O que Deus diria ao povo hoje?

Sempre que posso, começo o dia refletindo em algum trecho bíblico. Hoje, me deparei com Isaías, capítulo 1, versos 15-17. Diz assim:

“Quando vocês estenderem as mãos em oração, esconderei de vocês os meus olhos; mesmo que multipliquem as suas orações, não as escutarei! As suas mãos estão cheias de sangue! Lavem-se! Limpem-se” Removam suas mãos obras para longe da minha vista! Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem! Busquem a justiça, acabem com a opressão. Lutem pelos direitos do órfão, defendam a causa da viúva”.

Eu não sei o efeito que esses versos têm sobre você. Tampouco o que podem significar pra você. Entretanto, eles são as palavras do próprio Deus reproduzidas pelo profeta Isaías.

Nesses versos, Deus fala sobre seu desagrado com as pessoas. Ele é categórico: não vou ouvir a oração de vocês; podem orar mais, falar mais, mas não vou ouvir e nem ver vocês. E qual a razão? As mãos do povo estão cheias de sangue.

Do que Deus estaria falando? Quando conhecemos o contexto do capítulo 1, compreendemos que o povo estava agindo mal, era negligente com os pobres, desprezava os mais fracos, era insensível com o sofrimento dos humildes. Porém, esse mesmo povo mantinha uma prática religiosa exuberante. Ia ao templo, fazia sacrifícios, orava com as mãos estendidas… Ou seja, parecia um povo devoto a Deus, porém, tinha um coração impiedoso. Tinha sangue nas mãos.
Ler esses versos me faz olhar para o mundo em que vivemos…

Quem seriam os órfãos e as viúvas do século 21?

Olho para mim e ao meu redor e observo uma sociedade que também é insensível, cruel com as minorias, com fracos e oprimidos. Uma sociedade em que poderosos gritam, ofendem, enquanto anônimos morrem. Eles têm sangue nas mãos.

Muitas dessas pessoas falam o nome de Deus, e dizem falar em nome de Deus, que dizem colocar Deus acima de tudo, mas têm nas mãos o sangue de pessoas inocentes, vítimas de doenças, vítimas de fome, vítimas do preconceito…

Parece-me que para elas Deus segue dizendo: “Quando vocês estenderem as mãos em oração, esconderei de vocês os meus olhos; mesmo que multipliquem as suas orações, não as escutarei! As suas mãos estão cheias de sangue”.

O que alimenta minha esperança, é que esse Deus ainda é misericordioso. Ele segue alertando: “Lavem-se” Limpem-se!”.

Estaremos atentos para ouvi-Lo?

De que tipo é o preconceito do brasileiro?

Do mais contextualizado, diversificado e complexo. Talvez em nenhum outro país do mundo, seja tão difícil identificar contra quais grupos de pessoas existem reações e tratamentos negativos, depreciativos.

A ideia de que o Brasil é resultado da miscigenação, da mistura entre brancos, negros e índios, acaba por esconder nossos preconceitos.

A impressão que se tem é que somos um povo misturado. E se somos misturados, todos são aceitos igualmente.

Mas, na prática, não é isso que acontece.

Há um preconceito velado, silencioso, muito mais nocivo que aquele aberto, conhecido e reconhecido por todos.

No Brasil, entre os extremos branco rico e preto pobre, existem outras tantas hierarquias que motivam atitudes, comportamentos preconceituosos.

Por aqui, chega-se ao ponto da pessoa que não tem a pele totalmente preta colocar-se numa condição de “não sou negro”.

Essas gradações múltiplas resultam numa sociedade em que o combate aos preconceitos é muito mais difícil, porque, de certo modo, todo mundo tem algum preconceito contra alguém ou um grupo de pessoas.

Não se trata apenas do negro. Por aqui, é o branco em relação ao pobre… O pobre em relação à pessoa gorda… A pessoa gorda em relação ao homossexual… O homossexual em relação ao religioso… O religioso cristão em relação ao espírita… O acadêmico em relação ao que abandonou os estudos…

A lista é ampla e assustadora.

A legislação não dá conta de contemplar todas as dinâmicas que funcionam na sociedade.

E isso só reforça a tese do quanto nós, brasileiros, precisamos crescer como humanos na busca de um olhar justo e respeitoso em relação a todas as pessoas.

Coitado do Monteiro; pobre de nós

Já escrevi aqui que devo ser o cara errado, na hora errada, no mundo errado. Gente, estou desanimado. A coisa está preta. Desculpa, não posso falar assim, né? Pode ser entendido como preconceito, discriminação.

Socorro, viu?

O tal do Iara – Instituto de Advocacia Racial – agora quer tirar de circulação o livro “Negrinha”, do Monteiro Lobato. Não bastasse o ataque contra “Caçadas de Pedrinho”, agora o instituto quer proibir outra obra do autor.

O Iara, que faz o papel de protetor dos negros e de suas causas, tem atropelado o bom senso em nome do politicamente correto. A justificativa é sempre as mesmas: o texto de Monteiro Lobato é preconceituoso, apresenta o negro numa visão estereotipada.

Como “Negrinha” faz parte do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), do governo federal, o instituto quer a obra banida da lista. Não admite que, com dinheiro público, se financie o que chama de uma obra “fortemente carregada de conteúdos raciais”. E promete, inclusive, recorrer à cortes internacionais para tirar o livro de contos das prateleiras.

Gente, livro é livro. Na literatura, pode tudo. E os textos de Monteiro são fruto do contexto histórico. O autor era racista sim. Mas é um dos nossos maiores escritores. A gente precisa aprender a separar as coisas.

E tem mais. As obras literárias funcionam sob a lógica do exagero. O que seriam os vilões se não fossem pintados em cores fortes, carregadas? O que seria a mocinha se não fosse a mais bela, a mais gentil?

Cenários e personagens até podem se inspirar na realidade, mas são obras de ficção. Por isso, o estereótipo é recurso comum. Essa é uma característica da arte. O que seria do humor se os personagens não fossem caricatos? Que graça teria um gay no humor se seus traços e gestos não fossem exagerados?

Convenhamos, gente educada sabe diferenciar realidade e ficção. E as escolas têm sido palco de discussões importantes sobre preconceito, racismo, discriminação etc etc. Professores não precisam ser “treinados” para usar os livros de Monteiro Lobato em sala. E, ainda que não fossem, leitores de “Negrinha”, “Caçadas de Pedrinho” não olharão o negro de forma estereotipada por conta do texto do autor. Quem acredita nisso subestima a inteligência do leitor. Ignora que a fixação de significados, a construção do imaginário popular, se dá pela redundância, pela repetição e quando o discurso se mostra coerente.

Banir ou censurar textos, principalmente literários, é um recurso pobre, mesquinho, de quem pensa pequeno. Gente que tem em si mesmo enraizado preconceitos e mania de perseguição. Na tentativa de corrigir o passado, estão matando o presente.

Ser cristão não me dá o direito de desrespeitar os ateus

Eu quero ser respeitado. Todos nós queremos. E na nossa individualidade. Por mais que haja um pensamento ou um comportamento dominante, meu jeito tem que respeitado.

Todas as vezes que meu jeito não afeta a coletividade, ou seja, não agride o outro, a sociedade não tem o direito de constranger-me a agir como a maioria deseja ou quer.

Digo isto depois de ler a matéria sobre um adolescente de Roncador que foi tirado de sala de aula por não ter se levantado para rezar o Pai Nosso.

Sou cristão, adventista. Quero que as pessoas respeitem minha fé, meus valores. Porém, se peço isso, também tenho que devolver tal comportamento ao universo que me cerca.

Posso discordar dos princípios católicos, posso discordar dos princípios espíritas, posso discordar dos princípios budistas, mulçumanos… Posso não concordar com as teses evolucionistas… Entendo que posso debater e até tentar convencer as pessoas, tentá-las levar a concordarem comigo, mas não tenho o direito de discriminar, excluir, desrespeitar a fé alheia.

É nisso que consiste a verdadeira liberdade. A minha liberdade de escolher e meu dever de respeitar o pensamento do outro. Se faço o contrário, atropelo a liberdade do meu próximo. Isso não é democrático, não é cidadão.

Posições, opiniões se debatem; nossas verdades se discutem e até se questionam. Mas não podem ser impostas.

“Antes pegador que veado”

Caio Castro
A frase é do sujeitinho aí do lado. O global está na novela Fina Estampa. Faz parte da lista dos novos famosos.

Sinceramente, não tenho o hábito de trazer “celebridades” aqui pro blog. Nem falar da vida delas. Entretanto, fiquei impressionado com a fala desse ator.

O cara consegue numa só frase revelar machismo e preconceito. Impressionante!

Pior é que são essas cabecinhas que andam inspirando muito gente. E fazendo as meninas suspirarem.

O sujeito tem que pensar muito pequeno para fazer tal comparação. Primeiro, porque não há mérito em ser “pegador”. E, segundo, porque ser homossexual não torna ninguém digno de pena nem faz a pessoa ser pior ou melhor que outra.

Homofobia, preconceito e o politicamente correto

Marcos Mion está sendo processado por homofobia. Ele e a Record. Não, não vou discutir o caso. Quem quiser entender, clica no link e vai ver mais sobre o assunto noutros sites. Quero apenas refletir sobre este momento chato que estamos vivendo. Danilo Gentili falou sobre isto ao defender Mion. Ele está certo. Tudo é proibido. Vivemos o tempo do politicamente correto. É um “deus-nos-acuda”. Qualquer palavra ou frase mal colocada pode render ação na Justiça. Ou o sujeito se vê obrigado a retratar-se.

Dia desses compartilhei por aqui a sensação que tive de constrangimento em sala de aula por usar um termo comum. Ao falar mandar um “Então o neguinho acha que”, parte da sala ficou olhando pra mim como se eu fosse um cidadão que estivesse algum tipo de preconceito contra negros.

Tudo bem, acho que existem exageros. O racismo é uma verdade. Homofobia, idem. Mas peraí… Estamos perdendo a noção das coisas. Daqui a pouco nada pode.

Pra fazer rir, a piada sempre foi construída com base naquilo que constrange. É assim que funciona.

Por que tenho enorme dificuldade até para contar piada? Porque sou todo certinho, tenho cuidado com as palavras, sou todo polido… Enfim. Isso me torna um chato. E não um cara engraçado. Muito menos me faz um defensor das minorias.

Convenhamos, está na hora de educarmos a sociedade para romper com os sentimentos preconceituosos – de todos os gêneros. Não é por meio de leis e pressão que vamos mudar as pessoas. Pelo contrário, só causa mais confrontos e separação. Rir de si mesmo sempre foi a melhor forma de ser aceito e se tornar agradável.

Aposentado baleado pelo segurança: é mais que racismo

Preconceito? Discriminação? Racismo? Para os familiares, esses foram os motivos que levaram o segurança a atirar na cabeça do aposentado Domingos Conceição dos Santos, 47 anos, quando tentava entrar num banco da zona leste de São Paulo. Ele tinha marca-passo. Por isso, não conseguiu entrar pela porta giratória.

O fato tem sido repercutido na imprensa desde ontem. Infelizmente, não foi – e nem será – a primeira que alguém sofre violência ou mesmo é alvejado por seguranças de empresas.

Onde nasce o problema? Primeiro, na sociedade preconceituosa que temos. Segundo, na pouca tolerância e disposição ao diálogo. Terceiro, no desequilíbrio emocional. Por fim, e nesses casos, o aspecto mais importante: no despreparo desses pseudo-profissionais que cuidam da segurança.

Embora não se possa generalizar, mas o que muitas vezes ocorre é que essas pessoas nem sempre possuem qualificação para garantir a segurança das empresas e dos clientes. Eles estão lá para isso. Mas podem ser eficientes até para intimidar. Porém, intimidar gente honesta – ou bandidos de quinta categoria. Profissionais do crime não temem muitos desses seguranças. Eles são incapazes de dar conta de tal tarefa. Recebem um treinamento fajuta e por vezes não passam por cursos de reciclagem. Como consequência, temos o registro de fatos lamentáveis como esse envolvendo o aposentado.

As manchetes…

– Câmara aprova taxa de tratamento do lixo
O jornal O Diário de hoje destaca a aprovação, sem emendas, do projeto que institui a taxa de tratamento do lixo. A Câmara de Maringá aprovou o projeto, ontem, em segunda votação. As quatro emendas apresentadas foram rejeitadas. A cobrança deve entrar em vigor em abril próximo. Em média, serão cobrados R$ 7,50 por domicílio.

– Mulher negra sofre dupla discriminação, diz estudo
A manchete do Hoje Notícias trata das diferenças nos rendimentos entre brancos e negros, além da discriminação. O estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça divulgado ontem pelo Ipea, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mostra que, se as políticas de igualdade de gênero não forem aceleradas, serao necessários 87 anos para igualar salários de homens e mulheres. Mulheres negras ganham ainda menos que as brancas.

– Eleitos serão diplomados hoje na Cidade
A manchete do Jornal do Povo ressalta a diplomação, hoje, às 17h30, no plenário da Câmara de Maringá, dos candidatos eleitos nas eleições deste ano. O prefeito Silvio Barros, o vice Roberto Pupin, e os vereadores receberão seus diplomas.

Umuarama Ilustrado
CCJ da Câmara aprova extensão de mandatos e fim da reeleição

O Estado do Paraná
Curitiba e mais 4 capitais concentram 25% do PIB

Folha de Londrina
Exportação agrícola deve render US$ 73 bi

Gazeta do Povo
PEC abrirá 465 vagas de vereadores em 126 cidades do Paraná

O Globo
Que país é este, em que se rouba flagelado?

Valor Econômico
Redução de custo tira o sono de empresários e executivos

O Estado de S.Paulo
Para combater recessão, EUA deixam juros perto de zero

Folha de S.Paulo
Juro nos EUA cai para quase zero