A Dilma já ganhou?

As últimas pesquisas sugerem uma conclusão: a campanha eleitoral está decidida. É verdade que muita coisa ainda pode acontecer. Entretanto, dificilmente ocorrerá um acontecimento nas proporções da morte de Eduardo Campos para virar a disputa presidencial.

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O efeito pedagógico do vale-tudo eleitoral

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Campanha eleitoral também é feita de ataques… Não existem bonzinhos. Mais que mostrar propostas, é preciso fragilizar a imagem do adversário.

Entretanto, me parece que existe uma diferença entre mostrar a fragilidade do adversário e criar factóides… E isso ainda faz parte da cultura política do país.

Nesta campanha, por exemplo, me incomoda bastante muitos argumentos usados na disputa. Por exemplo, Dilma disse que, se Marina vencer, seriam tirados um trilhão e 300 bilhões de reais da educação. A propaganda de Dilma também fala em corte nos investimentos, caso Marina seja eleita. Com base em quê? É em fatos que temos esses argumentos da presidente e candidata?

E o que o campanha do PT tem feito com a educadora Neca Setúbal? Herdeira do Itaú, a educadora e socióloga, figura discreta, porém, muito respeitada, Neca, que nunca atuou na instituição financeira, virou banqueira. E o banco supostamente estaria financiando Marina.

A artilharia dos aliados de Dilma contra Marina comete injustiças contra a adversária e, principalmente, contra Neca Setúbal. Além disso, cria uma aura negativa contra o setor econômico. É como se ser rico fosse um crime no país. Vamos ser práticos… O Itaú é um dos bancos mais respeitados desse país. Será que tem algum problema em ser dono de banco? Ou herdeiro de banco? É uma atividade ilegal? É problema ser rico?

Parece-me que a questão deveria ser outra. Deveríamos pensar se a empresa é séria ou não. Se a pessoa está ou não comprometida com o país.

A prática difamatória numa campanha, além de distorcer os fatos, é uma prática pouca pedagógica. Trata-se de um (mau) exemplo pro cidadão. Que vê nos seus representantes o “vale tudo pelo poder”. E de alguma forma se sente autorizado em reproduzir esse tipo de comportamento no seu cotidiano como tática de sobrevivência.

No vídeo abaixo, eu falo um pouco mais sobre o assunto.

Aécio e a imprensa podem eleger Dilma

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Desde que foi confirmada como substituta de Eduardo Campos, Marina Silva se tornou a “novidade” na disputa eleitoral. E mais que isso, rapidamente, ganhou status de principal concorrente de Dilma Rousseff. Porém, a fim de pôr fim à “onda Marina”, várias ações passaram a ser executadas – inclusive na internet, que tanto ajudou Marina em 2010, mas agora tem servido para desconstruí-la.

Dilma tirou o foco de Aécio e se voltou contra Marina; Aécio afundou nas pesquisas e se viu obrigado a também “bater” na ambientalista; e parte considerável da grande imprensa, que tem certa queda pelo tucano, quis salvá-lo e passou a noticiar fatos negativos envolvendo a candidata do PSB.

E o efeito disso tudo? Marina não cresceu na última pesquisa. Mas quem ganhou fôlego de fato? A presidente Dilma. A estratégia de parcela da imprensa e de Aécio estão se somando ao ataque promovido pelos petistas. A atual chefe da nação, é a única pessoa beneficiada pelos ataques à Marina. Dilma estancou a queda nas pesquisas, aumentou a aprovação ao governo e ainda diminuiu a diferença pra Marina na simulação de segundo turno.

Aécio Neves foi atropelado de tal forma pela “onda Marina” que agora precisa atirar pra todos os lados. Bate no governo, bate em Marina… E segue afundando. Isso porque (pelo menos é essa a impressão que tenho), ao tentar desqualificar Marina, ele não ganha pontos da candidata do PSB; o mineiro fortalece a estratégia dos petistas. Ou seja, sem querer, Aécio se tornou aliado de Dilma

Já a parcela da grande imprensa, que simpatiza com o tucano e é inimiga de Dilma, também parece não se dar conta que potencializar as críticas contra Marina é fortalecer a estratégia do PT. Dificilmente vai garantir novo fôlego ao tucano. E Dilma? Dilma volta a sorrir. Já fala em mudanças no ministério. E ao lado de Lula… Que já pensa em 2018. 

Os xingamento foram para todos nós

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O governo da presidente Dilma tem errado. E não pouco. Também não faltam denúncias de corrupção, como no caso da Petrobras. Entretanto, foi deselegante o que se fez no jogo de abertura da Copa.

Os xingamentos dirigidos à presidente foram baixos. Revelam falta de civilidade, de educação. E nisto Dilma não é culpada. A presidente pode ser responsável por muitas coisas, mas a ação dos “torcedores” no estádio mostraram um comportamento raivoso e que rebaixa o debate democrático. Parece que voltamos à era medieval.

Eu sempre digo que, num relacionamento, quem grita e/ou xinga age de forma medíocre, apresenta-se como não tendo argumentos. É gente que não sabe o que dizer e precisa recorrer ao que há de mais pobre: a ofensa por meio de palavrões. Nas manifestações dessa quinta-feira, 12, durante a partida, o que se viu foi algo parecido: gente que se diz praticando a cidadania, mas que sequer sabe agir como seres civilizados.

Nessas ocasiões sinto vergonha. Sinto vergonha desse jeito brasileiro de ser. Somos emocionais demais, ignorantes demais. Sequer sabemos protestar. Confundimos palavrões com debate político. E essa pobreza de espírito nos impede de crescer. Parece que somos incapazes de enxergar um palmo adiante do nariz. Não aprendemos escolher nossos candidatos, nossos representantes. Passamos a vida inteira fugindo de temas básicos como a política e a economia... Não temos um projeto de país. Sinceramente, ao ouvir os xingamentos contra Dilma, eu só consigo escutá-los retornando a nós mesmos. O governo – e toda máquina pública – é espelho da sociedade.

O Orlando caiu; que venha a demissão do sétimo ministro

Muita gente anda assustada com as constantes quedas de ministros. Parodiando Lula, “nunca antes neste país” tantos ministros deixaram o governo em tão pouco tempo. É recorde. É o que todo mundo está dizendo. Fala-se em perda da governabilidade, tensão no comando do país, erros na composição do ministério… Enfim, não faltam analistas para discutir a fragilidade dessa equipe montada pela presidente Dilma Rousseff. O governo mal começou e já parece cansado.

Cá com meus botões, estou gostando do triste espetáculo. Não se trata de torcer contra. Muito pelo contrário. Quero que Dilma acerte. Entretanto, a tal “faxina” – termo que ela preferiu abandonar – está acontecendo. E estava na hora. Ou melhor, tinha passado da hora.

As quedas de Orlando Silva, dos Esportes, e dos outros cinco são resultado do modelo político adotado historicamente. A corrupção e o clientelismo fazem parte do DNA do brasileiro. Somos um país em que cidadãos defendem a pirataria, sonegam impostos, dão propina a fiscais e policiais… Criticamos os cargos comissionados, mas não acharíamos ruim se garantíssemos um empreguinho no gabinete do prefeito.

O loteamento de cargos no governo federal e a corrupção são apenas reflexo do que somos. Os pequenos atos de corrupção do nosso dia a dia, a constante vontade em ser “amigo do rei” para gozar dos manjares e favores do palácio, são a origem do mal noticiado pela imprensa nacional.

O exemplo não vem de cima, como alguns dizem. Ele nasce em nós, reflete-se no poder e realimenta os maus hábitos da sociedade. Um ciclo vicioso.

Porém, as quedas de ministros podem mudar essa lógica. Sentar numa dessas cadeiras significa estar na vitrine. E se seis já caíram quem garante que não cairá o sétimo, o oitavo…???

Começa haver uma preocupação. O sujeito que é convidado para ocupar uma função de destaque no governo já sabe que pode tornar-se o próximo alvo. Se a “faxina” não parte dos entes políticos, as denúncias da imprensa obrigam o governo a fazer a limpeza. Portanto, é preciso ter “ficha limpa” para sustentar-se na função.

Por isso, entendo que, como cidadãos, devemos nos orgulhar do momento em que estamos vivendo. As demissões de ministros, diretores etc etc precisam ser entendidas como um novo capítulo da história do país.

As denúncias podem não representar o fim da impunidade. No entanto, fazem parte do processo democrático e do amadurecimento político da sociedade e do país.