Cinco motivos para dar uma chance às aulas online

A pandemia de coronavírus mudou nossa vida de um dia para o outro. E uma das mudanças mais significativas aconteceu na educação. As aulas on-line passaram a fazer parte da vida das famílias e nem todo mundo está se adaptando. O problema é que um novo semestre está começando e, se não dermos uma chance para esse modelo, estaremos jogando fora a oportunidade de seguirmos adiante com uma parte importante da vida de nossos filhos e nossos jovens. Por isso, quero te dar cinco bons motivos para dar uma chance para as aulas remotas; alguns destes motivos dizem respeito ao desenvolvimento de habilidades pessoais imprescindíveis no mundo contemporâneo. Este é um tempo de crescimento para todos nós. Podemos construir juntos algo novo e revolucionário na educação.

1) Flexibilidade. Ser flexível é uma característica fundamental no mundo contemporâneo. Gente que não consegue se adaptar, que resiste às mudanças, é gente que estaciona no tempo e que não é bem vindo nas corporações. O mundo pede gente que consiga se adaptar as circunstâncias e aprender durante as adversidades.

2) Disciplina. Estudar por conta própria – ou trabalhar em casa – exige disciplina. É preciso ter rotina, compromisso, responsabilidade. Sem supervisão, sem vigilância, sem a cobrança rotineira de um professor, ainda assim, o aluno precisa dar conta das suas tarefas. Portanto, a quarentena é um momento de desenvolvimento, da aquisição de uma habilidade essencial: a disciplina.

3) Autonomia. A autonomia caminha junto com a disciplina. Para ter disciplina sem ninguém orientando, com horários mais flexíveis, a pessoa precisa ser autônoma, cuidar da própria agenda, organizar-se no tempo, ter iniciativa para resolver os problemas. Num mundo que está em mudança, no qual as velhas estruturas de trabalho estão desaparecendo, os novos profissionais precisam ser autônomos. Então as aulas on-line também são oportunidades para o desenvolvimento da autonomia.

4) Tecnologia. A tecnologia faz parte de nossa vida há muitos anos. Mas ainda pouca gente usa as ferramentas tecnológicas para aprender. Esse período pode ser uma oportunidade para descobrir novas ferramentas, sites, vídeos, plataformas e uma série de informações que pode se transformar em conhecimento.

5) Educação. Embora a tecnologia faça parte do sistema educacional, principalmente no EaD, a maioria das escolas, colégios e faculdades tradicionais ainda usa pouco a tecnologia. A internet e ferramenta de buscas tem servido para o professor mandar mensagens no e-mail da turma e para encontrar conteúdos de aulas, mas poucas escolas e pouquíssimos professores fazem uso das tecnologias para educar, para inovar. Muitos professores nunca tinham gravado um vídeo, feito um podcast e nem conheciam ferramentas de videoconferência para dialogar com os alunos. Por isso, pode ter certeza, a pandemia está obrigando a educação a se inovar. E isso poderá representar um novo momento para a educação presencial.

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Em defesa da educação a distância

Entre as vantagens está a chance de escolher a melhor hora e local para estudar
Entre as vantagens está a chance de escolher a melhor hora e local para estudar

Dias atrás, enquanto conversava com uma colega sobre a qualidade da educação brasileira, ouvi um comentário que me deixou incomodado. Ela questionava a formação de professores pela modalidade da educação a distância. Dizia que o aprendizado da molecada está comprometido, principalmente depois desse monte de gente que está indo para sala de aula tendo feito uma faculdade não-presencial.

A modalidade é recente no Brasil. Pelo menos, nas instituições de ensino superior. Mas a origem é antiga. Por aqui e também no exterior. Em nosso país, uma das primeiras experiências foi no rádio, ainda com o criador da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, Edgar Roquete Pinto. Ele idealiza esse veículo de comunicação como uma ferramenta importante para educação da população mais pobre.

Depois, tivemos outras inúmeras iniciativas. Entre elas, a do Instituto Universal Brasileiro, com cursos por correspondência. Porém, no ensino superior, tornou-se uma realidade após os anos 1990.

Durante bastante tempo, também tive uma visão preconceituosa da educação a distância. A ideia era de que esses cursos serviam àquelas pessoas que desejavam algo fácil, sem muito comprometimento. Só pra garantir o diploma mesmo. Entretanto, conforme fui pesquisando o assunto, conversando com gente especializada e até mesmo alunos, descobri que EAD é assunto sério. E por várias razões.

A primeira delas é a legislação. O governo brasileiro é bastante rigoroso. Até o credenciamento é mais complicado. A faculdade interessada tem que apresentar um projeto detalhado e complexo para ter um curso aprovado. E todos devem ter o “ok” do Ministério da Educação.

Outra questão fundamental é a estrutura da instituição. Corpo docente, tutores, estrutura técnica, material didático… Não se oferece a modalidade sem estar tudo muito bem organizado.

Além do mais, não existem alunos sem supervisão, acompanhamento e avaliações presenciais. Os pólos são espaços que recebem frequentemente os acadêmicos. E não dá para “fingir” que estudou. Talvez por isso, na educação a distância, o índice de desistência é um dos mais altos. Afinal, muita gente que escolhe a modalidade também acha que é mais fácil. Não é. O aproveitamento pode ser muito semelhante ao do ensino presencial.

Na verdade, quando se questiona EAD, faz-se um recorte bastante injusto. A falta de qualidade não é um problema da modalidade. É um problema da educação brasileira. Da ausência de políticas públicas que contemplem a formação plena de jovens e adultos. Professores, administradores, contadores etc etc também são mal formados nas faculdades presenciais. Instituições “caça-níquel” existem aos montes. Presenciais ou não.

Ao contrário do que alguns dizem, a EAD é sim uma possibilidade real de democratizar o acesso ao ensino, inclusive pelos custos. No entanto, esta ou qualquer outra modalidade só vão transformar a realidade brasileira se houver compromisso real com a educação – pensando, primeiro, no indivíduo, na construção da cidadania; e não no ensino como negócio.

Educação a distância: vale a pena?

Faz pouco tempo que tentamos responder esta pergunta no Questão de Classe. Hoje, li uma boa reportagem a respeito do assunto na Nova Escola.

A revista apresenta as verdades e os mitos sobre o ensino a distância. Para quem se interessa na modalidade, vale a leitura.

Dá para entender, por exemplo, as fragilidades na fiscalização dos órgãos governamentais. Isto, sugere a necessidade de se ter muito cuidado na escolha da instituição.

Por outro lado, é possível perceber que educação a distância não significa facilidade. Pelo contrário. As avaliações são complexas, a cobrança é grande, é preciso ler muito mais que num curso presencial e, por isso mesmo, o índice de evasão é muito maior.

Questão de Classe: educação a distância

Este é o tema do Questão de Classe desta quinta-feira. Vamos falar sobre o assunto com o diretor do Núcleo de Educação a Distância do Centro de Ensino Superior de Maringá, Willian Kendrick de Matos Silva. Ele destaca a qualidade dos cursos e o valor do diploma na modalidade a distância. Afinal, essas são dúvidas comuns entre os estudantes. Tem qualidade? O diploma é igual?

No programa, vamos entender que, no Enade, numa comparação feita entre 13 cursos comuns nas modalidades presencial e a distância, o último levou vantagem. Sete contra seis. Não é pouco, já que os alunos geralmente têm menos carga horária de aulas. Por outro lado, são obrigados a ler duas vezes mais. Quem não está focado no curso, desiste. E esse é um aspecto importante a considerar… O índice de evasão nessa modalidade chega a 46%. Motivo? As pessoas idealizam um curso fácil – daqueles que não exigem muito esforço. Quase sempre são surpreendidos.

Outros aspectos também foram abordados. Conheceremos os cursos atualmente ofertados, os requisitos básicos para uma instituição implantar a modalidade, os preconceitos e mitos existentes, o perfil dos candidatos, quem são os professores, qual a contribuição dos cursos para diminuir a quantidade de pessoas que hoje estão fora do ensino superior… Enfim, a entrevista está rica em conteúdo e vale acompanhar. Às 19h, na CBN Maringá. Após o programa, dá para baixá-lo.