Tem gente que tem prazer em botar defeito no que é do outro

Conhece gente assim? Provavelmente, né? Essas pessoas estão por toda parte. Tempos atrás, enquanto aguardava o elevador num prédio, notei que a mulher da portaria estava toda empolgada com o notebook que havia comprado. Foi mostrar para um colega que estava papeando por ali. Em meia dúzia de frases, ele tirou o sorriso dela. Começou mostrando que a configuração era isso, aquilo… Em resumo, disse que o computador não prestava.

Depois de ver a cena, fiquei pensando nas tantas vezes que acompanhei situações semelhantes. Pode ser com o notebook, o tablet, o celular… Mas também pode ser com a blusinha nova que acabou de comprar em cinco vezes no cartão, o xampu para diminuir o volume dos cabelos… Ou quem sabe até o novo namorado. Tem gente que adora botar defeito no que é do outro. Parece ter prazer nisso.

Lembro que quando comprei, em 2008, um carro zero quilômetro. Era um golzinho, básico de tudo. Um vizinho viu o carro sem placas e foi rondar por ali. O sujeito mal tinha uma bicicleta para andar, mas assim que respondi que meu carrinho era simples, nem possuía ar condicionado, ele foi logo disparando:

– Ah… não. Não dá pra comprar carro em Maringá sem ar condicionado.

Inveja? Talvez. Mas o pior é que esse tipo de gente se espalha, se múltipla e, por vezes, puxa o outro pra baixo. Essas pessoas não vibram com a conquista alheia. Pelo contrário, parecem sentir satisfação em desvalorizar o que é do outro; parecem se alegrar na derrota; não são pessoas altruístas. Alimentam a própria alma com a tristeza, com o desânimo, com a queda do outro. Por isso, quando a pessoa consegue alguma coisa, o “estraga-prazer” aparece para tirar o sorriso, a felicidade, minimizar a vitória. É incapaz de aplaudir o outro.

Não tem muito que fazer com esses “amigos” e “colegas”. Não dá para prendê-los. Sempre vão existir. Estarão a postos em algum lugar e, quando menos esperarmos, vão aparecer. E sempre com um discurso negativo na ponta da língua. O que nos resta é ignorar. Ter fortalecida a autoestima e vez outra disparar um “dane-se; é meu, eu fiz, eu conquistei… e com muito orgulho”.

Pessoas eternamente insatisfeitas

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Talvez a expressão não seja das melhores, mas alguns relacionamentos funcionam sob uma dinâmica muito nociva. Tem gente que, no amor, parece ser um “buraco sem fundo”. Nada que a pessoa recebe do outro é suficiente para agradá-la. Já estiveram juntos nas últimas 12 horas, viveram momentos alegres, mas quando o parceiro diz que está na hora de ir embora, ela reage com um enorme bico,  faz dengo, fica zangada… É um espetáculo sem fim.

E esse tipo de comportamento se repete em diferentes situações. Não importa a hora ou o momento. Nada que o outro faça é capaz de gerar contentamento, uma reação de total agrado. A ligação durou mais de hora, mas quando ela diz que precisa desligar, ele reclama, se chateia. Conversaram pelo Facebook até mais de meia-noite, mas quando ele avisa que está com sono e precisa dormir, ela reage dizendo que ele já nem se empolga mais com o relacionamento, que não a ama mais.

O que é pior é que esse tipo de pessoa parece não notar o quanto esses comportamentos desgastam o romance. Não se trata apenas de um denguinho, uma necessidade de valorizar o contato. Esse é o tipo de atitude que desgasta, que magoa, porque, muitas vezes, o outro já deu o melhor de si, já se dedicou por inteiro. Porém, também possui outras necessidades. Sei de situações em que a pessoa chegou colocar o emprego em risco para priorizar o relacionamento, ainda assim o parceiro sempre reclamava por mais e mais atenção.

O problema é que gente assim deixa o outro inseguro, ressentido… E desmotivado em doar-se. A pessoa sabe que pode dar o melhor de si e mesmo assim não tem garantia alguma que vai agradar. E sabe o que é pior? A reação de insatisfação parece anular tudo que a outra pessoa fez de bom, todo investimento que teve na relação. Infelizmente, quando um dos parceiros tem esse tipo de comportamento, dificilmente o relacionamento prospera. Se não houver mudança, o casal viverá constantes desencontros até o momento que alguém vai desistir e querer seguir o seu próprio caminho.

Narcisismo e solidariedade zero

narcisismoNavegando por sites de notícias, encontrei uma informação curiosa: quanto mais músculos, menos disposição a pessoa tem para ajudar o próximo. A matéria está na Época Online e traz, inclusive, uma foto de Mahatma Gandhi. O líder indiano tinha 1m64 e apenas 46 quilos.

Bom, não vou discutir a reportagem. Na verdade, fiquei pensando: quem, hoje, tem disposição para ajudar? Sim, porque me parece que a questão é muito mais complexa. Falta empatia, afeto, amor. Não há um olhar pelo outro. Vale a máxima “cada um por si, Deus pra todos”.

É verdade que pessoas voltadas para o corpo, que cultuam a beleza física, têm um olhar mais egoísta. São menos desprendidas. Olham primeiro para si mesmas.

Entretanto, quem não faz isso?

Vivemos uma época em que não há comprometimento. O outro nos é interessante quando nos serve. A partir do momento que pede nossa ajuda, começa a incomodar. Falta interesse pelo outro.

Vivemos desapegados. Nos relacionamos, mas de maneira superficial. E o corpo passou a ser a instância última. É por ele, inclusive, que chamamos atenção. Para sermos notados, investimos na beleza física. Ou em roupas, maquiagem, adereços de todo tipo. E a máxima já não vale apenas para mulheres. Homens também vivem sob essa lógica cruel.

Não há indicação de que isso vai mudar. As pessoas se distanciam cada vez mais. E as novas tecnologias aprofundam essa realidade, pois criam a ilusão de proximidade quando, na verdade, intensificam a individualidade. Cada um vive mergulhado no seu próprio universo particular. Um universo criado sob medida para manter seus usuários protegidos das frustrações e confrontos que os relacionamentos exigem.

Cenário ruim. Futuro incerto.

A solidão que consome e tira o sentido da vida

Estar e não estar. Presente ausente. Estas são sensações experimentadas pelo solitário.

A solidão é sintoma da vida moderna. Somos muitos, um planeta de bilhões, com redes sociais formada por milhões. Nossas redes pessoais têm centenas. Centenas de supostos amigos. Nomes que se acumulam em listas cada vez maiores. Estamos juntos, mas não estamos perto.

A vida se confunde e os relacionamentos se esgotam. A solidão toma conta.

Milhares de pessoas vivem tal realidade. Muitas por obra do destino. Experimentam o abandono. Não por escolha.

Pode ser o homem ou a mulher que vive sozinho, deita e acorda sem ter alguém do lado. Os que estão por perto são apenas passantes. Não dividem sua vida. Talvez a principal companhia seja a internet, com companheiros virtuais. Quem sabe os programas de tevê, o rádio ou um livro. Não é novidade passarem datas especiais sem nenhuma companhia. Até mesmo Natal ou Ano Novo.

Há filhos que desconhecem seus pais. Não sabem quem é sua família. Os amigos não passam de ícones, imagens incertas. Estão perdidos em suas próprias casas. Deslocados do mundo.

Idosos conhecem bem essa rotina. Alguns perderam seus parceiros. Os amigos se foram. A vida deixou de ter sentido e não há muita razão para começar um novo dia.

Há aqueles que sentem-se sozinhos mesmo sendo bajulados. São líderes, pessoas importantes, gente que não sabe se pode confiar nas palavras daqueles que estão ao redor. Muito menos na suposta amizade. Afinal, sempre há a dúvida: são amigos de fato ou interessados em se beneficiar do status ou poder? Até mesmo o amor é colocado em xeque. “Sou amado pelo que sou ou pela minha posição?”

Também existem cônjuges que têm a segurança de uma relação, porém são carentes de afeto. Não são plenamente atendidos. Mantêm o sorriso, as palavras amáveis, porém vivem um personagem. Gostariam de revelar a verdadeira face. Contudo, todas às vezes que tentam ser o que realmente são não conseguem ser acolhidos. Notam que o parceiro prefere silenciar ou ignorar as contradições a viver o relacionamento em toda sua intensidade.

A solidão não é uma síndrome. Não é um transtorno. Porém, não é uma fantasia. A solidão é a verdade oculta de milhões de pessoas. Gente que chora escondido a ausência – ausência de algo ou alguém que por vezes sequer se pode identificar.

A solidão não é desejada. No entanto, por vezes parece imperativa, uma imposição das próprias condições de vida.

É possível superá-la?

Nem sempre. Mas há alguns caminhos. O primeiro deles é ser afetivo. Quem quer encontrar um amigo sincero precisa ser amigo. Ter nos lábios sempre uma reclamação afasta as pessoas.

Doar-se é o passo mais importante. Quando nos solidarizamos com outras pessoas, encontramos novos motivos para viver. Nossa existência passa a fazer sentido. E parte do vazio existencial é preenchido pelo simples ato de servimos quem precisa de ajuda.

Não é uma atitude fácil. Somos egoístas por natureza. E, quando nos sentimos sozinhos, algo em nós reclama compaixão, o olhar do outro. Por isso, trata-se de uma ruptura consigo mesmo a fim de experimentarmos algo maior, nobre.

Muitos passarão pela vida sem experimentar de fato a plenitude de sentir-se parte do mundo.

Mas é possível romper com a solidão. E superá-la é encontrar-se. Encontrar-se como homem ou mulher que ama e é amado. E, principalmente, é aceito.

Uma doença chamada ciúme…

Texto produzido para o programete que faço na Rede Novo Tempo.

Quero voltar a falar sobre a relação dos pais e filhos… Quero falar sobre este assunto ainda sob a perspectiva da tragédia que aconteceu em Santo André. Por mais que o assunto possa parecer repetitivo, é importante refletir sobre aspectos que dizem respeito a nossa vida. A morte da adolescente Eloá, o drama sofrido pela amiga dela, a Naiara, e a prisão de Lindemberg devem servir de estímulo para aprendermos algumas lições.

A primeira delas: muitos pais estão criando futuros Lindemberg’s. É isto mesmo. Não estou dizendo que os pais estão preparando assassinos. Estou afirmando que tem muito pai e mãe por aí ensinando os filhos a serem egoístas a ponto de entenderem que é direito deles terem acesso a determinados bens. Lindemberg matou Eloá porque entendeu que a menina só poderia ser namorada dele; e de mais ninguém.

Esse rapaz não foi preparado para experimentar a frustração. E a frustração faz parte da educação. O ser humano precisa saber lidar com a frustração. Temos que entender que não podemos ter tudo que queremos. Mas o pai e a mãe que dão tudo que o filho quer estão prestando um desserviço à sociedade. A criança de hoje vai se tornar um adulto que não sabe lidar com os “nãos” da vida. E você sabe, a vida reserva muitos “nãos” pra todos nós.

Infelizmente, Lindemberg não soube ouvir um não da Eloá. A história terminou do jeito que você já sabe…

Além de dizer não para nossos filhos e não poupá-los da frustração, a segunda lição que devemos aprender é: o ciúme é uma doença. É uma doença que precisa ser combatida. E o ciúme também é aprendido. O ciúme surge por insegurança, por falta de auto-estima e pela ausência de uma orientação adequada.

Os pais precisam ficar atentos. O ciúme se manifesta muito cedo. Seja no trato da criança com os amiguinhos ou mesmo no relacionamento da criança com os pais. Quando notado, o ciúme precisa ser tratado para impedir que se torne um sentimento continuo. Muitos crimes passionais são cometidos por ciúme. Isto sugere que esse deve ser combatido.

E aqui um último recado: se você encontrar alguém muito ciumento pelo caminho, evite essa pessoa. Não aceite certos comportamentos como naturais. Em toda relação, um certo cuidado é natural, necessário. Mas quando motiva brigas, retaliações, acessos de raiva, há indicações claras de que o sentimento pode motivar ações irracionais.