Pais, conversem com seus filhos!

Quase todos os dias vejo sinais do quanto os pais estão afastados da vida de seus filhos. Ainda esta semana, estava com minha filha e com a Rute num restaurante da cidade e, na mesa ao lado, tinha uma mulher com a filha. A garota era adolescente. Talvez uns 16, 17 anos. Todo o tempo que estiveram ali, ao lado, não trocaram uma única palavra. E durante boa parte do almoço, essa mãe mexia no celular. Dava pra notar que escrevia, mas também que apenas espiava mensagens, fotos… Elas pareciam duas pessoas estranhas. Não havia intimidade alguma entre mãe e filha.

Bom, eu não as conheço. Não sei quem são. Talvez tenha sido apenas um dia difícil para aquela mãe. Talvez estavam chateadas uma com a outra. Coisas que acontecem, né? Ainda assim, a ausência de diálogo entre as pessoas de uma mesma família é algo assustador. Muitos pais desconhecem seus filhos. E desconhecem por certa negligência. Falta disposição principalmente para dialogar.

E, sabe, não é fácil conversar com os filhos. Às vezes, o embate é desgastante. Ainda dias atrás, para conseguir tratar de um assunto com minha filha, ficamos até duas horas da manhã numa embate de ideias. E digo embate porque há momentos de tensão, de discordância. Admito que nessas horas parece mais fácil gritar, dizer que “quem manda sou eu”, fechar a porta e sair de cena. Mas o que ganhamos com isso? Nada.

Apesar de discordarmos muitas vezes, minha filha e eu conversamos sobre tudo. Isso acontece porque, apesar de em algumas ocasiões ficarmos irritados um com o outro, nós não fugimos do diálogo. Tem horas que machuca, ofende… Porém, essa é uma relação normal. Necessária! O que não podemos pra fazer é abrirmos mão de dialogar com nossos filhos.

Eu sei que muitas vezes estamos cansados… Que tudo que a gente quer é dar um tempo nos problemas. Mas, com nossos filhos, não dá pra deixar pra depois. Deixar pra depois significa perder oportunidades, abrir mão de uma relação plena, verdadeira com nossos filhos.

Educar dá trabalho? Claro que sim. É a tarefa mais difícil da vida da gente. Mais que qualquer carreira, mais que qualquer estudo, mais que qualquer empreendimento. Entretanto, a mais importante.

Se você ignora as ansiedades de seu filho, estará abrindo mão de ajudá-lo a ser uma pessoa feliz. E posso assegurar: nenhuma realização profissional, acadêmica, compensa as lágrimas de filhos que se sentem perdidos na vida.

Pais ausentes formam filhos frágeis

Nas últimas semanas, muitas pessoas manifestaram suas preocupações com um jogo que circula nas redes sociais. A tal da Baleia Azul gerou inclusive um monte de memes, de piadas… E, claro, certo pânico na rede, com a divulgação de muitas informações falsas.

Algumas pessoas me perguntaram o que eu pensava a respeito jogo. Respondo: não vi o jogo, desconheço os 50 passos. Só sei que culminaria com o suicídio.

Sabe, jogos como esse não me preocupariam nenhum pouco se os pais estivessem presentes na vida de seus filhos.

Sejamos sinceros… Vamos romper com a hipocrisia: nossas crianças, nossos adolescentes estão emocionalmente frágeis. E estão frágeis, quase sempre, porque nós, pais, temos abandonado nossos filhos, não conhecemos nossos filhos.

Amamos sim, mas amamos de um jeito torto. Porque amor bom é amor prático. É amor vivido, experimentado, sentido e manifestado em atitudes.

A adolescência, principalmente, é um tempo de incertezas, de necessidade de auto-afirmação. É um período de transformação. E é um período difícil pra molecada.

A sociedade em que vivemos não é nada fácil. Essa sociedade oferece imagens estereotipadas sobre a vida, sobre o que é ser feliz, sobre o que é ser bem-sucedido, sobre como ter alegrias… Isso tudo confunde, angustia.

E essa garotada (que vive num cenário pouco favorável ao desenvolvimento da saúde mental) ainda tem que enfrentar a ausência dos pais. Não estão ausentes fisicamente, necessariamente. Às vezes até estão ali perto. Porém, sequer conhecem os amigos de seus filhos, sequer sabem o que fazem na internet.

Jogos como a Baleia Azul só preocupam porque os pais não têm sido pais, não têm sido educadores, não têm amado em atitudes.

Muitos pais dizem: “ah… mas eu falo com meus filhos”.
Fala o quê? Fala sobre o quê? Você conversa com eles ou dá sermões?

Conversar implica ouvir. Conversar é dialogar. É conhecer e se dar a conhecer.

E conversar com nossos filhos nem sempre é um ato prazeroso. Muitas vezes temos que engolir sapos. Muitas vezes o que nossos filhos falam machucam nosso coração. Mas conversar é estabelecer um diálogo no mesmo nível. Não é uma fala de cima pra baixo… Em que a gente se posiciona cheio de verdades e impõe tudo aos nossos filhos.

Quem ama não pode ser omisso. Pais de verdade monitoram os filhos sim. Monitoram o que fazem na escola, quem são seus amigos, o que fazem na internet… E também disciplinam. São firmes. Possuem regras e aplicam as regras.

Também conheço pais que acham que amar é dar tudo, é proteger. E ainda tem aqueles que possuem uma imagem distorcida de suas crianças, de seus adolescentes. Acham que são sempre incríveis, maravilhosos… Que tudo que acontece de ruim é culpa dos outros. Por conta disso, brigam com professores, com os amigos de seus filhos… Criam filhos frágeis emocionalmente.

Pais assim não preparam seus filhos para o mundo.

São esses meninos e meninas que podem ser atraídos por jogos como a Baleia Azul. São esses meninos e meninas que se mutilam, que se agridem e agridem outros…

Pais presentes, pais que vivem um amor prático podem ter filhos com crises emocionais. Mas certamente esses filhos e esses pais dificilmente serão vítimas dessas ondas assustadoras que vez ou outra circulam pela internet.

Como manter o casamento após a chegada dos filhos?

pais e filhos

Acho que a maioria casais que conheci, antes de terem filhos, disseram que fariam de tudo para nada mudar depois da chegada das crianças. Apesar da boa vontade e do esforço de muitos deles, desconheço quem não teve o relacionamento impactado pela presença do novo membro na família.

É fato que, antes da chegada dos filhos, a gente quer muito preservar o melhor do romance. Até acha que isso é possível. Mas não dá. A vida do casal muda. E muda muito. Não estou dizendo que o romance esfria, que o amor acaba, que o sexo deixa de existir… Estou dizendo que a dinâmica do relacionamento é significativamente afetada (embora seja fato que, em alguns casos, o romance esfria sim, o sexo se torna raro e até o amor é abalado – claro, essas situações ocorrem com aqueles casais que não se preparam para a chegada dos filhos e que, surpreendidos pelas mudanças, não lidam de forma positiva com as novidades, ignorando a importância de seguir investindo no relacionamento. Mas essa é uma outra história…).

As mudanças ocorrem porque a chegada de uma criança altera a rotina do casal. Antes mesmo do nascimento do bebê, muita energia já é gasta com preparativos (quarto, enxoval, consultas médicas etc.) e o desgaste físico da mulher também é bastante significativo. A última etapa da gestação geralmente é difícil, cansativa. O pós-parto também não é dos mais fáceis. Algumas mulheres, inclusive, sofrem de depressão nesse período.

Esse cenário já seria suficiente para mudar a forma de viver a dois. A vida é feita de rupturas. Quando a gente passa por algo muito intenso durante certo período de tempo, a história de nossa vida é alterada, ganha um novo rumo.

Entretanto, no caso dos filhos, as mudanças vão muito além disso. O bebê pede atenção. Mãe e pai precisam dedicar tempo, atenção, cuidado à criança. Isso rouba noites de sono, tempo… Dificilmente o casal conseguirá fazer os mesmos programas, sair com a mesma frequência ou ter sexo com a mesma intensidade. 

Acontece que, embora os olhares estejam voltados para a criança, ali estão duas pessoas, adultas, que também carecem de carinho, cuidado e, não menos importante, paixão. Não é o fato de se tornar pai ou mãe que faz um homem, uma mulher deixarem de desejar, de sentir tesão e de querer o olhar desejoso do outro. 

Por isso, é preciso estar preparado para viver essa nova fase. Não necessariamente abrindo mãe de viver o melhor de uma vida a dois, mas compreendendo que, muitas vezes, é preciso ter paciência, ser capaz de vez ou outra renunciar os próprios desejos em função de uma nova forma de vida em família. Além disso, é fundamental não se acomodar, não “deixar a vida levar”. É preciso fazer certa “ginástica” para cuidar de si, cuidar do/a parceiro/a… Somente com essa consciência, é possível não deixar a relação cair no lugar-comum de um casamento sem graça e que se justifica apenas pelo fato de um dia ter dito “sim”, pelos “costumes” ou quem sabe pelos próprios filhos.

Quando é preciso estabelecer limites para a sogra

sogra

Não são apenas as dinâmicas internas que afetam o relacionamento. Gente de fora também atrapalha. E, por mais que possa parecer “lugar-comum”, a sogra pode prejudicar e muito o romance.

E deixa eu explicar isso direito… Nem todas as sogras atrapalham. Muito pelo contrário. Existem aquelas que ajudam a preservar o romance. Mas tem muitas que se tornam problema querendo fazer o bem, inclusive.

O homem geralmente é menos afetado pela sogra. Mas a dinâmica nora e sogra tem chance de ser mais problemática. E tudo começa porque a mãe quer continuar cuidando do seu “menino”.

Frequentemente, as mães têm muita dificuldade em se desligarem dos filhos homens. E, quando eles assumem um relacionamento, querem continuar por perto. Mais que isso, começam a observar o que a namorada ou esposa deixa de fazer pelo filhinho.

Sabe a comidinha que ela sempre colocava no prato? Pois é… Às vezes, a parceira nem lembra de cozinhar. Isso, pra muita sogra, é o fim do mundo. Também é o fim do mundo a camisa que não é passada como ela passava…

Tem sogra que se mete com a limpeza da casa, com o tamanho da saia da nora… Olha, a lista pode ficar imensa aqui.

Acontece que o problema se amplifica na mesma medida que o “filhinho da mamãe” não estabelece limites. Sim, porque não é a nora quem coloca limite na sogra. Quem tem que proteger o relacionamento, neste caso, é o filho, é quem tem laço de sangue.

O homem deve, inclusive, entender que a parceira é sua companheira, mas não é sua mãe. É preciso ter maturidade pra isso. Saber reconhecer os papeis e, principalmente, que a vida mudou. Assumir um relacionamento significa abrir mão de algumas coisas, inclusive de certos mimos que só as mães fazem para os filhos.

Quanto maior for o grau de dependência do filho com a mãe (ou com a família), maior é o risco do relacionamento se tornar um campo minado. Quem assume uma relação séria tem que assumir também as rédeas de sua vida, construir a própria história.

Erros dos pais que impedem o crescimento dos filhos

filhos2

A superproteção faz um mal danado a molecadinha. Como vimos, pais que se dedicam demais aos filhos e não os deixam enfrentar a vida por si mesmos, impedem-os de serem felizes. Pelo contrário, levam-os a infelicidade. Sem contar nas dificuldades emocionais: ansiedade, dificuldade de lidar com frustrações, ausência de autonomia, baixa autoestima, insegurança… E por aí vai.

Por incrível que pareça, cometemos alguns erros que sequer notamos que estão afetando negativamente nossos filhos. Veja os mais comuns:

Intervir diante das primeiras dificuldades enfrentadas pelas crianças. Tem mãe que, diante do primeiro problema do filho, precisa ir lá socorrer, ajudar. Está errado! E sabe o que é mais curioso? Conheço pais que, mesmo quando os filhos já estão na faculdade, vão na instituição pra brigar com a direção pela nota dada pelo professor. Ridículo!!!

Desde cedo os pais devem permitir que os filhos aprendam a superar situações incômodas. Se os pais (ou outros cuidadores) se apresentam como os “salvadores”, a molecadinha nunca saberá gerenciar seus próprios recursos, administrar seus valores e limitações, e se tornarão pessoas eternamente dependentes (num relacionamento amoroso futuro, isso vira um desastre).

Outro erro comum: dar comidinha pro filho, mesmo quando já consegue comer sozinho. Com a desculpa de que demora demais ou faz muita sujeira, impedem os filhos de desempenharem uma das primeiras atividades que desenvolvem a autonomia.

Os pais também devem permitir que as crianças vistam-se sozinhas. Demora mais? Demora! E muitas vezes fazem bobagem. Mas é algo importante para aprenderem a se virar. Além disso, ajuda-os a fazerem escolhas, combinações… Claro, não deve deixar a criança “mergulhar” no guarda-roupas e pegar qualquer coisa. Pode orientar apontando o tipo de roupa que pode ser usada na ocasião, mas, dentro das peças que possui, deixá-la escolher e vestir-se.

E, para concluir, é fundamental que as crianças aprendam a lidar com a frustração. Os pais têm papel importante nisso, principalmente porque devem usar a frustração, a decepção dentro de uma lógica educativa. Ou seja, precisam ensinar as crianças que perder algumas vezes é natural, porém isso não significa que devam desistir. Pelo contrário, é necessário mostrar o valor do esforço, animá-las a tentar de novo. E, principalmente, ajudá-las a se perdoarem por nem sempre darem conta de realizar determinadas tarefas, por fracassarem. E que são amadas pelo que são, não por suas conquistas, por seus méritos.

Pais não são amigos dos filhos

pais e filhos1
Confesso que muitas vezes me sinto tentado a confidenciar certas coisas aos meus filhos. Num tempo em que a gente praticamente não tem amigos, não consegue confiar nas pessoas, os filhos parecem ser “o ouvido” ideal.

Mas não são. Filhos são filhos. Não são amigos.

Na verdade, é um erro mudar a dinâmica do relacionamento pais e filhos. Pais são referência, são exemplo, não são amigos. Com amigo, temos outro tipo de relacionamento. Sei que muita gente usa o argumento “seu pai é seu melhor amigo” ou “sua mãe é sua melhor amiga”, mas, quando isso acontece, perdem os pais, perdem os filhos.

A situação é muito problemática na infância, adolescência e juventude. No entanto, na fase adulta, também há prejuízos.

Antes da maturidade, quando os filhos são feitos confidentes dos pais, atropela-se o bom senso… Eles desconhecem o universo adulto. Não possuem experiência suficiente para ajudar os pais. E o desenvolvimento emocional deles fica comprometido, porque criam expectativas distorcidas do que é a vida adulta. Além disso, esse tipo de dinâmica, aprisiona os filhos. Impede-os de ter novas experiências.

Lamentavelmente, as confidências muitas vezes estão voltadas para o que acontece entre o pai e a mãe. O pai fala da mãe para o filho… A mãe fala do pai… E a criança fica no meio das frustrações do casal. O filho acaba ocupando o papel que seria do cônjuge, de um amigo, de um terapeuta. E sabe o que é pior? Muitas vezes, o filho toma partido de um deles e desenvolve sentimentos negativos. Outra consequência se dá quando o filho cresce e vai ter seu próprio relacionamento… O namorado, a namorada passam a ser referenciados pelas experiências vividas no casamento dos pais.

Os pais podem e devem falar dos seus problemas com os filhos. Se está triste, se anda com dificuldades no trabalho… Mas não dá para pedir colo. As conversas precisam ser numa perspectiva educativa. Até para mostrar que também falham, fracassam, se frustram.

Filhos também carecem de liberdade para falar com os pais. Contar seus dilemas, pedir orientação. Os pais podem ser bacanas, divertidos… Entretanto, os pais estão ali para acolher, disciplinar, conter. O papel de amigo é um; o de pai e mãe, é outro. Quando os papeis se confundem, a hierarquia é quebrada. Pode se perder o respeito e a autoridade.

A relação entre pais e filhos deve ter muito afeto, aceitação, perdão. Mas amizade é uma relação entre iguais. Presume-se mais que confidências. Entre amigos, a gente desabafa, compartilha coisas, faz coisas juntos, fala bobagem… Com amigo, a gente “peca” junto, acerta junto… Amigo interfere sim na vida da gente, mas não determina, não disciplina.

pais e filhos2

E mesmo na fase adulta, quando a relação se torna de “amigos”, tudo se confunde. Não demora para a filha estar falando do marido para a mãe… Depois, faz as pazes, se ajeita… Mas os pais acabam ficando “ariscos” com o genro. O inverso também acontece com a nora. Sem contar os casos em que se perdem os limites. Pais, filhos, netos se misturam a tal ponto que começa a faltar respeito. Ninguém cresce.

Numa conversa com a psicóloga Adrina Furlan, ela disse que pais que fazem de amigos os filhos revelam que são incapazes de ter seus próprios amigos. Assim, acabam por “escravizá-los” neste tipo de relação.

Os filhos também se tornam inseguros. É como se os pais se tornassem um “ego externo”. Como não se desenvolveram, não possuem autonomia. Não sabem julgar o que é bom ou ruim para a vida, sempre precisando do aval ou parecer dos “amigos pais” para tudo. E é obvio que isso se torna um grande desastre para a vida.

Aos pais, também não é bom, pois agindo assim nunca verão os filhos como seres separados, independentes, adultos. Passam a vida inteira considerando-os crianças, incapazes de tomar as próprias decisões.

Enfim, por mais que alguns não queiram admitir, os papéis devem estar bem definidos. A Psicologia tem mostrado que a natureza humana reclama esses limites. Entre pais e filhos, há regras, posições distintas. Para o bem de todos e desenvolvimento emocional saudável, pais devem ser só pais.

Filhos e relacionamento

filhos

Muita gente em crise no relacionamento aposta em ter um filho como forma de salvar o casamento. Entretanto, o que essas pessoas geralmente desconhecem é que uma criança, longe de aproximar, pode distanciar o casal.

A maneira como a maioria lida com a chegada de um bebê motiva o esfriamento do romance. Na verdade, para algumas mulheres, principalmente, há certa naturalização do processo: como se o casamento entrasse numa nova fase. Com menos sexo, por exemplo.

Se apostar num filho para salvar o casamento é um erro, outro maior é o cometido por muita gente que aceita o esfriamento do romance, com a chegada de um bebê, como normal. Na verdade, uma criança muda sim a dinâmica do relacionamento, mas não pode ser por muito tempo.

E os casais começam fazendo bobagem logo quando a criança nasce. Muitos colocam o bebê para dormir no mesmo quarto. Alguns chegam ao cúmulo de levá-lo para a cama do casal. Não pode! Como preservar a intimidade?

O casal precisa investir, primeiro, no relacionamento. E isso implica ter espaços muito bem definidos. A criança deve ter o próprio quarto, não ser atendida cada vez que chora… Ela precisa se acostumar a dormir sozinha. Deve crescer entendendo que os pais não giram em torno dela. O romance esfria se não dormem bem, se a criança acorda o tempo todo e, principalmente, se ocupa a cama do casal.

Quando se prioriza o romance, a criança cresce percebendo que os pais têm uma vida a dois. Que existe um tempo dos adultos. Os filhos devem ter horário para ir para o quarto. Não necessariamente para dormir (pode ser para brincar sozinha, para ler…). O casal carece de um tempo só para eles… Para assistir juntos seus programas, para cuidar da intimidade.

A socióloga da Universidade do Texas, Marie-Anne Suizzo, pesquisou casais americanos e franceses. Ela descobriu algo importante: as mulheres francesas não sacrificam a vida sexual pelos filhos. E o motivo é simples: elas entendem que, quando se casaram, escolheram um marido para construir uma vida com ele. Embora os filhos sejam preciosos, um dia vão embora. Restará o casal. Ou nem isso, se perderam-se nessa caminhada por ignorar a importância de preservar o romance.

O que seu filho vê na internet?

filhosDá trabalho ser pai. Não estou dizendo pai no sentido do gênero masculino. Muito menos do papel genitor. Falo da função educativa dos pais.

Dias atrás conversava sobre o assunto. Sustentava a tese que a vida da gente muda. E não apenas pelas horas de sono perdidas no meio da noite. Nem das vezes que se leva ao médico. Tampouco das despesas com roupas, alimentos etc. Muda porque, para a dinâmica funcionar, é necessário envolver-se, deixar de olhar para si mesmo e cuidar de um outro ser.

Essa tarefa não é nada fácil. A gente se ocupa demais da nossa vida. Por vezes, acha que “cuidar” é cuidar do material. Não deixar faltar nada. Colocar nas melhores escolas, oferecer inglês, natação… Garantir os brinquedos mais modernos. Alguns pais até demonstram afeto. Oferecem carinho, atenção.

Entretanto, hoje, isso não basta. Tem que envolver-se e participar do cotidiano dos filhos. Isso significa saber o que a molecada faz na internet.

Teve uma época que precisávamos saber o que os filhos assistiam. Hoje, é fundamental conhecer por onde navegam. Que sites visitam? Que vídeos vêem? Com quem conversam?

Nossos filhos não têm apenas acesso à rede. Eles dominam as tecnologias melhor que nós. Conhecem serviços que desconhecemos. Usam o computador, o tablet, o celular… Baixam programas, aplicativos. Quando paramos cinco minutinhos ao lado deles, ficamos admirados com a habilidade que possuem ao navegar. Ao mesmo tempo, assustados. E por medo do desconhecido, deixamos nossos filhos por conta deles mesmos.

Fora da rede, os consideramos crianças; mas, quando estão na web, preferimos ignorar o que fazem.

Sabe o que é pior? Quando descobrimos que fizeram algo que consideramos errado, disparamos a falar. Gritamos, discursamos, colocamos de castigo. Silenciamos a própria responsabilidade. Afinal, é a falta de orientação que leva nossos filhos a navegarem por portos inseguros.

Até jogos que os pequenos usam nos tablets podem abrir chats para diálogos com desconhecidos. Podemos confiar? Será que o risco é zero? Convenhamos, qualquer moleque com domínio tecnológico desenvolve um aplicativo e coloca na rede. E aí nossos filhos usam…

Não dá mais para ignorar. Precisamos acompanhar, vigiar. Não se trata de proibir. Mas de conhecer e auxiliar nossos filhos com diálogo franco, sincero.

Dá trabalho, né? Porém, é assim que funciona. Quem quer educar direito, deve envolver-se. Do contrário, não pode reclamar depois e ficar se lamentando “onde foi que eu errei?”.