram bem-estar para as crianças, diminuição da mortalidade infantil, menores níveis de estresse, menos consumo de drogas, mais qualidade de vida para a população.

Ou seja, ainda que seja desejável assegurar que as pessoas tenham a liberdade de lutar por condições de vida e riqueza distintas, algumas tenham mais e outras menos, está provado que nenhuma sociedade pode permitir que se crie um abismo entre os mais ricos e os mais pobres. A crescente desigualdade social não é apenas injusta; ela é nociva para a população, pois piora as condições de vida de todo o conjunto da sociedade. Até mesmo os privilegiados se tornam reféns em suas próprias casas, tendo que viver trancados para evitar os efeitos de uma sociedade profundamente desigual.

Ps. Para quem quer entender mais os efeitos nocivos da desigualdade, sugiro a leitura de “The Spirit Level: Why Greater Equality Makes Societies Stronger”, dos britânicos Richard Wilkinson e Kate Pickett.

Quem protege os mais pobres?

​A Constituição Brasileira ressalta que todos são iguais perante à lei. Também há nela uma série de garantias e supostas proteções aos mais pobres no que diz respeito à saúde, alimentação e moradia.

O texto constitucional, porém, não passa disto: um texto. Apenas um texto.

Os mais pobres não são efetivamente protegidos pelo Estado. Tampouco recebem a atenção devida da Justiça. Num julgamento, por exemplo, a ausência de bons advogados é determinante para o resultado do júri.

É curioso notar que a preocupação com os mais pobres está presente na Bíblia, o livro que referencia a filosofia religiosa de boa parte da população ocidental, e principalmente do povo brasileiro.

Trata-se de um livro que serve a padres e pastores para a construção de seus sermões em milhares de templos para milhões de pessoas. Mas também está na presente nas mesas e escritórios de muitas autoridades. Há certa devoção à Bíblia.

Contudo, as práticas religiosas e governamentais revelam um descompasso entre os ensinos bíblicos e as ações cotidianas, inclusive em relação aos mais pobres.

E vai mais longe… O salmo 82, por exemplo, acusa os juízes que distorcem causas ou protegem determinados tipos de pessoas.

Sabe, numa perspectiva cristã, o cuidado com os mais pobres e o dever ético de defesa da igualdade deveriam nortear o comportamento de todos nós.

Numa perspectiva constitucional, também.

É papel de toda a sociedade zelar dos mais fracos, dos oprimidos, cuidar das crianças que não possuem famílias, criar estratégias para que a pobreza não se torne miséria e não roube a dignidade humana.

STF ignora realidade do povo brasileiro

Apesar do Brasil viver a pior crise de sua história, os ministros do Supremo Tribunal Federal aprovaram, nessa quarta-feira, um aumento de 16% nos próprios salários para 2019. Atualmente, a remuneração deles é de 35 mil reais. Com o reajuste, o salário vai para cerca de 39 mil.

Sete ministros votaram a favor do aumento; quatro foram contrários.
O assunto ainda será analisado no Senado Federal e, depois, terá que sancionado por Michel Temer.

Porém, há poucas dúvidas que o aumento será autorizado pelo Congresso e pela presidência. Afinal, ninguém quer se indispor com o STF. No Brasil, retaliações são práticas comuns.

O aumento dos salários dos ministros não beneficia apenas eles. Para quem não sabe, vale lembrar que o teto salarial do STF serve como balizador da remuneração de desembargadores, juízes… E ainda serve de parâmetro para que a própria classe política mexa em seus ganhos.

O que o STF fez ontem foi virar as costas para a realidade do povo brasileiro. Há cerca de cinco anos, o país sofre. O Brasil entrou em recessão, milhões ficaram desempregados, a renda média caiu.

Mas os ministros não estão preocupados com isso. Com a justificativa que o aumento não vai acarretar mais gastos, em função da proposta de remanejamento dos recursos, eles não se importam em dar o exemplo.

Na verdade, gente, essas pessoas formam um outro grupo. Uma casta privilegiada e que pouco se preocupa com a triste realidade do país.

Cerca de metade dos trabalhadores brasileiros ganha menos de um salário mínimo. Mas isso não sensibiliza ministros e a elite de Brasília.

Por isso, é tão importante observar em quem votamos. Um assunto como este, o aumento dos salários dos senhores ministros, é analisado pelo Congresso. Ter gente com coragem para enfrentar o Supremo pode fazer a diferença numa hora como essa.

Brasil deve voltar ao Mapa da Fome

Entre os anos de 2003 e 2014, o Brasil desenvolveu diversas políticas de proteção social. A consequência foi a redução da miséria e, em 2014, o nosso país atingiu um feito inédito até então: deixou o Mapa da Fome da ONU (Organização das Nações Unidas).

Aparecem no Mapa da Fome os países que tem mais de 5% da sua população ingerindo, diariamente, menos calorias do que o recomendável. Ou seja, estão fora do mapa aqueles países que conseguem garantir pelo menos o mínimo necessário de comida para que alguém sobreviva sem passar fome.

Mas o cenário está mudando. O economista Francisco Menezes, pesquisador do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), faz parte do grupo de estudiosos que tratam dos números que resultam nesse relatório da ONU. E ele já aponta que o Brasil deverá voltar a aparecer no Mapa da Fome da ONU.

Segundo ele, nos últimos três anos, o Brasil segurou os investimentos em políticas de proteção social. Milhares de famílias perderam o emprego, o governo cortou muita gente dos programas sociais, inclusive do Bolsa Família. A construção civil, setor fundamental da economia, que gera muitos empregos para pessoas não qualificadas, também está estagnada.

Há um empobrecimento da população.

O número de famílias em situação de extrema pobreza voltou aos patamares de 12 anos atrás. Quem são as pessoas enquadradas como em situação de extrema pobreza? São aquelas que vivem com renda per capita de até 70 reais por mês.

O número de famílias em situação de pobreza, aquelas que vivem com até 120 reais, também voltou a crescer.

Um quadro como esse reforça a necessidade de a população escolher bem quem vai comandar o país a partir de 2019. Se o próximo presidente não tiver grande sensibilidade social, não priorizar políticas de combate à miséria, as condições de exclusão serão aprofundadas, ainda mais gente voltará a passar fome e, principalmente, nenhuma política de segurança pública terá sucesso.

Podcast da Band News. 

Os ricos do mundo estão mais ricos

Um dos temas que, para mim, está entre os mais relevantes é a desigualdade social. Não sou contra o capitalismo. Defendo a propriedade privada. Mas tenho dificuldade para aceitar a lógica criminosa de ganho acentuado de alguns poucos em oposição ao empobrecimento da maioria.

No Brasil, enquanto os mais ricos ficaram mais ricos nos últimos anos, os pobres ficaram mais pobres. E, no mundo, isso também tem acontecido.

O relatório produzido pela Boston Consultig Group mostrou que os milionários controlam metade da riqueza pessoal do planeta. Essas riquezas atingiram quase 202 trilhões de dólares no ano passado. O aumento foi de 12% em relação ao ano de 2016. Foi o crescimento mais significativo, o maior crescimento dos últimos cinco anos.

De acordo com esse relatório, a riqueza pessoal está cada vez mais concentrada nas mãos de algumas poucas pessoas. Os milionários e bilionários já possuem quase metade de toda riqueza pessoal do planeta.

Curiosamente, o relatório mostra que, aos poucos, tem ocorrido uma espécie de transferência dessa riqueza. O dinheiro parece escapar das mãos dos mais pobres. Esse dinheiro vai para o bolso dos mais ricos.

Como mudar isso? Na verdade, por mais que se critique o Estado, a maneira eficaz de promover distribuição mais justa é por meio de políticas públicas. Ou seja, é o reconhecimento político da necessidade de atuar em favor dos mais pobres que pode reduzir a desigualdade e distribuir os ganhos de forma minimamente equilibrada.

Podcast da Band News.