Podcast: Saia do automático

Você vive no automático? Tem encontrado sentido pra sua vida? 

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O futuro não pode nos impedir de viver o presente

​Muitas de nossas ações são motivadas pela preocupação com o futuro.

Por que fazemos poupança? Por que pagamos a previdência? Por que procuramos ter um plano de saúde?

E o que dizer dos estudos? Investimentos numa faculdade, pós-graduação…?

Todas essas ações empreendidas hoje são desenvolvidas como investimentos no futuro. Um futuro que desconhecemos e que ainda não nos pertence.

Esses investimentos no futuro são fundamentais. Se não estudarmos, como seremos competitivos no mercado de trabalho? Se não tivermos uma poupança, o que faremos caso enfrentemos um revés financeiro?

Ou seja, embora sejam atividades que realizamos hoje voltadas para um futuro que ainda não existe, elas permitem que o nosso amanhã seja mais seguro.

Mas existe um problema: nossas preocupações com o futuro não podem afetar nosso presente a ponto abdicarmos da vida.

O que isso quer dizer? Algo muito simples. Muitos de nós, preocupados demais com o amanhã, sacrificam o hoje.

São pessoas que abrem mão de estar com a família, de ver os filhos crescerem, de estar com a esposa… São pessoas que passam meses e até anos sem visitar os pais, não encontram tempo para dar um caminhada no parque, não estão presentes em datas especiais..

A vida presente é esvaziada num jogo ilusório em que o futuro parece garantido. Um jogo que engana, pois enquanto a imagem de um futuro grandioso se projeta diante dos olhos, a prática diária constrói solidão, relacionamentos frágeis, abandono, perda dos laços familiares, filhos desapegados dos pais, falta de boa saúde física, saúde emocional comprometida por estresse, ansiedade, depressão.

Portanto, não seja uma pessoa obcecada pelo futuro; invista nele, mas não deixe que as preocupações com o futuro te arrastem e consumam sua vida.

Quando começa o futuro?

A gente vive uma verdadeira revolução. Alguns a chamam de revolução 4.0. Na prática, ela significa muitas incertezas em relação ao futuro. Principalmente, se haverá emprego para todas as pessoas.

Justamente por isso, os mundos do trabalho e da educação estão sendo impactados pela impossibilidade de prever o que vai acontecer.

No trabalho, quais as profissões do futuro? Nada se sabe. Nossa imaginação não dá conta de prever que profissões serão criadas.

Quando começa o futuro? Já começou. Vemos todos os dias gente fazendo coisas que nunca imaginaríamos.

A educação é demandada a responder essa nova realidade. Como preparar os alunos para viver esta revolução? Que conteúdos deveriam ser trabalhados em sala? Que cursos deveriam ser criados?

Não existem respostas simples. É possível, porém, deduzir algumas coisas. Há necessidade de compreendermos que lidar bem com esse mundo novo passa muito mais por uma atitude individual do que pela espera de receitas, de respostas prontas.

As mudanças são rápidas demais. Quando concluímos um curso, o conhecimento adquirido está defasado.

O segredo é estar aberto para todas as possibilidades. Partir dos conhecimentos adquiridos, mobilizá-los diante do novo e ter a capacidade de aprender outras coisas a fim de nos reinventarmos. E uma reinvenção a cada dia.

Então quais pessoas serão bem-sucedidas? Aquelas que estão atentas às tendências do mercado. Não se trata de saber tudo, mas de sentir os movimentos que ocorrem no seu entorno e ter a flexibilidade para adaptar-se.

É fundamental ter agilidade no processo de aprendizagem. Quem não se interessa por estar sempre estudando, terá muitas dificuldades.

Também é preciso ser produtivo. Fazer mais, melhor e em menos tempo.

Outra característica: manter o foco. Em tempos tão plurais e de distrações múltiplas, quem sabe bem o que quer e mantém-se focado, faz mais e conquista melhores resultados.

Ser transparente. Com as redes sociais, tudo que falamos e fazemos pode ser observado. Se escondemos algo, será descoberto. A vida que se mostra precisa ser coerente com a vida vivida.

Por fim, devemos rir de nós mesmos. Espera-se que as pessoas sejam leves, cobrem-se menos, não tenham vergonha de seus fracassos, sejam capazes de fazer graça com seus defeitos.

Aproveite o presente, mas não ignore o amanhã

Viver de olho no futuro deixando de viver o presente é um grande erro que podemos cometer. Outro ainda maior é viver o hoje não se preparando para o amanhã.

Não é fácil encontrar o equilíbrio, claro. Mas é necessário. Afinal, investir todas as energias no futuro pode fazer com que você simplesmente deixe de viver o presente. E curtir apenas o hoje pode fazer com que você não tenha amanhã.

Como a gente faz isso? Ou seja, como encontramos o equilíbrio?

Eu diria que a gente encontra o equilíbrio descobrindo o que é prioridade para cada um de nós. E, ao fazer isso, usando bem o tempo.

Viver bem o hoje, aproveitando a vida agora, não significa desperdiçar tempo.

Por exemplo, precisamos nos divertir, nos distrair. Mas existe alguma justificativa para alguém passar uma ou duas horas diante da tela de um celular navegando pelas redes sociais?

Parece-me que isso está bem distante da ideia de se aproveitar bem a vida presente.

E o que dizer de quem assiste temporadas inteiras das séries preferidas num único fim de semana?

Repito, isso não tem nada a ver com aproveitar o hoje.

Isso é jogar tempo fora.

E jogar tempo fora é jogar aprendizado fora; é jogar dinheiro fora; é jogar o futuro fora. São horas desperdiçadas que poderiam ser investidas na preparação de algum projeto específico, no desenvolvimento de habilidades emocionais e profissionais, na aquisição de um novo conhecimento…

Sem contar o investimento que pode ser feito na saúde, com atividade física, o preparo de uma alimentação mais adequada… E até o cuidado com as pessoas que a gente ama e que, por vezes, são ignoradas ao longo de nossos dias.

Portanto, entenda uma coisa: quem vive bem de fato o presente é quem aproveita o melhor dos seus dias, administrando o tempo… Fazendo o que é obrigação, também divertindo, mas plantando sementes que permitirão uma boa colheita amanhã.

Eu não gosto de esperar…

E acho que a maioria das pessoas também tem essa dificuldade.

A espera é sempre angustiante. Gera ansiedade por se tratar de um momento vazio – pelo menos é essa a sensação que temos… Trata-se de um espaço que antecede algo que a gente espera que aconteça.

Ainda que o acontecimento esperado seja ruim, não desejado e queiramos evitá-lo, até mesmo nessas ocasiões, a expectativa anterior produz ansiedade, negatividade, irritação.

Entretanto, por mais que a gente não aprecie a espera, não há como fugir dela. Sempre existirão acontecimentos a serem aguardados. Sempre existirão situações que te levam a ter de aguardar – seja o atendimento bancário ou a filha que não terminou de se arrumar pra sair.

Por não ter como fugir da espera, é necessário aprender a lidar com ela.

Essas esperas do cotidiano podem ser preenchidas por atividades úteis. Enquanto espera-se por alguém, é possível responder mensagens no celular, agendar compromissos, ler algumas notícias e, talvez, até algumas páginas de um bom livro.

A espera pelos acontecimentos importantes, que podem mudar o curso de nossa história – seja uma promoção, o resultado de um concurso, a conclusão de um curso, o nascimento de um filho ou até a esperada morte de uma pessoa querida… Esse tipo de espera não dá para simplesmente ser preenchida por atividades do cotidiano. Essa espera precisa ser trabalhada em nós, num processo inclusive de aceitação.

Alguns dos acontecimentos fazem parte do curso da vida. Outros tantos sequer podem ser controlados. Também não temos ideia prévia do quanto nos afetarão.

Por isso, a espera envolve aceitação. Aceitar que alguns acontecimentos vão sim nos impactar. Aceitar que não temos poder sobre esse tempo vazio em que aguardamos. E principalmente compreender que enquanto esperamos a vida segue… E só nos resta tentar vivê-la da melhor forma possível.

Você tem medo?

O medo é um dos nossos maiores inimigos. É capaz de silenciar o que há de melhor em nós.

Nas mais diferentes áreas da vida, sonhamos realizar determinadas coisas e, por vezes, esses sonhos permanecem sendo apenas isso: sonhos.

Isso acontece por diferentes motivos. Às vezes, as circunstâncias são impeditivas – simplesmente, não dá, por mais que a gente tente. Mas outras tantas vezes esbarramos no próprio medo.

Medo de tentar, medo de se expor, medo do que os outros vão pensar, medo de revelar nossas fraquezas.

Todos nós temos uma espécie de instinto de preservação. Em maior ou menor medida, não queremos correr certos riscos.

E, para a busca de um sonho, é necessário se mexer. Ao se mexer, o mundo que está ao entorno também se move e nota que você está tentando fazer algo diferente.

Quando permanecemos imóveis, ou nos deixamos levar pelo movimento natural da vida, quase não somos notados. Isso traz segurança. Até certo conforto. E gente invisível não incomoda e nem se torna vidraça.

Por isso, sentimos medo do que pode acontecer, caso tentemos alguma coisa fora do lugar que parece já estar reservado a nós.

Entretanto, se não houver ousadia, se não assumirmos riscos, permaneceremos no lugar de sempre. Nada novo ocorrerá em nossa vida.

Carreira, relacionamentos, viagens… Nada escapará do comum, porque não plantamos para sermos incomuns. 

Portanto, que possamos nos dispor a enfrentar nossos medos e sejamos ousados na realização de nossos sonhos.

Como ser um profissional indispensável com o advento da inteligência artificial?

A substituição de trabalhadores por máquinas é uma realidade há muitos anos. A indústria vivencia o fenômeno da automação desde meados do século 18. Entretanto, a criação dos computadores acelerou o processo.

Mais recentemente, com o desenvolvimento da inteligência artificial, estima-se que, nos próximos anos, milhões de postos de trabalho serão fechados.

Alguns falam em pelo menos 1 bilhão de vagas fechadas. Outros dizem que 3 em cada 10 empregos deixarão de existir. Seja como for, trata-se de uma realidade que se impõe e que deve fazer com que a gente se mexa e procure compreender que profissional vai sobreviver a isso tudo.

Muitas pessoas estão alheias. Acomodadas, diria. Noto, principalmente entre os jovens, que serão os mais afetados, certa displicência com a formação. Até valorizam a busca de um diploma, mas nem todos se importam com a busca de um conhecimento que poderá diferenciá-los no mercado.

E ser diferenciado é o que vai determinar a sobrevivência profissional. A inteligência artificial é capaz de pensar 5 mil vezes mais rápido que nós. Como competir com isso?

Não somos tão bons… Também falhamos na execução de tarefas. Já os robôs são precisos.

O diferencial humano está em habilidades que a inteligência artificial não possui. Por exemplo, a criatividade, a imaginação, a intuição, a inteligência emocional e a curiosidade.

Mas quem de nós hoje reúne essas habilidades?

Por exemplo, como anda nossa imaginação? Nós que já passamos dos 40 anos… Quando éramos crianças, um cabo de vassoura poderia se tornar um cavalo, com o qual brincávamos por horas.

Recordo que eu subia no tronco de uma mangueira e ali eu me tornava o comandante de uma grande nave espacial. Ficava sentado ali por horas… Quietinho. As viagens aconteciam na minha mente.

Isso se chama imaginação.

Robôs não podem imaginar. Robôs não são criativos. Robôs não possuem curiosidade. Nem inteligência emocional e intuição.

Porém, essas habilidades humanas não são desenvolvidas apenas com esforço repetitivo ou conteúdos das disciplinas básicas da escola. Nem mesmo com livros de autoajuda ou palestras de motivação.

Essas habilidades são desenvolvidas em experiências estéticas plenas. Precisamos da literatura, do cinema, das artes plásticas, da música… Necessitamos viajar… E, principalmente, ter tempo pra viver.

O estresse, as rotinas, o esgotamento mental, que se tenta compensar com happy hour ou a balada com os amigos, embotam nossa capacidade de pensar criatividade, imaginar, intuir… Tornam nossa curiosidade uma curiosidade restrita às fofocas dos amigos e silenciam a inteligência emocional.

Preocupações com o futuro…

É quase impossível não se preocupar com o futuro. A gente pensa no emprego, no relacionamento, nos filhos… E no país. Como idealizamos a vida que gostaríamos de viver e observamos os movimentos diários que podem nos levar a lugares e acontecimentos não desejados, sofremos antecipadamente.

Isso acontece comigo e, penso, com quase todas as pessoas.

O problema é que, ao nos preocuparmos, ocupamos nossas mentes com situações que sequer ocorreram e, mais que isso, que por vezes não temos controle.

É possível evitar a morte de uma pessoa querida? Não. É possível curar a doença de um filho? Não. É possível evitar a falência da empresa para a qual trabalhamos? Não. É possível evitar que o parceiro te abandone? Não. É possível impedir que uma pessoa seja eleita para comandar a nação? Não.

Podemos sim plantar sementes do bem diariamente. Fazemos isso amando nossos filhos, investindo no relacionamento, nutrindo boas amizades, fazendo escolhas políticas sensatas, coerentes… Mas nada disso é garantia de que evitaremos desastres, lágrimas, abandono…

Por isso um dia Cristo disse para não nos preocuparmos com o dia de amanhã. Afinal, basta a cada dia o seu mal.