Para quê viver 90 anos?

A expectativa de vida vai chegar a 90 anos para mulheres de alguns países. Acredita-se que isso vai acontecer até 2030. Países como Coreia do Sul, França e Espanha vão estar nessa situação.

Essa parece ser uma excelente notícia. Afinal, as pessoas estão vivendo mais. Incrível, né? Eu sonho viver 120 anos, então acho o máximo a informação desse estudo.

Mas, sejamos sinceros, viver tanto pra quê? Vejam só como temos vivido. Vivemos dias vazios. Vivemos para o trabalho e reféns de uma lógica que rouba o melhor de nós. Quase todo o nosso tempo é dedicado a correr atrás do dinheiro. E o dinheiro corre de nós. Quando olhamos para a vida que levamos, notamos o quanto tem sido vazia, chata, sem graça, sem sentido.

Então para quê viver 80, 90 ou 120 anos?

A vida que vale a pena é a vida que é plenamente vivida. Vida que experimentamos em sua essência. Vida com amor, com graça, leveza e pelo menos um pouco de liberdade. Vida que serve aos outros. Vida que faz rir, que faz chorar… Mas vida que se sente. Vida em que felicidade não é apenas uma expectativa de um por vir que parece nunca chegar.

O que há para comemorar no fim do ano?

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Fim de ano… Muita gente comemorando… Muitas festas… Tudo lindo! Mas não consigo ser contagiado. Até gostaria.

Este é um dos períodos mais dolorosos do ano. As contradições ficam ainda mais evidentes. As injustiças ficam diante de nossos olhos. E eu não consigo deixar de ver, de um lado, mesas fartas, e de outro, tanta gente sem ter nada pra comer.

E a questão não é só garantir um natal farto pra todo mundo. Não muda muita coisa ter um prato de comida agora e estar com fome no dia 2 de janeiro.

Essa sociedade desigual me entristece. Vejo gente viajando para a Europa, para os Estados, viagens de milhares de dólares… Mas, antes de entrarem num avião, essas mesmas pessoas demitiram funcionários, que vão começar o ano sem saber o que fazer.

Vejo gente entrando e saindo das lojas, comprando presentes e mais presentes, e outras tantas pessoas que sequer tem um chinelo pra calçar.

Isso tudo rouba o brilho do Natal. Torna o ano novo apenas mais um ano. Sim, porque viveremos mais do mesmo.

Sinceramente, eu não consigo ir numa loja e comprar um presente pra mim.

E aí você me diz: “Ah Ronaldo, mas sempre foi assim!! Eu concordo. E digo mais: não vai mudar. As desigualdades e injustiças vão continuar.

Mas meu recado hoje é simples: as coisas vão continuar sendo injustas. Mas você e eu podemos fazer alguma coisa pelas pessoas que dependem de nós ou que estão próximas de nós. A gente pode amar mais, dividir mais. Olhar mais pra o outro. Sermos menos egoístas. Isso não muda o mundo. Mas pode mudar o mundo de quem está próximo de nós. 

O maior desafio da vida é viver

O maior desafio da vida não é outro senão viver. Vejo isso por mim mesmo e por outras pessoas próximas. E quando falo em viver, falo em algo que seja significativo de fato.

Viver cada dia atolado em preocupações não é viver. E não estou aqui dizendo que as preocupações não existem. Digo de quando deita-se e acorda-se sobrecarregado e sem ter tempo para sorrir.

Duas coisas que adoro são as reflexões sobre a arte e a filosofia. E em ambas encontro argumentos convergentes: vive-se quando voltamos o olhar para nossa alma (eu diria, para nossos corações); vive-se quando investimos tempo em apreciar o que há de belo no mundo.

E sabe de uma coisa? Isso não dá pra fazer “agendando”duas horinhas por semana. Que vida é essa que se precisa agendar um tempo para gastar consigo mesmo? 

Anos atrás escrevi sobre contemplar as estrelas. Eu estava num hotel fazenda, na época. Fazia tanto tempo que não via as estrelas que me surpreendi com o que vi no céu.

Acontece que esse tempo para apreciar as coisas boas da vida parece não existir mais. A gente até sonha estar com amigos, com a família, fazer coisas agradáveis… Mas isso tudo tem que estar na agenda. A situação é tão complicada que, não raras vezes, a ligação de um amigo querido parece nos atrapalhar.

Não vou mentir… Não foram poucas vezes que vi o celular tocar e pensei: “poxa, minha mãe tinha que ligar justo agora?”.

Olha a loucura que é isso!!! É minha mãe… Não vou tê-la pra vida toda. E ainda assim o preenchimento de um relatório é mais importante que falar com ela?

É por isso que, cada um ao seu modo, deve encontrar o seu jeito de viver. Viver de fato. Não apenas como engrenagem de uma máquina que apenas suga nossas energias e o melhor de nós. A vida é curta demais para perdermos a oportunidade de ter o melhor dela.

 

 

Às vezes, tudo que se quer é sentir-se amado

casais felizes

Acho que todo mundo se sente solitário às vezes. Na verdade, a gente vive rodeado de pessoas quase o tempo todo. Mas ter gente por perto não significa muita coisa se essa proximidade física, espacial não se traduz em interesse, envolvimento, intimidade. 

Somos seres relacionais. Porém, mais que se relacionar, queremos sentir que esses relacionamentos são afetivos. Queremos que a outra pessoa nos acolha, nos queira bem, nos ame.

Nos relacionamentos amorosos, noto que muita gente sofre porque não sente o amor do outro. Eu tenho dito que amor bom é amor prático. E esse amor prático se traduz em gestos que demonstram que o outro se importa, que está interessado em seu bem-estar.

Vejo pessoas solitárias em seus relacionamentos, porque o ato de estar junto se tornou mera formalidade, quase uma obrigação. Não há nada que empolgue, que dê prazer. A companhia do outro é apenas uma presença física, fria, quase descartável.

É triste viver assim. Viver a dois sem sentir o amor do parceiro, da parceira é vida que se arrasta, é amor que se apaga. 

A existência já nos castiga demais… O sofrimento não é apenas nosso vizinho. Vez ou outra vem morar em nossa casa. É também por isso insisto que as pessoas devem lutar por ter relacionamentos saudáveis, felizes. Ainda que existam problemas na convivência, não pode faltar amor…  Não é concebível viver a dois reclamando por migalhas de afeto.

No casamento e na vida, não pode faltar amor prático, traduzido em gestos, em palavras, em rotinas que expressem que se ama e que se é amado.

Insatisfeitos com a vida

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Viver não é fácil. A gente até sonha que possa ser simples… Mas não é. Viver é uma experiência dolorosa. Por mais que a gente não queira admitir.

Eu não sei se a gente sonha demais, se a gente leu muitos contos de fadas, romances ou se assistiu muitos filmes de Hollywood. Sei, porém, que a vida parece estar quase sempre em descompasso com aquilo que idealizamos.

O problema é que a vida não se resume a uma ou duas coisas. Trabalhamos, estudamos, nos relacionamos – com amigos, família, filhos, mulher, marido, namorado, namorada etc etc. Há um universo de coisas acontecendo o tempo todo. E basta uma coisinha não funcionar para começar a incomodar e minar as forças para tudo mais.

Isso faz com que seja difícil estarmos bem de verdade. É quase impossível tudo funcionar plenamente. Talvez até aconteça por semanas ou meses. Mas aí você bate o carro e já começa a desestabilizar.

Curiosamente, quando algo não está funcionando, outros aspectos parecem também entrar em colapso. Às vezes, nem existe um problema de fato, mas aí você fica mais sensível e começa a reparar situações que te incomodam. Pode ser a negligência do marido em elogiar as coisas que você faz, pode ser o fato da parceira não avisar quando vai sair para jantar com as amigas… Pode ser o filho que está sempre esperando que você resolva tudo pra ele… Esses pequenos detalhes ganham dimensão nunca antes imaginada e é quase impossível não olhar pra você e dizer: “mas que m* de vida!”.

Desiludido com tudo, você se olha no espelho e pensa: “o que estou fazendo aqui?”. As lágrimas não rolam no rosto, apenas correm por dentro do peito e machucam a alma. Quem entenderia seu choro? Ou seria capaz de estender a mão, te abraçar e te acalmar?

Quando essa insatisfação com a vida parece transbordar, a comida perde o gosto, o sorriso falta no rosto e o desejo é afundar no mar do esquecimento, nenhuma palavra é realmente suficiente para renovar os ânimos. Eu diria apenas que a vida é mesmo assim… Mas ainda assim vale a pena aguentar firme. Os poucos momentos em que tudo funciona, em que você ama e é amado, justificam a experiência do existir.