Religião não é motivo para deixar de discutir sexo…

sensualidade

Embora o tema seja polêmico, acho importante “meter a colher”… E por isso, convido você a refletir um pouco. Sabe, não falta confusão quando se mistura sexo e religião; sexo e fé.

Anos atrás, ouvi uma história lamentável. Em recente palestra numa escola, um terapeuta foi interrompido por um pai. Não era um pai curioso. Ele não tinha uma pergunta a fazer. Aquele homem levantou, pegou a Bíblia, apontou o livro sagrado e resumiu:

– Meus filhos não precisam de educação sexual. Eles encontram na Bíblia tudo que precisam saber.

Eu concordo que a Bíblia é o mais importante livro da história da humanidade. Creio em sua inspiração divina. Contudo, não posso admitir que ainda existam pessoas com tamanha pobreza de espírito.

A Bíblia fala sobre sexo? Sim. Mas naquela época não existia internet, estímulos à sexualidade precoce e nem brincadeiras sexuais entre crianças e/ou adolescentes. Não estou dizendo que a Bíblia está ultrapassada, mas o mundo é outro. As atitudes, os comportamentos são outros.

Parcela significativa da sociedade da época tratava o sexo na perspectiva reprodutora. Pouco se falava ou pensava em prazer. Embora a Bíblia em nenhum momento condene o prazer sexual, o comportamento do povo de muitas daquelas culturas antigas não privilegiava a satisfação na intimidade do casal. O prazer feminino, por exemplo, era simplesmente ignorado. Na verdade, a mulher era pouco respeitada. Ela era objeto reprodutor, objeto de prazer do homem. Estava ali para servir ao homem.

Com o desenvolvimento humano, hoje se estudam os mecanismos do prazer – masculino e feminino. Ambos, homem e mulher, têm direito de viverem intensamente a satisfação do sexo. E elas esperam isto. Querem o mesmo direito que durante anos a sociedade, a família, os maridos e também a religião lhes roubou.

Agora, como alguém pode achar que, por crer na Bíblia, não precisa aprender mais nada? Será que o fato de ter uma religião, uma fé tira de nós todos a responsabilidade, o dever de nos preocuparmos com o prazer da parceira(o)?

E mais, será que por haver uma doutrina que prega a castidade, nossos adolescentes e jovens não devem ser orientados sobre a sexualidade, sobre sexo? Será que tudo se resume em dizer: “não pode antes do casamento”?

Ainda que se preserve a castidade por princípio, nossos adolescentes e jovens devem aprender sobre o assunto. Os locais mais apropriados são o lar e a escola. Esses ambientes devem favorecer o diálogo amplo, sem preconceitos, livre de tabus. A religião não pode servir de desculpa para não falar sobre o assunto. Pais e educadores que não estão abertos para tratar de sexo com as crianças, com adolescentes e jovens provavelmente são pessoas mal resolvidas e que sequer dão conta da própria sexualidade. E isso pode até ter origem na religião, mas nunca em Deus. O divino não é responsável pela ignorância humana.

Ignorar os desejos é silenciar a própria natureza. E proibir sem esclarecer, ou simplesmente se calar, é se omitir diante da realidade. É permitir que a rua eduque. E na rua ninguém aprende a ter uma vida sexual saudável e feliz.

Jeitinho corrupto

Um país justo se constrói com gente honesta, moral, ética
Um país justo se constrói com gente honesta, moral, ética

É difícil admitir que nossos pequenos atos marginais projetam comportamentos corruptos. Entretanto, é isso que prova um estudo realizado pelo Josephson Institute of Ethics. Baseado em quase 7 mil entrevistas, o relatório aponta que o “simples” ato de colar na escola significa maior possibilidade do sujeito ser desonesto. Pior, países que têm a prática do “jeitinho” são países mais corruptos.

Acho que isso explica muita coisa, né? E também sugere que a condição moral, o comportamento ética se aprende desde cedo.

Recordo que uma das discussões mais polêmicas que faço em sala de aula é justamente sobre a corrupção cotidiana. Costumo dizer que não somos melhores nem piores que os políticos; a diferença está apenas no tamanho dos benefícios pessoais que se tenta obter.

A cola na escola, por exemplo, é um ato de corrupção quase institucionalizado. O discurso estabelecido é bem conhecido: “quem não cola, não sai da escola”. Entretanto, quem trapaceia numa prova está corrompendo o sistema, está buscando uma vantagem pessoal. É verdade que, num primeiro momento, pode parecer apenas uma ação sem prejuízos. No entanto, revela o caráter, revela uma pré-disposição em romper com a “lei” em benefício próprio.

O relatório do Josephson Institute deixa isso muito claro: independente da idade, as pessoas que colaram (ou colam) na escola estão duas ou mais vezes mais propensas a serem desonestas. E os números são contundentes. Vejamos a comparação entre quem colou e quem não colou em situações bem específicas:

Três vezes mais propensos a mentir para um cliente (20% contra 6%) ou inflar uma reivindicação de seguro (6% versus 2%) e mais de duas vezes mais propensos a inflar um reembolso de despesas (10% contra 4%). Duas vezes mais propensos a mentir ou enganar seu chefe (20% vs 10%) ou mentir sobre seu endereço para colocar uma criança em uma escola melhor (29% vs 15%) e uma vez e meia a mais de probabilidades de mentir para o cônjuge ou outra pessoa significativa (35% vs 22%) ou trapacear nos impostos (18% vs 13%).

Na verdade, a corrupção na política, na administração pública e até mesmo nas grandes corporações nasce justamente nas frágeis bases éticas e morais de cada um de nós. A gente não quer pagar impostos, pirateia livros, músicas, filmes… Passa ser natural pagar um vereador para propor uma lei, pedir favor a fim de furar fila e conseguir primeiro uma consulta médica, mentir sobre a condição do motor do carro na hora da venda etc etc. Num patamar diferente, torna-se natural receber “incentivo” para aprovar um projeto, para conseguir recursos para uma obra pública… Quando dá, a gente fura até fila de banco!!!

Embora o estudo tenha sido realizado há alguns anos, um aspecto que se sobrepõe é a necessidade da educação para a formação de um sujeito ético. Os primeiros comportamentos marginais ocorrem na infância. E como as crianças aprendem na relação com o outro, a disciplina e o exemplo são fundamentais. Quando o baixinho tenta levar vantagem, precisa ser corrigido. Contudo, quando ele nota que o pai dá um jeitinho de escapar da multa de trânsito, ou mente que não está em casa quando o telefone toca, tudo que ele diz para o filho deixa de ter valor. Por isso, é preciso combinar orientação e modelo ético.

Dias atrás eu li uma charge:
– Se não reformarem os políticos, não adianta nada.

O discurso está equivocado. A questão não começa lá, começa aqui… entre nós. Se a gente quer um país melhor, não adianta apontar o dedo pra Dilma, pro Congresso… A gente precisa reconhecer os próprios limites – inclusive morais. E mudar. Um país tem políticos honestos quando tem um povo honesto. Um país muda quando a gente muda.

O celular não pode esperar?

Há pouco observei uma situação que me incomoda profundamente. Uma pessoa foi ao encontro de outra com objetivos profissionais. Desejava apresentar um projeto, algo do tipo. Entretanto, no meio da conversa, o celular tocou. Ela pediu licença e atendeu.

Vi a cena e fiquei pensando: o que seria mais importante?

Desde o surgimento do celular vejo esse tipo de cena repetir-se. Não raras vezes uma reunião é interrompida, uma conversa cortada ao meio por causa do telefone. Você está falando com alguém, o celular toca e a pessoa atende.

Sempre fico com a mesma impressão: não podia esperar? Quem estava do outro lado não tinha como aguardar? Por que quem está diante de você tem a obrigação de esperar e o outro não?

Teve um tempo que não usava celular. Hoje, faz parte do meu dia. Preciso dele. E por várias situações. Mas ainda assim, procuro mantê-lo desligado sempre que estou conversando com alguém. Nem falo do toque do aparelho… Acho o desrespeito ainda maior. Não gosto nem de ouvir. O meu está sempre no “vibracall”.

Mas aprendi a lidar com a “modernidade”. Essas tecnologias todas são incríveis. Facilitam a vida da gente. Porém, ainda acho que certos gestos revelam respeito, educação. Não atender o celular no meio de uma conversa é uma delas (a não ser que você esteja querendo se livrar de um chato; aí talvez vale até inventar uma ligação).

Cracolândia – o mundo de ninguém

Aline Yuri é colaboradora deste blog
O vício do crack é tão agressivo que submete pessoas a fazerem qualquer coisa para sustentar a dependência. São pessoas morando na rua, passando dias sem dormir, sem comer e ainda, destruindo famílias e valores. A conhecida Cracolândia que fica localizada na capital Paulista, é o lugar onde dezenas de pessoas passam os dias se torturando com a droga.

Podemos dizer que a Cracolândia é o mundo de ninguém, pois a droga toma conta do ser humano, faz com que este se esqueça de tudo e só tenha vontade e necessidade de usar o entorpecente. Milhares de famílias vivem o drama para resgatar aqueles que se envolvem em um caminho que, normalmente é sem volta. Os dependentes se esquecem dos sentimentos, da razão e da consciência de bem estar.

Neste mundo, não há restrições de sexo, idade, condições financeiras ou cor. Basta à curiosidade em experimentar para apodrecer lentamente em um lugar onde nada mais faz sentido, a não ser o crack. Nem mesmo as necessidades fisiológicas são valorizadas. Na hora do desejo pela droga, vale tudo pra saciar o vício, inclusive matar.

Aqui, paramos para uma pergunta. Será que o problema está dentro das próprias relações familiares? Diria, que não somente. A causa para tantas calamidades está na sociedade, onde só damos atenção para aquilo que é do nosso interesse. E quando falo em sociedade me refiro, a todos sem exceções, principalmente ao nosso governo. Será que para isto, não há estratégias que resolvam a situação? O intrigante, é que para tantos outros assuntos é sempre desenvolvido projetos, ou melhor, planos.

O crack é derivado da planta de coca misturada com cocaína, bicarbonato de sódio ou amônia e água destilada. Fumados normalmente em cachimbos, ocasiona dependência física e, posteriormente, a morte, devido, a ação sobre o sistema nervoso central e cardíaco. Além dos efeitos físicos, abala o psicológico como, proporciona euforia, sensação de poder e aumento da auto-estima.

A luta pela vida e o abandono ao crack é uma difícil tarefa que não restringe apenas pais que tenham um filho perdido na Cracolândia, mas a todos. Embora pareça distante da nossa realidade, o número cresce expressivamente quando “viramos as costas” para um problema que um dia, também, pode ser nosso.
Texto de Aline Yuri

As manchetes dos jornais de Maringá

O DIÁRIO: – Aberta temporada de caça ao Aedes aegypti
Paraná e quatro Estados concentram 70% dos casos de dengue no País. Por determinação do Ministério da Saúde, o combate ao mosquito foi antecipado: órgãos públicos desenvolverão ações conjuntas.

HOJE NOTÍCIAS: – Orçamento 2011 começa a tramitar na Câmara
Vereadores de Maringá precisam votar a Lei Orçamentária antes do recesso parlamentar em dezembro. A previsão é de que a receita municipal chegue a R$ 687.335.498,00. Deste total, cerca de R$ 16,5 milhões serão aplicados na construção, ampliação e reforma de escolas e creches.

JORNAL DO POVO: – Feira Educacional começa hoje no Marista
A II Feira Educacional começa hoje e termina amanhã em Maringá, no teatro do Colégio Marista. O tema deste ano é “Novas Metodologias para a Aprendizagem”. A feira é uma realização do Sinepe. O evento contará com a participação de mais de 600 pessoas, entre professores, diretores e mantenedores de escolas de toda a região Noroeste do Paraná.