Quem estimula o aprendizado é o professor

Quando o assunto é educação, não existem posições definitivas. Nem uma única forma de ensinar e/ou de aprender. Ser flexível, rever conceitos são atitudes fundamentais. Tanto ao pesquisador da educação quanto ao professor.

O educador também é um aluno. Por vezes, um aluno de seus alunos. Ouvir e aprender com eles é ser sábio. O professor não sabe tudo. Nunca saberá. Outras vezes, os sinais emitidos pelos alunos sugerem que é preciso rever a proposta pedagógica ou mesmo o jeito de ensinar. Manter-se fiel ao mesmos métodos, as mesmas fórmulas, é a receita do fracasso. Cada turma é única e aprende de um jeito muito particular.

Como pai de alunos, pesquisador da educação e professor, noto que alguns colegas ainda se incomodam com o desinteresse do aluno e o culpam por isso. Na tentativa de fazê-lo permanecer em sala e se envolver com o programa da disciplina, criam estratégias das mais variadas que tornam aquele espaço quase um quartel militar.

Recordo que quando comecei a dar aulas, era um desses professores dispostos a tudo pra manter o acadêmico em sala – ainda que não estivesse interessado em minhas aulas. Uns dois anos atrás, conversando com uma jovem, que havia sido uma das minhas alunas mais brilhantes, aprendi uma grande lição: a melhor maneira de fazer o acadêmico estar em sala é despertar nele o desejo pelo conhecimento que tenho a oferecer. O que eu digo, o que eu falo, o que eu ensino tem que fazer algum sentido. Eu tenho que oferecer algo que possa mexer com eles. Não é fazê-los rir. Professores não são humoristas. Porém, o encanto deve estar no conhecimento. O saber atrai.

Se o aluno percebe que o professor tem algo a oferecer e este saber pode lhe ser interessante, ele estará em sala. O conhecimento é o que deve estimular, não as ferramentas coercitivas.

Esta filosofia é transformadora. Por duas razões: reconheço minha responsabilidade em provocar o desejo pelo conhecimento ao mesmo tempo dou liberdade ao aluno de escolher se quer ou não aprender.

Admito, não é simples encarar os alunos e impactá-los. Mas confiar no que tenho para oferecer, ter domínio daquilo que vou ensinar me garantem autoridade para fazer com que cada aula seja especial.

A mudança de método me fez descobrir que o professor, ao demonstrar claro interesse em promover o conhecimento ao aluno, consegue aquilo que o docente preso aos esquematismos não consegue: salas cheias e alunos envolvidos.

O prazer maior diante de uma sala interessada, que não dorme durante a aula, é do próprio educador. Ganha o professor, ganham os alunos, já que estes descobrem que a aquisição do saber – ainda que seja um processo desgastante, cansativo – não deve ser por obrigação, mas por uma escolha consciente.

Como ter maior desempenho nos estudos?

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falei aqui que, entre outras coisas, ter foco, manter atenção integral ao tema estudado e estar bem descansado são hábitos importantes daqueles que desejam ter sucesso na escola (colégio, faculdade etc).

Pois é… Dormir bem é fundamental. Afinal, o cérebro precisa estar relaxado para que a criatividade seja ativada, para que os conceitos aprendidos façam algum sentido… Mas não basta apenas dormir pra descansar nosso cérebro.

Na verdade, como eu disse no outro texto, perder tempo é ganhar tempo. Quando a gente reserva um tempo pra descansar, todo o corpo funciona melhor. E a gente carece de alguma distração. Por isso, ficar sem fazer nada ou até jogar um pouco fazem um bem danado para o cérebro.

Pensar com clareza, memorizar, recordar, conectar idéias não são tarefas fáceis para o cérebro. É por isso que sentimos certo cansaço quando estudamos. Essas atividades consomem muita energia. E isso a gente conquista com boa alimentação. Não comemos apenas por fome (pelo menos, não deveria ser assim). A necessidade maior é mental. Existem vitaminas e minerais que interferem diretamente na concentração, na memória, no rendimento intelectual e até no estado de ânimo (uma pesquisa básica no Google ajuda a identificar os alimentos que deixam nosso cérebro “turbinado”).

Pra funcionar bem, nosso cérebro também precisa de oxigênio. E a melhor maneira de oxigená-lo é por meio da prática de atividades físicas. Os exercícios ativam os neurônios, promovem novas conexões neurais. E, com isso, há uma sensível melhora das habilidades cognitivas. Quando a atividade física é valorizada, aprende-se mais rápido, a cabeça funciona melhor – recorda com mais facilidade, pensa de forma mais clara. E há outros benefícios: em caso de acidente vascular cerebral, a recuperação ocorre em menor tempo, há menos probabilidade de desenvolver depressão e outras disfunções cognitivas, principalmente aquelas relacionadas à idade.

PS- As emoções também afetam o aprendizado. E sobre isso escrevi aqui.

Quem incentiva um filho a ser professor?

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Dias atrás publiquei aqui que existe dinheiro para educação; porém, gasta-se mal. Hoje, enquanto lia a Folha, encontrei essa informação:

– Fora da lei, 11 capitais negam tempo livre a professores

A legislação nacional garante 33% de tempo livre para o preparo de aulas, correção de provas, trabalhos etc. Mas não é apenas a chamada “hora-atividade” que é atropelada pelos gestores municipais. Macapá, por exemplo, sequer paga o piso mínimo, R$ 1.567 no ensino fundamental e médio/por horas semanais. Ou seja, das 27 capitais, 12 não cumprem a lei.

Bom, estamos falando aqui das capitais. Se o quadro fosse ampliado – incluíssemos estados brasileiros (que contratam educadores para as redes estaduais) e os demais municípios do país -, chegaríamos a números assustadores. Basta notar que, em março deste ano, nove estados descumpriam a lei.

A crise na educação brasileira passa pelo desrespeito dos gestores a essa categoria profissional. Os professores têm salários baixos e condições mínimas para o preparo das aulas e atendimento aos alunos.

Diante do quadro, a qualidade de quem está na sala, de quem deveria ensinar nossos filhos, é bastante questionável. Gente que poderia estar na educação prefere outras áreas – mais rentáveis e respeitadas socialmente. Convenhamos, como é visto o professor hoje? Quase como um coitado.

A gente diz:

– Eu sou professor.

O outro olha e comenta?

– Professor? Hummm…

A expressão de menosprezo está ali, latente.

Se um garoto, uma garota revela que vai escolher a docência como profissão, a reação é a mesma, acompanhada de algum outro comentário do tipo:

– Professor? Mas tem tantas outras profissões melhor remuneradas.

Quem incentiva um filho a ser professor? Quem se sente motivado a passar quatro, cinco anos numa faculdade para, após formado, brigar por um emprego, começar com renda quase sempre inferior a mil reais e nem ter tempo para preparar aulas? Sem contar que pouca gente o respeitará – inclusive os próprios alunos…

As condições atuais de trabalho levaram o professor a desenvolver a “síndrome de coitadinho”. De fora, ninguém o respeita; e quem está dentro, se acha patinho feio. A combinação é péssima. E o resultado está nos indicadores da educação: nossa molecada não sabe ler nem escrever; muito menos domina a matemática.

A qualidade que tanto se deseja no ensino e na aprendizagem só pode ser conseguida com bons educadores. E isso tem tudo a ver com gente. Gente preparada, disposta, motivada. Gente que ama a profissão, mas que, mais que amor pela sala de aula, sente-se respeitado. Gente que sabe que tem uma carreira, que não fez a escolha pela docência como última opção.

Seu professor é generoso?

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Faz alguns dias que uma amiga me marcou no Facebook para ver uma palestra sobre como inovar em educação. Ouvi algo que me tocou profundamente.

Não tem como ser professor sem ser completamente generoso.

A frase é de Gustavo Reis, um professor de Matemática genial, hoje, reconhecido por seu talento e capacidade de transformar informação em conhecimento.

Bom, não vou ficar aqui apresentando quem é o Gustavo. Quero apenas compartilhar minha reflexão a partir dessa frase dele.

Sou professor, como a maioria dos leitores já sabe. E sou apaixonado pelo que faço.  Antes de ser qualquer coisa na vida, e até mesmo saber o valor econômico das coisas, já queria ser professor. Então, não fui para sala de aula visando completar minha renda familiar. Claro, o que ganho é importante pra mim. Mas nunca foi pelo dinheiro. 

Mas… e o que isso tem a ver com generosidade?

Fui dar uma olhadela no dicionário. Generosidade tem a ver com ser bondoso, é uma qualidade das pessoas dispostas a se doarem. Descobri também que é generoso quem é altruística, quem é capaz de fazer algo sem esperar nada em troca, quem sabe renunciar. Mas, na educação, generosidade é mais que isso. É generoso quem tem prazer de ensinar, oferece seu conhecimento como um ato de amor pelo outro. De maneira despretensiosa, compartilha algo seu a uma outra pessoa.

Fiquei pensando… quantos professores são assim?

Olho pra muitos que se orgulham de seus títulos e inúmeras publicações e vejo tudo, inclusive conhecimento, mas não sei se encontro generosidade na maioria deles. E, sabe, não é mesmo fácil ensinar. Hoje, se o professor levar para a sala de aula um vídeo bem produzido e mostrar para seus alunos, depois de cinco minutos, apenas 9% deles ainda estarão prestando atenção.

Isso torna a vida do professor ainda mais difícil. Por isso, é fácil olhar para o aluno e transferir para ele a responsabilidade de desejar o saber. Acontece que para a moçada as coisas precisam fazer sentido. Funciona assim com todos nós. Quando a gente olha algo novo, diferente, a gente só se interessa por aquilo se perceber que tem a ver com a gente, que pode fazer sentido pra gente.

Quem é generoso entende isso. E compartilha o seu saber. Não porque o outro pediu. Mas… de graça, como um ato de bondade, de amor. E, como disse o Gustavo Reis, a generosidade provoca gratidão. Nesse ciclo, generosidade e gratidão geram inspiração. Ou seja, outras pessoas são inspiradas a buscar o saber e, ao mesmo tempo, a desejar repartir o saber. 

Isso é inovar em educação. Não adianta tecnologia, maiores salários… nada disso. Essas coisas são importantes. A tecnologia, como instrumento para o professor. O salário, como reconhecimento. Entretanto, essas coisas não inspiram, não motivam a busca pelo conhecimento. É o professor, o sujeito quem desperta o desejo pelo saber.

Quando você lembra de seus professores, quantos consideraria generosos?