Educar filhos dá trabalho

A frase é clichê, mas é um fato. Educar filho é a tarefa mais difícil na vida da gente.

Se você ainda não tem filho, entenda uma coisa… Filho não é como comprar um carro novo ou uma casa nova. Educar filho exige mais que construir do zero uma carreira de sucesso.

Nada se assemelha a educar um filho. Nenhum patrão, nenhum colega, ninguém exige mais da gente que um filho. E se a gente não entende isso, a gente faz tudo errado.

Filho demanda tempo, dedicação, equilíbrio, bom senso. Com filho, a gente tem que ter mais que boas intenções. Tem que ter estratégia, conhecimento, preparo. Quem coloca uma criança no mundo e não se prepara para educá-la, compromete o futuro dessa pessoinha. E vai sofrer muitas decepções.

Sabe, quando se trata de educação dos filhos, fazendo tudo certo, ainda existe chance de dar errado.

Então, minha dica hoje é: pais, amem seus filhos. Mas entendam que amor bom é amor prático. Entendam que amar é educar de fato, educar com envolvimento, educar como parte do seu projeto de vida. 

Religião não é motivo para deixar de discutir sexo…

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Embora o tema seja polêmico, acho importante “meter a colher”… E por isso, convido você a refletir um pouco. Sabe, não falta confusão quando se mistura sexo e religião; sexo e fé.

Anos atrás, ouvi uma história lamentável. Em recente palestra numa escola, um terapeuta foi interrompido por um pai. Não era um pai curioso. Ele não tinha uma pergunta a fazer. Aquele homem levantou, pegou a Bíblia, apontou o livro sagrado e resumiu:

– Meus filhos não precisam de educação sexual. Eles encontram na Bíblia tudo que precisam saber.

Eu concordo que a Bíblia é o mais importante livro da história da humanidade. Creio em sua inspiração divina. Contudo, não posso admitir que ainda existam pessoas com tamanha pobreza de espírito.

A Bíblia fala sobre sexo? Sim. Mas naquela época não existia internet, estímulos à sexualidade precoce e nem brincadeiras sexuais entre crianças e/ou adolescentes. Não estou dizendo que a Bíblia está ultrapassada, mas o mundo é outro. As atitudes, os comportamentos são outros.

Parcela significativa da sociedade da época tratava o sexo na perspectiva reprodutora. Pouco se falava ou pensava em prazer. Embora a Bíblia em nenhum momento condene o prazer sexual, o comportamento do povo de muitas daquelas culturas antigas não privilegiava a satisfação na intimidade do casal. O prazer feminino, por exemplo, era simplesmente ignorado. Na verdade, a mulher era pouco respeitada. Ela era objeto reprodutor, objeto de prazer do homem. Estava ali para servir ao homem.

Com o desenvolvimento humano, hoje se estudam os mecanismos do prazer – masculino e feminino. Ambos, homem e mulher, têm direito de viverem intensamente a satisfação do sexo. E elas esperam isto. Querem o mesmo direito que durante anos a sociedade, a família, os maridos e também a religião lhes roubou.

Agora, como alguém pode achar que, por crer na Bíblia, não precisa aprender mais nada? Será que o fato de ter uma religião, uma fé tira de nós todos a responsabilidade, o dever de nos preocuparmos com o prazer da parceira(o)?

E mais, será que por haver uma doutrina que prega a castidade, nossos adolescentes e jovens não devem ser orientados sobre a sexualidade, sobre sexo? Será que tudo se resume em dizer: “não pode antes do casamento”?

Ainda que se preserve a castidade por princípio, nossos adolescentes e jovens devem aprender sobre o assunto. Os locais mais apropriados são o lar e a escola. Esses ambientes devem favorecer o diálogo amplo, sem preconceitos, livre de tabus. A religião não pode servir de desculpa para não falar sobre o assunto. Pais e educadores que não estão abertos para tratar de sexo com as crianças, com adolescentes e jovens provavelmente são pessoas mal resolvidas e que sequer dão conta da própria sexualidade. E isso pode até ter origem na religião, mas nunca em Deus. O divino não é responsável pela ignorância humana.

Ignorar os desejos é silenciar a própria natureza. E proibir sem esclarecer, ou simplesmente se calar, é se omitir diante da realidade. É permitir que a rua eduque. E na rua ninguém aprende a ter uma vida sexual saudável e feliz.

As tarefas que a criança pode fazer dos 8 aos 12 anos

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Muitos pais acham que os filhos são pequenos demais para fazer determinadas tarefas. Porém, a própria constituição psicológica da moçadinha sugere que não há razão para poupá-los. Trabalhar não causa trauma em ninguém. Pelo contrário, aperfeiçoa a própria natureza, o caráter. Enfim, prepara para a vida.

Entre os nove e onze anos
Já é bastante autônomo e tem suas próprias vontades. Também é responsável. Por isso, pode ser cobrado para ter sua própria organização (e não a da mãe ou do pais) com os materiais, roupas… Sua própria poupança. Pode e deve encarregar-se de algumas tarefas domésticas e precisa realizá-las com responsabilidade e certa perfeição. Por outro lado, gosta de ser recompensado pelas tarefas que lhe são atribuídas.

Embora vez ou outra apareçam ainda indícios de dependência, gosta de tomar decisões e opor-se aos adultos inclusive com certa rigidez. É capaz de escolher com critérios pessoais. Geralmente não admite exceções, é exigente e rigoroso.

Identifica-se com seu grupo de amigos e cada um tem sua “função”. Sabe reconhecer a posição de liderança de outras pessoas ou a questiona se julga que não possuir mérito.

Reconhece o que faz de errado, porém sempre busca desculpas. Gosta de decidir por si mesmo e tem necessidade de se afirmar na frente das pessoas, por isso a resistência em obedecer e ao mesmo de tempo de mandar nas crianças menores. Geralmente conhece suas possibilidades, é capaz de refletir antes de fazer algo, aprende as consequências e se sente atraído pelos valores morais de justiça, igualdade, sinceridade, bondade etc. Porém, como disse no texto anterior, carece de um ambiente de bons exemplos para se espelhar.

Entre onze e doze anos
A influência dos amigos começa ser decisiva e sua conduta é influenciada em grande parte pelo comportamento que observa em seus amigos e amigas e companheiros de classe. Os irmãos maiores têm mais influência sobre eles que os pais. Trata-se de uma fase em que as críticas são muito frequentes e dirigidas aos pais e professores. Não gosta que lhe tratem de um modo autoritário, como se fosse uma criança; reclama autonomia em todas suas decisões.

Necessita ter amigos e depositar deles sua intimidade; é leal ao grupo e sua moral é a de seus iguais – imita a forma de vestir, os jogos, as brincadeiras, os passatempos, diversões etc. Quer ser como os mais velhos (como gente de 16, 18 anos…). Tem senso de responsabilidade e trata de cumprir suas obrigações, também se torna mais flexível em seus juízos. Tem capacidade de analisar o que é bom e o que é mal em suas ações, pode pensar nas consequências, conhece com bastante objetividade suas intenções e deseja definir as coisas por si mesmo, ainda que se equivoque.

É uma fase que pode realizar praticamente todas as tarefas domésticas tidas como dos adultos: cozinhar, passar, limpar, lavar, comprar… Não deve ser poupado de ajudar em casa. Porém, as atividades devem ser feitas como parte da dinâmica familiar e não como castigo por desobediência ou algo do tipo.

PS- Com este texto, encerro essa série que trata das atividades que os filhos podem executar em casa. É fundamental, porém, acrescentar que ensinar tudo isso dá trabalho. Por isso sempre digo: se você não tem tempo para educar um filho, não tenha filho. Educar dá trabalho. E requer dedicação, envolvimento, comprometimento, persistência.

As tarefas que a criança pode fazer dos 5 aos 8 anos

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Sabe aquele dizer “quem não trabalha dá trabalho”? Pois é… Com criança também é assim. Por isso, respeitando a faixa etária, os pais não podem ignorar a importância de atribuir tarefas aos filhos.

Na sequência dessa série sobre atividades que os filhos podem realizar, hoje falo sobre o que as crianças podem fazer entre os cinco e oito anos. Também procuro apresentar um pouco como funciona a cabecinha delas.

Entre cinco e seis anos
Nessa fase, a criança já aprendeu muitas rotinas e, embora ainda necessita de um adulto que lhe sinalize o que deve e o que não deve fazer, convém apresentar-lhe possibilidades de escolha entre duas opções. Ela pode ser responsável por tarefas domésticas simples: limpar o pó dos móveis, tirar as coisas da mesa, lavar algumas peças mais simples da louça, preparar a roupa para se vestir, buscar o que precisa para uma atividade concreta… Na cozinha, a criança já dá conta de preparar um lanchinho. E outros pratos mais simples.

Os pais não devem esquecer que a criança segue imitando os adultos e é exigente na aplicação da norma para todos. Ou seja, ela aprende com o exemplo. Não adianta querer que a criança faça pequenas tarefas, se o pai, por exemplo, passa o domingo inteiro afundado no sofá e não se dispõe sequer a tirar o próprio prato da mesa.

Entre os seis e sete anos
Com controle e ajuda para evitar descuidos involuntários, pode e deve preparar sozinha os materiais para a realização de suas atividades. Nessa idade, pode ser estimulada a organizar o próprio quarto… Já dá conta de ir à escola e à casa de amigos ou familiares que morem próximos. Pode ficar responsável por controlar algum dinheiro que lhe é dado semanalmente. E isso, inclusive, é fundamental para aprender a administrá-lo, sabendo que, se gastar mais do que poderia, vai ter de esperar até a semana seguinte para receber uma nova “mesada”.

Geralmente até os oito anos, a criança cumpre as ordens ao pé da letra. Tende a formar grupos de relacionamento com os companheiros do mesmo sexo. Bem orientada, aprende os hábitos sociais relacionados com a saúde, cumprimentos… Vai adquirindo a noção de justiça e compreende as normas morais mediante exemplos concretos. Isto quer dizer, mais uma vez, que, se pais e pessoas próximas dão mau exemplo, a criança aprende errado. Depois não adianta reclamar…

Aos oito anos
Pode controlar seus impulsos, em função de seus objetivos. Sabe bem as consequências de seus atos. É capaz de organizar a distribuição do tempo, do dinheiro e das brincadeiras. Embora ainda careça de alguma supervisão, pode ter responsabilidades diárias: preparar o café da manhã, banhar-se etc… Além, é claro, das atividades que já vinha desenvolvendo em anos anteriores.

Começa a ter vontades independentes dos adultos a respeito de normas e, consequentemente, tenta aplicá-las em sua conduta. Sabe quando e como deve agir em situações habituais de sua vida. Por isso, a atuação das pessoas adultas é decisiva. Se a ação dos pais é autoritária, a criança se torna dependente, submissa e lhe falta iniciativa. Se os pais são permissivos, a criança se transformará em uma pessoa indisciplinada, voluntariosa, irresponsável. Por isso, é imprescindível uma atitude que favoreça a iniciativa, mas com regras claras.

PS- No próximo texto, vou falar sobre as atividades que podem ser realizadas por crianças de oito a doze anos. Aqui (clique no link), você pode ler sobre as tarefas dos dois aos cinco anos; e aqui, o primeiro texto da série.

As tarefas que a criança pode fazer dos 2 aos 5 anos

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Nós, pais, muitas vezes ficamos com pena deles. Ou achamos que são muito pequenos para fazer certas tarefas. Poupamos os baixinhos e, com isso, prejudicamos o desenvolvimento dos filhos.

Como eu havia dito, não há uma única regra. Porém, em linhas gerais, dá para pensar alguns trabalhos que as crianças podem fazer. E isso de acordo com a faixa etária.

Entre dois e três anos
Nessa idade, as tarefas que a criança realiza devem estar sob controle do adulto. Os pequenos ainda não dão conta de compreender direitinho o que estão fazendo… E se estão fazendo bem ou mal a tarefa que receberam. Nessa idade, a criança atua de acordo com as orientações e proibições. Ela colabora com o adulto na organização e também consegue guardar seus brinquedos, calçados, pijama… Podem regar flores e ainda algumas tarefas concretas como colocar ou recolher os guardanapos da mesa…

Entre três e quatro anos
É um período em que as crianças observam a conduta do adulto e a imitam. Elas atuam em função da recompensa ou mesmo do castigo que podem receber. Nesta fase, vão sendo capazes de se controlarem e podem manter em ordem suas coisas. Colaboram na hora de guardar os jogos e devem ficar responsáveis por recolhê-los. Também podem colocar algumas coisas fáceis na mesa como os pratos e os talheres. Já tiram as roupas sozinhas e se vestem com alguma ajuda. Aprendem a compartilhar as coisas e a esperar a vez delas. Mostram interesse crescente por brincar com outras crianças.

Entre quatro e cinco anos
A criança segue observando e imitando o adulto. Necessita de quem lhe guie, mas tem desejos de agradar e servir. Os pais devem aproveitar essa fase para não desestimulá-los com reprovações e reprimendas. Uma coisa é orientar e corrigir; outra é fazer a criança se sentir incapaz.

Os pais devem incentivar as crianças a se vestirem sozinhas, recolherem os brinquedos, se controlarem em espaços públicos – igrejas, teatros, restaurantes etc. Nessa idade, já pode assumir algumas responsabilidades como colocar a mesa, cuidar de algum animalzinho, dar recados… A criança consegue cuidar de irmãozinhos menores por breves períodos de tempo (desde que tenha a presença de um adulto na casa). E deve ser responsável por deixar organizados os objetos que usa.

Entre os quatro e cinco anos, a criança tem capacidade para comer sozinha, calçar-se, lavar-se, tomar banho. Gosta de conviver com outras crianças, faz amizade com facilidade e precisa aprender a respeitar a vontade das demais, ceder nas brincadeiras… Enfim, exercitar a generosidade.

PS- Este texto faz parte de uma série sobre a importância dos pais ensinarem os filhos a trabalhar, ajudando em casa e desenvolvendo autonomia. No próximo, vou tentar relacionar algumas tarefas que as crianças entre cinco e oito anos podem realizar.