Alimente sua mente com bons pensamentos

Ouça a versão em podcast!

Dias atrás, li essa frase: se espera fracassar, fracassará. Ela vinha acompanhada de outra, “se acredita no sucesso, alcançará”.

O pano de fundo dessas duas frases é a ideia de que aquilo que pensamos norteia nossas crenças, logo, nossas ações.

Uma mente ocupada por pensamento negativos vai resultar em ações pouco comprometidas com os propósitos.

É como um time de futebol que entra em campo achando que vai perder. A derrota já estará garantida antes mesmo do apito do juiz.

Por outro lado, a crença na possibilidade de vitória resulta numa entrega, num compromisso de disputar cada bola, de correr 90 minutos com toda intensidade para alcançar o resultado.

Quando isso acontece, mesmo que o time adversário seja tecnicamente melhor, o resultado se torna imprevisível. E o espetáculo está garantido para os torcedores.

Desde a filosofia antiga até as pesquisas da Psicologia Positiva desenvolvida na Universidade de Harvard, como também nos textos bíblicos, encontramos a ideia de que devemos cuidar dos nossos pensamentos e alimentar coisas boas, se desejamos uma vida feliz, uma vida bem-sucedida.

Isso não significa ser um otimista bobo, significa apenas olhar para si como um ser humano capaz de alcançar seus sonhos, dotado de inúmeras potencialidades que podem ser desenvolvidas resultando em relacionamentos melhores, criatividade, alegria, mais produtividade, animação… Quem não quer conviver com gente assim?

Ter alguém que diga “você está errado” é um privilégio

Defendo a importância de aceitarmos ser confrontados pelas outras pessoas quando estamos agindo de forma errada. Ter alguém que diga “você está errado” é um privilégio.

Quando alguém aponta nossas falhas, temos a chance de mudar as nossas práticas e tomar um outro caminho.

Por outro lado, também defendo a ideia de que é preciso saber criticar alguém. Saber falar. Se alguém vai apontar o erro do outro, a chance de incomodar é de 100%; então que pelo menos seja gentil.

Mas aí vem a grande questão: a maioria das pessoas não têm a polidez, a empatia e nem o amor necessário ao outro para confrontar da maneira adequada. Isso nos coloca num impasse: se a crítica for agressiva, exagerada, maldosa devemos ignorá-la?

Entendo que algumas vezes é necessário deixar pra lá. Mas isso não significa deixar de ouvir. Tem que ter estômago? Sim. Mas sempre devemos ouvir e filtrar.

Como fazer isso? Respondo: a pessoa fala um monte de coisas… Você ouve tudo e avalia: eu faço isso? O que estou fazendo poderia ser interpretado da maneira como a pessoa está vendo?

Se você não faz e nem há chance de suas atitudes serem interpretadas de um modo equivocado, você ignora e segue em frente. Talvez a pessoa falou o que falou, te agrediu, por ser mal resolvida, mal amada e estar com inveja de você. Porém, se algo te incomodou ou sobrou um pontinho de interrogação, pergunte a alguém que você confia; de preferência, para uma pessoa mais madura, experiente: ei, eu tenho feito tal coisa? Você acha que estou errado?

Não precisa nem citar que foi criticado. Muito menos falar o nome da pessoa que te confrontou. Apenas pergunte, como se estivesse pedindo ajuda, pedindo uma opinião.
Em algumas ocasiões, se não estamos errando em nossas ações, podemos estar nos comunicando de forma inadequada com quem convive conosco.

A abertura para ouvir as críticas é um passo transformador. O nosso desenvolvimento pessoal passa pelo reconhecimento e abandono de determinados hábitos e atitudes que, por vezes, se tornaram naturais para nós.

Você se conhece?

Ouça a versão do texto em podcast.

A jornada para o conhecimento de si é desafiadora. É necessário empenhar tempo em contemplar a si mesmo na busca por compreender quem sou.

Nesse fim de semana, participei de um seminário para casais. O especialista responsável pelas palestras propôs algumas atividades. Entre elas, perguntas aparentemente simples, mas que fizeram todos se demorarem na busca por respostas.

E quais perguntas eram essas? As perguntas mais difíceis eram aquelas que diziam respeito a quem somos – o que realmente gostamos, queremos, sonhamos, nossas virtudes e fraquezas.

Pouco nos conhecemos.

Na antiguidade, os gregos davam muito valor ao autoconhecimento. O filósofo Sócrates se tornou conhecido pela frase “conhece-te a ti mesmo”. Platão ia além…Ressaltava que um homem não poderia governar uma cidade enquanto não fosse capaz de governar a si mesmo. Por isso, sustentava que ninguém antes dos 50 anos estaria pronto para ser o governante de um povo.

Nós, em nossa cultura superficial, não apenas desconhecemos o mundo; pouco sabemos sobre nós mesmos. E por não sabermos quem de fato somos, vivemos uma vida vazia; falta-nos um propósito. Muitos de nós estamos doentes, doentes emocionais. Sofremos com angústia, ansiedade, medo, pânico…
Investir em conhecer a si mesmo é o primeiro e mais importante passo para o cuidado de si. Nenhuma conquista é mais importante que saber quem sou, o que me realiza, o que me faz feliz.

Como avaliamos nossos problemas?

Algumas entrevistas são surpreendentes. Anos atrás, uma conversa com um psiquiatra trouxe algumas reflexões que ainda hoje reproduzo para leitores e amigos. Detalhe, recordo da entrevista, mas não lembro do profissional.

Em primeiro lugar, confesso que, naquela ocasião, o papo me surpreendeu, porque, geralmente, temos uma imagem estereotipada do psiquiatra: trata-se de um profissional que, embora cuide das emoções, faz parte de um grupo seleto da medicina que tem um olhar para a mente humana sob uma perspectiva muito mais de cura por meio de medicamentos do que movido pela crença de que o ser humano se constrói e reconstrói por suas atitudes e escolhas, dentro do contexto em que está inserido.

Nosso diálogo, porém, foi noutra direção… Falamos sobre qualidade de vida. O psiquiatra foi taxativo: a vida pode ser mais simples ou mais difícil, dependendo da escolha de cada indivíduo. Parece conversa de autoajuda, mas não é. Na prática, a maneira como olhamos os desafios que temos vai determinar nossas ações e, principalmente, nosso estado de espírito. Ou seja, a angústia e o sofrimento podem ser menores ou maiores. A decisão é nossa.

Parece racional demais. Afinal, como já escrevi noutras ocasiões, a razão parece não comandar o coração. Entretanto, podemos conversar com nossos sentimentos. Esse diálogo interior ajuda a reorganizar os sentimentos.

Há coisas que acontecem conosco que não procuramos entender. Não questionamos o por quê. Acontece que, sem procurar resposta para as dores da alma, abrimos mão de viver melhor.

Às vezes nos pegamos tristes. Pode ser por causa de um relacionamento mal resolvido, de uma amizade desfeita, uma desavença com um colega de trabalho ou um professor… Ficamos recordando tudo que houve ou ainda existe de ruim, alimentando a dor interior. Sofremos durante dias – algumas pessoas sofrem por anos – por algo que poderia ser trabalhado interiormente, sublimado.

Mas como?

Em qualquer dessas situações, a primeira pergunta a responder é: “por que estou triste?”. Se o problema for identificado, a segunda pergunta é: “posso resolver?”. Se posso, “de que maneira?”.

Temos condições plenas de avaliar perdas e ganhos diante de qualquer situação. Se o caso for de um relacionamento, é preciso concluir: “vale a pena mantê-lo como está?”, “devo romper?”, ou ainda “invisto na reconstrução?”. Afinal, quais as consequências? Que consequências posso assumir? O que eu consigo fazer? Que escolha vai me deixar mais feliz?

A solução perfeita não existe. Nenhuma opção é livre de consequências. Todas terão graus variados de perdas e ganhos. Por isso, conformar-se é uma capacidade que deve ser desenvolvida.

Para alcançar novos sonhos, talvez alguns antigos terão de ser abandonados. Ninguém vive feliz se não compreender esse princípio da vida. O mundo nunca será perfeito. E nem a vida, cor-de-rosa.

Por fim, os erros de ontem nos servem de aprendizado. Não podem ser lembrados para alimentar a culpa. Ninguém volta atrás. Insistir na culpa é investir no passado e ignorar o futuro. Só reconhecemos que certas escolhas foram desastrosas porque as experimentamos. Do contrário, poderíamos nos arrepender por não tê-las vivido.

Quem é sábio edifica o relacionamento

Muitos relacionamentos fracassam por infidelidade, problemas financeiros, carência de amor, agressividade verbal e até física… Entretanto, parece-me que a principal razão é a falta de sabedoria. Sim, porque quem é sábio edifica o relacionamento. Gente sábia entende a importância do diálogo, reconhece o momento certo de falar ou calar, evita a exposição pessoal e do parceiro…

Ter sabedoria, ou inteligência emocional, é a capacidade de entender e trabalhar com as próprias emoções e também com as do parceiro. Gente sábia não age por impulso, mede as consequências de suas atitudes, dá conta de controlar-se mesmo quando se sente ofendido, não age de maneira arbitrária, não aceita ser manipulado e nem manipula o outro.

Essa capacidade pode ser desenvolvida. Porém, é necessário ter disposição em aprender, compreender, aceitar, acolher.

O caminho da sabedoria é construído sobre algumas bases. Entre elas, está o desenvolvimento da maturidade. E a maturidade emocional se adquire com a idade. As experiências de vida nos ajudam a crescer. É fato que alguns se tornam maduros muito cedo. Outros, são e serão eternos adolescentes. No entanto, maturidade também se adquire. Adquire-se com a autocrítica, com a busca por se conhecer… E se adquire ouvindo e observando pessoas sábias, gente de mais idade, gente equilibrada… Embora não existe fórmula pronta, aprende-se com bons exemplos.

Essa trajetória também passa por libertar-se do egoísmo. É natural que nosso olhar para o mundo seja baseado nas nossas próprias experientes. Lemos os movimentos da vida do lugar onde estamos. Ninguém sente o que o outro sente. Ninguém vê nada com os olhos do outro. Ainda assim, é necessário procurar entender as motivações do parceiro, o que o faz pensar como pensa, agir como age… E, por vezes, abrir mão de nossos próprios interesses em favor dos interesses da pessoa amada.

Sabedoria também se revela na capacidade de controlar o que a gente pensa. Não significa que é possível expulsar por completo pensamentos ruins, negativos, pessimistas. Porém, é possível sim questionar a razão e os fundamentos desses pensamentos. Quando a gente não fica alimentando coisas ruins na cabeça, as atitudes diante da vida se tornam diferentes. E o relacionamento ganha com isso, porque quando nossa mente é tomada por sentimentos negativos, afastamos a pessoa amada, culpamos o outro, cobramos… Quase sempre de maneira injusta.

O caminho da inteligência emocional também é construído com o perdão. Ninguém dá conta de viver bem guardando mágoa, rancor. A gente tem que aprender a perdoar para libertar-se do ódio, da raiva e até da inveja. Também é fundamental saber pedir perdão. Às vezes, somos orgulhosos demais. Temos a impressão que, se pedirmos perdão, nos rebaixamos, nos tornamos inferiores. Porém, .

Por que o amor pode se transformar em ódio?

Amor ou ódio estão relacionados ao nosso ego
Amor ou ódio são emoções que estão relacionadas ao nosso ego

Frequentemente nos tornamos reféns de nossas emoções. O que explica, por exemplo, sentirmos ódio por uma pessoa ou amarmos demais outra?

Não é simples explicar.

Amor e ódio parecem emoções muito distintas. Porém, embora funcionem em oposição, geralmente são faces de uma mesma moeda. Amor e ódio são estados emocionais tão elevados que se sobrepõem. E, por isso, quase sempre funcionam juntos. Já notou como é comum odiarmos pessoas que um dia amamos demais?

Alguns pensadores apontam que tudo começa com nosso ego. E, cá com meus botões, tenho a impressão que eles têm razão. As coisas que sentimos que massageiam ou ferem nosso ego são as que geram respostas emocionais intensas.

Pense um pouco nisso…

Geralmente amamos as pessoas que amamos porque fazem bem ao nosso ego. Parecem que nos completam. Possuem características que admiramos e, quando estão conosco, fazem-nos ter a sensação de que também temos valor. Amamos pessoas que nos fazem sentir melhor com nós mesmos.

O problema é que o inverso também é verdadeiro. Odiamos as pessoas que de alguma forma ferem nosso ego. Gente que parece ser contra nós e que tenta nos denegrir. Ou que são desrespeitosos, ou se aproveitam de nós, ou menosprezam… Ou porque dizem verdades que não queremos ouvir. Ou simplesmente porque confrontam nossas verdades, nos incomodam por serem pessoas que invejamos ser ou por estarem em posições que jugamos não merecedoras.

Ou seja, o amor ou o ódio pelos outros não têm a ver com os outros; tem a ver com a gente, com nosso ego.

Nas relações cotidianas, ainda que essas emoções causem certas perdas, não chegam a ser um grande problema. Afinal, é natural que a gente não conviva com todo mundo. Mas nos relacionamentos mais próximos (principalmente, quando é namorado, esposa etc), entender o funcionamento das nossas emoções pode preservar o romance.

Quando a gente se envolve com alguém, mostra a melhor face. Investe o que tem de melhor. E, por isso, é mais fácil que o outro nos veja da maneira como gostaríamos que visse. Acontece que, com o tempo, essa versão lindinha que a gente vende para o parceiro, vai ficando arranhada. E aí necessitamos ser maduros e inteligentes para não nos ofendermos. Sim, porque o outro pode confrontar nosso ego, apontar coisas em nós que não gostaríamos que fossem apontadas.

Na verdade, quase sempre acreditamos na imagem que construímos de nós mesmos. Acreditamos nas máscaras que usamos. Quando alguém contraria isso, geralmente a rejeitamos.

Estudos apontam que a maioria das pessoas, estatisticamente, nega-se a reconhecer a pessoa na qual se tornou. A maioria simplesmente não quer reconhecer quem se tornou ou teme se olhar no espelho.

O problema é que, quando nos envolvemos com alguém, essa pessoa passa a conviver conosco. E ao nos conhecer cada vez mais, naturalmente vai apontar nossas fraquezas, vai mostrar uma parte de nós que não queremos ver. Dificilmente estamos emocionalmente prontos para isso.

Por isso, a maioria das pessoas se sente insultada, atacada, ferida… E responde de forma agressiva. O outro se torna culpado por nos ver de um jeito diferente daquele que gostaríamos que no visse. Quando as coisas se intensificam, o amor que uma vez sentimos pode se converter em ódio.

Então como evitar que isso aconteça? Sendo maduros. Gente madura ouve críticas e aprende com elas. O parceiro nem sempre critica para agredir ou insultar. E mesmo que tenha essa intenção, pode estar dizendo verdades a respeito de nós.

É fato que nunca vamos agradar a todos. Porém, podemos crescer a partir do reconhecimento de nossas fragilidades. Nossos instintos podem ser de odiar aqueles que ferem nosso ego. Porém, essas pessoas podem representar oportunidades de nos tornarmos melhores. Quem vê de fora, vê aquilo que a gente não vê – ou não quer ver.