Eu não gosto de esperar…

E acho que a maioria das pessoas também tem essa dificuldade.

A espera é sempre angustiante. Gera ansiedade por se tratar de um momento vazio – pelo menos é essa a sensação que temos… Trata-se de um espaço que antecede algo que a gente espera que aconteça.

Ainda que o acontecimento esperado seja ruim, não desejado e queiramos evitá-lo, até mesmo nessas ocasiões, a expectativa anterior produz ansiedade, negatividade, irritação.

Entretanto, por mais que a gente não aprecie a espera, não há como fugir dela. Sempre existirão acontecimentos a serem aguardados. Sempre existirão situações que te levam a ter de aguardar – seja o atendimento bancário ou a filha que não terminou de se arrumar pra sair.

Por não ter como fugir da espera, é necessário aprender a lidar com ela.

Essas esperas do cotidiano podem ser preenchidas por atividades úteis. Enquanto espera-se por alguém, é possível responder mensagens no celular, agendar compromissos, ler algumas notícias e, talvez, até algumas páginas de um bom livro.

A espera pelos acontecimentos importantes, que podem mudar o curso de nossa história – seja uma promoção, o resultado de um concurso, a conclusão de um curso, o nascimento de um filho ou até a esperada morte de uma pessoa querida… Esse tipo de espera não dá para simplesmente ser preenchida por atividades do cotidiano. Essa espera precisa ser trabalhada em nós, num processo inclusive de aceitação.

Alguns dos acontecimentos fazem parte do curso da vida. Outros tantos sequer podem ser controlados. Também não temos ideia prévia do quanto nos afetarão.

Por isso, a espera envolve aceitação. Aceitar que alguns acontecimentos vão sim nos impactar. Aceitar que não temos poder sobre esse tempo vazio em que aguardamos. E principalmente compreender que enquanto esperamos a vida segue… E só nos resta tentar vivê-la da melhor forma possível.

No sofrimento, queremos mais que frases feitas; queremos ser acolhidos, aceitos

Não sei se já aconteceu com você, mas nada incomoda mais que, quando a gente está sofrendo, encontrar alguém que tenta nos consolar e usa aquelas frases feitas:
– Isto não é nada; vai passar.
– Ah… eu já passei por uma situação como essa.

Ou ainda:
– Você vai ficar bem. Fica tranqüilo.
– Não fica triste. Essas coisas sempre acontecem. É normal.

É verdade: sofrer é normal. Conflitos fazem parte da vida. Todos passamos por crises. Tristeza é um estado de espírito – como é a alegria. E ninguém está isento de problemas. Também é verdade que, quando superamos a dor, aos poucos, percebemos que sempre há vida depois do sofrimento. Inclusive, notamos que ganhamos experiência, crescemos. Entretanto, quando sofremos, nada disso, nenhuma dessas vivências ou frases fazem sentido.

Por isso mesmo, já disse aqui que não sei muito lidar com gente que está sofrendo. Não sei como agir. Gente que sofre precisa de muito mais que discursos prontos. Essas frases só fazem quem sofre sentir-se desprezado. É como se o outro minimizasse sua dor. Não a compreendesse.

Não existe nada pior que, quando se está sofrendo, ouvir: “isto não é nada” ou “eu já passei por isso”. Tem-se a impressão que sua dor não está sendo sendo levada a sério. É como se aquela pessoa estivesse te sugerindo pra esquecer a sua dor, como se ela fosse banal.

Nessas horas, quem sofre não se sente compreendido, acolhido, respeitado.
Na verdade, quem está fora do problema, consciente ou inconscientemente, não quer se envolver. Quer o outro bem, mas não está com disposição pra ficar ali o tempo que for necessário, abraçar, ouvir e chorar junto. O que se quer é que o sofrimento do outro passe logo, pois o amigo não se sente à vontade para dividir emoções negativas.

Algumas poucas pessoas parecem ter uma espécie de dom para ajudar nas horas em que o coração sangra. A maioria tem medo de ouvir, não quer se envolver. E, sabe, isso é humano. É nosso. Entretanto, se a gente se importa com o outro, vale fazer um esforço para ir além de simplesmente querer tranqüilizar. Mas nessas horas não vale fingir… Ajudar é aceitar. É experimentar. É ouvir sem reservas. É, antes de tudo, não minimizar a dor alheia.

A dor da espera


Queria conhecer alguém que gosta de esperar. Sim… esperar. Ficar ali, paradinho, aguardando… E fazer isso numa boa. Sem estresse. Divertir-se com o tic-tac do relógio e o vazio do tempo perdido.

Não sei se essa pessoa existe. Talvez sim. Afinal, como dizem, tem gosto – e gente – pra tudo.

Entretanto, a mais dolorosa espera não é essa da fila do supermercado, do banco… Nem do livro ou filme ansiosamente desejados, comprados, mas que não chega. A mais difícil é a do amor que não chega, do relacionamento que não se define, do sim por vezes adiado. Uma espera alimentada pela esperança, mas que queima a alma e corrói a paz pela dúvida, insegurança e medo.

Esperar é olhar para o horizonte. É ficar na janela horas a fio. É olhar para o telefone, dizer alô e perceber foi ilusão. É colocar a cabeça no travesseiro e saber que o sono não vem… É a constante angustia por palavras de um futuro bom.

Quem espera, sonha com um final feliz. Deseja concretizar suas vontades. Espera, pois sabe que não tem controle do outro e nem pode interferir em seu destino. É um constante bater à porta sem ter acesso à casa, já que não se possui a chave.

Nem todos estão dispostos. Nem todos sabem esperar. Alguns tentam forçar “a porta”. Outros, simplesmente desistem. Contudo, há aqueles que persistem. Sofrem com os minutos que se arrastam, com os dias carentes de vida, mas seguem ali movidos por uma força maior… Parecem loucos. Não são. Apenas amam. E amar é esvaziar-se de si para se deixar ser preenchido pelo outro.

Ocupado demais…

Estava dando uma olhadela em um dos meus blogs anteriores e parei no texto abaixo… Acho que ele continua muito atual – pelo menos pra mim.

Li há pouco no blog de Liliane Prata sobre como é frustrante falar com pessoas ocupadas. Ela tem toda razão. O problema é quando essa pessoa ocupada é você. Na loucura do dia-a-dia, poucas vezes nos damos conta dos estragos que causamos por causa de nossa falta de tempo.

Todos os dias, há pessoas que nos procuram – por um motivo ou outro. Às vezes, querem coisas muito simples – um minuto apenas para conversar, para perguntar alguma coisa. Se você está ocupado demais, por mais que tente ser gentil, simpático etc certamente não vai atender quem precisa de você com a atenção que ela merece.

Sinceramente, não sei qual a impressão que tenho causado nas pessoas, mas tenho deixado muita gente na “lista espera”. Algumas são pessoas queridas que têm um significado especial para mim; outras, nem tanto – mas que também deveriam merecer meu respeito e serem ouvidas.

Embora tenha falado alto demais com meus botões sobre o tema, acho que a reflexão também serve pra você. Vale pensar hoje sob a perspectiva do outro e tentar entender como é frustrante tentar conversar com alguém que está ocupado demais…