Para jovens, sucesso é fazer o que gosta

​A geração Z, formada por jovens entre 18 e 24 anos, quer mais do que salários altos; prefere trabalhar no que gosta. Para isso, está disposta a ganhar menos.

Os dados divulgados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, SPC Brasil e Sebrae mostram que 42% dos jovens nessa faixa etária entendem que trabalhar em algo que gostam é o principal fator de sucesso.

Este dado é extremamente relevante. Aponta para uma significativa mudança de mentalidade. Afinal, é fundamental não se deixar nortear apenas pelos ganhos. A vida é curta demais para desperdiçarmos nosso tempo apenas na busca por dinheiro.

​​O fato de 42% dos jovens compreenderem o “fazer o que gosta” como valor de sucesso também tem a ver com a ilusão da felicidade. A busca por ter prazer em tudo é um dos principais objetivos das novas gerações.

Ter prazer é muito bom. Ser feliz é maravilhoso.

Entretanto, há um perigo nessa mentalidade dos jovens: ignorar que toda ​e qualquer atividade reúne uma série de elementos que nos causam desprazer.

Deixa eu explicar melhor… Eu amo dar aulas. Esqueço de todo e qualquer problema extra-classe quando estou em sala de aula. Esqueço até o cansaço físico. Porém, odeio corrigir provas. Trocaria um domingo de correção de provas por qualquer tipo de trabalho doméstico – limpar a casa, lavar banheiros…

Adoro propor projetos novos para meus alunos e vê-los envolvidos na execução. Sou o campeão de projetos na minha faculdade. Mas admito que a​dio ao máximo a entrega dos relatórios. Tenho pavor de escrevê-los. Quando chega o final do semestre, chego a cogitar encerrar os projetos só para não ter mais a obrigação dos relatórios.

Eu não sei se você está me entendendo… O que eu quero dizer é que escolher fazer o que gosta não impede ninguém d​a obrigação de ter que​ fazer o que não gosta. Não há nenhuma atividade que seja 100% prazerosa. Nenhuma​!​

Quando 42% dos jovens dizem que o maior valor de sucesso é fazer o que gosta, eu me alegro. Por outro lado, por saber que a ideia de felicidade e prazer é o que referencia essa nova mentalidade, eu me preocupo. Basta notar que nossos jovens são pouco resistentes às frustrações, aos fracassos e pouco tolerantes ​às atividades que lhes causam desconforto.

Como não há trabalho algum que seja apenas alegrador, será que nossos jovens encontrarão profissões que concretizem para eles o tão sonhado “fazer o que gosta”?

O desafio de aprender durante toda a vida

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, após analisar o momento em que vivemos, concluiu que uma das características mais significativas da chamada sociedade líquido-moderna é a fluidez. E esta fluidez afeta diretamente a educação e o trabalho.

É fundamental compreendermos que tudo que aprendemos e tudo que fazemos têm prazo de validade. Um prazo de validade desconhecido. Afinal, viver sob constante incerteza é também uma das marcas da sociedade atual.

Justamente por isso, o mundo do trabalho, hoje, é o mundo do aprendizado ao longo de toda a vida. Devemos desenvolver a disposição para o aprendizado constante. Por isso, carecemos ser flexíveis e resilientes.

O futuro não pode ser previsto. Os movimentos da sociedade podem até dar algumas pistas sobre o que vai acontecer, mas ninguém projetará o futuro de maneira assertiva. Podemos detectar sinais, mas se alguém diz que sabe o que vai acontecer, esse alguém mente.

O que sabemos é que o futuro será daqueles que estão/estarão abertos a mudarem constantemente. As pessoas mudarão de empresa muitas vezes, muitos negócios bem-sucedidos deixarão de existir e, se você ainda estiver na mesma empresa, certamente estará fazendo coisas completamente diferentes no futuro.

Isso significa flexibilidade.

A característica provavelmente mais importante de um trabalhador é sua capacidade de ser flexível e resiliente. E é a capacidade não só para aprender; porque quando falamos de aprendizagem parece que estamos nos referindo ao conhecimento de português, matemática, história, física, filosofia…

Embora esses saberes sejam muito importantes, a capacidade de aprender a qual me refiro diz respeito ao conhecimento que temos para nos reinventarmos como profissionais, como pessoas… Capacidade para assumir novos papeis e até mudar de carreira mais de uma vez ao longo da vida.

Hoje, a aprendizagem constante já faz parte da vida. Mas se tornará ainda mais presente no mundo do trabalho. Por isso também é necessário desenvolver a resiliência – essa habilidade de lidar com momentos de dor, de dificuldade, de mudanças de forma serena, tranquila, sem esbravejar, sem reclamar.

Isso não é tarefa fácil. Ao longo do tempo, aprendemos que chegaria um momento da vida que faríamos um determinado curso – uma faculdade, uma pós-graduação ou mesmo um curso técnico – e teríamos uma profissão para a vida toda.

Essa segurança – a segurança da previsibilidade – está deixando de existir.

A educação contínua, para a vida toda, não diz respeito a treinamentos frequentes, cursos rápidos para situações específicas. Muito menos treinamentos motivacionais.

O novo papel que se cobra que as pessoas assumam é de preparar-se constantemente para o desconhecido. O mundo hoje se assemelha a uma montanha-russa. Não há tempo apreciar a paisagem. É necessário estar pronto para o desconhecido: uma grande queda, uma longa subida, uma curva acentuada… E, quem sabe, alguns breves períodos de calmaria.

Como ser um profissional indispensável com o advento da inteligência artificial?

A substituição de trabalhadores por máquinas é uma realidade há muitos anos. A indústria vivencia o fenômeno da automação desde meados do século 18. Entretanto, a criação dos computadores acelerou o processo.

Mais recentemente, com o desenvolvimento da inteligência artificial, estima-se que, nos próximos anos, milhões de postos de trabalho serão fechados.

Alguns falam em pelo menos 1 bilhão de vagas fechadas. Outros dizem que 3 em cada 10 empregos deixarão de existir. Seja como for, trata-se de uma realidade que se impõe e que deve fazer com que a gente se mexa e procure compreender que profissional vai sobreviver a isso tudo.

Muitas pessoas estão alheias. Acomodadas, diria. Noto, principalmente entre os jovens, que serão os mais afetados, certa displicência com a formação. Até valorizam a busca de um diploma, mas nem todos se importam com a busca de um conhecimento que poderá diferenciá-los no mercado.

E ser diferenciado é o que vai determinar a sobrevivência profissional. A inteligência artificial é capaz de pensar 5 mil vezes mais rápido que nós. Como competir com isso?

Não somos tão bons… Também falhamos na execução de tarefas. Já os robôs são precisos.

O diferencial humano está em habilidades que a inteligência artificial não possui. Por exemplo, a criatividade, a imaginação, a intuição, a inteligência emocional e a curiosidade.

Mas quem de nós hoje reúne essas habilidades?

Por exemplo, como anda nossa imaginação? Nós que já passamos dos 40 anos… Quando éramos crianças, um cabo de vassoura poderia se tornar um cavalo, com o qual brincávamos por horas.

Recordo que eu subia no tronco de uma mangueira e ali eu me tornava o comandante de uma grande nave espacial. Ficava sentado ali por horas… Quietinho. As viagens aconteciam na minha mente.

Isso se chama imaginação.

Robôs não podem imaginar. Robôs não são criativos. Robôs não possuem curiosidade. Nem inteligência emocional e intuição.

Porém, essas habilidades humanas não são desenvolvidas apenas com esforço repetitivo ou conteúdos das disciplinas básicas da escola. Nem mesmo com livros de autoajuda ou palestras de motivação.

Essas habilidades são desenvolvidas em experiências estéticas plenas. Precisamos da literatura, do cinema, das artes plásticas, da música… Necessitamos viajar… E, principalmente, ter tempo pra viver.

O estresse, as rotinas, o esgotamento mental, que se tenta compensar com happy hour ou a balada com os amigos, embotam nossa capacidade de pensar criatividade, imaginar, intuir… Tornam nossa curiosidade uma curiosidade restrita às fofocas dos amigos e silenciam a inteligência emocional.

Quem é o profissional do futuro?

Gosto de pensar neste assunto não necessariamente na perspectiva do pessoal que escreve sobre carreira, liderança… Esse pessoal que dá palestras pelo Brasil afora ou escreve no Linkedin.

Penso neste assunto observando os movimentos da sociedade, as novidades tecnológicas que se impõe a cada dia… E, principalmente, no surgimento de uma cultura fluída que tira toda estabilidade e rompe com as garantias que parecíamos ter no passado.

É indiscutível que o futuro é incerto. Mas há indicações de que o mercado se tornará cada vez mais seletivo e muita gente terá que se reinventar para conseguir uma oportunidade de trabalho.

Quem vai sobreviver a todas as mudanças?

Os especialistas indicam algumas características fundamentais. Todo trabalhador precisa ser também um empreendedor, alguém capaz de inovar – ou seja, fazer de forma diferente o que já faz.

É fundamental ter competência técnica em tecnologia. Gente que não consegue dialogar com as tecnologias, fazer uso delas de forma eficiente, dificilmente vai conseguir sobreviver.

Outra característica é a disposição para estudar as tendências do mercado. Não dá para viver alheio ao que está acontecendo… Muito menos ignorar como as mudanças tecnológicas, sociais e culturais afetam o mercado de trabalho.

O profissional do futuro é alguém capaz de duvidar de suas próprias convicções. É necessário estar sempre pensando e repensando suas práticas diárias e questionar se há maneiras de ser mais eficiente fazendo o que já faz. Ou seja, não há espaço confiar em suas crenças, achar que você está certo. Conheço gente que diz: “eu faço isso há 20 anos; sei o que estou fazendo?”. Sabe, isso é um risco muito grande. O certo de hoje pode estar errado amanhã.

Também é fundamental ser criativo. E aqui está um dos maiores dramas, na minha opinião. Só é criativo quem vive experiências para além das rotinas. Por exemplo, quem lê bons livros, assiste filmes, faz viagens, passeia no parque… Ou seja, vive experiências estéticas bastante ricas.

Difícil reunir todas essas características? Sim. Muito difícil. Mais ainda porque muita gente sofre de preguiça mental. Raramente estuda, raramente se questiona, raramente aceita viver experiências incômodas… Além disso, principalmente os mais jovens, querem apenas viver aquilo que dá prazer. O que é difícil, o que requer persistência, o que requer horas e horas de esforço, a leitura profunda tudo isso é descartado, porque é chato.

Pois é… O problema é que todas as características do profissional do futuro demandam força, energia e, principalmente, disposição para romper com todo e qualquer tipo de conforto pessoal.

32,9% dos trabalhadores brasileiros são autônomos: estratégia de sobrevivência

O Brasil aparece no ranking mundial como o terceiro país com maior número de trabalhadores autônomos. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, cerca de 32,9% da força de trabalho do país atua de forma autônoma.

Em países desenvolvidos como os Estados Unidos, França, Alemanha, Inglaterra… Esse modelo de ocupação pode significar coisas positivas – tipo: empreendedorismo, flexibilidade e qualidade de vida.

No caso do Brasil, significa “luta pela sobrevivência”.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, o trabalho autônomo, no Brasil, representa a tentativa das pessoas de se manterem ativas. Geralmente são trabalhadores desempregados em busca de alguma renda ou de gente que tenta complementar a renda.

E, por aqui, vou repetir: são 32,9% de trabalhadores atuando de forma autônoma. É muita gente.

Não é difícil compreender o cenário. No final de 2017, economistas e o governo brasileiro apostavam que seriam abertos 1 milhão de postos de trabalho neste ano. Hoje, acredita-se que 80% das vagas previstas não serão abertas. Apenas 200 mil empregos poderão ser criados.

Também não há perspectivas futuras. Estimava-se que o crescimento econômico pudesse chegar a 3% neste ano. Várias revisões já foram feitas e, hoje, a projeção de crescimento do PIB não passa de 1,5%.

A greve dos caminhoneiros, apoiada pela população, também contribuiu – e muito – para ampliar a crise do país. O Brasil produziu muito menos em maio, a inflação subiu e os prejuízos são bilionários – atingindo toda a população, mas principalmente a massa trabalhadora.

Tenho insistido em falar sobre essas questões, pois este é o Brasil real. O Brasil que precisa de respostas urgentes. Não apenas de discursos de efeito – moralistas, militaristas, mas vazios de propostas concretas.

Podcast da Band News. 

Cresce o número de idosos empregados, mas ainda são o menor grupo entre ocupados

O envelhecimento da população tem motivado, no Brasil, um fenômeno que já vem ocorrendo em países desenvolvidos: a presença cada vez maior de idosos no mercado de trabalho.

Ainda existem preconceitos e até mesmo dificuldade de conseguir um novo emprego quando se tem mais de 50, 55 anos. Porém, segundo o levantamento do Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, os trabalhadores mais idosos correspondem, atualmente, a 7,8% do total de pessoas ocupadas no país.

É fato que os idosos são o grupo com menor participação entre os trabalhadores que têm um emprego. Porém, em 2012, eles representavam apenas 6,3% da população empregada.

Conforme o Ipea, o comércio é o setor que mais tem absorvido os idosos, 17%; 15% estão na agricultura e 10% no setor de serviços relacionados à educação e saúde.

Outro dado interessante é o aumento do nível de escolaridade dos idosos empregados. Embora 67% deles tenham apenas o ensino fundamental incompleto, a fatia daqueles com escolaridade média ou superior cresceu de 20%, em 2012, para 25% em 2018.

Na prática, esses números apontam que a presença de idosos no mercado de trabalho será cada vez maior nos próximos anos. E isso também reforça a necessidade de se pensar políticas de valorização e cuidado com esse profissional.

Afinal, muitos idosos lutam pela manutenção de um emprego não necessariamente pela satisfação pessoal, mas por uma questão de sobrevivência. As dificuldades de se aposentar ou mesmo de uma renda digna nessa fase da vida, por vezes, os obrigam a buscar um trabalho – ainda que em condições pouco favoráveis.

Foto: Veja

Podcast da Band News

Fazer o que gosta

trabalho

Frequentemente digo aos meus filhos que escolham uma profissão que possa lhes proporcionar satisfação. Afinal, não existe nada mais desgastante que acordar angustiado por mais um dia de trabalho que se tem pela frente. Trabalhar com aquilo que a gente gosta não é uma teoria pra mim. Acho que mais vale sentir-se bem com o que a gente faz do que ter uma conta bancária recheada. Embora ter dinheiro faça muito bem, não acredito que a remuneração seja o fator determinante.

Hoje, por exemplo, encontrei no twitter uma declaração sugestiva:

– O ruim às vezes não é trabalhar cedo, é ir trabalhar.

Eu não sei o que esse sujeito faz. Não sei se está insatisfeito com o emprego ou apenas num dia ruim. Sei, porém, que trabalhar pode ser cansativo sim. Eu não acredito nessa coisa de que a gente vai sempre estar sorrindo, mas a humanidade ainda não criou outra coisa que faça nos sentir úteis. Produzir com competência faz bem pro ego.

Tem dias que a gente não está bem… Os resultados não aparecem. Entretanto, quem transforma a exceção numa regra e sempre lamenta acordar para começar mais um dia de trabalho provavelmente está no lugar errado. Não há dúvida que deveria procurar outra coisa pra fazer (Não digo que seja o caso do autor da frase…).

Não sentir prazer em começar mais um dia de atividades é ruim pra pessoa e é péssimo para a empresa. Com o tempo, o trabalho vira um peso, um fardo… Que desgasta e faz mal até para a autoestima. Já a empresa, sofre com a falta de motivação, comprometimento do colaborador e perde no atendimento ao cliente.

Pra mudar de emprego

mudar_de_emprego
Mudar de emprego é o sonho de muita gente. Recentemente uma pesquisa mostrou que cerca de 64% dos brasileiros gostariam de trabalhar noutra empresa. Os motivos são bastante conhecidos: salário, ambiente e chefe.

Penso que ganhar mais é o desejo de todo mundo. Entretanto, vários estudos já mostraram que um bom ambiente de trabalho, um chefe humano, motivador e capaz de reconhecer os talentos de seus colaboradores ajudam a segurar o profissional na empresa. Ele pode até não ganhar bem, mas se o ambiente for agradável, as pessoas com as quais trabalha forem legais… dificilmente vai pensar em trocar de emprego.

Entretanto, quem quer mudar precisa reunir algumas qualidades. Tem muita gente insatisfeita, mas que não reúne competência nem para ficar onde está. É incrível isso. O sujeito é um profissional medíocre, mas se acha a “última bolacha do pacote”. Reclama de tudo. Entretanto, não devolve quase nada para a empresa e ainda trata mal os clientes. Basta dar uma espiadinha no comércio… Não seria difícil ouvir da boca daqueles atendentes ridículos das lojas que querem mudar de emprego. Porém, raramente são capazes de nos receber bem. Se você fosse empregador, contrataria essas pessoas?

Costumo dizer que nós gerenciamos nossa carreira. Quem quer mudar de emprego, qualifica-se. E, além de qualificar-se, comporta-se como vencedor. Gente que reclama de tudo é gente que atrai o fracasso. Porém, agir como vencedor não é ser arrogante ou prepotente. É ser otimista, perseverante, ter metas realistas, reconhecer suas fragilidades e se esforçar para superá-las. Os mais jovens, principalmente, nem sempre têm a humildade de aceitar que precisam aprender. Querem atropelar as etapas da vida, ignorando que o conhecimento se forma também com a experiência e a maturidade.

Portanto, entre o desejo de mudar de emprego e efetivamente conquistar algo melhor existe certa distância. Mas que pode ser superada. Basta querer e ter disposição para pagar o preço.