A diferença entre vitoriosos e fracassados

Existe uma grande diferença entre vitoriosos e fracassados. Os vitoriosos encontram forças para prosseguir, mesmo quando o cansaço parece insuportável; os fracassados sucumbem às dificuldades e simplesmente param.

Não gosto nenhum pouco de conversas de autoajuda. Os papos de motivação me incomodam profundamente. Porém, não sou cego… Vejo, perto de mim, pessoas que conseguem superar o desgaste da luta e persistem na busca de seus sonhos.

O sonho pode ser uma vaga numa grande universidade. Observo, principalmente, aqueles que desejam cursar Medicina, Direito, Arquitetura, Engenharia… São cursos concorridos. Poucas vagas. Para serem aprovados no vestibular, esses garotos e garotas precisam encontrar disposição para estudar quando o cérebro parece já ter dado um nó e ter se tornado incapaz de aprender qualquer coisa nova. Muitos não suportam 10, 12 horas diárias de estudo. Se estão fazendo um cursinho, começam a faltar, perdem aulas, deixam de fazer exercícios… Não raras vezes, quando isso acontece, fracassam. Outros são aprovados. E eles ficam para trás.

Na faculdade, conheço jovens que acham tudo difícil. Reclamam quando são solicitadas leituras. Os textos com frequência são tidos como muito difíceis. Acham chatas todas as aulas. O intervalo de 15 minutos entre as aulas se torna meia hora. Encontram “motivos” para chegarem atrasados. Por outro, trinta minutos antes do término das aulas, já estão guardando canetas, lápis, cadernos. São pessoas que dizem ter sonhos, mas não querem enfrentar as dificuldades que surgem durante o percurso.

Nas empresas, já vi muitos funcionários falarem mal do chefe porque acham injusto, numa situação ou outra, ter que fazer o trabalho de outras pessoas. Parecem pouco dispostos a resolver problemas que “não são deles”. Outros atendem mal, nunca querem colaborar… Ficar depois do expediente então? Nem pensar!

Nos relacionamentos, a situação não é diferente. Vitoriosos são aqueles que estão dispostos a pagar o preço da escolha que fizeram. Investem suas energias, recursos…

Sabe, não existe caminho fácil em nada que optarmos por fazer. Sempre existirão mais forças reativas, querendo nos puxar para trás, que forças ativas, criadoras, criativas, que impulsionam nosso desenvolvimento. E é muito fácil a gente se deixar levar pela onda do “não consigo”, “não posso”, “não vai dar certo”, “isso não é justo”… Também é mais fácil colocar a culpa nos outros: “meu professor é um idiota”, “esse chefe quer me explorar”…

O que acontece é queremos as vitórias, mas não aceitamos enfrentar as dificuldades que trazem sofrimento durante a caminhada.

Lembro, porém, mais uma vez, que todo aprendizado implica em dor, sofrimento. Todo crescimento é resultado de esforço, persistência. E isso significa saber lidar com as lágrimas.

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Quando as barreiras estão em nossa mente

limites

Durante muitos anos, comentaristas esportivos, especialistas em fisiologia e até médicos, disseram que o ser humano nunca poderia correr uma milha de distância em menos de quatro minutos. E, para isso, davam várias explicações. Entretanto, na manhã do dia 6 de maio de 1954, Roger Bannister correu os mais de 1,6 mil metros (que resultam em uma milha) em 3:59,4. Foi um acontecimento histórico. Era a primeira vez que um homem superava a barreira dos 4 minutos numa corrida de uma milha. Entretanto, desde então, essa marca foi superada dezenas e dezenas de vezes.

Embora esse caso possa parecer não dizer muita coisa, na verdade, ilustra que, muitas vezes, as barreiras são resultado de nossa imaginação. Sim, algumas barreiras estão dentro de nós, não são reais. Durante muitos anos, profissionais de diferentes áreas do conhecimento acreditaram – e convenceram outras pessoas – que o homem era incapaz de correr uma milha em menos de 4 minutos. Era uma crença, não uma realidade.

Quantas pessoas acham que nunca vão aprender matemática? Nunca conseguirão assimilar uma segunda língua? Ou mesmo nunca serão bem sucedidos no amor?

Muitas barreiras que impedem o sucesso de nossos projetos nascem na mente e são realimentadas por ideias nossas e por pessoas que, de alguma maneira, nos desestimulam. Isso geralmente nos acomoda, coloca-nos numa zona de conforto. Aceitamos que somos incapazes, que temos limites e dali não saímos. Porém, o que caracteriza os inovadores e as pessoas criativas é justamente a crença no que parece impossível. Os vitoriosos não se movem como a maioria; eles buscam romper os próprios limites. Conta-se que Steve Jobs, quando encomendou o desenho do primeiro iPhone, solicitou que os engenheiros não olhassem para os aparelhos tradicionais, não os tivessem como referência, mas apostassem em algo inusitado. Bem, o resultado todo mundo conhece: o iPhone iniciou uma revolução no mercado de smartphones em todo planeta.

Albert Szent-Györg, descobridor da vitamina D, certa vez disse:

A genialidade está em ver o que todo mundo tem visto e pensar o que ninguém tem pensado.

Todas as pessoas possuem um potencial que pode ser melhor desenvolvido. Porém, geralmente passam a vida se justificando para não aspirar um determinado posto ou para não ter relacionamento com uma certa pessoa (e isso, não raras vezes, faz com que se perca a pessoa amada para outro). É como se nos sentíssemos não merecedores de alguns benefícios ou reconhecimentos. Acreditamos que, sendo mais “humildes”, seremos aceitos pelos demais e assim abdicamos do direito de nos destacarmos.

É verdade que romper com nossas barreiras mentais não significa conquistar tudo que desejamos. No entanto, quem supera esses “bloqueios”, tem muito mais possibilidade de transformar sonhos em realidade. E o caminho para isso começa numa mudança de atitude em relação a si mesmo e ao mundo. Não adianta ficar repetindo “eu sou assim mesmo”. É preciso explorar o mundo, tentar coisas diferentes, descobrir-se. A vida é apaixonante demais. Não dá para nos conformarmos com migalhas.

O sucesso pede mudanças

desconhecido

Quem já andou por trilhas no meio da mata talvez tenha percebido que muitas delas são bastante sinuosas, com obstáculos… Formam caminhos nem sempre práticos para se chegar ao destino. Curiosamente, algumas delas nem foram feitas por mãos humanas; apenas foram adaptadas por terem menos vegetação. Há trilhas, inclusive, que eram originalmente “caminho” de animais, mas que passaram a ser o trajeto usado pelos homens para exploração da mata.

Nosso cérebro funciona mais ou menos da mesma forma. Quando acessamos uma informação nova, cria-se um novo caminho ali. No início, sempre há certo estranhamento. Por exemplo, quando vamos a um supermercado pela primeira vez, temos dificuldades para explorar cada setor. Se repetirmos as compras sempre no mesmo lugar, logo faremos tudo “no automático”.

É assim que funciona com tudo. Do jeito que trabalhamos, do jeito que compramos, comemos e, em alguns casos, até do jeito que fazemos sexo. Entretanto, há um risco nisso. Um sério risco. Tudo que se torna automático deixa de ser experimentado, vivido. É como se nos tornássemos robôs. Aos poucos, vai ficando chato, perdendo a graça. Acontece que, pelo medo de ousar, optamos pelo “caminho mais fácil”.

Mas há um outro problema. Quando algo que fazemos dá muito certo, passamos a utilizar aquela fórmula como se fosse a “receita do sucesso”. E isso não é nada bom. Primeiro, porque nos tornamos previsíveis; segundo, porque a vida é dinâmica e o que hoje dá certo, amanhã pode fracassar. O futebol é um exemplo disso. O Brasil de Felipão usou uma tática vencedora na Copa das Confederações. Repetiu na Copa do Mundo e deu no que deu: a seleção foi presa fácil para os alemães.

Isso vale pra tudo. No relacionamento, o que hoje agrada demais seu parceiro, amanhã pode perder a graça e ganhar contornos de rotina (em seu pior sentido). No trabalho, a estratégia que hoje te faz vender muito, amanhã pode se revelar um fiasco.

O que quero dizer com isso? Muito simples: não podemos nos engessar pelo sucesso. O sucesso pode ser mais perigoso que o fracasso. O fracasso aponta o erro e a necessidade de mudar. O sucesso ilude e faz temer a mudança. Não mudar é estagnar. E estagnar é o primeiro passo para a derrota. Precisamos entender que o que deu certo uma, duas… dez vezes não representa um modelo a ser seguido. O mundo está em constante movimento e modelos são superados. Nosso cérebro sempre vai sugerir os caminhos já percorridos, já conhecidos. Porém, não dá para se iludir com a aparente segurança que temos em apostar no que está dando certo. “Em que time que está ganhando” também se mexe.

Artistas descartáveis

fama

Um dos temas mais recorrentes em aula, quando discuto com meus alunos sobre a música contemporânea, é a efemeridade do sucesso. Os anônimos de hoje podem ser celebridades amanhã. As celebridades de hoje podem ser artistas tidos como fracassados amanhã.

Na verdade, não considero um fracasso aqueles que deixam de estar em evidência na mídia; penso que são apenas vítimas de uma lógica cruel. Artistas são produtos. E semelhante à moda que vive momentos – as chamadas tendências da moda -, os produtos da indústria cultural são descartáveis. Permanecem apenas alguns nomes que resistem aos modismos.

Pensava nisto nesta manhã quando vi uma nota no F5, da Folha.

Após cobrar R$ 120 mil no auge, Naldo agora faz shows por R$ 15 mil

Eu nunca ouvi nada desse funkeiro. O máximo que conheço da voz dele foi por “trombar” com um comercial de uma operadora de celular. Também vi alguns títulos de notas publicadas em sites sobre a carreira dele, e em especial a respeito do casamento com outra celebridade do momento, a Mulher Moranguinho.

Não sei se Naldo é bom ou ruim. Nem estou interessado em saber. Entretanto, quando vira notícia por reduzir o cachê, a mídia inicia o processo de desconstrução da imagem. Repete uma fórmula conhecida: o sucesso ou o fracasso das celebridades vende notícias. Quando parar de vender, o artista sai de vez do cenário midiático – terá cumprido seu ciclo (do anonimato à fama, da fama ao limbo).

É fácil perceber o quanto são descartáveis. Se voltássemos no tempo, e não precisa ir tão longe… cinco anos atrás, notaríamos que muitos daqueles que estavam em destaque, já foram esquecidos. E os sobreviventes geralmente são aqueles que já tinham história e alguns poucos que têm talento de fato ou criaram uma identificação maior com o público, adaptando-se, principalmente, às novas tendências.

Como produtos, os artistas são usados pela indústria. Interessam enquanto geram lucro. Depois, muitos deles praticamente pagam a fim de encontrar uma casa de shows que abra espaço para se apresentarem – ou, no caso de atores, se submetem a fazer qualquer programa de humor, filme de quinta categoria etc para manter viva a carreira. Simplesmente perderam o encanto. E a insistência de alguns deles em sobreviver até parece incomodar. É a cultura do descarte que se repete dia após dia, com a concordância de todos nós, consumidores de “arte”.

A vitória dos derrotados

As vitórias cotidianas não bastam; é preciso que o mundo as reconheça
As vitórias cotidianas não bastam; é preciso que o mundo as reconheça

Nunca fui atleta. Até pratico atividades físicas, mas esporte não é meu forte. Quando adolescente, ainda no colégio, brincava um pouco de vôlei, basquete… Nada muito além disso. Futebol? Só se fosse pra acertar a canela do adversário. Por isso, não tenho como dimensionar a sensação de ver uma competição, por exemplo. Mas sei que ganhar é sempre bom. Nem que seja um jogo de xadrez.

Entretanto, vale tudo pela vitória?

Pensava nisto ao ver a declaração de Lance Armstrong.

O ciclista sete vezes campeão da Volta da França disse que se dopava pela sedução da vitória. O uso de substâncias químicas para obter maior rendimento no esporte ou noutras atividades é assunto bastante complexo. Será que Armstrong não seria o melhor dos “dopados”? Quem não usa?

Vencer é mesmo um negócio legal. E até viciante. Faz um bem enorme para o ego. Estar no topo faz o sujeito se sentir importante. Quem ganha é elogiado, aplaudido… Vitórias são celebradas. Ao primeiro, todas as honras. Ser segundo… ou só competir, pra muitos, é sinônimo de fracasso. O mundo prestigia os “melhores”.

Talvez por isso todo mundo queira estar no topo. Quem sabe também seja esta a razão que motiva muita gente a atropelar o bom senso, as regras e até mesmo a ética para vencer.

Armstrong pode ser considerado um atleta que corrompeu o sistema, maculou a prática esportiva… Mas ele não é o único culpado. A sociedade também é responsável. É responsável na medida que glamoriza as vitórias e diminui quem não é o primeiro – principalmente em tempos midiáticos. Não ser o primeiro é aceitar a mediocridade. Este é o discurso. Afinal, não se diz por aí que o segundo é o primeiro dos derrotados?