Cinco meses depois, ainda não foram punidos responsáveis por massacre de professores

No dia 29 de abril deste ano, assistimos cenas que achávamos impossíveis de acontecer. Professores paranaenses foram massacrados em Curitiba. Pelo menos duas centenas de pessoas saíram feridas da chamada “Batalha do Centro Cívico”.

Na ocasião, os professores protestavam contra medidas propostas pelo governador Beto Richa e que seriam votadas na Assembleia Legislativa. Para garantir que os deputados votassem, sem sofrer a pressão dos professores, uma grande operação policial foi montada. O governo do Paraná convocou policiais de várias cidades. E reforçada, a PM recebeu os professores em Curitiba como se educadores fossem terroristas. Sim, profissionais da Educação foram tratados como ameaças.

Além dos professores apanharem da polícia, os projetos do governador foram aprovados e, pior, a administração Beto Richa lavou as mãos… Apenas responsabilizou a Polícia Militar pelo que foi considerado um abuso.

Dentro da polícia, foi aberto um inquérito para apurar os tais abusos. Hoje, cinco meses depois do massacre, sabemos que ainda nada aconteceu. O governo segue seu rumo, não reconheceu que errou e nem assumiu suas responsabilidades… Já os policiais que estavam no comando da operação, e que foram tidos pelo Ministério Público como responsáveis por aquela operação e pela execução da ação policial, esses servidores estão em plena atividade na PM.

Uma reportagem publicada hoje pela Gazeta do Povo mostra, inclusive, que o comandante daquela Operação está numa posição ainda melhor dentro da polícia. “Hoje, ele ocupa o terceiro cargo mais importante da corporação, a chefia do Estado Maior.”

Para se ter uma ideia, quem organizou a repressão aos professores hoje dá aulas no Curso de Formação de Oficiais. E o que ele ensina? Segundo a Gazeta do Povo, ensina, inclusive, técnicas de repressão.

Pois é… Hoje eu não tenho uma conclusão a apresentar neste meu comentário. Apenas quero lamentar. Afinal, num país que se diz democrático, ainda vemos que existem opressores e oprimidos.

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O (des)governo Beto Richa

Os problemas em Brasília têm sido tantos que criam uma cortina de fumaça. A coisa anda tão complicada por lá que gente não enxerga que, aqui no Paraná, o governo Beto Richa tem transferido para a população os erros que cometeu na gestão das finanças do Estado.

Desde que foi reeleito, Beto Richa já mexeu na previdência dos servidores estaduais, aumentou impostos – até da comida… E, nesta semana, entregou à Assembleia Legislativa um pacote de medidas que mais uma vez transfere a conta para o cidadão.

Entre as medidas propostas pelo governador está o fim da isenção de crédito de ICMS para transporte de carga. Quem vai pagar a conta? As empresas. Que, por sua vez, sempre repassam a conta para o cidadão.

Beto Richa também está mudando as regras para quem compra pela internet. Se você comprar um produto de uma loja virtual de São Paulo, por exemplo, você poderá ter que pagar a diferença do ICMS. Para quem não sabe, as alíquotas nem sempre são as mesmas nos estados. O ICMS de um livro no Paraná pode ser diferente do ICMS cobrado do mesmo livro em Minas Gerais, no Rio de Janeiro… Essa diferença, o governo do Paraná vai querer receber. E se a loja não pagar a diferença, o cliente, que é aqui do estado, poderá ser cobrado por isso.

Mas as medidas anunciadas pelo governo vão além… De novo, o Paraná vai tirar dinheiro do fundo de previdência dos servidores estaduais e transferir para o caixa do Estado. Isso já vem acontecendo por meio da chamada taxação dos inativos.

E, como a disposição do governo Beto Richa é grande para levantar dinheiro, ele também propôs um mecanismo que vai permitir que o Estado venda ações da Copel e da Sanepar sem precisar consultar os deputados. Isso mesmo: o governo está propondo que, quando quiser vender um pedaço da Copel ou da Sanepar, vai poder fazer isso sem consultar ninguém.

Ou seja, são medidas duras, que vão recair sobre a população e, pior, vão ser aprovadas. Os deputados paranaenses fazem tudo que o governo quer. A Assembleia Legislativa do Paraná é submissa. E, sem sofrer grandes questionamentos da imprensa paranaense e nem da própria população (que só tem visto o desastre do governo Dilma), o governo vai aprovar o quiser e nós vamos pagar mais essa conta.

E sabe o que é mais irônico nessa história toda? Ainda nessa quarta-feira, 16, estava vendo o governador Beto Richa criticar o governo Dilma pelo aumento da CPMF. Lembrei daquele ditado popular… “é o sujo falando do mal lavado”.

E assim caminha a política brasileira.

Ps. Comentário desta quinta-feira, 17, feito na Metropolitana FM Maringá. 

Beto Richa e o efeito de verdade

betorichaNa política não vale o que o governante ou legislador faz, mas o que aparenta fazer. E quem consegue validar o discurso como expressão da verdade junto ao eleitorado se mantém no poder. Para isso, entre as estratégias estão o marketing político, a simpatia, a empatia, a linguagem fácil.

Desde a posse do governador Beto Richa, noto sua habilidade no diálogo com o paranaense. Embora faça uma administração fraca, ele conseguiu “colar” o discurso de que pegou um estado falido e o governo federal não lhe repassa recursos. Portanto, o que o Beto deixa de fazer é culpa de Roberto Requião e do governo petista – em especial, por conta da provável candidatura de Gleisi Hoffmann.

O efeito de verdade é obtido a partir de fragmentos da realidade. Por exemplo, é fato que o Paraná teve dificuldades financeiras no final do governo Requião. Os problemas que o atual senador teve com seu sucessor, o vice Orlando Pessuti, reforçaram a tese de que o Estado estava falido.

No caso da relação entre o Paraná e a União, problemas nas contas do Estado (coisas técnicas que o eleitorado dificilmente vai entender) afetaram a liberação de vários empréstimos e também o repasse de recursos ficou comprometido. Além disso, o corpo técnico de Beto é ruim; faltaram projetos junto aos ministérios para liberar mais dinheiro. Somando isso a pouca disposição do governo federal em facilitar (pois quer assumir o poder por aqui), de fato os petistas mandaram pouco dinheiro para o Paraná.

Ou seja, os argumentos de Beto Richa resgatam parte dos fatos. Isso garante às meias verdades aparência de verdade. Com a simpatia que lhe é peculiar, empatia junto ao público, postura segura, linguagem popular e um bom marketing político, muita gente reproduz o discurso do governo paranaense. Já escutei de gente simples frases do tipo:

– Tadinho do Beto. Ele é tão legal! A Gleisi é que atrapalha tudo. Não ajuda o Paraná.

A Gleisi de fato não ajudou. Porém, isso faz parte do jogo político (não estou dizendo que deveria ser assim). Se tivéssemos um governador petista e um presidente tucano, não seria muito diferente. O que o governo Beto silencia é sua pouca eficácia na gestão do Estado. Maringá, por exemplo, durante a administração Silvio Barros, era oposição aos petistas. Ainda assim, proporcionalmente, foi o município brasileiro que mais recebeu recursos da União. E Silvio assumiu a prefeitura com restos a pagar da administração anterior, falta de certidões que inviabilizavam empréstimos etc. Porém, mudou isso ao longo dos anos. Um governo competente,  poderia ter feito o mesmo no Paraná.

Na prática, Beto Richa sustenta sua popularidade por meio do discurso. O que ele diz parece ser a verdade. Assim, mantém a aprovação do eleitorado e entra no último ano de gestão ainda como favorito à reeleição.

Estradas ruins: estamos impotentes

No fim da tarde deste domingo, a fila de veículos era longa na PR 323
Acho que já estou recuperado… O domingo foi difícil. Quer dizer, o domingo não. A viagem de volta para casa. Esta sim foi complicada.

Nunca considerei o percurso de 170 quilômetros que separam minha casa da casa de meus pais uma viagem. Para mim, viagem sempre foi uma outra coisa. Tipo, ir para a praia. Seis, horas de estrada. Entretanto, as coisas têm ficado cada vez mais difíceis. Estressantes.

Hoje, por exemplo, o que era para ser feito em duas horas demorou quase três horas e meia.

É verdade que estava chovendo. Mas a chuva era leve. Vimos vários acidentes na PR 323. Todos fora da pista. Não impediam a circulação de veículos. Por isso, os acidentes não poderiam ser “responsáveis” pela lentidão. O problema era a quantidade de carros. E a falta de terceiras faixas, pistas duplas.

Após o distrito de Água Boa, pegamos um congestionamento digno de me fazer sentir em São Paulo. Foram cerca de 18 quilômetros em velocidade que nunca passou dos 40 quilômetros. E quanto mais nos aproximávamos de Maringá, pior ficava. Resumo da ópera, mais de uma hora e quinze minutos para percorrer esse pequeno trecho (geralmente não demora mais de 20 minutos).

O leitor pode identificar no velocímetro; a velocidade não passa de 20 km/h
E sabe o que é curioso? Não encontrei um único policial rodoviário entre Umuarama e Maringá. Minto. Havia sim. Um. Apenas um. Estava escondido no meio do mato com um aparelho de radar. Pra quê? Não sei. No local, já não era possível trafegar acima dos 80 km/h, mesmo com velocidade permitida de 110 km/h.

E o pior, na entrada de Maringá, onde o problema é maior por causa do afunilamento de veículos, no final da pista dupla de Paiçandu, também não havia ninguém. Ninguém para tentar monitorar e organizar o tráfego. Lamentável, já que, no local, sempre acontece um festival de irregularidades – ultrapassagem pelo acostamento, a mais comum.

Há previsão de algum investimento na PR 323 nesses dois próximos dois anos. Nada significativo, porém. E semelhantes a essa rodovia existem outras tantas. Até piores. Basta observar o noticiário neste início de semana. Não faltam e nem faltarão notícias sobre congestionamentos, trechos de lentidão e muitos acidentes. Infelizmente, vários com mortes.

Já disse aqui noutras ocasiões que estou cansado. Também disse que é compreensível ver motoristas irritados, fazendo bobagem na estrada em função da lentidão. Comentei que o governo é responsável pela ausência de planejamento e investimento para evitar o caos. Entretanto, sinto que nada acontece. Não há avanços. Nós, cidadãos e motoristas, estamos impotentes.

Silvio Barros admite deixar a prefeitura sem terminar o mandato

Ele não quer. Disse isso com todas as letras na CBN Maringá. Preferia concluir o mandato. Entretanto, entre o “desejo do coração” e a determinação de seu grupo político, ficará com a segunda opção. Esta é a posição do prefeito Silvio Barros. Isso significa que ele pode deixar sim a administração municipal antes do dia 31 de dezembro de 2012.

– Não é o desejo do meu coração. Eu não gostaria de não terminar meu mandato. Ainda tem muitas coisas que eu quero fazer, ainda tem muitas coisas que eu quero deixar concluídas e não estão concluídas.

A afirmação é do prefeito. Mas ele entende que tem um papel dentro do seu grupo político. E sabe qual é seu compromisso.

– Eu não posso desconsiderar o fato de que não cheguei na prefeitura sozinho. (…) Precisou um projeto político para eu poder chegar lá. Eu não posso simplesmente virar as costas e dizer: agora o que vale é o meu interesse pessoal e o grupo político não tem interesse nenhum.

Ele continuou:

– No final do ano, eu não poderei continuar, mas nosso grupo político poderá continuar. (…) Agora fico eu no dilema aqui de saber como é que a gente vai lidar com isso, porque eu gostaria de terminar o meu mandato.

Depois de dizer isto, reafirmei – por meio de uma pergunta – o que parecia já estar claro na entrevista: Silvio Barros não quer deixar o cargo, mas pode sim abrir mão do mandato, provavelmente em março, em função do interesse maior de seu grupo político. A resposta foi direta: será um trabalho de convencimento, mas não depende apenas dele.

Como ouvi o secretário, líder do partido e irmão do prefeito, Ricardo Barros, na sexta-feira passada (23), fico com a impressão que Silvio só não deixará a prefeitura no início de 2012 caso o governador Beto Richa tenha outros planos para seu secretariado. O Ricardo quer. Tanto que defendeu a tese sem mesmo consultar o irmão.

E a ideia é simples: Ricardo deixa o governo; Silvio assume uma vaga no primeiro escalão do Estado. De tabela, o vice Carlos Roberto Pupin ganha a vaga de Silvio.

Ainda que possa parecer estranha a “construção” idealizada por Ricardo Barros, ela é bastante coerente. E só traz ganhos para o grupo que hoje comanda a cidade.

Raciocínio simples…

Ricardo não precisa da vaga de secretário. Pode até integrar o governo federal. Como vice-presidente nacional do PP, articulador político que é, fazer parte da equipe de Dilma não é uma impossibilidade. Pelo contrário. Por outro lado, não ter um cargo político também não lhe fará falta. Ele coordenará nacionalmente as campanhas do partido às prefeituras municipais. Portanto, livre, pode fazer muito mais.

Já o prefeito ficará sem mandato em 31 dezembro do ano que vem. Ter uma posição de destaque no governo estadual é um bom negócio. Dá visibilidade a Silvio Barros. Algo que fará diferença para a disputa de uma vaga em 2014 – seja para a Câmara Federal ou Assembleia Legislativa.

Quanto ao Pupin, paga-se uma espécie de dívida política com o vice, que sempre esteve ao lado de Ricardo e Silvio, mas teve pouquíssima visibilidade durante esses sete anos de administração. Além disso, por alguns meses, garante a projeção que ele não teve na gestão e que rende votos numa provável disputa pela prefeitura de Maringá.

Quer mais? Caso Pupin se torne prefeito já no início do ano, ele terá anulada a chance de disputar a reeleição em 2016, abrindo espaço para outro nome do próprio grupo. Quem sabe a própria Cida Borghetti, esposa do Ricardo.

É uma jogada de mestre. Basta saber se a população vai aceitar bem. Em especial, que desgaste poderá causar a imagem do bem avaliado prefeito Silvio Barros.

Vamos aguardar…