Que dor você prefere suportar?

Quando vi esta pergunta pela primeira vez, meus pensamentos aceleraram. Eu falo de sofrimento com muita frequência aqui no blog. Jesus Cristo, há dois mil anos, também disse que no mundo teríamos aflições. Ou seja, sofreríamos. Mas poucas vezes tinha parado pra pensar que toda e qualquer escolha que fizermos será uma opção por viver algum tipo de dor.

Ninguém quer sofrer. E geralmente nossas escolhas são motivadas por expectativas de alegria, felicidade. A gente escolhe algo em função do que aquilo poderá nos proporcionar de bom. A gente nunca escolhe pensando nas dores que teremos que suportar. Acontece que nada que fizermos será sem dor.

Se você quiser casar, vai sofrer as dores de dividir a vida e sua rotina com alguém. Se quiser ficar solteiro, vai sofrer as dores de não ter com compromisso com outra pessoa.

Se quiser ter um filho, vai deixar de fazer passeios, vai ter menos dinheiro, vai doer quando ele estiver doente e ainda mais quando responder pra você. Mas, se não tiver, nunca saberá o que é sentir seu filho se aconchegando em seu colo.

Se escolher cursar uma faculdade, vai ter que aguentar as dores das noites sem dormir dedicadas aos estudos, nas aulas massantes, dos professores injustos… Se escolher não estudar, vai encarar as dores de ser visto como alguém acomodado, terá mais dificuldades no mercado profissional…

Para cada escolha, há inúmeras dores. E se quisermos evitá-las, nunca teremos uma vida plena; nunca concluiremos um único projeto. Nossa trajetória será marcada por desistências, fracassos e pela ausência de realizações que sejam motivos de orgulho.

Toda escolha poderá nos oferecer momentos de alegria e felicidade. Mas, para aproveitarmos as coisas boas das escolhas que fizermos, precisamos aprender a suportar as dores que farão parte do percurso de nossa caminhada.

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Não existe remédio para as feridas do coração

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Tenho publicado vários textos sobre sofrimento. E quase sempre propondo pensar sobre o apego aos problemas. Sim, porque tem gente que parece gostar do sofrimento. Não é um gostar consciente, claro. Mas a pessoa não consegue aceitar que a vida tem dificuldades sim, situações de dor profunda e, em alguns momentos, não tem como mudar.

Quando alguém querido fica doente e não tem solução médica, a gente se sente impotente. Quando o marido abandona, a dor da perda é imensa… A pessoa se sente um lixo, o mais desprezível dos seres humanos. Quando o melhor amigo te trai e toma sua promoção, o coração fica em pedaços. Quando o chefe, pessoa em quem confiava, te assedia sexualmente, você sente suja, profundamente decepcionada e não sabe como vai voltar pro trabalho.

Eu poderia seguir listando situações difíceis aqui… Poderia apontar uma lista de perdas, decepções, traições… Ainda assim alguém poderia dizer que conhece um problema maior. E certamente seria maior, porque a dor que mais dói é a que dói na gente. A dor do vizinho, a gente não conhece.

Sabe, não existe remédio pra curar as feridas abertas no coração. Mas existem atitudes que nos ajudam a conviver com a dor. E a primeira e principal delas é a aceitação do sofrimento. Ainda ontem conversava com meu filho sobre um barulho no ouvido com o qual convive há mais de um ano. Não sabemos ao certo se foi pelo uso de fone de ouvido, mas apareceu e a medicina apontou que não tinha o que fazer. Eu lembro que ele se irritava demais, ficava furioso com o barulho. Com o tempo, aprendeu a conviver. Ele até brincou:

– Estou tão acostumado que, muitas vezes, esquece do barulhinho. Até tenho que procurar pra saber se ainda está aqui.

Na Bíblia, o apóstolo Paulo relata de um “espinho na carne”. A gente não sabe o que é. Ele diz que lutou com Deus pedindo para livrá-lo desse problema. Mas a resposta foi “não”. E o apóstolo diz que entendeu que a dor estava ali para lembrá-lo de suas fragilidades, da sua humanidade, para aperfeiçoar seu caráter, tornando-o mais humilde… Para lembra-lo da própria dependência do divino.

Eu costumo brincar que “aquilo que não tem solução, solucionado está”. Minha máxima de vida é: “não temos controle sobre tudo”. Tem problemas que a gente não resolve. Não tem o que fazer. E o que já passou, passou. Pode ter deixado sequelas, feridas… Pode ter tido o efeito de um tsunami na nossa vida. Mas não dá pra mudar. Não tem o que fazer. É aprender a conviver com o que restou. A gente tem que aceitar. Aceitar que a vida não é do jeito que se sonha, do que jeito que se idealiza… Não é do jeito que a gente quer. Quando aceitamos as dores, aprendemos a conviver com elas, seguimos em frente e temos mais chance de ser feliz.

Sofrer com dignidade

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Problemas não batem à porta; problemas invadem a vida da gente. É verdade que muitas vezes são nossas atitudes que criam as condições ideais para as crises se instalarem. Entretanto, por mais que façamos coisas que podem causar sofrimento, ninguém, deliberadamente, procura pela dor. Ela simplesmente aparece e se instala em nossa alma.

E quando a gente sofre, sofre mesmo. Dói, faz tudo perder o sentido. O emprego fica chato, os amigos se tornam intoleráveis, a família vira um peso… A faculdade deixa de ser um sonho e vira um pesadelo, o relacionamento já não empolga mais… Por vezes, perde-se o desejo de viver.

Entretanto, por mais que existam momentos que nada faz sentido e tudo que o coração reclama seja “sumir do mundo”, “desaparecer”, é preciso sofrer com dignidade. Sim, porque ficar se lamentando de tudo, vendo a vida apenas por um prisma fúnebre, não ajuda a tirar ninguém do fundo do poço.

Eu costumo dizer que, na dor, a gente tem que chorar mesmo. Não há razão para silenciar as lágrimas. Porém, existe uma diferença entre viver o luto e se portar como vítima da vida. Tem gente que, no sofrimento, parece desejar todos os holofotes para sua dor. Sente necessidade de ser mimado. Parece ter prazer em ser tratado como coitadinho. E, muitas vezes, ainda se incomoda com a felicidade alheia; precisa que todo mundo compartilhe de suas lágrimas.

Essas pessoas não aceitam a dor. E ela é condição da própria existência. Chorar e sorrir, viver e morrer são faces da vida. Quando a gente não aceita essa dinâmica, corre o risco de assumir o complexo de vítima. Isso torna a vida insuportável. E também a dos outros, porque gente que age como vítima incomoda os outros, vive reclamando, lamentando… Não se move, e não aceita se mover.

Portanto, volto a dizer: nos momentos de dor, não há porque fugir dela. O que faz a diferença é aceitá-la. Aceitar o inevitável. Compreender que nem sempre tudo funciona como gostaríamos, que parte dos nossos planos não se concretizarão, que perderemos pessoas que amamos… A vida é assim. A gente cai, se machuca, sofre… Mas só nos resta seguir adiante.

Como viver sem culpa?

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Não temos controle de tudo, mas é possível ter paz de espírito, viver livre das mágoas. A vida pode ser mais simples ou mais difícil, dependendo das nossas escolhas. A maneira como olhamos os desafios que temos vai determinar nossas ações e, principalmente, nosso estado de espírito. Ou seja, a angústia e o sofrimento podem ser menores ou maiores. A decisão é nossa.

Parece racional demais. Ou até auto-ajuda. Afinal, como já escrevi noutras ocasiões, a razão parece não comandar o coração. Entretanto, podemos conversar com nossos sentimentos. Esse diálogo interior ajuda a reorganizar os sentimentos.

Há coisas que acontecem conosco que não procuramos entender. Não questionamos os motivos, as razões. Acontece que, sem procurar resposta para as dores da alma, abrimos mão de viver melhor.

Às vezes nos pegamos tristes. Pode ser por causa de um relacionamento mal resolvido, de uma amizade desfeita, uma desavença com um professor… Ficamos recordando tudo que houve ou ainda existe de ruim, alimentando a dor interior. Sofremos durante dias – alguns, até por anos – por algo que poderia ser trabalhado, sublimado.

Mas como?

Em qualquer dessas situações, a primeira pergunta a responder é: “por que estou triste?”. Se o problema for identificado, a segunda pergunta é: “posso resolver?”. Se posso, “de que maneira?”.

Temos condições plenas de avaliar perdas e ganhos diante de qualquer situação. Se o caso for de um relacionamento, é preciso concluir: “vale a pena mantê-lo como está?”, “devo romper?”, ou ainda “invisto na reconstrução?”. Afinal, quais as consequências? Que consequências posso assumir? O que eu consigo fazer? Tem algo que posso fazer?

Precisamos compreender que a solução perfeita não existe. Nenhuma opção é livre de consequências. Todas terão graus variados de perdas e ganhos. Por isso, conformar-se é uma capacidade que deve ser desenvolvida.

Para alcançar novos sonhos, talvez alguns antigos terão de ser abandonados. Ninguém vive feliz se não compreender esse princípio da vida. O mundo nunca será perfeito. E nem a vida, cor-de-rosa.

Por fim, os erros de ontem nos servem de aprendizado. Não podem ser lembrados para alimentar a culpa. Ninguém volta atrás. Insistir na culpa é investir no passado e ignorar o futuro. Só reconhecemos que certas escolhas foram desastrosas porque as experimentamos. Do contrário, poderíamos nos arrepender por não tê-las vivido.

Enquanto um sorri, o outro chora

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Ele sorria. Ela fingia sorrir. Estavam na mesma sala. Assistiam a mesma palestra, mas não prestavam atenção. Com smartphones nas mãos, estavam conectados nas redes sociais. Por ali, interagiam com amigos e também resolviam questões pessoais e profissionais. Enquanto ele comemorava a aprovação num concurso, ela se debatia com o fim do relacionamento. Enquanto ele mandava recadinhos para os amigos no Facebook e colocava a informação em destaque na rede, ela perguntava ao marido como iriam viver separados. Ele e ela, lado a lado, mas vivendo emoções distintas. Ele sorria, ela chorava.

Esse é o quadro da vida. Num mesmo espaço, num mesmo lugar, lado a lado podemos ter desejo de viver, desejo de morrer.

Cenas como essas fazem pensar no quanto a vida pode parecer injusta. Também fazem pensar nas máscaras que precisamos usar para seguir adiante. Sorrisos e lágrimas, prazer e dor são faces de uma mesma moeda, a vida. Parece injusto ter alguém do seu lado comemorando enquanto você chora. Mas é justo deixar de comemorar por que alguém está sofrendo?

Não há respostas. A vida é assim. Não é perfeita. E cada pessoa é única. Também são únicos seus problemas, seus sentimentos… As coisas não acontecem simultaneamente. Eu posso estar num ótimo momento profissional, meu irmão pode estar desempregado. Eu posso estar sofrendo uma derrota; alguém estará celebrando a vitória.

Esse descompasso entre os momentos que vivemos criam outros dilemas. Por vezes, não nos sentimos à vontade para dar parabéns a alguém que acabou de ganhar uma promoção, pois ali do lado um amigo foi demitido. Por vezes, nos sentimos desconfortáveis em celebrar a gravidez de uma amiga, quando outra teve um aborto. Podem dividir o mesmo espaço físico, mas não dividem as mesmas emoções.

Dor e prazer se vivem, mas também se camuflam. Ou não são vividos em sua intensidade. O mundo também não nos permite chorar. E comemorar demais às vezes parece inadequado. Entretanto, a alma que silencia alegrias e tristezas é uma alma vazia, que se esgota, que se individualiza ainda mais… Que se sente sozinha.

Lado a lado emoções distintas entre nós. Talvez isso nos ajude entender porque nem sempre encontramos alguém que comemore plenamente nossas vitórias. Nem achamos alguém que nos abrace e se disponha a tentar dividir nossa dor.

Para que nascemos?

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Acho que uma das grandes inquietações do homem é a razão de sua existência. Por que nascemos? Por que vivemos? Qual o sentido da vida? Por meio da religião, muitos parecem se encontrar e aquietar o coração. Outros tantos simplesmente não pensam; optaram por viver anestesiados. Divertem-se como se a vida se explicasse tão somente pelo prazer que se pode ter.

Eu também não tenho uma resposta. Todas que conheço permitem ser questionadas. Entretanto, gosto da ideia de que nossa existência se justifica coletivamente. Ou seja, pode até não explicar por que nascemos, mas ao menos aponta uma razão para a vida valer a pena. O premiado escritor americano Ernest Hemingway, na obra “Por quem os sinos dobram”, traz na fala de uma de suas personagens um pouco dessa beleza. Após ouvir o relato de um jovenzinho que teria perdido toda a família e seu lamento por expor tanta dor ao grupo de amigos, ela diz:

– Para que nascemos se não para nos ajudarmos uns aos outros?

O jovem estava constrangido por falar de mortes, de perdas para um grupo de amigos que também carregava consigo decepções, frustrações e familiares mortos na guerra. Todos ali tinham uma história de dor. Parecia que ninguém tinha o direito de chorar seus dramas. Afinal, o choro de um parecia não se justificar diante de sofrimentos supostamente ainda maiores vividos por outros. Ainda assim, a personagem de Hemingway sustenta: existimos para nos apoiar, para ajudar uns aos outros.

E, diante da incapacidade que muitas vezes temos de dizer alguma coisa, ela completa:

– E ouvir sem dizer nada é o menos que se pode fazer.

Sabe, relacionar-se não é fácil. Entretanto, é isso que nos faz humanos. Eu costumo dizer que não somos dependentes de um amor (ter alguém com quem dividir a cama) pra vivermos felizes. Mas precisamos de gente. Não é bom viver sozinho. E não se trata de ter alguém com quem dividir uma festa ou uma bebida. Trata-se de ser capaz de ajudar e ser ajudado, abraçar e ser abraçado… em todos os momentos. Algo dentro de nós reclama a presença do outro. A gente é mais feliz quando faz alguém feliz – ou está ali para enxugar uma lágrima, provocar um sorriso… 

Quando a gente vai no velório de alguém, dá pra perceber se a existência daquela pessoa valeu ou não a pena pelos depoimentos que se ouve. Não se trata de apenas escutar coisas do tipo “ele era tão bom”. Trata-se de perceber o quanto aquela pessoa se doou pelos outros. Familiares, filhos, amigos, colegas de trabalho, conhecidos e até desconhecidos circulam por ali com lágrimas nos olhos e lamento real pela perda de alguém que fez a diferença. Pessoas assim, quando se despedem da vida, parecem ter deixado marcas; marcas na vida de outras pessoas. Escrevem uma história que se estende para além delas. Não vivem isoladas do mundo; elas são o próprio mundo.

Acredito que gente assim pode até não ter entendido por que nasceu, mas certamente soube como e por que viver.

Quando só resta aceitar a dor

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Tenho um amigo que travou. Não dá conta de fazer as coisas que sempre fazia no trabalho. Fica angustiado com o simples fato de pensar que no outro dia terá que entrar no carro, dirigir até a empresa e executar tarefas que durante anos lhe deram prazer. Porém, sem alternativa, destrói um pouco mais de sua autoestima a cada novo dia.

Embora não seja nada recomendável, o que ele faz não é muito diferente do que faz um monte de gente. Há pessoas que vivem sem viver. E não por desejarem isso, mas porque não encontram uma outra forma de lidar com os problemas. O desgaste é contínuo. Entretanto, não há saída.

Por circunstâncias que nem sempre a gente dá conta de explicar, às vezes, perde-se o prazer de fazer coisas que antes se fazia sorrindo. Isso acontece com muita frequência no trabalho. Mas também dentro dos relacionamentos. E é comum a gente só perceber quando o quadro está instalado e não há mais nada a fazer.

Um dia você acorda e descobre que cansou. Um cansaço que não basta horas de sono. Nem apenas um período de férias. É um esgotamento completo. Daqueles que roubam as energias e até a vontade de viver. Não dá vontade sair da cama, não dá vontade de sair de casa, não dá vontade de ver as pessoas, falar com as pessoas. Tudo que se deseja é um estado de abandono, de esquecimento, de silêncio.

Esse mergulho na escuridão no próprio interior nem sempre é um diálogo com a depressão. Mas, quando se chega a este ponto, não estão bem definidos os limites entre estar triste, angustiado, ansioso, frustrado ou decepcionado com a vida e esse quadro de doença psíquica. Tudo se resume a um não-querer.

Nessas horas, as palavras do outro não resolvem. Escutar algo do tipo:

– Isso passa.

Ou:

– Deixa de bobagem. Você é uma pessoa incrível. Não tem razão pra ficar assim.

Escutar certas frases só potencializam o desejo de afastar-se de tudo e de todos. E, infelizmente, quem está de fora raramente reúne as habilidades necessárias para dar novos sentidos à vida de alguém que cansou.

Quando a gente trava diante de algo, ou até mesmo de um relacionamento, não adianta querer experimentar receitas alheias. Resta aceitar que tudo passa – inclusive a dor. Não se tem dia, hora, nem prazo… Mas passa. A gente apenas não pode se abandonar. Comer direitinho, cuidar da imagem, passar um perfume, vestir uma boa roupa devem fazer parte da rotina. Porque não existe nada pior que olhar no espelho e ver ali um “zumbi”. Não dá para viver com pena da gente. E nem podemos achar que tudo de ruim só acontece com a gente. A vida é mesmo assim… pra todos.

Na segunda, uma música

Certa vez escrevi que ninguém é dono de ninguém. Não temos controle dos sentimentos dos outros. Por isso, histórias de amor acabam. Relacionamentos deixam de existir. E não há rupturas sem dor. Alguém se machuca, sofre, chora. A perda fere. E, às vezes, deixa marcas por toda uma vida.

Como faz, Jordin Sparks, é impossível não questionar:

Como você espera que eu viva sozinha?
Porque meu mundo se reduz ao seu
É tão difícil para eu respirar

Por sinal, a música de hoje, “No air”, é o retrato dessa dependência de um amor. Algumas pessoas afundam, perdem o chão quando o romance acaba. Olham de um lado para o outro e não sabem o que fazer.

Diga-me, como eu devo respirar sem ar?
Não se pode viver, não se pode respirar sem ar
É assim que eu me sinto quando você não está aqui
[…]
Se você não está aqui, eu simplesmente não consigo respirar

O que acho curioso é que não basta sofrer, há um desejo de saber se quem foi embora também chora a dor da perda.

Eu estava lá naquela água tão funda
Diga-me, como você ficará sem mim?

Não sei quantos leitores se identificam, mas não são raros os depoimentos que leio ou ouço de gente que vivencia essa realidade. Então, que tal ouvi-la cantada por Jordin Sparks e Chris Brown?