Você já cometeu um erro muito grande?

Já fez uma besteira enorme? Como você se sentiu? Se arrependeu imediatamente? 

Outra coisa… e as consequências do seu erro? Você conseguiu evitar as consequências? Conseguiu reparar os erros? 

Eu poderia listar vários erros que cometi. Alguns deles não me causaram arrependimento na hora. Mesmo tendo causado estragos, fiquei desconfortável, triste, mas não necessariamente arrependido. O tempo, porém, foi me fazendo ver o que eu não tinha visto. E pouco a pouco, creio que pela ação do Espírito Santo, fui sendo profundamente tocado e meu coração ficou em pedaços. Me arrependi profundamente.

Mas… e aí… o que fazer?

A declaração de Davi, no Salmo 6, versos 1 e 2, reflete um pouco de como me senti: “Senhor, não me castigues na tua ira nem me disciplines no teu furor. Misericórdia, Senhor, pois vou desfalecendo! Cura-me, Senhor, pois os meus ossos tremem; todo o meu ser estremece”

Você conseguiu sentir a dor de Davi? Conseguiu notar o arrependimento de Davi? Davi clama por misericórdia. Todo o corpo dele dói. Os ossos estremecem. Davi está desfalecendo. E ele pede misericórdia. Pede que o Senhor não o castigue. Sabe, raramente nossos erros permanecem impunes.

Quando a gente erra feia, a gente colhe as consequências. Mas, se nos arrependemos, Deus nos perdoa. E o perdão de Deus é o que mais importa.

Ainda que nesta vida a gente colha as consequências dos erros que cometemos, ter acesso a misericórdia de Deus faz toda a diferença. E sabe por quê? Porque o perdão dele nos permite seguir a vida aqui em paz. Talvez a gente perca algumas coisas, mas podemos ser restaurados, reconstruídos e seguir em frente, em paz. E sabe por que seguimos em paz? Porque nenhuma perda terrena se assemelha a perda da salvação. Guarde essa palavra no coração! 

Você torce pelo fracasso de alguém?

Você já se pegou torcendo contra? Torcendo pelo fracasso alheio? Torcendo para que a outra pessoa se dê mal?

Por diferentes motivos, vez ou outra, esse sentimento mesquinho se apossa de nós: queremos que tudo dê errado para o outro.

Isso acontece na empresa, na escola, no círculo de amigos e até na família. Por não aceitarmos determinada situação e até na esperança de que a outra pessoa aprenda uma lição, desejamos resultados ruins.

É curioso que, por vezes, nem nos importamos se vamos afundar juntos. Cegos, acreditamos que o fracasso pode trazer as mudanças que sonhamos. Ou que se faça justiça com a queda da outra pessoa.

Frequentemente, quando não temos o poder de alterar a ordem das coisas, e discordamos de algo, torcemos contra. Queremos que dê errado. Esta é nossa chance. Vislumbramos no fracasso a possibilidade do novo, ou de uma espécie de punição.

Outras vezes, silenciosamente, elegemos algumas pessoas como inimigas e queremos vê-las envergonhadas, rejeitadas. Podem não ter feito nada contra nós, mas ansiamos pela derrota. É nosso prêmio; uma espécie de vingança que alimentamos em nosso interior e que, quando se concretiza, saboreamos com muito prazer.

Não tem nada de altruísta. Pelo contrário, é mesquinho. Faz parte da maldade que nos é intrínseca. É característica nossa. Mostra quanto somos contraditórios. Revela nossa hipocrisia: a fachada de bons sujeitos, mas que esconde um coração perverso.

Faça o que precisa fazer

Você já se pegou travado, sem inspiração, sem vontade de se mexer? Confesso a você que me sinto assim muitas vezes. Bem mais do que poderia. Simplesmente, não dá vontade de sair do sofá.

No meu caso, que faço um trabalho que depende muito mais da capacidade de pensar do que das ações físicas – é um trabalho criativo, digamos assim -, sentir-se desanimado é um enorme problema. Afinal, dependo das ideias para escrever, para organizar uma aula, para elaborar um projeto.

Outras tantas vezes, o trabalho tem uma demanda específica – alguém pediu que eu fizesse uma determinada coisa. E aquilo que aceitei fazer é chato demais.

O que acontece com a gente todas as vezes que temos algo desagradável para fazer? Ficamos achando formas de fugir… Maneiras de procrastinar.

Pois é… Mas a ausência de ação nos torna improdutivos e motiva nossos fracassos.

Consciente disso, há muitos anos, venho tentando colocar em prática uma espécie de lema: “simplesmente, comece; faça alguma coisa”. Também tenho repetido essa ideia para pessoas próximas. “Comece e não pare!”

Pode parecer bobagem, mas não é. Quando estamos desanimados, sem vontade de fazer qualquer coisa, não adianta sentarmos ou ficarmos na cama, esperando a vontade chegar. Ou um problema passar.

É preciso se mexer e começar.

“Ah… Mas eu não sei nem começar”, talvez você alegue.

Comece assim mesmo. Fale com alguém, pergunte… Faça uma pesquisa na internet… Mas tente começar. Quando a gente se mexe, parece que o universo conspira a nosso favor e as coisas começam a dar certo.

Quando começamos, de certo modo, mandamos um recado para o cérebro: “se mexa; vamos trabalhar!”. As coisas começam a dar certo… E o que é mais impressionante: quando começamos a produzir, nosso corpo reage e nos sentimos mais animados.

Isso é garantia de que amanhã você estará bem disposto? Claro que não. É bem provável que esteja sem vontade como todos os outros dias. Mas você vai fazer de novo o que precisa ser feito. E talvez, em algum momento, você perceba que o início de um projeto pode ser bastante dolorido, mas a satisfação de vê-lo realizado se torna a maior recompensa.

O segredo da vida está em resolver problemas

A ideia de felicidade é uma das grandes bobagens da contemporaneidade. É uma ilusão que move milhões e milhões de pessoas apenas para se frustrarem e, pior, sentirem-se fracassadas.

Porque quando a gente descobre que não consegue ser feliz, a gente se sente o pior dos seres humanos.

Você abre o Instagram e vê ali todo mundo sorrindo, passeando, viajando… Você olha e diz: “cara, que droga de vida a minha”.

O problema é que a gente sabe, e só não quer acreditar, que aquilo que se publica no Instagram e noutras redes sociais é apenas uma projeção – uma imagem idealizada do melhor de si.

Entretanto, a imagem vende. Vende uma ideia. Vende um desejo.

E a gente chega a se iludir achando que todo mundo está bem e só a gente está numa pior.

Acontece que a vida real é bem difícil. As dores são mais frequentes que poderíamos imaginar. E não há fase na vida em que não estejam presentes.

Na verdade, um problema resolvido só significa uma coisa: o início de um novo problema. Sim, porque ele virá.

O escritor Mark Manson tem uma frase que eu acho demais. Diz ele que “​o segredo está em resolver problemas, e não em não ter problemas”.

Enquanto a gente não entender que todos os dias teremos problemas pra resolver, seremos infelizes. Não vamos conseguir nos alegrar com os momentos da vida que poderiam ser alegradores.

E esta é a chave do sucesso de quem tem uma boa vida: ter compreendido que a vida tem problemas – muitos, por sinal. E o que nos diferencia é justamente a forma como lidamos com os problemas: passamos a vida achando que somos as únicas vítimas ou enfrentamos as dificuldades e tentamos superá-las para, daqui a pouco, começar tudo de novo.

Nem sempre somos responsáveis pelo fracasso

Uma onda otimista tomou conta dos Estados Unidos em 2008. O então candidato à presidência, Barack Obama, mobilizou milhões de pessoas com uma ideia: “Yes, we can” – sim, nós podemos!

Embora a frase seja maravilhosa e seja ainda mais incrível acreditar na possibilidade de, juntos, mudarmos um país, não é verdade que podemos tudo.

Tenho insistido que precisamos buscar a excelência, fazermos o nosso melhor, nos dedicarmos… Até porque a vida dá muito pouco para os acomodados. Porém, também não há garantias de que nosso empenho será plenamente recompensado.

Sabe por quê? Porque nem tudo depende de nós.

Um dos maiores problemas de acreditar que o sucesso depende exclusivamente da gente é que isso faz com que a responsabilidade pelo fracasso também seja só nossa. E isso não é verdade.

Um exemplo… Não há garantia de que todo nosso empenho será suficiente para evitarmos ser considerados ultrapassados no ambiente profissional. O discurso da época é que precisamos nos qualificar, fazer treinamentos, cursos… No entanto, o sistema é mais ágil, as mudanças são mais rápidas do que podemos acompanhar. Em algum momento, seremos ultrapassados, inadequados… dinossauros.

Também não temos como controlar o fechamento de milhares de postos de trabalho em função do avanço tecnológico. Algumas profissões estão deixando de existir. E nada do que as pessoas fizerem, individualmente, será suficiente para impedir o possível desemprego.

Portanto, ainda que seja fundamental manter-se otimista e empenhar-se para fazer o nosso melhor, nem tudo depende de nós. Há coisas que são inerentes ao sistema, que necessitam da interferência do Estado, das empresas e até das ciências para que a vida das pessoas não seja afetada negativamente.

Quando os especialistas em autoajuda, quando o mercado, a mídia e até mesmo a escola insistem em dizer que “nós podemos”, prestam um desserviço às pessoas. Jogam no colo das pessoas a responsabilidade pelo insucesso, pelo fracasso… E isso é muito cômodo, porque isenta essas instâncias do dever de cuidar das pessoas, de proteger os indivíduos.

O que é ainda é pior… Como muita gente acredita que a culpa é delas se as coisas dão errado, milhares de pessoas sofrem. Sofrem com estresse, ansiedade, depressão, baixa autoestima.

Por isso, meu recado hoje é bastante simples: nós não podemos tudo! Nem tudo está sob nosso controle.

Mais difícil que admitirmos o erro é aceitar que voltaremos a falhar

A gente comete erros o tempo todo. Alguns mais graves, outros quase sem importância. Como a gente lida com esses erros é o grande desafio.

Com frequência, muitos de nós não queremos admitir os erros… Admitir que falhamos.

Buscamos justificativas.

O serviço deveria ter sido feito por outra pessoa… Alguém esqueceu de nos avisar… Terminamos o serviço no tempo certo, só faltou as outras pessoas fazerem a parte delas…

Nem sempre a gente verbaliza essa busca de justificativa para a falha pessoal. Às vezes, esses argumentos ficam passeando em nossa cabeça. As coisas ficam acontecendo dentro de nós.

Curiosamente, em alguns casos, nem existe alguém nos cobrando pelo erro.

O problema é a gente com a gente mesmo. E ainda assim, encontramos dificuldade para aceitar que o erro foi nosso.

Eu costumo dizer que reconhecer o erro é o primeiro passo para acertarmos da próxima vez. Mas às vezes tenho a impressão que não queremos reconhecer por medo de falharmos novamente.

Dentro de nós habita a insegurança. Sentimos que vai dar errado outras tantas vezes e se reconhecermos que os erros são causados por falhas nossas, parece que estaremos admitindo que somos fracos, incapazes. Que não temos qualidades que nos qualificam para fazer o que fazemos, para estar onde estamos.

Lidar com todas essas emoções talvez seja ainda mais difícil que admitir o próprio erro. Porque significa aceitar que nem sempre somos o que gostaríamos de ser. E que, como pessoas, não somos tão bons como desejávamos ser.

A diferença entre vitoriosos e fracassados

Existe uma grande diferença entre vitoriosos e fracassados. Os vitoriosos encontram forças para prosseguir, mesmo quando o cansaço parece insuportável; os fracassados sucumbem às dificuldades e simplesmente param.

Não gosto nenhum pouco de conversas de autoajuda. Os papos de motivação me incomodam profundamente. Porém, não sou cego… Vejo, perto de mim, pessoas que conseguem superar o desgaste da luta e persistem na busca de seus sonhos.

O sonho pode ser uma vaga numa grande universidade. Observo, principalmente, aqueles que desejam cursar Medicina, Direito, Arquitetura, Engenharia… São cursos concorridos. Poucas vagas. Para serem aprovados no vestibular, esses garotos e garotas precisam encontrar disposição para estudar quando o cérebro parece já ter dado um nó e ter se tornado incapaz de aprender qualquer coisa nova. Muitos não suportam 10, 12 horas diárias de estudo. Se estão fazendo um cursinho, começam a faltar, perdem aulas, deixam de fazer exercícios… Não raras vezes, quando isso acontece, fracassam. Outros são aprovados. E eles ficam para trás.

Na faculdade, conheço jovens que acham tudo difícil. Reclamam quando são solicitadas leituras. Os textos com frequência são tidos como muito difíceis. Acham chatas todas as aulas. O intervalo de 15 minutos entre as aulas se torna meia hora. Encontram “motivos” para chegarem atrasados. Por outro, trinta minutos antes do término das aulas, já estão guardando canetas, lápis, cadernos. São pessoas que dizem ter sonhos, mas não querem enfrentar as dificuldades que surgem durante o percurso.

Nas empresas, já vi muitos funcionários falarem mal do chefe porque acham injusto, numa situação ou outra, ter que fazer o trabalho de outras pessoas. Parecem pouco dispostos a resolver problemas que “não são deles”. Outros atendem mal, nunca querem colaborar… Ficar depois do expediente então? Nem pensar!

Nos relacionamentos, a situação não é diferente. Vitoriosos são aqueles que estão dispostos a pagar o preço da escolha que fizeram. Investem suas energias, recursos…

Sabe, não existe caminho fácil em nada que optarmos por fazer. Sempre existirão mais forças reativas, querendo nos puxar para trás, que forças ativas, criadoras, criativas, que impulsionam nosso desenvolvimento. E é muito fácil a gente se deixar levar pela onda do “não consigo”, “não posso”, “não vai dar certo”, “isso não é justo”… Também é mais fácil colocar a culpa nos outros: “meu professor é um idiota”, “esse chefe quer me explorar”…

O que acontece é queremos as vitórias, mas não aceitamos enfrentar as dificuldades que trazem sofrimento durante a caminhada.

Lembro, porém, mais uma vez, que todo aprendizado implica em dor, sofrimento. Todo crescimento é resultado de esforço, persistência. E isso significa saber lidar com as lágrimas.

Quando as barreiras estão em nossa mente

limites

Durante muitos anos, comentaristas esportivos, especialistas em fisiologia e até médicos, disseram que o ser humano nunca poderia correr uma milha de distância em menos de quatro minutos. E, para isso, davam várias explicações. Entretanto, na manhã do dia 6 de maio de 1954, Roger Bannister correu os mais de 1,6 mil metros (que resultam em uma milha) em 3:59,4. Foi um acontecimento histórico. Era a primeira vez que um homem superava a barreira dos 4 minutos numa corrida de uma milha. Entretanto, desde então, essa marca foi superada dezenas e dezenas de vezes.

Embora esse caso possa parecer não dizer muita coisa, na verdade, ilustra que, muitas vezes, as barreiras são resultado de nossa imaginação. Sim, algumas barreiras estão dentro de nós, não são reais. Durante muitos anos, profissionais de diferentes áreas do conhecimento acreditaram – e convenceram outras pessoas – que o homem era incapaz de correr uma milha em menos de 4 minutos. Era uma crença, não uma realidade.

Quantas pessoas acham que nunca vão aprender matemática? Nunca conseguirão assimilar uma segunda língua? Ou mesmo nunca serão bem sucedidos no amor?

Muitas barreiras que impedem o sucesso de nossos projetos nascem na mente e são realimentadas por ideias nossas e por pessoas que, de alguma maneira, nos desestimulam. Isso geralmente nos acomoda, coloca-nos numa zona de conforto. Aceitamos que somos incapazes, que temos limites e dali não saímos. Porém, o que caracteriza os inovadores e as pessoas criativas é justamente a crença no que parece impossível. Os vitoriosos não se movem como a maioria; eles buscam romper os próprios limites. Conta-se que Steve Jobs, quando encomendou o desenho do primeiro iPhone, solicitou que os engenheiros não olhassem para os aparelhos tradicionais, não os tivessem como referência, mas apostassem em algo inusitado. Bem, o resultado todo mundo conhece: o iPhone iniciou uma revolução no mercado de smartphones em todo planeta.

Albert Szent-Györg, descobridor da vitamina D, certa vez disse:

A genialidade está em ver o que todo mundo tem visto e pensar o que ninguém tem pensado.

Todas as pessoas possuem um potencial que pode ser melhor desenvolvido. Porém, geralmente passam a vida se justificando para não aspirar um determinado posto ou para não ter relacionamento com uma certa pessoa (e isso, não raras vezes, faz com que se perca a pessoa amada para outro). É como se nos sentíssemos não merecedores de alguns benefícios ou reconhecimentos. Acreditamos que, sendo mais “humildes”, seremos aceitos pelos demais e assim abdicamos do direito de nos destacarmos.

É verdade que romper com nossas barreiras mentais não significa conquistar tudo que desejamos. No entanto, quem supera esses “bloqueios”, tem muito mais possibilidade de transformar sonhos em realidade. E o caminho para isso começa numa mudança de atitude em relação a si mesmo e ao mundo. Não adianta ficar repetindo “eu sou assim mesmo”. É preciso explorar o mundo, tentar coisas diferentes, descobrir-se. A vida é apaixonante demais. Não dá para nos conformarmos com migalhas.