Camelôs revelam omissão do poder público e ignorância da população

Veio em boa hora a manchete de O Diário:

Invasão de informais

O jornal retrata um problema que tenho discutido no twitter com bastante frequência. Maringá está sendo tomado por ambulantes. A cidade até tempos atrás se orgulhava de ter controle sobre esse comércio informal. Porém, de uns tempos pra cá, não apenas os vendedores de CDs e DVDs piratas atuam livremente. Tem gente vendendo roupas, utensílios domésticos, brinquedos, panos de prato e mais uma série de itens.

E o poder público é omisso. Faz vistas grossas, principalmente por ser ano eleitoral. O problema é que, enquanto as eleições não passam, as ruas vão sendo tomadas pelos camelôs. O Diário aponta que, em poucas quadras, flagrou 20 informais na tarde dessa segunda-feira.

Se a prefeitura nada faz para tirá-los das ruas, a população também não se incomoda. Pelo contrário. Consome nesse comércio ilegal e ainda o aprova. Quase sempre com aquela justificativa bem senso comum:

– É melhor estar trabalhando do que não ter o que fazer e roubar.

Mais que ser senso comum, é uma visão simplista, rasa, tola, desprovida de razão. Revela ingenuidade, ignorância. 

Esse tipo de argumento não se sustenta. Primeiro, porque não dá para dizer “é melhor estar trabalhando”, pois há ofertas de emprego no mercado formal. Com carteira assinada, salário no fim do mês, benefícios trabalhistas… O sujeito está trabalhando nas ruas não é por falta de vagas, por vivermos uma escassez de oportunidades de emprego. Teve uma época que isso até se justificava. A pessoa se obrigava a assumir um jeito marginal de “ganhar a vida”. Hoje, porém, faz isso por opção, com a conivência do poder público e apoio dos ignorantes, por ser mais cômodo, mais fácil. O camarada prefere o dinheiro fácil e cria um problema social que muita gente parece ignorar.

O comércio ilegal não paga impostos, afeta o comércio legal, rouba empregos formais, alimenta o crime. Além disso, gente que trabalha na informalidade não tem assistência da Previdência Social, amparo em caso de acidentes, muito menos garantia de aposentadoria, gerando futuras demandas para o poder público. Ou seja, para mim e para você que, hoje, recolhe INSS, paga Imposto de Renda, ISSQN etc etc. Quem paga e sempre vai pagar essa conta é quem trabalha certinho, faz as coisas direito. Pena que alguns parecem não ver isso.

Em Maringá, está proibido morrer

Ninguém quer morrer. Mas não tem jeito. Todo mundo tem sua hora. Mais cedo ou mais tarde.

Entretanto, em Maringá, a coisa está complicada. Morrer pode sair caro. Muito caro.

Faltam jazigos. O cemitério municipal praticamente não tem sepulturas. E o cemitério parque, que é privado, agora está cobrando mais caro.

Isso está gerando uma espécie de especulação imobiliária. O terreno no cemitério nunca esteve tão valorizado. Tem gente que está removendo os restos mortais dos parentes para vender o jazigo.

É a exploração da desgraça alheia.

Então… o negócio é não morrer.

Parece piada, né?

Acontece que não tem graça. A administração não se antecipou ao problema. Faltou planejamento. O município tem uma boa proposta, mas até o momento não se mostrou eficaz para resolver a situação.

No fim de janeiro, o secretário de Obras, Laércio Barbão, já falava em mudanças no cemitério. A ideia é reduzir os espaços entre as sepulturas e aproveitar melhor a área, já que, quando foi criado, o sistema viário foi superdimensionado. Ou seja, se a prefeitura estreitar as ruas que ficam dentro do cemitério, é possível abrir novos jazigos.

As alterações, conforme o secretário, devem garantir dois anos de sobrevida ao local. E o município ainda trabalha com a proposta de um cemitério vertical, dentro do espaço do atual cemitério, mais o projeto de implantação de um novo cemitério noutro local. O problema, nesse caso, é convencer os futuros “vizinhos”. Afinal, ninguém quer um cemitério perto de casa.

Ou seja, a prefeitura tem projetos.

Entretanto, ter projeto é uma coisa, implementá-los é outra. E é aqui que o bicho pega. Se as ideias já tivessem se transformado em ações, não estariam ocorrendo casos de especulação na venda de sepulturas.

Vejam bem, as declarações feitas pelo secretário Barbão a respeito do cemitério foram dadas à CBN Maringá no final de janeiro. Estamos em março. E numa reportagem publicada quarta-feira no jornal O Diário, o discurso da administração foi de que o estudo para otimizar os espaços no cemitério está sendo preparado.

Convenhamos… esse negócio está devagar demais. Daqui a pouco vamos ter que convocar sessão extraordinária na Câmara de Vereadores para oficializar que o sujeito está mesmo proibido de morrer por aqui.

Tratamento de esgoto feito pela Sanepar

Ao ler a manchete do jornal O Diário desta quarta-feira lembrei de um texto que havia escrito por aqui. Usei o sistema de buscas do blog e encontrei. Em fevereiro, entrevistei o ambientalista Jorge Villalobos. Na ocasião, falamos sobre diferentes questões ligadas ao tratamento da água e o despejo de dejetos nos rios e córregos.

Recordo que apresentamos ao ouvinte a surpreendente informação que o tratamento do esgoto feito pela Sanepar era insuficiente para garantir a não contaminação da água. E reforçamos: a situação é ainda mais grave, pois a população paga pelo serviço. Ou seja, a companhia recebe pelo tratamento do esgoto, mas este é ineficaz.

Villalobos trouxe documentos e reforçou que tudo estava no Ministério Público.

No Diário, o assunto ocupa a página 3. Faz parte da série de reportagens que questiona os preços dos serviços, a qualidade e o contrato com a companhia de saneamento.

Loteamento dos CCs na Câmara de Maringá

O jornal O Diário de hoje fez uma belíssima reportagem sobre o loteamento de cargos comissionados no Legislativo. Chama a atenção o fato de até ex-vereadores – hoje, secretários municipais – manterem apadrinhados políticos em determinadas funções.

Valter Viana, Edith Dias e Walter Guerlles possuem CCs no Legislativo. Viana tem um indicado, que custa R$ 1,8 mil. Edith mantém a filha (R$ 6,5 mil). Guerles tinha um indicado, que já foi desligado, mas recebia R$ 2,7 mil.

Vejamos a lista dos demais:
– Hossokawa: 12 CCs, R$ 51,6 mil;
– John: 10 CCs, R$ 32,9 mil;
– Evandro Júnior: 6 CCs, R$ 20,8 mil;
– Zebrão: 4 CCs, R$ 12,4 mil;
– Heine Macieira, 4 CCs, R$ 12,4 mil;
– Belino Bravin, 4 CCs, R$ 10,7 mil;
– Paulo Soni, 4 CCs, R$ 12,4 mil;
– Dr. Sabóia, 3 CCs, R$ 9,7 mil;
– Luiz do Postinho, 1 CC, R$ 5,3 mil;
– Wellington Andrade, 2 CCs, R$ 3,5 mil.

Importante salientar que todos esses vereadores possuem, além desses indicados em cargos de confiança, outros assessores que trabalham nos gabinetes.

PS- A reportagem de O Diário publicou foto de Manoel Sobrinho no lugar destinado a Luiz do Postinho. Este possui CC. Dr. Manoel, não.

Contorno Sul no Diário…

O jornal O Diário traz hoje uma reportagem sobre os buracos e a falta de acostamento no Contorno Sul, em Maringá. A falta de acostamento é um problema. Mas existe desde que foi construída. Entretanto, a ausência de manutenção das vias é uma falha e tanto do poder público municipal. Diria até que a foto que ilustra a reportagem foi generosa. Os buracos estão muito mais presentes do que sugere a imagem.

As irregularidades na pista são inúmeras. Conheço bem aquela rodovia. Faço uso dela com frequência. E posso assegurar que, quando possível, vale a pena evitá-la.

A prefeitura informa que uma licitação já foi aberta para corrigir os problemas da pista. Mas ainda está em andamento. Dentro do período para recursos.

Espera-se que, desta vez, as obras de recuperação da via possam se concretizar. Afinal, não é de hoje que os usuários esperam por melhorias no contorno sul. Em 2005 foi a última vez que foram executados serviços consistentes naquela pista.

Crítica ao ilusionismo praticado pela Câmara

Mais que tratar criticamente a atitude de parte dos vereadores da Câmara de Maringá, o jornal O Diário colabora nesta quarta-feira com questionamentos preciosos sobre o ilusionismo do corte de cargos comissionados.

O editor e colunista Milton Ravagnani apresentou argumentos que faço questão de reproduzir. Veja alguns trechos:

– Se não bastasse a afronta à inteligência do maringaense, o anúncio de cortes mínimos na quantidade de cargos em comissão na Câmara esconde uma manobra das mais vergonhosas da história política local.

Os cargos serão preenchidos por concurso. Ou seja, não haverá corte de coisa alguma. Meu Deus do céu. O que esse povo está pensando?

Esses vereadores foram eleitos com a promessa de cortar gastos. Cortar. Agora o verbo mudou.

Não se fala mais em reduzir despesas, mas de reestruturar a Câmara. Isso significa o quê? Que os vereadores da legislatura passada estavam corretos, e os cargos se justificam? Se era para ser assim, que ficássemos com eles.



– Não. Não é reestruturação que a comunidade quer. Ela quer diminuição nos gastos. Corte. Economia. É tão difícil assim entender?

Por atitudes como esta que a imagem da Casa avança em geotropismo positivo. Crescendo como rabo de cavalo. Para baixo.

E os vereadores, que tão indignados ficam quando esses assuntos ganham o público, precisam reavaliar suas decisões. Porque referendar atitudes dessa natureza significa não dar à Câmara o respeito que ela merece.

Tá liberado…

A queda de braço entre o jornal O Diário e os supermercados de Maringá têm novo capítulo. Big e Mercadora recuaram e permitirão a pesquisa de preços para a constituição do tabelão, divulgado sempre às sextas-feiras. O Cidade Canção também havia recuado. Agora a coleta de preços está proibida apenas no Condor.

Tabelão proibido…

Mais um supermercado proibiu a pesquisa de preços realizada semanalmente, em Maringá, pelo jornal O Diário. O primeiro foi o Condor. Agora é a vez do Cidade Canção, de Carlos Tavares. A coleta de preços foi proibida na rede de supermercados do ex-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Maringá. Tavares é atual presidente do Codem, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá.

PS- A empresa alegou que discorda da metodologia utilizada na pequisa.