Não espere as circunstâncias serem favoráveis para ser feliz!

Nessa semana que passou, estive conversando com uma aluna sobre as condições emocionais dela. É uma garota inteligente, bonita, tem um trabalho bacana, uma família linda, um namorado super legal… Mas ela não está bem emocionalmente. E por quê? Porque o momento que estamos vivendo não é nada favorável. Vivemos tempos de incerteza, de dúvida, de muita dor… Ainda que os problemas não tenham de fato batido a nossa porta, sentimos o clima ruim pelas notícias negativas na imprensa e na internet, a quantidade absurda de pessoas mortas, outras tantas sem emprego, passando necessidade… E tem ainda todos os impedimentos que nos machucam. Não temos a liberdade de ir e vir, as escolas estão fechadas, não temos com abraçar as pessoas e até um aperto de mão representa um risco. Tem como ignorar esse cenário? Não!

A impossibilidade de ignorar tantas coisas ruins ao nosso redor afeta as emoções. Recentemente, entrevistando uma psicóloga, ela comentou que quem não tem tido oscilações no humor – ou seja, não tem vez ou outra ficado triste – é uma pessoa que tem algum problema emocional. Afinal, gente saudável psicologicamente é gente que sente e é afetado pelo ambiente; portanto, as flutuações no humor são normais nesse período.

Talvez por isso tenho ouvido pessoas comentarem: “2020 deveria ser cancelado”; “é um ano que nunca deveria ter existido”. Também já ouvi pessoas dizerem: “este é um ano para esquecer”, ou ainda, “dá para pular direto para 2021?”.

Eu entendo todas essas reações. E, em alguns momentos, sinto-me muito mal com tudo que está acontecendo. Há dias em que pareço afundar. Na minha casa, graças a Deus, por enquanto, não chegou nenhum dos problemas concretos causados pela pandemia. Não tem faltado trabalho, estamos com saúde e nenhum familiar foi contaminado. Mas as incertezas também fazem parte dos meus dias. Alguns dos planos que tinha para 2020 foram interrompidos. Vou conseguir torná-los realidade em 2021? Não sei! Em 2022, talvez? Também não sei.

Isso significa que 2020 está perdido? Significa que 2020 deveria ser cancelado? É um ano para esquecer? Deveria pular direto para o próximo ano?

Desejar que o ano fosse diferente, eu posso. É um desejo natural – como também é querer esquecer 2020. Entretanto, tenho aprendido algo fundamental: a vida não pára para que eu possa resolver os meus problemas. Cada segundo que desejo cancelar (ou pular) de minha existência é um pedacinho da minha vida que estou tentando jogar fora. Ou seja, é vida que estou jogando fora. Isso quer dizer que 2020 só será um ano perdido se não aprender nada nele, se não crescer como pessoa, se não amar e não for amado pelas pessoas que estão comigo, se não souber aproveitar a oportunidade de vida que tenho.

Não podemos mudar a realidade. Por vezes, ela se impõe. 2020 é isso tudo que está aí. Contudo, é o ano que temos! Dá para escolher sair desse “bonde” e voltar só quando as coisas estiverem bem? Não! As circunstâncias não são favoráveis, mas são as únicas que temos. Portanto, não dá para esperar os problemas acabarem para ser feliz. O período de pandemia é terrível? Sim, mas, mesmo quando passar, outros problemas surgirão.

Sempre achamos inspirador quando uma pessoa que perdeu os dois braços consegue manter sua rotina e fazer coisas que são feitas por quem tem as mãos. Esquecemos, porém, de lembrar que se essa pessoa ficasse lamentando a perda e não buscasse se adaptar à nova realidade, ela perderia uma parte importante da vida – inclusive a autonomia. Já pensou naquela mãe que, após muitas tentativas para engravidar, conseguiu ter seu lindo bebezinho no colo, mas, cinco anos depois, uma doença levou sua criança? Dá para essa mãe esperar alguma coisa acontecer para recuperar a alegria de viver? Parece-me que só resta a ela uma opção: tentar ser feliz, apesar da dor.

Portanto, meu convite pra você hoje é um só: não espere as circunstâncias serem favoráveis para ser feliz! Encontre motivos para ser feliz, para motivar-se, para seguir em frente, apesar da ansiedade, do medo e até das perdas.

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Em tempos de quarentena, desconecte-se; dedique tempo às pessoas que você ama!

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Você já notou que a gente agora só fala de uma coisa?

A pandemia de coronavírus tornou-se a pauta única de nossas conversas.

Confesso que isso me incomoda profundamente.

Por ser algo que traz preocupações com a saúde, com a vida financeira das pessoas, o desgaste emocional é muito grande. Começa a faltar energia para coisas básicas: o cuidado pessoal, por exemplo. Cuidar da aparência, investir tempo arrumando cabelo, escolhendo as roupas… Parece faltar disposição até pra isso. Tem gente que nem tira mais o pijama.

Eu tenho adotado algumas estratégias. A primeira e principal: tenho ficado longe do noticiário. Não significa ficar alienado. Todos os dias, separo um tempinho para espiar as principais notícias. Uns 20 minutos. Não mais que isso. Vejo as informações que considero mais relevantes, em sites confiáveis e pronto.

Já as redes sociais se constituem num desafio. Em função do meu trabalho e do fato de estar presente nas redes para compartilhar conteúdos para as pessoas que me seguem, acabo esbarrando em muita informação que desestabiliza, irrita e até faz perder a fé no ser humano. Então, também para isso, estou me impondo alguns horários.

Abro as redes apenas em alguns momentos do dia. E faço isso naqueles horários que vou publicar algum conteúdo ou que vou responder as pessoas. Tento manter uma rotina consciente: entro, faço o que preciso fazer e saio. É uma maneira de manter a sanidade mental.

Precisamos considerar que, além de todas as informações ruins causadas pela pandemia – quarentena, mais e mais pessoas infectadas, milhares de mortes em diversos lugares do mundo -, no Brasil, o assunto está sendo politizado e, ao invés de agirmos numa perspectiva preventiva e cautelosa, em favor da vida, o debate ganha contornos extremistas e partidarizados. Isso causa um problema maior. Afinal, ao invés de nos unirmos pra resolver o problema, criamos muros nos afetos, geramos enfrentamentos que nos separam como pessoas.

Portanto, além de se proteger do coronavírus, proteja sua mente. Dedique menos tempo às redes e ao noticiário. Dedique atenção às pessoas que você ama. Se estiverem perto, invista tempo em conversas, em carinhos… Vá para a cozinha, faça coisas gostosas… Aproveite esses dias. Se as pessoas estiverem distantes, use as tecnologias para falar com elas. Faça ligações em vídeo, videoconferências com a família… Descubra ferramentas que permitam reunir todo mundo na tela do computador ou do celular e divirta-se um pouco com as pessoas que você ama.

Os tempos são difíceis para vivermos apenas em função das notícias ruins e para politizarmos o debate sobre a nossa saúde, sobre a nossa vida.


Como manter a sanidade mental em tempos de quarentena?

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Neste tempo de quarentena, talvez a coisa mais difícil seja manter a sanidade mental. Não há nada de divertido em ficar em casa por obrigação, por dever.

A gente preza demais a liberdade. Embora a liberdade seja muito mais uma ideia do que um fato, gostamos de imaginar que podemos escolher o que fazer.

Se ficamos em casa, ficamos por opção, porque esta foi a nossa escolha. Pra ficar “de boa”; preguiçosamente, de preferência.

Mas, agora, não tem nada de escolha. Ficar em casa deixou inclusive de ser uma recomendação; passou a ser uma obrigação. E, no caso de Maringá, só falta uma sirene para o toque de recolher. Das nove da noite às cinco da manhã, as pessoas estão proibidas de saírem de casa. Socorro!

Além desse cenário em que perdemos até mesmo uma das liberdades mais básicas, não existe uma única certeza a respeito do futuro. Há indicações de caos na economia, de prejuízos financeiros, empresas quebradas, aumento do desemprego…

E o que dizer sobre o ano letivo? Professores e alunos não sabem quando voltam para a sala de aula. Todos tentam achar um jeito de manter a rotina de preparo de aulas e estudo. Mas a própria ausência de uma cultura autoinstrucional, autônoma, cria barreiras para um aprendizado efetivo.

Para completar, tem o medo de ser contaminado pelo novo coronavírus. Ainda que se fale que os sintomas sejam parecidos com uma gripe, qualquer dorzinha de cabeça ou de garganta, mal estar deixa-nos apreensivos. Sei de gente que anda tendo pesadelo com o vírus.

Sim, meu caro leitor, não está fácil manter o equilíbrio. Se você está em paz, parabéns!! E se você está ansioso, com medo, não se cobre por isso e nem se culpe. Tá difícil mesmo. E não é só pra você.

Apenas respire fundo, tente se lembrar que tudo passa. Essa pandemia, essa crise também vai passar.

Como avaliamos nossos problemas?

Algumas entrevistas são surpreendentes. Anos atrás, uma conversa com um psiquiatra trouxe algumas reflexões que ainda hoje reproduzo para leitores e amigos. Detalhe, recordo da entrevista, mas não lembro do profissional.

Em primeiro lugar, confesso que, naquela ocasião, o papo me surpreendeu, porque, geralmente, temos uma imagem estereotipada do psiquiatra: trata-se de um profissional que, embora cuide das emoções, faz parte de um grupo seleto da medicina que tem um olhar para a mente humana sob uma perspectiva muito mais de cura por meio de medicamentos do que movido pela crença de que o ser humano se constrói e reconstrói por suas atitudes e escolhas, dentro do contexto em que está inserido.

Nosso diálogo, porém, foi noutra direção… Falamos sobre qualidade de vida. O psiquiatra foi taxativo: a vida pode ser mais simples ou mais difícil, dependendo da escolha de cada indivíduo. Parece conversa de autoajuda, mas não é. Na prática, a maneira como olhamos os desafios que temos vai determinar nossas ações e, principalmente, nosso estado de espírito. Ou seja, a angústia e o sofrimento podem ser menores ou maiores. A decisão é nossa.

Parece racional demais. Afinal, como já escrevi noutras ocasiões, a razão parece não comandar o coração. Entretanto, podemos conversar com nossos sentimentos. Esse diálogo interior ajuda a reorganizar os sentimentos.

Há coisas que acontecem conosco que não procuramos entender. Não questionamos o por quê. Acontece que, sem procurar resposta para as dores da alma, abrimos mão de viver melhor.

Às vezes nos pegamos tristes. Pode ser por causa de um relacionamento mal resolvido, de uma amizade desfeita, uma desavença com um colega de trabalho ou um professor… Ficamos recordando tudo que houve ou ainda existe de ruim, alimentando a dor interior. Sofremos durante dias – algumas pessoas sofrem por anos – por algo que poderia ser trabalhado interiormente, sublimado.

Mas como?

Em qualquer dessas situações, a primeira pergunta a responder é: “por que estou triste?”. Se o problema for identificado, a segunda pergunta é: “posso resolver?”. Se posso, “de que maneira?”.

Temos condições plenas de avaliar perdas e ganhos diante de qualquer situação. Se o caso for de um relacionamento, é preciso concluir: “vale a pena mantê-lo como está?”, “devo romper?”, ou ainda “invisto na reconstrução?”. Afinal, quais as consequências? Que consequências posso assumir? O que eu consigo fazer? Que escolha vai me deixar mais feliz?

A solução perfeita não existe. Nenhuma opção é livre de consequências. Todas terão graus variados de perdas e ganhos. Por isso, conformar-se é uma capacidade que deve ser desenvolvida.

Para alcançar novos sonhos, talvez alguns antigos terão de ser abandonados. Ninguém vive feliz se não compreender esse princípio da vida. O mundo nunca será perfeito. E nem a vida, cor-de-rosa.

Por fim, os erros de ontem nos servem de aprendizado. Não podem ser lembrados para alimentar a culpa. Ninguém volta atrás. Insistir na culpa é investir no passado e ignorar o futuro. Só reconhecemos que certas escolhas foram desastrosas porque as experimentamos. Do contrário, poderíamos nos arrepender por não tê-las vivido.

As comparações sociais não são saudáveis

O mundo que a gente vive tem inúmeras oportunidades para medirmos nosso valor em relação às pessoas que nos rodeiam. Quase todo mundo está divulgando sua vida bem-sucedida nas redes. A gente até sabe que parte do sucesso divulgado é fake. Mas imagem é tudo, né?

O efeito desse conteúdo sobre nós pode ser bastante negativo.

Frequentemente, nos questionamos se somos bons o suficiente. E vamos listando uma série de defeitos que supostamente possuímos e que nos colocam pra baixo.

Se estou nas redes e meus vídeos não recebem tantas curtidas e nem são visualizados por milhares de pessoas, o problema deve ser minha falta de carisma.

Se sou professor e meus alunos não vivem curtindo minhas fotos e nem fazendo comentários bonitinhos em minhas postagens, talvez seja porque não gostam de mim.

Se você se pega fazendo essas comparações, saiba que faz um enorme mal à sua autoestima.

As comparações sociais não são saudáveis. Estudos demonstram que os prejuízos são grandes, principalmente para as mulheres – maiores vítimas desse tipo de comportamento.

Além dos efeitos emocionais, as comparações tiram os olhos de nossos objetivos, fazem com que nos sintamos mal com o que estamos fazendo, afinal sempre haverá alguém que parece mais feliz, mais saudável, mais bem-sucedido, mais amado.

Pesquisas mostram que pensar coisas do tipo “essa pessoa é melhor do que eu” alimenta a depressão e a inveja.

Comparar-se com quem tem menos sorte que você ou que tem uma vida supostamente menos afortunada, também não é legal. Geralmente, produz certo alívio, porque traz a sensação de “não estou tão mal assim”, mas, no fundo, você sabe que está se enganando, porque talvez seus objetivos não estão sendo alcançados e isso também causa frustração.

Portanto, ao invés de comparar-se com as outras pessoas, lembre-se de um princípio básico: as pessoas possuem habilidades distintas, histórias diferentes, conhecimentos que podem beneficiá-los. Portanto, se for para olhar para o outro, que seja para aprender com o outro, não para querer ser como o outro.

A única comparação útil é aquela que a gente faz com a gente mesmo: eu sei hoje mais do que ontem? Tenho realizado hoje coisas melhor que ontem? Observar atentamente nossos avanços e tentar compreender onde estamos falhando e onde estamos acertando é o tipo de atitude inteligente que devemos manter.

Por que é importante duvidar?

Frequentemente, navegando nas redes sociais, sou tomado de forte indignação. De pronto, sinto vontade de escrever algo para comentar a respeito do assunto, para rebater a besteira que alguém publicou.

Mas, raramente escrevo. Gravar um vídeo então? Quase nunca.

Por que isso acontece? Geralmente, por duas razões. A primeira, porque entendo que polemizar não leva à reflexão. Ou seja, não ajuda a pensar sobre o assunto, não faz ninguém mudar de opinião.

A segunda razão é porque sempre me questiono: será que é verdade? Será que foi assim que aconteceu? É isso mesmo que a pessoa quis dizer?

Poucas coisas são tão importantes quanto oferecer o benefício da dúvida.

Muita gente olha um fato e já toma partido. Às vezes, nem precisa ver; apenas ouve alguém falar e já sai comentando… A pessoa nem sabe o que aconteceu, mas tem uma posição formada.

Numa sociedade de fé cristã, o julgamento é uma das contradições entre discurso e prática religiosa.

Há inúmeros textos na Bíblia que alertam que não devemos julgar. Outros ressaltam que não podemos condenar as pessoas, para que não sejamos condenados.

Esses textos sugerem que o problema do julgamento está na nossa incapacidade de sermos imparciais, equilibrados… justos.

As avaliações quase sempre são feitas com base em nossas crenças, preconceitos… E aí, quando verbalizamos de imediato o que pensamos sobre um fato, geralmente revelamos a nossa pior face, cheia de maldade.

Portanto, repito, é sempre mais apropriado questionar: será que foi assim? Não existe outra versão para esta história? Será que eu não estou sendo precipitado?

Colocar em dúvida as nossas convicções é o primeiro passo para agirmos de forma sensata e ética.