Fantástico, Facebook e ingenuidade(?)

Não sei se é por ignorância, ingenuidade… sei lá. Sei apenas que me irrito profundamente quando vejo certas coisas na rede. A última é uma mensagem que circula no Facebook repercutindo uma reportagem do Fantástico. Deixa eu reproduzir aqui:

Quem assistiu o Fantástico ontem (domingo, 21/10) sabe da falta de proteção no Facebook.

Com as mudanças do Face, agora todos ficam sabendo de coisas de gente que nem estão nos nossos contatos, só porque um contato faz um comentário ou “curte” algo de alguém.

Então peço a gentileza de:

(1) Aqui mesmo, logo acima, posicione o mouse sobre a minha foto (sem clicar).

(2) Espere até aparecer uma janel
a e posicione o mouse sobre o ícone “Amigos
…” (também sem clicar), depois

(3) Desça até “Configurações” e aí sim clique. Vai aparecer uma lista:

(4) Clique em “Comentários e opções Curtir” desmarcar esta opção.

Assim minhas atividades ficarão restritas aos meus amigos e familiares, não se tornarão domínio público.

Quando vi essa publicação no perfil de uma amiga, mandei um recado e, completei:

– Toda vez que encontro esse tipo de publicação na página de algum aluno ou ex-aluno, tenho vontade de bater. Esqueceram das minhas aulas?

Vamos por partes. Primeiro, provavelmente quem compartilhou esse conteúdo não viu a reportagem do Fantástico. A matéria mostra o quanto perdemos a privacidade. Mas não é por uma mudança no Facebook. O Facebook não mudou. É o mesmo. Igualzinho. E as configurações de segurança também.

A ausência de cuidados com aquilo que publicamos é que tornam nossos dados públicos, visíveis inclusive para estranhos. E sobre isso não precisávamos assistir a reportagem do Fantástico. Trata-se de um assunto recorrente em blogs, sites e páginas especializadas em redes sociais. Aqui mesmo já publiquei vários textos a respeito do tema.

Segunda questão, não é preciso ser um especialista pra ver o quão imbecil é esta mensagem que circula na rede. Quando a pessoa pede pro outro mudar a configuração de amizade, na verdade, está entregando a sua privacidade nas mãos do “amigo”. É como se você fosse pro quarto namorar e desse a chave pra um colega pedindo: “mantém a porta fechada pra mim?”. Caríssimos, quem tem que fechar somos nós. Não o outro. E é simples demais fazer isso: basta entrar nas configurações – privacidade e segurança – e controlar o que você quer que seja visto no seu perfil. E por quem.

Pelamordedeus!!! Se não sabe configurar o seu Facebook, não sabe controlar sua privacidade na rede, feche a conta. Pelo menos, não vai ficar exposto.

Terceiro ponto. Vamos nos informar direito – antes de compartilhar e antes de usar algo. A gente repete coisas na internet sem saber o que estamos falando. Vamos checar, confirmar, entender primeiro. E não é possível admitir que façamos uso de serviços, estejamos nas redes sociais, sem saber como usá-las e as consequências disso. É um absurdo como algumas pessoas se expõem. Gente que sequer faz parte da lista de amigos tem acesso a fotos de desconhecidos na praia, na piscina, na balada… fotos de lingerie diante do espelho. Para tudo, né?

A pessoa publica o nome de familiares, endereço, os locais para onde viaja, onde almoça… com quem saiu, com quem ficou… Uma loucura! E depois se assusta com a reportagem do Fantástico. Pior, mantém-se ignorante achando que os amigos é que devem reconfigurar seu status. Socorro, viu!?

PS- Ah… aperte o botãozinho do mouse no link e veja a reportagem. Vale a pena.

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Xuxa: tudo por dinheiro?

Tenho uma coluna semanal na Rede Novo Tempo. Hoje, a jornalista e apresentadora Bianca Oliveira, do Conexão NT, programa de alcance nacional e transmitido para todas emissoras do grupo, optou por falarmos sobre o tema do momento: o depoimento de Xuxa ao Fantástico. Para isso, usamos como base a discussão que propus aqui no blog.

Entre um questionamento e outro, a Bianca quis saber:

– Você acha então que ela não fez isso pra se aparecer?

Eu havia dito isso no post. E, por isso, gostei da pergunta. Tem muita gente insistindo nessa bobagem: a apresentadora teria feito para projetar-se, para vender mais discos, licenciar novos produtos. Enfim, encher os cofres.

Gente, para tudo, né? É muita ignorância. É pensar pequeno demais. Querem falar da entrevista como um todo? Ok, falem. Mas uma coisa é a entrevista, outra é a admissão de que foi abusada sexualmente.

Xuxa não precisa disto para aparecer. Não ganha com um depoimento como aquele (e ainda que ganhasse, é ser muito medíocre expor-se de tal forma para acrescentar algo num capital já milionário). Na verdade, a apresentadora foi até ingênua. Basta notar a fala sobre o “pedido de casamento” de Michael Jackson. Ridículo.

É verdade que não faltam pseudo-celebridades criando factoides para ganhar uma notinha na imprensa. É verdade que flagrantes e fotos são armados por gente que carece de espaço na mídia. Faz parte do jogo de encenação. O “famoso” cria o fato, o público consome.

Mas há diferença neste caso. A apresentadora expôs sua intimidade. Foi quase uma sessão psicoterápica, mas só que o divã era a câmera e, o terapeuta, o público brasileiro. Ela falou pelas causas que acredita. Aceitou ser julgada. Não apresentou nenhuma solução para esses grave problema. Porém, esse nem era o papel dela.

Caríssimos, a “rainha dos baixinhos” não precisa desse de mídia. É uma mulher milionária, rica, famosa, disputada pelas marcas para anúncios. Teria e tem espaço para mostrar-se em qualquer veículo de comunicação do país. Sua aparição é um evento por si só. Sua menor visibilidade, na verdade, ocorre por opção da própria apresentadora, que está mais madura.

E, desculpem-me, se frustro a expectativa de alguns leitores. Não faço uma defesa da Xuxa. Faço uma defesa da razão, do bom senso. Não aprecio o trabalho da Xuxa (que o diga o Kauê, meu ex-aluno, ex-orientando e fã incondicional da apresentadora). Sustento que, quando era dona das manhãs da Globo, ela prestou um desserviço à população brasileira, influenciando uma geração inteira de baixinhos – hoje, adultos.

Xuxa rompeu com parte da inocência na infância. A vaidade entre as crianças, o despertar precoce da sexualidade têm participação dela. E isto é evidenciado em pesquisas científicas. É sabido que o consumo de representações e objetos sexualizados/sexualizantes conduz à erotização das crianças. A apresentadora contribuiu com isso quando estava na tevê e por deixar essa “herança” aos seus sucessores – na Globo e noutros canais.

Porém, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Todo mundo tem direito de não gostar dela. Criticá-la, inclusive pelo filme pornográfico que fez no final da adolescência. Outra bem diferente é ser incapaz de ler criticamente os fatos, ver tudo de maneira rasa, superficial. Nem que está aqui dizendo que a entrevista no Fantástico não poderia ser interessante pra imagem dela. Estamos dizendo que admitir o abuso sexual não acrescenta nada. Apenas humaniza sua imagem, tira a “rainha” do pedestal. Nada mais.

E… podemos passar pro próximo tema?

O que a Xuxa não disse

O Brasil amanheceu comovido nesta segunda-feira. O depoimento de Xuxa ao Fantástico deu ao programa recorde de audiência e sensibilizou muita gente. Em qualquer página da web, encontramos algum tipo comentário sobre a entrevista. Claro, o assunto que mais tocou o público foi o fato de a apresentadora global ter sido vítima de abuso sexual na infância e na adolescência.

Semelhante a todos que gostam de Xuxa, ou têm o mínimo de humanidade, também fiquei triste pelo drama vivido pela ex-modelo. A violência sofrida, como ela admite, está gravada na memória e ainda a influência, atingindo principalmente sua autoestima.

Entretanto, não vou discutir o depoimento corajoso de Xuxa. Vou na contramão, como tenho me proposto a fazer por aqui.

Ressalto que, o que ela fez em rede nacional, foi um ato digno. Nunca precisaria se expor. Mas fez isso pelas causas que defende, pelo que acredita. E só isso já seria suficiente para aplaudi-la.

Xuxa não disse o que disse para aparecer. Talvez tenha sido um tanto ingênua (diria que foi), mas foi movida pelas coisas em que acredita.

Porém, entre a entrevista concedida e o que a apresentadora pretendia, penso, há uma grande distância. Basta olhar a repercussão.

Alguém viu alguma discussão sobre os problemas reais apontados por Xuxa?

Vamos relembrar:
– Quando criança e adolescente, Xuxa foi vítima de abuso sexual, e mais de uma vez;
– Os criminosos eram conhecidos da família;
– Ela não teve coragem de contar para os pais;
– Os pais não notaram o que estava acontecendo.

O que aconteceu com Xuxa há quase 40 anos é o mesmo que acontece todos os dias, silenciosamente, com centenas de crianças e adolescentes. Parece até haver um script. Criminosos e vítimas repetem esse lamentável roteiro: crime, intimidação, medo, silêncio e impunidade.

Por medo, Xuxa não denunciou. Por medo, crianças e adolescentes não denunciam. E o que acontece? Nada. O que o depoimento da apresentadora trouxe de novo? Apenas a admissão de que as vítimas são indefesas e, geralmente, nem os próprios pais acreditam nelas.

Ontem, no Fantástico, hoje, nas redes sociais, blogs e na imprensa, ninguém discutiu e nem está discutindo como romper com a lógica cruel desse tipo de crime. Xuxa não tinha por que mostrar o caminho para mudar esse cenário. Mas o Fantástico podia fazer isso. A imprensa poderia estar fazendo isso. No entanto, o que temos? Apenas o show, o espetáculo com o passado dramático da mulher mais famosa do Brasil.

A audiência do Fantástico bombou. Quem está reproduzindo, e até fazendo piada de outros temas levantados pela Xuxa, também está aproveitando-se do que impacto do que ela disse.

E o que mais dá para ver? Gente que diz:

– Coitadinha da Xuxa.
– Que triste isso, né?
– Tá explicado por que a Xuxa nunca casou.
– Que mulher de fibra é a Xuxa.
– Que coragem a Xuxa teve de admitir…

Para além disso, o que há? Nada.

Não sei se era isso o que a Xuxa desejava ao falar ao Fantástico. Não creio que ela esperasse que seus fãs sentissem pena dela. Acho que a apresentadora sonhou que sua declaração pudesse provocar comoção, mas que a violência, o abuso sexual contra crianças e adolescentes pudessem entrar na pauta cotidiana da sociedade.

Pelo menos por enquanto, não é este o efeito da entrevista. Até o momento, a declaração serviu para emocionar, fazer chorar, fazer rir. Lamentável. Reflexo de um país onde imprensa e sociedade ainda não parecem maduras para transformar dramas em busca de respostas, em soluções para os problemas que afligem não apenas alguns indivíduos, mas milhares de pessoas.

PS- Ainda há tempo para discutir de maneira séria o assunto. Não o crime contra a Xuxa, que ficou no passado. Mas o que fazer para pôr fim ao que acontece com outras tantas vítimas anônimas, diariamente.

A polêmica máquina de camisinha

Enquanto preparava as notas do esporte e os resumos das revistas, ouvia a TV. E o Fantástico trazia uma reportagem sobre a polêmica instalação de máquinas de camisinhas em escolas. Tive aquela sensação: já vi isso antes. Fui dar uma olhadela no histórico no blog e lá estava um post de 2007. Em novembro daquele ano escrevi uma notinha sobre o assunto. Desde aquela época o governo prometia instalar as máquinas. Só agora estão chegando às escolas.

Flávia Alessandra no Fantástico

Um dos assuntos mais discutidos pelos acadêmicos de jornalismo é o espetáculo diário produzido pelos meios de comunicação. As aulas geralmente rendem boas discussões. Hoje, vou cobrar na última avaliação do semestre um pouco do aprendizado obtido nesses debates. A prova já está pronta, mas confesso que me senti tentado a mudá-la.

Ao assistir uma reportagem do Fantástico, reproduzida no blog do Daniel Castro, vi ali um exemplo claro da tentativa de seduzir o público, assegurar a audiência.

Como é sabido, o programa sofre uma crise sem precedentes. A audiência nunca esteve tão fragilizada. Um dos poucos momentos em que isto ocorrera foi durante a exibição da primeira versão de Casa dos Artistas (SBT).

Meio sem rumo, o Fantástico atira para todos os lados. Ontem, apostou na popularidade e beleza de Flávia Alessandra.

É inegável, a atriz é belíssima e talentosa. Entretanto, a reportagem só se justificou pela necessidade de garantir a audiência dos marmanjos e provocar a inveja das mulheres. Nesses casos, elas negam, mas não resistem a tentação de procurar entender o que chama atenção dos homens.

Com alguns depoimentos sobre Flávia Alessandra e uma entrevista feita por Zeca Camargo com a atriz, a reportagem ficou no ar por mais de cinco minutos mostrando cenas dela como a personagem Alzira, de Duas Caras. Claro, as mais apelativas: Alzira na boate fazendo pole dance. Enquanto Zeca conversava com Flávia Alessandra, também imagens de sua sessão fotográfica para a Playboy eram apresentadas ao telespectador. Segundo contas do Daniel Castro, duas vezes os seios da atriz foram mostrados na reportagem.

Desrespeito ao público? Depende. Entendo que quem se sente desrespeitado tem o mais poderoso instrumento nas mãos, o controle remoto.

Alguns também diriam, nada de jornalismo; tudo de espetáculo e sensacionalismo. Sob o ponto de vista de produção de conhecimento, concordo plenamente. Porém, na lógica de mercado que domina os meios de comunicação, é preciso reconhecer: foi só mais uma estratégia, uma aposta para garantir a audiência. Lamentável, mas comum entre as mídias.

Glória Maria é a salvação do Fantástico?

Vi no blog da Fabíola Reipert que Glória Maria estaria sendo convencida a voltar ao Fantástico. A justificativa seria o apelo popular da jornalista. Como a audiência do programa anda em baixa, a Globo promoveria o retorno de Glória ao dominical.

Cá com meus botões, acho bobagem. Não sou entendido no assunto, mas não vejo Glória Maria como salvadora do Ibope. Não creio que o retorno da apresentadora mudaria a audiência.

O Fantástico está em baixa, porque a fórmula anda desgastada, a concorrência melhorou, oferece alternativas interessantes para o horário e parte do público já descobriu que não tem só tevê como forma de entretenimento aos domingos.

Fábio Assunção: “eu me tornei dependente químico”

Pela primeira vez, o ator Fábio Assunção falou sobre seus problemas com drogas. A entrevista foi ao Fantástico. A expectativa da entrevista foi tão grande que só ontem passaram por aqui mais de 100 leitores em busca de novidades. São leitores que chegaram ao blog por causa de um texto que escrevi quando Fábio foi afastado das novelas.

A conversa com Patrícia Poeta foi reveladora. Mostrou um ser humano mais maduro, que reconhece o problema da dependência química. Fábio ressaltou que se afastou de tudo e que evita falar sobre o assunto porque se trata de algo de foro íntimo. Reconheceu ainda que o problema chegou a tal ponto que teve dificuldades para dar conta do trabalho.

– Eu acho que o problema maior era respeitar meus compromissos e horários. Chegou uma hora que eu fiquei perdido, eu não sabia mais se era terça-feira, se era quinta-feira, se era sábado. Eu tinha medo de marcar um jantar.

Fábio também falou que a luta dele contra as drogas não é recente. Esteve, inclusive, internado no exterior para se tratar. Mas obteve pouco sucesso.

Sobre cura, admitiu que ainda não se sente livre das drogas.

– […] esse diabinho, eu não posso achar que ele não existe, eu tenho que ter o respeito por ele. Mas assim eu estou encantado de como a recuperação é uma coisa genial. Eu hoje poder marcar os meus compromissos e eu estar lá, isso me da uma sensação de vitória. Pô, eu tô conseguindo!

Como disse no primeiro texto sobre o Fábio, a gente espera que o ator seja um desses bons exemplos de dedicação e luta contra a dependência química. Mais que isso. Um exemplo de vitória. Afinal, já deu para perceber por aqui que o ator é querido do público brasileiro. Carente de modelos, esse público precisa ver no Fábio não apenas alguém que fraquejou, mas um referencial de pessoa que caiu, admitiu o problema e levantou-se para uma nova vida.

De volta ao Fantástico…

O apresentador Zeca Camargo retorna ao Fantástico no próximo domingo.

Afastado nos últimos 45 dias para uma viagem por cinco continentes, a Globo chegou a cogitar a troca do apresentador. A idéia seria substituí-lo e disponibilizá-lo para um outro projeto.

Com o retorno, Zeca volta a dividir o estúdio com Patrícia Poeta.
E, no domingo, pode começar a ser exibida a série que produziu durante sua ausência.
Denominada “Isso Aqui é Seu”, a série vai mostrar os Patrimônios da Humanidade…
Isto, em cinco continentes.