Educar pelo exemplo

Os pais sonham com filhos bem educados. Creio que nenhum pai, nenhuma mãe quer ver seu filho, sua filha envolvido/a em algo ruim e nem mesmo sendo alvo de comentário depreciativos por não saber se comportar em determinados ambientes.

Entretanto, para que nossos filhos sejam pessoas de caráter, sociáveis, agradáveis, respeitosas, generosas, há necessidade de um investimento diário na educação deles. Ou seja, é preciso investir tempo na orientação da moçadinha. Eles carecem de explicações, disciplina adequada… Muitas palavras precisam ser gastas.

Porém, existe algo ainda mais importante que as orientações verbais: o exemplo. Nada é mais poderoso na educação de nossos filhos que os nossos exemplos. Aquilo que somos em nosso dia a dia é observado e assimilado pelas crianças. Se o que falamos for incoerente com nossas práticas, todo investimento na educação dos filhos será jogado fora.

No que os pais estão falhando hoje?

Eu não acredito que os pais falhem na educação dos filhos porque querem. Tenho comigo que todos querem acertar. Entretanto, brinco que entre querer acertar e de fato acertar existe uma grande distância.

Os pais falham hoje em dois aspectos cruciais. Estes dois aspectos têm ramificações, tem suas especificidades na dinâmica de cada família.

O primeiro aspecto é que, hoje, os pais educam com medo. Eles têm medo de agir, orientar, estabelecer regras, disciplinar e, como consequência, traumatizar – ou até mesmo perder o amor dos filhos.

E os pais têm medo do que o mundo pode fazer com seus filhos. Por isso, não querem expor as crianças. Acham que correm riscos. As crianças acabam protegidas das frustrações com os amiguinhos, das correções da escola… São protegidas do trabalho doméstico, são impedidas de sair às ruas, não recebem tarefas para cumprir no comércio – tipo ir à padaria comprar um pão, pagar uma conta na lotérica…

Os pais têm medo dos filhos serem magoados, têm medo da violência urbana… Medo dos filhos se frustrarem por não darem conta de algumas responsabilidades.

O segundo aspecto: os pais têm falhado por ignorarem a importância dos bons exemplos.

Muitos pais pensam que as palavras são suficientes. Repetem: “eu já disse para meu filho não fazer isso”. Porém, esses mesmos pais, muitas vezes, quebram regras, são deselegantes no tratamento com outras pessoas, são agressivas no trânsito, falam mal da diarista, ofendem… Não são respeitosos com seus pais, os avós das crianças.

Os exemplos são fundamentais no processo de educação. Não adianta pedir para meu filho se controlar se eu não me controlo.

Depositamos toda confiança nas ordens que damos. Pensamos que, se somos pais, nossos filhos devem nos obedecer.

Entretanto, não é assim que funciona.

Crianças e adolescentes são grandes observadores, notam desde muito cedo as contradições entre o que falamos e o que fazemos. E aprendem muito mais com nossas atitudes do que com nossas palavras.