Brigas destroem histórias de amor

Toda discussão, no relacionamento, é desgastante. E, com frequência, tem potencial para deixar marcas na história do casal.

O ideal é que os casais não discutissem; apenas dialogassem – mesmo quando há o embate de ideias.

Porém, a vida real de um casal não é um mar de rosas. Todo mundo perde a razão de vez em quando. Vez ou outra, “a casa cai”, né?

Pesquisadores do assunto dizem que, enquanto o casal briga, existe um casal. O silêncio, a ausência de embates, é indicador de que o relacionamento já acabou. Podem viver juntos, mas, na alma, estão separados.

Eu acredito nisso. Porém, noto que, com frequência, as discussões são ofensivas. Na briga, quase sempre há o desejo implícito de vencer, de ferir o outro. E é nesse jogo que as mágoas podem surgir.

Pede-se perdão depois, perdoa-se, mas palavras ditas não voltam atrás. Na memória, fica o registro da ofensa, da humilhação.

E é justamente esse registro negativo que vai distanciando o casal.

Às vezes, sequer são necessárias palavras. Pode ser um gesto, um semblante irônico, carregado de desprezo. Tudo isso fica registrado e machuca o romance.

Quando discutimos com a pessoa amada, nem sempre nos damos conta que estamos plantando sementes que produzirão dissabores futuros e até desamor. Porque amor se conquista e se alimenta diariamente. Atitudes que ofendem, que magoam, esfriam os sentimentos. 

Com o tempo, perde-se a intimidade, o desejo, a empolgação. Falta inclusive disposição para o sexo. A relação pode até ser mantida, pode-se reconhecer os benefícios da companhia do outro… Mas não tem a mesma graça, a mesma vivacidade. E isso não é porque a paixão foi embora. É porque, no coração, ainda ecoam os gritos, as ofensas, os gestos grosseiros, os semblantes cheios de rancor…

 

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Características que devem ser preservadas pela pessoa amada

casais

Muita gente joga fora o relacionamento por ser incapaz de notar as qualidades do/a parceiro/a. Costumo dizer que, com o tempo, os defeitos se potencializam e as virtudes parecem desaparecer. Entretanto, o que acontece, na verdade, é que não raras vezes a gente se acostuma com o outro e não nota mais o quanto a pessoa é especial.

Pode parecer bobagem o que vou dizer, mas penso que todo mundo deveria, vez ou outra, fazer uma breve avaliação dos comportamentos do/a parceiro/a. Certamente esse tipo de atitude ajuda a identificar se o/a outro/a está efetivamente comprometido com o romance.

Para te ajudar a pensar nas qualidades que a pessoa amada deve ter, eu listei algumas características.

Gente que ama a gente deve prestar atenção às pequenas coisas que dizem respeito a nós. Sabe aquela coisa de reparar que você está cansado/a, que precisa de ajuda ou simplesmente de um abraço?

Como amor bom é amor prático, é fundamental contar com alguém que lembra de você até mesmo quando você se esqueceu de você. 

E como é a qualidade do tempo que você passa com a pessoa amada? É cansativo estar ao lado dela ou o tempo passa rapidinho? Ela consegue te distrair, te divertir, te fazer rir? Reserva tempo para estar contigo?

Outra característica fundamental é a gentileza. Alguém que sabe como falar, que é delicado com as palavras, mas também quando abre a porta de casa, quando entra no carro… Ao falar com a mãe, com os amigos… Sem contar que, lidar com gente rude, grossa, que fala alto, desrespeita, nos faz passar vergonha na frente dos outros é algo horrível. Quem ama não faz isso.

Um relacionamento que faz bem é um relacionamento que não afasta da família e nem dos amigos. Não significa que o/a outro/a deve gostar de quem a gente gosta. Exigir isso seria invasivo, até um desrespeito à personalidade da outra pessoa. Porém, o/a parceiro/a que quer o nosso bem se esforça para compreender a família, os amigos e, mesmo que não os aprecie, estabelece uma relação cordial, respeitosa.

Um bom termômetro do quanto o/a parceiro/a está comprometido é observar se ele/a inclui você em seus planos. Tem gente que sonha com um monte de coisas, mas, quando você observa os sonhos da pessoa, nota que em nenhum deles você faz parte, que não há planos/projetos para a relação.

Outra característica fundamental é a intimidade. Intimidade não tem a ver apenas com cama. É muito mais que isso. Tem a ver com a capacidade de “sentir-se” em casa com o/a outro/a. Você pode abrir o coração, dizer o que pensa… Sabe que não será julgado/a.

Essa dica agora é voltada, principalmente, às mulheres… Parceiro de verdade não tem vergonha de comprar produtos femininos pra você. Na verdade, um bom parceiro sabe, inclusive, quando comprar um absorvente e qual o tipo/marca mais adequado.

É claro que eu poderia listar aqui muitos outros comportamentos. Entretanto, essas características apenas servem como uma espécie de convite para que você observe mais seu relacionamento e a pessoa que ama. Se ela preserva essas atitudes, a vida a dois ainda vale muito a pena.

Às vezes, tudo que se quer é sentir-se amado

casais felizes

Acho que todo mundo se sente solitário às vezes. Na verdade, a gente vive rodeado de pessoas quase o tempo todo. Mas ter gente por perto não significa muita coisa se essa proximidade física, espacial não se traduz em interesse, envolvimento, intimidade. 

Somos seres relacionais. Porém, mais que se relacionar, queremos sentir que esses relacionamentos são afetivos. Queremos que a outra pessoa nos acolha, nos queira bem, nos ame.

Nos relacionamentos amorosos, noto que muita gente sofre porque não sente o amor do outro. Eu tenho dito que amor bom é amor prático. E esse amor prático se traduz em gestos que demonstram que o outro se importa, que está interessado em seu bem-estar.

Vejo pessoas solitárias em seus relacionamentos, porque o ato de estar junto se tornou mera formalidade, quase uma obrigação. Não há nada que empolgue, que dê prazer. A companhia do outro é apenas uma presença física, fria, quase descartável.

É triste viver assim. Viver a dois sem sentir o amor do parceiro, da parceira é vida que se arrasta, é amor que se apaga. 

A existência já nos castiga demais… O sofrimento não é apenas nosso vizinho. Vez ou outra vem morar em nossa casa. É também por isso insisto que as pessoas devem lutar por ter relacionamentos saudáveis, felizes. Ainda que existam problemas na convivência, não pode faltar amor…  Não é concebível viver a dois reclamando por migalhas de afeto.

No casamento e na vida, não pode faltar amor prático, traduzido em gestos, em palavras, em rotinas que expressem que se ama e que se é amado.

Quatro mudanças antes de decidir se divorciar

divorcio

Não são raras as pessoas casadas que cogitam se divorciar. Muitas delas estão insatisfeitas, porém pouco têm feito para mudar a dinâmica do relacionamento. Por isso, se você tem pensado em se separar, sugiro quatro mudanças de comportamento e atitudes que devem fazer parte de sua vida, antes de romper seu casamento.

Enfrente a situação ao lado do seu parceiro – Algumas pessoas estão infelizes, mas não verbalizam para o outro o que as incomodam. Por vezes, agridem o outro, reclamam, mas são incapazes de ter uma conversa franca. Acham que o outro tem que saber o que deve fazer pelo relacionamento. Desculpa, mas o seu parceiro não tem como descobrir o que vai em sua mente. Por isso, converse. Sem acusações… Diga o que você sente e por que se sente assim. Não tenha vergonha de dizer o que você gostaria que mudasse… Muito menos de pedir que o outro se envolva. Mas deixe claro que quer o envolvimento do outro, porque o ama e deseja salvar o relacionamento.

Assuma a responsabilidade de seus sentimentos e suas atitudes – Tem gente que sonha ter uma vida melhor, um guarda-roupas repleto de peças da estação… E, por não ter o que deseja, culpa o parceiro. Acha que o outro é acomodado, não se esforça etc etc. Mas será que o outro é mesmo culpado de você não ter o que gostaria? Ou será que você não tem idealizado uma condição de vida incompatível com os rendimentos familiares? Separar-se resolveria seus problemas? Eu sei que tem muito marido acomodado por aí. Mas sei também que existem pessoas que conheciam qual seria a realidade financeira do casal e ainda assim apostou no casamento. Não adianta casar com professor e querer ter status de executivo de companhia multinacional.

Construa sua própria vida – Esse é um erro que muita gente comete. A pessoa casa e se acomoda profissionalmente e intelectualmente. Não se preocupa em crescer na carreira, fazer cursos, estudar… A pessoa deixa de ler, se atualizar… Enfim, para no tempo. Isso torna sua vida vazia, desinteressante e faz com que o parceiro, muitas vezes, deixe de admirá-la, respeitá-la. Por isso, embora tenha um casamento, nunca esqueça que você segue tendo uma vida, que é sua, só sua.

Aprender a amar sem dependência – Certas pessoas se casam iludidas. Pensam que tudo será perfeito, que o parceiro, os filhos serão semelhantes aqueles que aparecem em comercial de margarina ou em alguns filmes românticos de Hollywood. E aí, quando aparecem os problemas, desgostam do outro. Bem, esse tipo de relacionamento não existe. A vida a dois é difícil. E nem sempre o outro fará tudo conforme você sonhou ou sonha. Por isso, penso que é fundamentar amar sem criar expectativas, sem condicionar o amor às condições do dia a dia do casal. Tem gente que só ama quando tudo está bem. E, infelizmente, os dias ruins também são uma realidade. O amor não pode depender das circunstâncias.

Casamento é mais que viver juntos

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Para um casamento dar certo, o objetivo deve ser o bem estar afetivo, a felicidade de ambos. Embora isso pareça óbvio demais, é negligenciado por muitos casais. Na verdade, profissionais especializados em relacionamentos apontam que a maioria das pessoas se casa com um objetivo prioritário, provavelmente inconsciente: viver juntos.

Vou explicar… Frequentemente, casais assumem um relacionamento mais sério quase de maneira improvisada. Sim, as pessoas planejam um monte de coisas – inclusive gastam milhares de reais na festa. Porém, no que diz respeito ao casamento de fato, ao significado do que é esse “viver juntos”, parecem seguir a regra do improviso: primeiro, a gente casa, depois a gente vê o que acontece.

Muitas pessoas se casam sem um projeto de vida, sem ter um plano construído de forma consensual entre as duas partes. Depois dá tudo errado e culpam a instituição casamento… Como se o casamento fosse um modelo falido ou qualquer coisa do tipo.

As pessoas deveriam saber que, viver juntos, não é um indicativo de estabilidade emocional e nem resultado apenas da qualidade da relação na cama. A convivência a dois carece de intimidade psicológica, de compatibilidade.

Por isso, antes de assumir um compromisso mais sério (casamento, por exemplo), é fundamental:

  • Dar tempo ao tempo… Dar-se o tempo necessário para se conhecerem. Em outras palavras, gastar tempo a fim de conhecer o parceiro mais a fundo;
  • Saber se são compatíveis na convivência. Afinal, aquela loucura toda dos primeiros meses do romance vai embora. Fica a realidade – com seus altos e baixos. E a rotina do casamento é desgastante. Por isso, ter sintonia na convivência é essencial para fazer dar certo;
  • Saber que lugar ocupam as famílias de origem, os ex (namorados, namoradas, maridos, esposas etc), o passatempo, a diversão e o trabalho em sua nova vida. Tem gente que casa e, depois, se surpreende com a sogra indo todos os dias em casa. Isso só acontece, porque as coisas não ficaram claras antes…
  • Traçar projetos comuns e metas consensuais.

Sabe, infelizmente, muita gente se casa sem ter certas questões acordadas, sem conhecer de fato o parceiro. Tem gente que está tão egoisticamente ocupado em ser feliz que esquece que o relacionamento, para funcionar, precisa que ambos estejam satisfeitos. Tem gente que “diz sim” mas nem dialogou antes sobre filhos. “Queremos filhos?”, “Para quando serão os filhos?”, “Quando nascer, quem vai cuidar?”, “Como vamos educar?”, “Você acha certo das umas palmadas na criança?”… Isso tudo é importante, tem que ser conversado, mas por vezes é silenciado.

E, para concluir, ainda vale pensar:

  • Para que exista intimidade afetiva, e de qualidade, deve haver espaço para que cada uma das partes possa se expressar, possa dizer o que sente e, principalmente, esteja confortável na dinâmica do relacionamento, encarregando-se de sua própria felicidade, sem esperar que o outro faça algo por si para que esteja bem;
  • O casamento é feito por duas pessoas. Logo, ambos devem se pronunciar sobre experiências felizes, sobre as coisas que fazem bem. O investimento no romance deve ser mútuo.

Num ambiente assim, os objetivos propostos poderão se desenvolver, pois o terreno é fértil, propício… E assegura boas chances de funcionarem e resultarem num casamento feliz.

Faz bem ouvir…

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Nenhum relacionamento sobrevive quando deixa de existir admiração pelo parceiro. Se a pessoa que está do seu lado não te inspira orgulho, respeito, ela deixa de ter valor pra você. E o próximo passo será desprezá-la.

Entretanto, tem algo que acontece na dinâmica dos casais que também tem efeitos negativos: a ausência de palavras de reconhecimento. Faz bem demais ao coração saber que o parceiro te admira, te quer, te deseja. E não apenas na cama.

Não dá para explicar a sensação de levar um bombom para ela e, embora o gesto pareça tão pequena, ver um sorriso em seu rosto, os olhos brilharem e uma frase curta, mas mágica.

– Você é incrível!

A sensação é maravilhosa quando você termina de preparar o jantar, ela prova e diz:

– Não consigo viver sem o seu temperinho!

E quando você a abraça e escuta:

– Que homem cheiroso. Como pode ser tão cheiroso assim?

Uma relação se constrói também por palavras, por reconhecimentos. É o máximo ser elogiado pela pessoa que você ama. Não é só uma forma de reconhecimento; é muito mais que isso. É do namorado, da namorada… Do marido, da mulher… Que a gente mais espera os aplausos. Infelizmente, a rotina quase sempre nos consome e, com o tempo, muitos casais perdem a capacidade de trocarem palavras de afeto, de admiração. Pior, muitas vezes, substituem os elogios pelas críticas, pelas palavras ríspidas, agressivas.

Não existe hora certa para ouvir um elogio. A gente gosta a qualquer hora. Não importa se é logo cedo, mesmo com a “cara amarrotada”, e ela diz:

– Hummm… está todo bonitão…

Ou se ela acabou de limpar a casa:

– Você caprichou hoje, hein? A casa está toda cheirosa.

Mesmo as pequenas as coisas, os afazeres cotidianos oferecem oportunidade para demonstrar em palavras que a pessoa que está ao nosso lado tem valor. Pode apostar, faz bem ouvir…

Gente assim pode casar

Talvez eu seja tão somente um romântico incorrigível… Mas eu acredito no casamento. Sei que a maioria não será “até que a morte os separe”, entretanto ainda penso que casar é bom. E deixa eu explicar… casar como um ato de estarem juntos, de sonharem juntos, de dividirem uma vida, de terem uma vida em comum. O casamento como cerimônia é só uma festa. Exagerada, por sinal. Hoje, custa caro e, por vezes, compromete a vida financeira do casal nos primeiros anos de relacionamento. Tem gente que chega a demorar anos pra casar não por dúvidas a respeito dos sentimentos, mas porque quer fazer uma cerimônia pomposa.

Mas, apesar de defender o casamento, penso que viver a dois não é pra qualquer um. É pra gente resolvida, que sabe o que quer, que tem disposição pra ser feliz e pra fazer feliz. Gente carente é potencial parceiro-problema.

Lembro-me de ter lido recentemente uma ideia que cheguei a guardar:

O casamento não foi feito para os que estão doentes por falta de amor, mas para os que sabem amar.

A frase resume uma verdade. Casamento é pra quem sabe amar. Quem reclama ser amado, vai ser infeliz. E fazer o outro infeliz.

Casamento não é conto de fadas. Dá trabalho. E muito. Exige dedicação, disposição pra fazer dar certo. São duas pessoas diferentes e com expectativas distintas pra uma vida juntos. Se não negociarem bem, cada movimento dos antigos apaixonados criará um turbilhão de problemas. E tem que amar. Amar muito. Amar como ato de doação, porque virão dias em que você não vai se sentir amado. E se a sensação de não ser querido tornar-se uma cobrança, o que pode ser apenas uma situação momentânea resultará em desamor, conflito, crise… e até infidelidade.

E o que mais gosto da frase é que ela traduz algo que pode escapar num primeiro momento. Não é apenas ter amor pelo outro. É saber amar. Porque tem gente que ama o parceiro, mas não sabe amar. Ama, mas faz tudo errado. Existe sim jeito certo e jeito errado de amar. Tem gente que ama e só machuca o outro. E ainda diz:

– Mas eu amo tanto…

Ama, mas ama do jeito errado.

Portanto, casamento não é pra gente que está com problemas em casa, sofre com os pais, é carente… e anda precisando de alguém que diga todo dia: “eu te amo”. Esse tipo de pessoa precisa de tratamento, de terapia. Casamento é pra quem tem muito amor pra dar. Tem amor e sabe dedicar esse amor.

E, como diz São Paulo, num pensamento que chegou a inspirar Renato Russo:

O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz incovenientemente, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Sim, tem jeito inconveniente de amar. Os próprios escritos sagrados dizem isso.

Saber amar é não se deixar consumir pelo ciúme e nem tornar a vida do outro um inferno por conta disso… É aceitar a diferença, ter disposição pra perdoar… É sofrer os dias maus, mas é acreditar e construir, com esperança, os dias bons. É ter as palavras certas; é saber calar, quando for preciso; é romper com o egoísmo; é não se apegar aos pequenos desencontros cotidianos e torná-los motivos de desavença (uma toalha na cama, um arroz queimado…). Saber amar também não é tolerar a injustiça no relacionamento, porque quem ama o outro, primeiro, se ama.

Gente que sabe amar assim… pode casar.

A escolha do parceiro…

Um dos mais badalados psicólogos do país, Flávio Gikovate, acaba de publicar um novo livro. A obra ganhou o título de “Uma nova visão do amor”. Nela, Gikovate polemiza ao declarar que só vai ser feliz no amor quem abandonar seu ideal romântico.

Deixa eu explicar melhor a tese do psicólogo… Ele entende que a fantasia de um relacionamento cheio de romantismo, paixão é um dos principais entraves para o estabelecimento de um vínculo amoroso estável.

Na opinião de Flávio Gikovate, a idealização do parceiro e principalmente do relacionamento causa nas pessoas uma frustração imensa quando se deparam com a realidade do casamento. Por isso, ele sugere que a escolha do parceiro seja feita com uma boa dose de racionalidade.

Particularmente, embora discorde de alguns pontos defendidos pelo psicólogo, entendo que Gikovate tem certa razão. Basta observar os números de divórcios. A quantidade de separações sugere que alguma coisa está errada. E, parece-me, que o erro começa no pensamento equivocado sobre o casamento.

Notamos que a maioria dos jovens está tão empenhada em viver intensamente e loucamente sua juventude que ignoram a importância de olhar o parceiro além da aparência. Quase sempre os namorados estão ocupados em curtir o outro, estão tão entusiasmos sexualmente com o parceiro que se esquecem de observar aquilo que pode diferenciar uma pessoa na convivência por toda uma vida.

Flávio Gikovate diz uma outra verdade… A postura em relação ao sexo está superestimada. Quando a pessoa entra num casamento, a realidade a consome. A percepção de que a vida em comum vai além do sexo nem sempre é bem assimilada e muitos fazem a opção por abandonar o barco.

Caro amigo, se alguém ainda quiser salvar a instituição “casamento” e ter um relacionamento feliz, é preciso repensar certos valores. Talvez seja necessário resgatar alguns conceitos dos mais velhos. Começando, quem sabe, por um namoro onde se valorize mais a boa conversa, o diálogo, os questionamentos sobre preferências, gostos, o que cada um pensa a respeito de filhos, de educação das crianças, sobre a vida profissional…

Também há necessidade de conhecer a família. Saber como são seus hábitos, as diferenças culturais, os valores éticos e morais, o pensamento religioso.

São coisas aparentemente simples, mas que podem fazer toda a diferença na escolha da pessoa com a qual se pretende dividir toda uma vida. Afinal, o ardor da paixão se vai. Ficam a afinidade, o caráter, a cumplicidade, o companheirismo… E nisto tudo, o amor.