Tecnologias não melhoram aprendizado; envolvimento dos pais é mais eficaz

Segundo a OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a busca por ampliar as tecnologias em sala de aula tem trazido resultados. Pelo menos do ponto de vista quantitativo. Estudos mostram maior uso de computadores e tecnologias da informação e comunicação em sala de aula.

Fora da escola, as tecnologias estão presentes na vida da garotada. As tecnologias digitais são comuns entre crianças e adolescentes.

Isso influencia de forma significativa o sistema de aprendizado. Atualmente, as crianças e adolescentes aprendem cada vez mais fora dos campos formais. Ou seja, se antes o processo educativo se dava basicamente em casa e na escola, hoje, a internet, os jogos e outros dispositivos contribuem na produção de saberes.

Pesquisas também revelam que não há nada que chame mais a atenção desse público do que as telas. A garotada está o tempo todo conectada.

Esses aspectos indicam a necessidade de uma grande capacidade crítica. Afinal, os impactos são amplos e variados. Se crianças e adolescentes aprendem cada vez mais fora dos campos formais, o que efetivamente aprendem?

Já na escola, até que ponto o uso de computadores e tecnologias da informação e comunicação contribuem efetivamente para o aprendizado?

Pesquisas mostram que as tecnologias, por elas mesmas, não são suficientes para assegurar qualidade na formação. Ter tecnologias em sala não muda a educação. Por isso, é necessário evitar falsas promessas pedagógicas.

Os dispositivos digitais podem ser ferramentas para o ensino. Mas, sozinhas, não fazem nada.

Crianças e adolescentes não dispõem de todas as habilidades necessárias para lidar com as informações e transformá-las em conhecimentos. Os adolescentes possuem autonomia para selecionar conteúdos úteis que estão disponíveis na rede, mas nem sempre sabem reconhecer o que é relevante e o que é descartável.

De acordo com a OCDE, a boa relação entre pais e escola ainda é o que garante o principal impacto positivo no desenvolvimento do aluno. Pais que se interessam pela rotina escolar, pelo que os filhos estão aprendendo, ajudam-os a se desenvolverem. Quando trabalham de maneira consensual, o aprendizado é mais eficaz.

O único cuidado é para que o envolvimento não seja obsessivo, pois isso é contraproducente.

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Avaliando os filhos

crianca

É quase impossível pensar nos filhos e não pensar no desempenho deles na escola. Entretanto, até que ponto é justo avaliá-los pelo que eles fazem ou deixam de fazer em sala de aula?

Dias atrás, conversei sobre esse tema com a Adriana Furlan no CBN Comportamento (dá pra ouvir aqui).

Se estão em período escolar, é quase natural a gente usar as notas para falar dos filhos. Alguém pergunta:

– E daí, como está sua filha? E o seu menino?

Eu mesmo já fiz isso várias vezes. Escuto a pergunta e vou logo falando de como eles estão na escola. Parece que generosidade, gentileza, simplicidade deles não são importantes. 

Ou seja, a gente passa a referenciar as qualidades de nossas crianças pelo que fazem em sala. Se são alunos de desempenho questionável, todas as outras qualidades são esquecidas. É como se mais nada importasse. Nossos filhos são medidos pela nota que tiram em matemática, português, geografia…

Sabe, por mais que a escola seja fundamental, as crianças não são apenas alunos. São mais que isso. São pessoas. Possuem sentimentos, emoções… personalidade, caráter. E isso conta bem mais que uma nota 5 no boletim. Reconheço que é difícil lembrar disso quando o boletim é um festival de nota vermelha. Porém, bondade, fidelidade, verdade, mansidão, humildade, altruísmo e outras tantas qualidades deveriam ser lembradas – e ressaltadas – pelos pais. São essas características que os tornam pessoas de bem. Quando a gente ignora isso, só contribui para torná-los competitivos, mas não contribui em nada para formar gente de bom coração.