A solidão e sofrimento dos pesquisadores

Enquanto observava alguns dados sobre a distribuição de doutores nas diferentes regiões do país, fiquei pensando sobre o quanto é desgastante dedicar-se à ciência. Quem está de fora, quase sempre não consegue ter ideia do que significa o percurso até a conquista do título de mestre e/ou doutor. Talvez por isso haja certa desvalorização do trabalho realizado.

Além das horas dedicadas à produção de um estudo com profundidade, são meses e meses dedicados às leituras, à escrita de pesquisas menores (comunicações, artigos, resenhas etc). Ainda têm as disciplinas, os grupos de estudos, os eventos, viagens… E tudo isso sob muita pressão. Os programas de mestrado e doutorado são avaliados pelo volume de produção. Não basta, portanto, entregar uma dissertação, uma tese ao final de dois, três ou quatro anos.

E esse percurso é muito solitário. No período de faculdade, você convive por alguns anos com a mesma turma. Existem conflitos, brigas, mas também empatia, cumplicidade… Pessoas se tornam amigas, frequentam sua casa, dividem tarefas… Na pós, os encontros são pontuais. Ainda que possamos desenvolver amizades, há pouco espaço para colaboração. Quase sempre a caminhada é sozinha – você, seus livros, seu computador. Os colegas também estão imersos em suas pesquisas. Cada um tem seu orientador, tem sua própria pesquisa, seus próprios prazos. Vivem angústias semelhantes. Porém, com tempo escasso e até pelo ambiente competitivo, ninguém tem condição de dizer “calma aí, vou fazer essa parte para você!”.

A família e os amigos, que não conhecem esse universo, geralmente pouco ajudam. E nem reúnem condições para isso. Frequentemente, não conseguem entender sua irritação, cansaço, estresse e muito menos por que você passa tantas horas lendo, consultando textos ou em frente ao computador. Falta tempo e disposição para um cineminha, barzinho… Lidar com o sono atrasado é parte da rotina.

É nesse ambiente que, silenciosamente, sofrem.  Uma pesquisa divulgada recentemente mostrou que 89% dos estudantes apresentavam sintomas de ansiedade, 64% de angústia, 63% de desânimo e 61% estavam com dificuldades de concentração. Há relatos de mudanças no apetite (muita gente engorda, outras emagrecem), vários casos de depressão… Adoecer durante os anos da pós é bastante comum – embora o assunto seja tabu nos programas de mestrado e doutorado.

Particularmente, não lido com isso de maneira muito diferente dos colegas. Por ter que conciliar trabalho, família e doutorado, por vezes, sinto o desgaste. Gosto, porém, dos eventos científicos justamente por trazerem certo fôlego nesse percurso tão complexo. Neles, a gente encontra outras pessoas que estão em condições muito semelhantes e ainda assim seguem produzindo. Ver todo mundo tentando fazer ciência, de maneira séria, renova os ânimos, faz com que voltemos para casa com vontade de estudar um pouco mais, discutir outros assuntos, propor outras reflexões… E faz até acreditar que isso tudo tem alguma coisa de divertido.

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Nenhum sucesso compensa um amor perdido

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A correria do dia a dia tem levado muita gente a sofrer com o estresse. E o estresse pode desencadear uma série de outros problemas. Inclusive no relacionamento. Gente estressada briga mais com o parceiro… E gente que vive conflitos no relacionamento está a um passo da separação.

O estresse no dia a dia nos engole. Levar os filhos ao colégio, os atrasos provocados pelo trânsito… As coisas que os filhos deixam fora do lugar em casa. A mãe do namorado que está sempre interferindo… A quantidade de trabalhos da faculdade… O chefe que cobra o cumprimento das metas e, direta ou indiretamente, ameaça cortes da equipe… É, não faltam motivos para viver estressado.

E são tantos problemas que, ao final do dia, faltam forças, falta disposição até para falar de maneira afetuosa com a pessoa amada. Em algumas situações, o estresse é tanto que, mesmo tendo se controlar, a pessoa só consegue dialogar por meio de perguntas e respostas vazias. A paixão, as sensações boas, os sentimentos agradáveis, o desejo de estar junto se silencia e o outro parece ser um intruso, alguém que é incapaz de entender o esgotamento alheio.

Se o estresse se torna a realidade diária do casal, com o tempo, os parceiros se distanciam tanto que mal se reconhecem. No pior dos casos, o estresse os separa.

O diretor da Clínica Universitária da Universidad de Navarra, Espanha, Adrián Cano, afirma que a quantidade de elementos estressores na vida diária das pessoas tem causado mal estar entre os casais e prejudicado as famílias. “Os matrimônios acabam muitas vezes em divórcio”.

E para quem é casado, o estresse também pode motivar outras emoções negativas. A culpa é uma delas. Pois homens e mulheres que não conseguem dar atenção aos parceiros e aos filhos acabam se cobrando por isso.

Sabe, é fato que a necessidade de viver bem, de consumir, impõe um modo de vida bastante estressante. Também é verdade que a falta de dinheiro é outro motivo de estresse e de desgaste nos relacionamentos. Entretanto, os especialistas apontam que quanto menos tempo dedicamos às pessoas que amamos, mais somos afetados pelo estresse.

Portanto, vale a pena repensar o modo de vida. Nenhum sucesso compensa um amor perdido.

O estresse das mulheres

Somos nós, homens. Nós somos os culpados.

Falando sério… As mulheres estão estressadas. Pelo 67% das brasileiras. É o que diz uma pesquisa internacional. O índice coloca nossas mulheres na quarta posição do ranking de estresse.

O estresse das mulheres não é novidade. Novidade seria não estarem estressadas. Elas estão. Nós, homens, estamos.

Vive-se um momento novo. As mulheres são exigidas dentro e fora de casa. Desdobram-se em funções distintas. São esposas, mães, estudantes, profissionais etc etc. Se optam por cuidar da casa e dos filhos, são cobradas por não terem um profissão. E ainda que saibam bem lidar com isso, sofrem outras cobranças. Precisam estar belas, bonitas, gostosas.

Se fazem a opção por trabalhar, mas não vivenciam o dia a dia dos filhos, são taxadas como mães que abandonam a educação das crianças; e culpadas por tudo que acontece de errado com os pequenos. Se abrem mão da maternidade, são vistas como mulheres pela metade, pois não viveram a experiência maior da concepção.

Loucura, não?

Com o homem não é muito diferente. Ele já não é o provedor. É mais que isso. E também precisa saber se vestir, cuidar de casa, dos filhos, ser gentil e preocupar-se não apenas com seu prazer. Para uma sociedade machista, pode apostar: poucos sabem lidar com o seu papel. E ainda concorrem com elas no mercado de trabalho – sendo que as mulheres ampliam seus espaços porque ganham menos e têm habilidades que eles não têm.

Cá com meus botões, entendo que vamos conviver com o estresse. Não há volta. As exigências são e serão cada vez maiores. É necessário saber lidar com a pressão e divertir-se com essa rotina que nos consome. Quem é responsável, organizado, mas ao mesmo tempo consegue admitir os erros, pede desculpas, ri de si mesmo, é tolerante consigo e com os outros, é capaz de dar conta desse novo momento – sem ficar doente e sem deixar os outros doentes.

As revistas da semana

VEJA: – A pesca dos indecisos no horário político da TV. A revista desta semana traz reportagem especial sobre o início do horário eleitoral e as estratégias dos marqueteiros para a conquista dos eleitores indecisos. Ainda na edição desta semana, a polêmica sobre a doença do ministro Joaquim Barbosa; pesquisa revela a posição da garotada em relação ao consumo e uma entrevista com o narrador da Rede Globo, Galvão Bueno.

ÉPOCA: – O passado de Dilma. Documentos inéditos revelam uma história que ela não gosta de lembrar: seu papel na luta armada contra o regime militar. Sobrou dinheiro e faltou educação: fundação ligada à Igreja Renascer é acusada de desviar R$ 2 milhões que deveriam ter sido. Também na edição desta semana uma reportagem sobre a escolha do cachorro ideal. Para que a relação dê certo, a raça do cachorro deve corresponder ao estilo de vida do dono. A polêmica das plantas. Em nova série de TV, Drauzio Varella investiga os riscos dos fitoterápicos e das ervas medicinais.

ISTO É: – Estresse engorda. A ciência descobre que as mudanças no organismo causadas pela tensão diária levam ao ganho de peso. Quem é e como agia o engenheiro Paulo Vieira de Souza, acusado por líderes do PSDB de ter arrecadado dinheiro de empresários em nome do partido e não entregá-lo para o caixa da campanha. As outras vítimas de Antonio Marcos Pimenta Neves. Pais de Sandra Gomide, assassinada pelo jornalista e ex-namorado há dez anos, perderam a saúde, o dinheiro e estão destroçados emocionalmente.

CARTA CAPITAL: – 80 anos de inteligência. Mais importante economista do Brasil, Maria da Conceição Tavares fala de seus heróis e dos governos FHC e Lula. Processo eleitoral rígido. Legislação brasileira é a mais restritiva e limita o exercício da democracia. E ainda, concurso de misses testa a paciência de uma noiva ciumenta logo após o casamento.

Duas dicas para emagrecer…

A primeira delas, comer chocolate. Isso mesmo. Uma empresa espanhola criou um novo bombom. O produto age como inibidor de apetite. Um ou dois bombons seriam suficientes para criar sensação de saciedade. Os bombons estarão nas prateleiras ainda antes da Páscoa. Não no Brasil. Só na Espanha.

Segunda dica: mais que fazer dieta, quem quer emagrecer precisa relaxar. Não no sentido que fazer – ou comer – tudo que se quer. Evitar o estresse, com técnicas de relaxamento, pode ser mais eficaz que dietas. É o que aponta um estudo da Universidade de Otago, na Nova Zelândia.

Mulherada estressada…

Uma pesquisa nacional apontou que a trabalhadora brasileira é mais estressada que o homem. Cerca de 51% delas sofrem com o estresse; o índice entre eles é de 28%. As mulheres também são mais sedentárias. Cerca de 72% não praticam exercícios físicos. Os homens, quase 58%.

Brincadeirinha – Recado aos maridos: se a sua mulher é estressada, não adianta pensar em trocá-la por outra. O bom humor de hoje pode ser propaganda enganosa.