Um smartphone na mão e muitas fotos na tela

​Quem aí vai a um evento sem manter o smartphone pronto para registrar algumas cenas? Pode ser um show, um aniversário, um casamento, uma apresentação dos filhos na escola… Não importa a ocasião, queremos registrar tudo, ter nossas próprias fotos.

Fazer fotos em toda e qualquer circunstância revela o desejo humano de eternizar alguns momentos, guardar suas memórias. Quando olhamos uma imagem depois de meses ou até anos, viajamos no tempo e revivemos o acontecimento.

Muitas lembranças da minha infância, também do desenvolvimento dos meus filhos são trazidas por fotos que guardamos ao longo desses anos todos. É sempre prazeroso olhar as fotografias…

Com as tecnologias digitais, cada um de nós tem uma máquina fotográfica nas mãos. O smartphone tornou esse processo do registro fotográfico muito mais simples. E por isso, de cada ocasião, não fazemos apenas duas ou três fotos. Na verdade, algumas pessoas fazem duas ou três centenas num único aniversário.

São tantas imagens registradas que, por vezes, não achamos tempo depois para selecionar as melhores, deletar as repetidas e tampouco para organizar aquelas que queremos manter conosco para sempre.

A facilidade do registro criou outro inconveniente: não importa a hora e o local, fazemos as fotos. Clicamos até em situações que não mereceriam nosso registro. Isso provoca dois problemas: não nos envolvemos com a apreciação profunda do que está acontecendo, afinal estamos mais focados nas fotos que faremos do que nas coisas que estão acontecendo; e o segundo problema é que passamos a nos movimentar nos locais como se fossemos fotógrafos profissionais, atrapalhando quem está ali a trabalho.

Recentemente, uma fotógrafa americana famosa viralizou na rede com um post reclamando de uma mulher que impediu que ela fizesse a foto da entrada da noiva na igreja com o pai dela. No momento do clique, o enquadramento perfeito foi perdido porque a mulher colocou o iPhone na frente. O álbum da noiva ficou sem a imagem perfeita. E a mulher? Qual a importância daquela foto para ela?

Situações como essas fazem a gente pensar em nossos novos hábitos. É fundamental não perdermos o bom senso. É maravilhoso registrar cenas do cotidiano, lugares que visitamos e encontros com pessoas que amamos. Mas podemos apreciar um pouco mais cada momento, sem a ansiedade de tentar guardar tudo no celular.

O olhar do fotógrafo… ou da fotógrafa

Tenho trauma de fotos. Quase sempre, sinto-me ridículo. É verdade que a “carinha” não ajuda muito. Mas parece que o registro fotográfico consegue me deixar ainda pior. Uma das poucas imagens que gosto é a que tenho neste blog, feita pela amiga Joelma Handziuk.

Fotos feitas em flagrante sempre me deixam com bico, olhos fechados, caretas… Horríveis.

Neste ano, porém, por duas vezes fui surpreendido pelo olhar fotográfico de uma aluna. Sem que eu percebesse, ela clicou e, confesso, gostei das imagens. A mais recente é essa que está aí embaixo… Apareço ao lado do acadêmico de Jornalismo e amigo, Valério Pereira. Foi feita na segunda-feira na abertura da Semana de Comunicação da Faculdade Maringá.

A foto não é para mostrar minha carinha… É só para reconhecer o talento da Renata Thomazi.

Lançamento do De Paula…

Este post é mais pra aliviar o complexo de culpa deste blogueiro… A gente esquece dos amigos e depois fica se martirizando. E talvez este seja meu grande defeito: corro demais e por vezes esqueço – ou ignoro – o que está acontecendo do meu lado.

Mas, vamos ao que interessa…

O jornalista e amigo Antonio Roberto de Paula lança hoje um videodocumentário sobre a história de Kenji Ueta, um dos primeiros fotógrafos de Maringá. O lançamento será às 20h30, no plenário da Câmara de Vereadores. O vídeo tem 53 minutos.

Como disse, o post é mais para lembrar o amigo que para divulgar o evento. O De Paula não precisa. É um grande ser humano, amigo de todo mundo, admirado pelos colegas de profissão e por gente que nada tem a ver com o Jornalismo. Certamente, vai receber um bom público hoje à noite em reconhecimento ao talento dele e em respeito à história e importância de Kenji Ueta para Maringá.

Golpe. Perdendo a calma…

Geralmente sou bastante controlado, mas hoje, no horário do almoço, perdi a calma. Motivo? Um vendedor de álbuns fotográficos. Deixa eu contar a história…

Dia desses, uma moça passou em casa fazendo propaganda de uma nova loja de produtos fotográficos. Minha esposa foi quem a atendeu. A jovem argumentou que gostaria de que conhecêssemos a empresa e, por isso, estaria fornecendo um cartão. Entretanto, alegou que, como os cartões geralmente vão para o lixo, a empresa teria adotado uma nova estratégia: faria uma foto com nossos filhos e produziria uma espécie de calendário personalizado. Dessa forma, o nome, endereço e telefone da empresa estariam sempre diante de nossos olhos. Diante dos argumentos, minha digníssima não se opôs. Dias depois, um fotógrafo passou em casa e fez algumas imagens. A Rute não achou muito comum a “sessão” fotográfica e ressaltou que, caso a empresa quisesse nos vender as fotos posteriormente, não teria interesse.

Os dias passaram e hoje, quando chego para almoçar, encosto o carro e um outro cidadão chega junto trazendo um álbum. O rapaz pediu para falar com minha esposa e, como não sabia nada dessa história, chamei-a.

Enquanto colocava o meu carro na garagem, fiquei, de longe, acompanhando a cena. O vendedor oferecia um álbum e argumentava que se tratava de um material especial, que as fotos não seriam danificadas, ainda que fossem molhadas etc etc. O preço do álbum com 10 ou 12 fotos? R$ 480,00. Barato, não? E ele ainda parcelava em seis vezes, sem juros.

À distância, ouvia minha esposa argumentar que não tinha interesse nas fotos, que as imagens tinham sido feitas sob um outro argumento (a do calendário) e que o fotógrafo já tinha sido avisado que não tínhamos interesse em nenhum álbum. O vendedor insistia, argumentava e baixava o preço. Aquilo foi me irritando… Fui até o portão, saí, retornei… Não resisti: tive que interromper. Nessa altura, o álbum já estava por R$ 130,00.

Educadamente, disse que não tinha interesse nas fotos, que não concordava com a estratégia da empresa deles e que, por isso, ainda que o álbum fosse ofertado por R$ 10,00, não ficaria com ele. O camarada me ignorou e continuou argumentando com minha esposa. Não teve jeito, fui obrigado a colocá-lo pra correr. Calma. Não bati nele e nem fiz escândalo. Não sei gritar com ninguém. Apenas fui ríspido o suficiente para dispensá-lo. Ele saiu batendo a porta do carro e minha esposa ainda o viu rasgando duas fotos…

O episódio estragou meu almoço. Simplesmente não consigo admitir tal estratégia. Classifico-a como um golpe. Como alguém pode abusar da boa vontade de alguém e tentar fazer a pessoa “engolir” um álbum fotográfico que não solicitou? Certamente a prática é ilegal. Pena que a empresa não fornece cartão, telefone, nada que possa permitir uma denúncia.