Fantasias sobre a felicidade: se estou triste, não sou feliz

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Nossa cabeça está cheia de fantasias sobre a felicidade. Ainda nesse último fim de semana, vi minha filha num desses “surtos de felicidade”. Ela estava mega empolgada pois iria ver um filme que estava esperando há quase seis meses. Estava elétrica e repetia:

– Estou muito feliz, pai. Muito feliz.

Eu brinquei:

– Acho que você está alegre. Felicidade é outra coisa.

E é bem isso mesmo. Felicidade é diferente de alegria. Trata-se de uma ideia completamente equivocada acreditar que ser feliz é estar rindo à toa. Momentos de euforia não refletem um coração feliz. Na verdade, as fantasias que temos sobre felicidade tornam nossa caminhada mais difícil e frustrante. Porque, como não sabemos o que é ser feliz, tornamo-nos infelizes.

Um das ideias erradas que temos de felicidade é que “se estou triste, não sou feliz”. Essa é uma das grandes mentiras que repetimos pra nós mesmos. Ficar triste é uma condição humana. E natural. Alguém fala alguma coisa que nos machuca? Evidente que ficamos tristes. Um amigo querido foi embora? Sim, isso nos deixa tristes. A apresentação do trabalho na faculdade foi desastrosa e a nota pior ainda? Claro que isso nos deixa mal.

Sabe, a felicidade não é um destino, um alvo a alcançar. Felicidade é um estado de espírito que devemos cultivar. E está muito mais próxima da serenidade que de outras emoções. Afinal, se você tropeça e arranca a unha do dedão do pé, vai sentir muita dor. Talvez tenha que correr ao médico, quem saber terá de ficar com o dedo enfaixado e se sentirá triste pelo acidente – até pelas impossibilidades que o machucado vai causar durante alguns dias. Mas isso não significa que você seja uma pessoa infeliz.

O problema é que para nós, ocidentais, felicidade parece ser sinônimo de prazer. A gente acha que é feliz quando está numa festa animada, quando ganha uma promoção… Na verdade, associamos felicidade ao prazer. Por isso, quando acontece alguma coisa errada, algo negativo nos envolve, supervalorizamos a perda e nos rotulamos infelizes.

Nossa visão deturpada de mundo nos faz negar a tristeza, o cansaço, as perdas. E se assim pensamos, viveremos a constante busca por essa tal felicidade e nunca a encontraremos.

Ps- Voltarei a falar sobre as fantasias que temos sobre a felicidade. O próximo texto vai tratar da necessidade de ter sempre mais.

Como você se vê?

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A maneira como nos vemos tem reflexo em nossas ações. Na verdade, nem todo mundo investe tempo em si, em olhar para o seu interior, em tentar se conhecer. Entretanto, ainda assim, pelas palavras, pelo modo de agir é possível notar como a pessoa se reconhece como gente, como ser humano.

E é exatamente isso que faz a psicologia. Por que o terapeuta escuta, escuta e escuta o sujeito? Pra identificar, por meio das palavras, dos gestos, das expressões quem é aquela pessoa que está ali no consultório. Na verdade, o terapeuta identifica a maneira como a pessoa se vê e, a partir disso, atua para ajudá-la a se descobrir, a se tornar alguém que se ame.

Por diferentes motivos, muitas pessoas têm uma visão distorcida de si mesmas. Não conseguem ver a beleza que é a vida e o potencial que possuem para dar a cada dia um novo sentido.

Tem gente que se vê como fracassado, carrega um fardo de culpas… Isso gera insegurança, medo, vergonha, ansiedade. Tem gente que se vê como incapaz, infeliz, mal amado. E reage afastando pessoas, não assumindo tarefas importantes.

Sabe, isso tem muito a ver com a autoestima. E tratar desse tema é bastante complexo. Afinal, temos limitações. Ninguém é tão saudável emocionalmente a ponto de não possuir fragilidades. Entretanto, dá pra estar bem consigo mesmo. E o primeiro passo é se conhecer e se aceitar.

E mais… Cuidar de si, reconhecer as virtudes, os valores, o que temos de bom são atitudes fundamentais para que a gente se aceite, se ame. Quem se sente patinho feio, age como patinho feio. E o mundo em que vivemos não tolera pessoas mal resolvidas. Coitadinhos são rejeitados, são tratados com desprezo… No máximo, com pena.

Portanto, num mundo duro, cruel, egoísta, se não cuidarmos de nossas emoções, se não tratarmos do nosso coração, dificilmente alguém vai olhar e estender a mão pra ajudar. Vamos viver um eterno vazio existencial e nunca saberemos o que é felicidade.

O Facebook afeta as emoções

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Ninguém está isento… Vez ou outra nos pegamos bisbilhotando a vida alheia no Facebook. É tudo tão fácil… Uma publicação puxa a outra, uma foto leva à outra. Quando percebemos, já estamos olhando conteúdos de gente que sequer conhecemos.

Por outro lado, as redes também potencializaram nosso lado exibicionista. Tem gente que deixa tudo documentado na rede. A carinha quando desperta, o lanche que come, o calçado que usa na festa, os livros que compra (que a gente nem sabe se a pessoa lê), as férias incríveis, a família perfeito do comercial de margarina…

Vários estudos já mostraram que temos a tendência de tentar sempre mostrar o melhor de nós. Também há um desejo, quase inconsciente, de busca da aprovação do outro.

Cortou o cabelo? Publica. E espera os elogios.
Fez um jantarzinho especial? Publica. E espera os elogios.

E a lista é interminável. Tudo que se deseja é receber curtidas, comentários. Claro, nos inibimos de publicar coisas menos populares. De modo geral, nossa natureza tem a tendência de divulgar conquistas. Quando a gente recebe uma promoção, tudo que se quer é contar pra alguém. Por outro lado, busca-se ocultar os desastres, os fracassos, as perdas.

Na verdade, a internet possibilitou que se amplificassem comportamentos que antes ficavam restritos ao grupo de amigos, de pessoas próximas. Entretanto, para alguns, isso não representou e nem representa apenas a reprodução, na rede, do que já se fazia fora dela.

Quando a gente conhece a pessoa, a gente se assusta… Porque a vida de alguns no Facebook é completamente diferente. Há uma diferença absurda entre o eu virtual e o eu real. O sujeito é tímido, incapaz de dizer uma palavra; na internet, é o mais extrovertido, falante e até paquerador… Sem contar aqueles que distorcem a imagem física, tentam se passar por mais bonitos do que são.

Acontece que as pessoas foram contaminadas pelo vírus da notoriedade. Se a pessoa não se mostra, a pessoa não tem vida. É necessário se mostrar para sentir que existe. Em alguns casos, chega a ser doentio. A pessoa se torna dependente de colocar a vida na web, mostrá-la, ser aplaudida pelo que faz.

A coisa é assustadora. Um estudo realizado recentemente por pesquisadores alemães revelou que as emoções são afetadas pelas publicações no Facebook. Se alguém tem êxito profissional e publiciza isso, muita gente sente inveja, se sente mal pelo sucesso alheio. E a inveja não para aí… Fotos de férias incríveis, por exemplo, geram ressentimentos. O número de felicitações no aniversário cria mal estar.

Sabe, eu me pego pensando… A gente deseja tanto ter liberdade e… Que liberdade é essa que nos torna reféns da rede? Quer dizer, o Facebook não tem culpa, mas a gente se torna refém do aplauso alheio. Nossas emoções estão presas, dependentes das curtidas, dos comentários, dos compartilhamentos. A gente quer publicar… E a gente se decepciona se a troca da foto de perfil passou despercebida.

Mas estar na rede não afeta apenas nossas emoções. Também prejudica a produtividade e o sono. É fato que estar conectado rouba tempo de trabalho e leva muitos a dormir menos. Sem contar que potencializa a fantasia, a fuga da realidade.

Bom, então devemos acabar com o Facebook, com a internet? Evidente que não. Só precisamos refletir sobre o modo como usamos, como nos afeta, como não nos tornarmos reféns. A rede tem sim seus benefícios. E muitos. Facilita o contato, aproxima… Garante acesso a conteúdos diversificados e democratiza o acesso e a produção de informações. É só saber usar.

As emoções afetam o aprendizado

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Não tem jeito… Se não estamos bem emocionalmente, tudo parece não fazer sentido. Já percebeu que, quando estamos com um problema, ficamos menos atentos, perdemos a concentração, tornamo-nos menos produtivos?

Pois é. Isso também acontece com a molecadinha na escola. Crianças também têm problemas emocionais. Às vezes, esquecemos isso. O sistema educacional também parece ignorar que um aluno pode estar desanimado, triste, frustrado… E que, por isso, aprende menos.

As emoções afetam o aprendizado. As emoções impactam a memória, nossa capacidade de retenção, de tomada de decisões, a qualidade das relações, a saúde, o bem estar físico. As emoções podem mudar os pensamentos, mudar nossos comportamentos.

Entender isso ajuda a ampliar a noção sobre como aprendemos, como a criança aprende.

A gente precisa reconhecer que, mesmo pessoas inteligentes (também crianças, claro), podem não ter êxito aprendizado pleno em função de problemas emocionais. Na verdade, segundo o pesquisador Antonio Casimiro, da Universidade Almería, o sucesso das pessoas se deve 23% à capacidade intelectual e 77% às atitudes emocionais.

Isso também explica por que conhecemos adultos que, na infância, tiravam boas notas na escola, mas não conseguiram sucesso profissional. E também por que muitos que tiravam notas ruins, hoje têm uma carreira bem-sucedida. O emocional é o diferencial. Gente que se cobra demais, que é insegura, que não lida bem com as perdas… Gente assim tem mais dificuldade para administrar as diferentes demandas da vida.

E na infância não é diferente. Crianças e adolescentes com problemas emocionais se tornam alunos limitados. Jovens emocionalmente desequilibrados não dão conta de produzirem, de serem criativos.

Por isso, desde a infância, é fundamental entender o papel das emoções. Os professores precisam identificar as dificuldades dos alunos e, na medida do possível, atuar para auxiliá-los. Muitas vezes, encaminhando até mesmo para atendimento terapêutico. Por outro lado, em sala, devem motivar, mostrar aos alunos que são capazes, que devem sonhar, que tudo que hoje temos como realidade um dia foi um sonho, um sonho que talvez parecesse impossível – mas alguém se atreveu em tentar fazer.

Quanto aos pais, devem reconhecer que as emoções afetam os filhos. Para o bem e para o mal. Por isso, oferecer um ambiente familiar equilibrado é fundamental. Mas podem ir além. O estímulo à prática esportiva é uma estratégia inteligente, pois desenvolve habilidades importantes no equilíbrio emocional. Entre elas a tolerância, o sacrifício, o esforço, o espírito de equipe, o jogo limpo, o compromisso e a administração do fracasso, já que o fracasso é uma forma de aprender.

Dependentes emocionais

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Orbitar em torno do parceiro é mais comum do que a gente imagina. Muitas pessoas se anulam no relacionamento. Entretanto, a situação pode se tornar ainda pior. Tem aquelas que só se sentem completas se estão com o outro. São pessoas que não encontram sentido para a vida fora do relacionamento. Elas se tornam dependentes emocionais.

Quem precisa do outro para ser feliz não tem vida própria. Não faz bem a si mesmo e nem ao parceiro. E não estou dizendo que duas pessoas que se amam não estejam conectadas, em sintonia, não se sintam parte uma da outra. Estou falando de gente mal resolvida emocionalmente e que não dá conta de entender que a vida transcende as possibilidades de um relacionamento.

Ninguém se torna dependente emocional de uma hora pra outra. A origem, como de quase tudo que se revela na fase adulta, está na infância. O problema começa na educação dada pelos pais. A dependência emocional, segundo lembra a psicóloga Adriana Furlan, começa com pais superprotetores ou muito críticos, exigentes. Quando os pais protegem demais, a criança não desenvolve autonomia, torna-se mimada, frágil, incapaz de administrar suas próprias vontades. Quando são críticos, também fragilizam. A criança não cresce. Torna-se um jovem, um adulto inseguro, com baixa autoestima, por vezes, até infantilizado.

O efeito da superproteção ou das críticas desmedidas é bastante negativo. A pessoa carece de auxílio para resolver seus problemas; nunca se acha merecedora, digna de um elogio, cobra-se demais. A personalidade é abafada como resultado de uma educação doentia.

Dependentes emocionais também podem desenvolver transtornos psicológicos. Algumas delas se tornam dependentes a ponto de fazerem de tudo para não serem abandonadas. Ou seja, anulam-se completamente. Também podem ter síndrome do pânico e se tornarem incapazes de ficar sozinhas.

Não é tão simples superar a dependência. A primeira, e talvez maior dificuldade, é o reconhecimento de que não se trata simplesmente de amor. Dependentes emocionais acham que amam demais. Dificilmente reconhecem que se trata de uma fragilidade psicológica.

Mas, se a pessoa admite que tem um problema, a terapeuta Adriana Furlan dá cinco dicas:

Recuperar o espaço – tentar fazer, sozinha, atividades que dê prazer; retomar as amizades.

Ser realista – não idolatrar o parceiro, a parceira. Ele/a tem defeitos. Reconheça isso.

Expressar-se – é fundamental se sentir igual, semelhante ao outro. Seu parceiro, sua parceira não é mais importante que você. E nem sempre é dono da razão.

Repensar a relação – lembre-se de como você era antes da relação. Sente-se melhor agora? A dinâmica do romance valoriza seus sentimentos? Vocês dividem tarefas, ideias, programas?

Recuperar a autoestima – dependentes emocionais têm baixa autoestima. É preciso trabalhar para melhorar a auto imagem, para valorizar-se mais. Talvez seja necessário contar com ajuda profissional.

Desapegar-se do que não faz bem

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Ninguém dá conta de estar todos os dias bem. E muitas vezes a origem da tristeza, desânimo, mal estar nem sempre tem uma explicação muito lógica. Tipo “briguei com o marido” ou “o chefe mandou refazer o relatório”, ou ainda “a empresa está demitindo 20 funcionários e acho que estou na lista”.

Os pesquisadores da memória apontam que o humor pode ser afetado por pequenos “gatilhos” que alteram nosso comportamento, mexem com nossas emoções (algo como “deitamos bem e acordamos mal”). Pode ser uma música que ouvimos, uma notícia… Um cheiro, um gosto… Até mesmo um sonho abre uma janela de memória que traz sentimentos ruins, preocupações. O dia está lindo, céu azul, sol brilhando… Mas afundamos. Pois é. Isso acontece e nem sempre dá pra controlar.

Ter um dia ruim, daqueles que a gente afunda, não quer fazer nada… é ser humano. Não é frescura, não é manha, nem infantilidade. Faz parte de nós. Por situações que nem sempre entendemos, ficamos mal. E temos que lidar com isso.

O que não dá é viver essa realidade um dia após o outro. Se o humor vive oscilando, alguma coisa está errada. Tem algo ruim acontecendo com a gente. Nesses casos, a primeira atitude é se observar, tentar identificar o que está provocando tristeza, desânimo e até vontade de morrer. É necessário se conhecer, mapear as próprias emoções…

Embora seja necessário fazer uma viagem para dentro de si e estabelecer um olhar atento para a vida, quase sempre o que dispara essa negatividade pode ser reconhecido. E se reconhecido, torna-se fundamental promover o enfrentamento do problema. Se de ordem psicológica (uma depressão, ansiedade etc), muitas vezes, precisamos de ajuda profissional; se de ordem pessoal, cabe à pessoa tentar solucionar o problema, mudar o ambiente e, muitas vezes, abrir mão de um emprego, do relacionamento… Enfim, do que faz mal.

Viver também é saber desapegar-se do que não nos faz bem.

Atitudes para ter equilíbrio emocional

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Equilíbrio emocional. Eu gosto da ideia. Acho incrível pensar que podemos administrar nossas emoções. Porém, entre querer e conseguir administrá-las existe um abismo. Sempre digo que não é tão simples assim viver bem com a gente mesmo. Às vezes, sofremos uma perda, estamos diante de caminhos incertos e nos deixamos abater. Ou simplesmente sofremos um “apagão emocional”.

Dias atrás, numa conversa com a psicóloga Adriana Furlan, ela citou seis atitudes que podem nos ajudar a ter certo controle das emoções. Vou fazer aqui a minha leitura dessas “regrinhas”.

Auto-aceitação – Você se gosta? Se aceita? Ou se acha a pior pessoa do universo? Penso que precisamos ser humildes e reconhecer nossas limitações. Porém, também precisamos nos amar. E aceitar o que somos, nossas falhas, nossos erros… ajuda a lidar melhor com os problemas. Principalmente com nosso passado.

Relacionamentos positivos – Precisamos conviver com gente que nos faça bem. Mais que isso, temos carência de ser amados. Não dá pra viver mendigando um carinho, um abraço… Então, necessitamos viver coisas boas com as pessoas que nos cercam. E ter por perto gente que seja capaz de exercer boa influência em nossa vida.

Autonomia – Reconheço que estamos distantes de ser definitivamente livres. Dependemos uns dos outros. Porém, é possível ter certa autonomia. Ter autonomia é não orbitar em torno de alguém. Esse alguém pode ser os pais, pode ser o marido, um namorado… E até um amigo, uma amiga. Precisamos dar conta de responder as nossas próprias demandas. Não dá pra depender a vida inteira dos outros. E a autonomia não para nas questões práticas. Uma questão fundamental é: temos que ter nossos próprios pensamentos, nossas próprias ideias. Tem gente que só pensa, só decide pela cabeça dos outros. Não funciona!

Domínio ambiental – Não dá para ficar a vida inteira esperando pelas coisas. É fundamental ter iniciativa. Devemos criar oportunidades. Claro, não podemos ser imprudentes. Porém, quem vive esperando, nunca chega a lugar algum. Para isso, temos que conhecer bem o ambiente onde estamos, seus limites e o que podemos fazer a partir da realidade que nos é dada.

Propósito de vida – Qual é seu plano? Você tem um projeto? Não estou falando em como será sua aposentadoria. Esse plano até pode constar na lista. Porém, também temos que ter propósitos diários, projetos de curto e médio prazo. Podemos atuar como voluntários, sonhar com uma casa nova, viagens… Devemos pensar em coisas que gostamos e tentar trabalhar para experimentá-las, vivenciá-las.

Crescimento pessoal – Quando se está num relacionamento, é fundamental investir na vida a dois. Entretanto, isso não significa esquecer de si mesmo. Como disse no item anterior, qual é nosso propósito de vida? Por mais que inclua uma outra pessoa, também temos que ter nossos próprios sonhos. E cuidar de nós mesmos. Fazer academia, cursos… Trabalhar por uma promoção… Pra ter equilíbrio emocional, também temos que nos sentir úteis, perceber que não estacionamos.

Enfim, embora não exista “receita”, e em alguns momentos nos sintamos incapazes até de nos mexer, a prática dessas atitudes pode ajudar a ter maior equilíbrio emocional.

O que é melhor pra mim?

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Olhar para si mesmo, conhecer limites e potencialidades, ter domínio sobre as emoções, identificar as próprias expectativas são coisas que deveríamos praticar com bastante frequência. E isso para que nossas escolhas tivessem mínimas chances de nos satisfazerem ao longo da vida. Quando nos conhecemos pouco, erramos mais. Saber sobre si e sobre o mundo reduz as probabilidades de “quebrarmos a cara”.

Entretanto, ainda assim não há garantias de que nossas decisões nos farão felizes. Não são raras as vezes que o que achamos ser o melhor, na verdade, tem potencial para arruinar nosso futuro, tirar nossa paz.

Muita gente decide por caprichos pessoais. Acha que sabe, acha que tem o controle da vida. Entende que se não fizer isso ou aquilo será infeliz. Esse tipo de equívoco é mais cometido pelos jovens – mas muitos adultos ainda possuem o ímpeto dos jovens e cometem erros infantis. Não desenvolveram experiência; entendem que são auto-suficientes. São afoitos, possuem visão unilateral, enxergam apenas o que está aparente. Não desenvolveram a habilidade de racionalizar, de se distanciarem das emoções a fim de reconhecê-las e notar quando estão enganando a si mesmos.

Essas pessoas fazem isso na escolha de uma profissão, na mudança de emprego… E até na hora de lutar por um amor. Sem se conhecerem, lutam pela felicidade e encontram angústia, lágrimas, culpa.

Mas nem todo mundo decide assim. Muitos de nós passamos semanas, meses e até anos para escolher, para mudar. A caminhada de reflexão se torna dura, penosa. São avaliadas todas as possibilidades. A pergunta que norteia é:

– O que é melhor pra mim?

Por vezes, considera-se inclusive o impacto na vida de pessoas próximas. Há uma preocupação em ser justo, em fazer o correto, em sentir-se bem. Teme-se o arrependimento. Teme-se o risco de se magoar e até magoar os outros.

Acontece que, por mais que procuremos ser sábios, não há garantias de que nossas escolhas nos farão felizes. Não temos controle pleno sobre a vida. Não somos totalmente donos do nosso destino. O que eu escolho afeta minha vida, mas também muda a dinâmica do ambiente onde estou. Além disso, acontecimentos externos exercem influência sobre o que experimentamos, fazemos ou sentimos. Ninguém dá conta de prever a felicidade nem de escrever a melhor história.

Nunca saberemos de fato o que é melhor para nós. Não dá para viver angustiado com isso. Não controlamos os resultados de nossas escolhas. Podemos ser infelizes, mesmo após fazermos o que nos parecia ser o certo.

E então… o que nos resta? Reconhecer nossos limites e até nossa ignorância. Nossa história é escrita com erros e acertos. É necessário aprender a conviver com isso. E sofrer menos, porque, nunca teremos tudo que sonhamos.

Nem todos nossos sonhos são os melhores sonhos. E, mesmo conhecendo nossa alma, nem sempre saberemos o que é melhor para nós.