A importância dos espaços públicos

A sensação de insegurança, o medo de sermos assaltados ou sofrermos algum outro tipo de mal, faz com que nos fechemos para o outro. Apostamos cada vez mais em espaços privados. Condomínios, clubes, associações etc. são algumas das estratégias que criamos e utilizamos para conviver com pessoas, mas evitar os desconhecidos.

Acontece que esse tipo de atitude, embora justificada, leva-nos a conviver apenas com iguais. Ou pelo menos, com pessoas mais parecidas conosco – principalmente no que diz respeito à classe social.

Hoje, as cidades limitam os espaços usados pelas pessoas e as separam, inclusive excluindo algumas delas. 

O movimento de restringir os espaços, torná-los privativos – ainda que se justifique, como eu disse -, traz alguns problemas.

A sociedade contemporânea precisa redescobrir o valor dos espaços públicos. Notamos, hoje, que as cidades de médio e grande portes pouco investem em praças, centros de convivência, áreas públicas de lazer, parquinhos etc.

Os espaços são públicos são lugares de convivência com pessoas diferentes, de classes sociais distintas, de orientações sexuais variadas, outras religiões… Ainda que estar com estranhos possa ser um tanto assustador, esses locais permitem que a diversidade seja valorizada. As diferenças ganhem visibilidade e sejam respeitadas.

É fundamental redescobrirmos quem são os outros. Num tempo em que nos ilhamos em espaços privados e as redes sociais na internet, por meio de seus algoritmos, criam tribos virtuais, os espaços públicos urbanos podem permitir o contato e o aprendizado com o diferente, e essencialmente desenvolver em nós a capacidade de nos sensibilizarmos com as desigualdades e até mesmo com as necessidades do próximo.

Ps. A praça da Catedral, em Maringá, é um exemplo de como os espaços públicos podem ser importantes para as pessoas. 

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Quem quer sentir-se seguro?

Queremos segurança, mas o que temos? Apenas vislumbres, ilusões de segurança. Na prática, experimentamos crises e tensões contínuas, não temos controle algum do meio em que vivemos… O cenário é caótico. E em todos os setores.

Esse grau de insegurança é tão grande que atinge inclusive pontos fundamentais da nossa existência. Por exemplo, eu trabalho há 29 anos. No entanto, não tenho a menor ideia se vou me aposentar daqui 20, 25, 30 anos.

É difícil prever o que vai acontecer conosco em alguns poucos meses; mais difícil ainda é traçar expectativas de médio e longo prazos.

Sem controle algum da situação, temos tentado calcular e minimizar os riscos. Por isso, investimos em planos de saúde, fazemos poupança, pagamos previdência privada, compramos imóveis… Instalamos softwares em computadores, smartphones para que dados não sejam roubados… São estratégias nossas, numa busca quase desesperada para sobreviver a esse cenário.

Investimos nossos ganhos para reduzir as incertezas. E, ao fazermos isso, alimentamos um mercado que se sustenta justamente com o nosso medo.

Bauman avalia esse cenário falando da existência de um “capital do medo”. Ele não fala de um lugar, de uma cidade… Faz referência ao lucro. É como se dissesse que existe uma indústria do medo.

Existem vários segmentos que lucram milhões de dólares em virtude do nosso medo. Eu já mencionei alguns… Porém, o segmento de segurança é talvez o exemplo mais visível. Gastamos com seguros residenciais, de automóveis… Colocamos grades em nossas casas, cerca elétrica, câmeras de vigilância, blindamos veículos, instalamos alarmes… Empresas contratam seguranças…

A arquitetura é guiada pelo medo. As residências e edifícios são projetados para criar a falsa sensação de segurança. Temos criado fortalezas urbanas. Cada vez mais, surgem condomínios fechados.

Há milhares de tecnologias voltadas para a segurança – inclusive com o uso de inteligência artificial. A promessa de sempre é proteger os usuários em todos os campos – patrimonial, pessoal, dados etc.

A insegurança alimenta o mercado. Mas também a política se beneficia do medo. O discurso político geralmente transita por esse campo prometendo mais policiamento, viaturas, monitoramento das cidades por meio de câmeras… Prometem mudança nas leis… E quem parece ter a melhor proposta, ganha a simpatia do eleitorado. Tudo jogo de cena.

Diante disso que mencionei, alguém ainda acha que teremos respostas efetivas para pôr fim as causas de nossas inseguranças, de nossos medos?

É difícil ser honesto no relacionamento

A honestidade é um princípio fundamental em qualquer relacionamento. Porém, poucas coisas são tão difíceis de serem vividas. Quase todo mundo esconde alguma coisa do parceiro, da parceira. E, muitas vezes, esconde fatos que comprometem a relação, que vão distanciando o casal.

Não é fácil admitir, mas quem de fato é totalmente honesto com a pessoa amada?

Sabe aquele colega de trabalho que sempre faz elogios, que comenta sobre suas curvas e só não te levou pra cama por que ainda não teve oportunidade? E daí, você conta ou não para o seu parceiro?

E aquela amiga bonitona, que te deixa com tesão… Com quem vez ou outra você flerta? Coisa “inocente”, justifica. Você conta ou não para a parceira?

Eu cito aqui situações que parecem envolver fidelidade. E essa é uma das questões mais controversas e polêmicas nos relacionamentos. Afinal, a maioria exige fidelidade, mas até que ponto é de fato honesto na relação?

O ser honesto, entretanto, não tem a ver apenas com os flertes, paqueras com terceiros. Tem a ver também com as finanças, os sonhos para o futuro, as suas frustrações e até mesmo desejos (o que gostaria de viver) no romance.

Não são raras as ocasiões em que a pessoa esconde do outro quanto anda gastando, quais são seus projetos de vida, traumas passados e mudanças que desejaria viver no relacionamento.

Também se escondem amizades, contatos virtuais, fracassos profissionais e pessoais… E o que acaba sobrando para a vida a dois são imagens forjadas de pessoas que não existem de fato. O problema é que nossas máscaras não se sustentam por toda uma vida. E, por isso, com frequência, as relações esbarram nas mentiras que machucam, magoam e decepcionam, provocando desconfiança, medo, pondo fim à intimidade. 

Quando é difícil decidir

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Tomar decisão não é um processo fácil. Até porque toda decisão é uma escolha. E escolher é perder. Quando decidimos fazer algo, renunciamos outras possibilidades. Por isso, não é nada fácil tomar uma decisão.

Ainda assim, não dá para viver adiando as decisões. Por mais incerto que possa parecer escolher um caminho e não outro, é necessário decidir porque a vida é curta demais para abrirmos mão de seguir em frente. Afinal, enquanto ficamos adiando, deixamos de seguir adiante. Estacionamos.

Mas então… como tomar uma decisão? Penso que toda decisão passa pela consciência do que é prioridade. O que é essencial? O que é determinante? Do que não podemos abrir mão? O que implicará num custo maior?

Sei, porém, que não é nada fácil ter isso de forma clara em nossa mente. Por vezes, relutamos. É natural que ocorra. Em momentos difíceis, sentimo-nos inseguros. Por isso é fundamental se apegar a algo. E esse algo pode ser as verdades que norteiam nossa vida.

Sempre digo que precisamos estar dispostos a colocar em dúvida as nossas verdades. No entanto, quando temos que tomar uma decisão, são essas verdades que servem de referência para identificar nossas prioridades.

Ninguém vive ser ter uma referência moral, uma ética. Sem isso, vira uma bagunça. Perde-se o respeito a si mesmo e ao outro. Até os animais têm suas regras.

Essas verdades podem estar na religião, podem estar na filosofia… Não importa. Importa que carecemos de parâmetros; são eles que nos ajudam a reconhecer qual o caminho que devemos seguir.

E isso vale até para situações tidas como menores.

Devo ou não receber a comissão que a empresa está oferecendo para eu dar exclusividade na hora das compras? Devo ou não contar para o chefe que o colega está desviando dinheiro das vendas? Devo ou não contar para a pessoa que está interessada em comprar meu carro que o motor não está muito bom?

Essas verdades, que também podemos chamar de valores, são as bases da nossa vida. Quando a gente não sabe como decidir, precisamos ter um norte, algo em que acreditamos e que nos ajuda a ter uma noção do que é certo. Talvez o “certo” possa até contrariar o que diz o coração, mas ainda assim é a referência que temos, a indicação do que pode ser o melhor a fazer.

O medo impede o crescimento

O medo é uma das emoções que mais nos afetam. E, na política, quase sempre é uma estratégia para manutenção do poder por parte de quem já o possui. Isso faz parte da história recente do país.

Quase sempre, o medo funciona porque buscamos segurança. Temos medo do desconhecido. Na política ou na vida, o medo nos impede de crescer, de experimentar mudanças reais.

É sobre isso que falo neste novo vídeo.

Como viver quando faltam certezas?

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Há momentos em que tudo que temos são dúvidas. O que fazer? Como fazer? O que decidir? Como decidir?

A vida é incrível. E também por isso. Não há rumos certos, definidos e definitivos. Mas judia do coração não saber o que fazer. Ou por onde começar.

Muitas vezes, até temos noção do que nos faz bem. Porém, temos medo, insegurança. E o que parece nos fazer bem também traz perigos. Olhamos para um lado, olhamos para o outro e nada se apresenta como concreto, como seguro.

E segurança é uma das coisas que mais carecemos. Faz parte de nossa natureza. Por isso, flutuar por um universo que não nos oferece nada muito firme, sólido, causa um enorme vazio.

É bom quando as coisas parecem conspirar a nosso favor e tudo se mostra de maneira clara: este é o caminho, é o certo a fazer. Entretanto, a vida não é simples assim.

Às vezes, estamos insatisfeitos com a carreira, mas há tantas coisas envolvidas que não sabemos como agir. Outras vezes, sentimos a necessidade de mudar alguma coisa no ambiente familiar, mas não temos ideia de como resolver. Há situações que envolvem o relacionamento, mexem com as emoções, desestabilizam, porém, faltam iniciativas. E todas supostas soluções que aparecem se mostram ruins, inclusive deixar como está.

Quando faltam certezas, resta-nos esperar. É ruim. Cansa, desgasta, faz sofrer. A ansiedade incomoda. E com a ansiedade se mistura a insegurança. Ficamos atordoados. Afundamos na ausência de boas expectativas. No entanto, ter calma, paciência é a única atitude sensata. Quando faltam certezas, decisões geralmente são precipitadas e bastante arriscadas. Ter fé e esperança ajudam a esperar.

A insatisfação no relacionamento

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A insatisfação é inerente ao ser humano. Acho que é uma característica nossa. Nada nos satisfaz por muito tempo. Por exemplo, a gente compra um carro novo. Ele é lindo, o máximo. Era o objeto desejado. Porém, não demora muito tempo pra outro modelo chamar nossa atenção.

Acontece que isso muitas vezes acontece nos relacionamentos. Quando o romance perde o “cheirinho de novo”, aparece a frustração e a vontade de mudar – de parceiro(a) inclusive.

Dias atrás lia uma entrevista com o ensaísta francês Pascal Bruckner. Em comum, tenho com ele os estudos em Letras e o gosto por refletir sobre relacionamentos. Achei interessante a explicação de Bruckner para as separações.

Antes, as pessoas permaneciam juntas, em nome das conveniências, da moral, para preservar os filhos. Hoje, os homens e as mulheres – sobretudo as mulheres – não hesitam em divorciar-se, desde que eles não se entendem mais. Ou seja, a intolerância ao tédio e ao desamor se tornou muito forte.

A insatisfação, que sempre apareceu em muitos aspectos da vida – e que nos movia, inclusive, para novas conquistas (uma casa nova, um emprego melhor etc) – também passou a significar os relacionamentos. Como sugere Bruckner, certos valores serviam quase como cabrestos. Impunham limites. E numa época em que ser feliz não era uma imposição social, as pessoas toleravam o tédio no relacionamento e, mesmo sem amor, mantinham o casamento.

Entretanto, os valores mudaram. E algumas teses se tornaram “verdades absolutas”. A felicidade permanente é uma delas. As pessoas acreditam que podem ser felizes o tempo todo. Outra tese é a de que o romance só é romance se houver paixão; tem que ter “fogo”.

Gostaríamos de sentir o fogo da paixão e a satisfação de uma felicidade permanente – e frequentemente fracassamos nessa tentativa.

E o fracasso se dá justamente porque são valores ilusórios. São verdades construídas, mas que se naturalizaram como crenças. E hoje norteiam nossas ações. Mas não representam a verdade concreta, a verdade da vida. A vida é construída por bons e maus momentos. Por dias de alegria e outros de tristeza. Risos e lágrimas, euforia e tédio fazem parte da dinâmica da própria existência. E não é diferente com o relacionamento.

A pessoa com quem a gente vive é alguém real. E como todo ser humano, cheio de contradições. Nas contradições, encontramos as virtudes e as imperfeições. Numa hora, o parceiro é mocinho; noutro, bandido. Assim também sou eu… Assim é você. Se não sou perfeito, por que o outro precisa ser?

É preciso, notadamente na vida amorosa, aceitar viver com as próprias imperfeições e com as imperfeições dos outros. Não podemos pedir ao outro para tornar-se um herói ou uma heroína em tempo completo. Quando aceitamos nossas imperfeições podemos chegar a uma espécie de harmonia com o outro.

Entender isso é que faz a gente viver bem o relacionamento e não descartá-lo diante da primeira novidade que aparecer.

A dúvida mata a gente

A frase não é minha. Ouvi na última segunda-feira. É de uma mulher madura, casada, três filhos. Ela está insegura. Pediu demissão, mas não sabe se fez a coisa certa. Está deixando o emprego para cuidar do filho pequeno. Porém, tem medo de ter errado na escolha.

Foi com a frase, que virou título do post, que ela encerrou o breve comentário que fez sobre estar deixando a empresa.

Ela tem razão: as dúvidas judiam do coração. Inquietam. Roubam a paz.

Acho que todo mundo, vez ou outra, sofre com dúvidas. Sempre que há necessidade de decidir, bate uma certa insegurança.

Essa colega já tomou uma decisão. Escolheu. Porém, mesmo tendo feito uma opção, ainda não se sente segura. Não tem certeza se fez o certo.

Emprego, estudos, casamento, namoro… Gente ou coisas. Ficar ou não ficar. Ter ou não ter. Comprar ou vender. Tudo gera dúvidas.

E sabe o que é pior? Por vezes, a pessoa decide convicta de que fez a escolha correta, mas depois se arrepende.

Isso acontece. E acontece por um motivo: nossas escolhas são feitas com base no que conhecemos agora. Nas informações que temos hoje.

Amanhã é outro dia. Teremos outras experiências. A escolha feita já estará “testada”; saberemos se valeu ou não a pena.

Entretanto, ainda que venhamos concluir que fizemos bobagem, quem pode garantir que a outra opção que tínhamos seria a melhor?

Ninguém.

Também sofro diante de determinadas situações. Até pela minha natureza mais introspectiva, racional, faça uma verdadeira viagem de prós e contras. E, quando decido, nem sempre estou plenamente seguro.

A dúvida de hoje pode causar o arrependimento de amanhã. Porém, como já disse aqui, aprendi que não temos controle de tudo. E não é porque escolhi algo, que deu errado, que fiz bobagem. Posso concluir que foi bobagem amanhã; mas, hoje, entendi como a melhor opção. Mas… o que justifica sofrer por uma consequência ainda desconhecida?

Então, mesmo que existam dúvidas, a vida segue. Não devemos ser inconsequentes, mas não vale a pena esgotar-se pelo desconhecido.