A inteligência pode ser uma forma de agressão

Nas relações sociais, as pessoas geralmente não se sentem confortáveis diante de gente que pareça superior intelectualmente. Quase sempre, lidamos bem com a hierarquia nas organizações, mas admitir que o colega do lado é mais inteligente que nós não é algo que agrada.

A ideia de inteligência, da capacidade intelectual, é importante para a vaidade da maioria de nós.

Menosprezar a capacidade intelectual de uma pessoa é um poderoso insulto, uma das formas mais dolorosas de agressão.

Ninguém gosta de ser visto como bronco, tolo, idiota, burro.

E quando alguém desfila inteligência, posando de superior intelectualmente, a reação raramente é de reconhecimento de que o outro está acima de nós. Frequentemente, a sensação é quase insuportável e não faltam justificativas para minimizar as vantagens do outro…

É comum dizer: “ele teve mais oportunidade de estudar”; ou, “ele até pode saber muito sobre esse assunto, mas é um tonto quando se trata de tal coisa”… Noutras ocasiões, tenta-se invalidar o conhecimento que apresenta, questioná-lo e bloquear a relação com o outro.

Essas reações são compreensíveis. Afinal, nem todo mundo teve e tem as mesmas oportunidades de estudo; ninguém é especialista em tudo; as condições sociais e econômicas são variáveis importantes para a aquisição e desenvolvimento do conhecimento.

Entretanto, também é fato que existe uma hierarquia nos conhecimentos. Há pessoas mais inteligentes que outras, mais espertas, mais sagazes.

Acontece que a capacidade de pensar, de supostamente ser dono das próprias ideias, é talvez o único patrimônio individual. Por isso, é agressiva a posição daqueles que desfilam superioridade intelectual diante das demais pessoas.

Soa como arrogância, prepotência.

E sabe de uma coisa? Essa é uma das razões dos embates políticos entre as pessoas. As pessoas não querem se sentir tolas por terem escolhido um determinado político.

Quando alguém lhe mostra, racionalmente, que determinada posição é equivocada, os argumentos são ouvidos como uma forma de agressão intelectual. É como se a outra pessoa a estivesse humilhando, rebaixando-a. Deixa de ter a ver com o político; passa a ser pessoal.

Por isso, é estratégico não adotar a postura do “sei mais que você”. Ainda que saiba, mostrar-se superior intelectualmente afasta as pessoas, inibe amizades e gera sentimentos mesquinhos de inveja, rancor, raiva e até vingança.

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Não poluam minha timeline

Sinto falta de inteligência na timeline do Facebook e do Twitter. Ok… Talvez exagerei. Não estou dizendo que as pessoas são burras. Mas fico incomodado com a ausência de conteúdo relevante. A maioria usa as redes sociais apenas para se divertir. E, pior, é uma diversão sem graça, sem humor.

Sei que sou rabugento por natureza… Sei também que, pra me fazer rir, tem que ser capaz de surpreender. Sei ainda que, por formação, não tenho o hábito de gastar tempo com coisas que, para os outros, têm relevância.

Ainda assim, acho que tem alguma coisa errada. Umberto Eco, a quem sempre recorro nessas horas, diz que todo mundo carece de uma dose diária de bobagens. Mas o pensador também ressalta que estamos criando uma sociedade alienada, ignorante. Ou seja, a dose virou overdose. O que era para distrair, ao que parece, aniquilou o bom senso, a razão, o espírito crítico.

As pessoas gastam tempo demais na rede, mas não publicam nada significativo. Compartilham fotos, links… mas não acrescentam nada ao dia delas e nem dos amigos.

Sabe, eu me sinto honrado com os amigos que fiz no Facebook. Honrado por ter sido adicionado por centenas de pessoas. Honrado porque ganhei dezenas de novos leitores – gente que lê meus textos, comenta, compartilha. Entretanto, por vezes, sinto-me incomodado com a quantidade de coisas que aparecem na timeline sem nexo algum. Saem do nada e vão pro lugar nenhum. São perda de tempo – inclusive pra quem publica, porque poderia estar investindo o tempo pra ler alguma coisa interessante, comentar algo relevante etc.

É óbvio que alguns vão dizer:

– Não gosta? Não lê. É só sair das redes sociais.

Eu diria que é o que estou fazendo: ficando cada vez menos tempo com as timelines do Face e do Twitter abertas. No entanto, é meu direito opinar, reclamar. E até dizer:

– Não poluam minha timeline!!!

Não significa que quero perder os amigos. Não significa que os quero fora das minhas redes sociais. Queria apenas ver mais gente disposta a exercitar o pensamento, a ser criativo, a escrever os próprios textos, a refletir sobre a vida e o cotidiano – e não apenas reproduzirem o que gente (por vezes, desconhecida, sem nome, sem origem, sem identificação) produz e faz circular no universo digital.