Qual o futuro da Operação Lava-jato?

A semana terminou com uma decisão judicial que pode mudar os rumos da Operação Lava-jato. O Supremo Tribunal Federal retirou do juiz Sérgio Moro novos casos que venham ser investigados. Na verdade, não há mudanças no rumo das investigações atuais. O que está em xeque são as novas investigações.

Como tudo na vida, a decisão do Supremo tem prós e contras. Pesa a favor o fato de que uma investigação dessa proporção não deve ficar nas mãos de uma única pessoa. É muito poder a um juiz só. Por mais que Sérgio Moro venha desempenhando com dignidade seu papel, estamos falando de um caso que envolve dezenas de pessoas e milhões de reais. Há muito em jogo.

A quantidade de procedimentos judiciais também é imensa. O desgaste é grande. E isso poderia comprometer as investigações. É justo dividir o trabalho. Também não parece correto um único juízo a respeito do tema.

Porém, pesa contra a decisão do Supremo o fato de a proposta ter surgido do ministro Dias Toffoli, que até anos atrás foi advogado do PT. O ministro Dias Toffoli, quando advogado, tem histórico honrado. Porém, sua ligação com o partido da presidente Dilma e de muitos envolvidos na Lava-Jato coloca sua iniciativa sob suspeita. Fosse outro ministro, o questionamento seria menor.

É impossível não questionar: por que essa decisão agora? Por que partiu do ministro que foi advogado do PT? Teria algum interesse em fragilizar as investigações?

Do ponto de vista jurídico, existem também aspectos bastante negativos. Ao desmembrar os processos, corre-se o risco de produzir processos órfãos, que podem fracassar.

A Lava-jato, embora envolva muita gente, políticos e empreiteiros, investiga o que pode ser considerada uma organização criminosa. Desmembrar processos pode significar desconsiderar a existência de uma grande organização por trás dos desvios de recursos da Petrobras.

Enfim, é com esse cenário que começamos a semana. Não temos incertezas apenas em relação ao futuro político e econômico. Até mesmo as investigações da Lava-Jato agora estão incertas.

O Cachoeira nos insulta

Rodrigo Nunes/Folhapress
Rodrigo Nunes/Folhapress

O Cachoeira foi flagrado de férias. Lua de mel, na verdade. Ele e a esposa Andressa Mendonça. Condenado a quase 40 anos de prisão, Carlinhos Cachoeira está livre, leve e solto. E num resort maravilhoso na península de Maraú, no sul da Bahia.

Sinceramente, não tinha por que escrever sobre o Cachoeira e a mulher dele. Entretanto, fiquei profundamente incomodado quando vi as fotos do casal. Incomodado não é a palavra. Indignado, acho que define melhor.

O cara é um criminoso, corrupto e corruptor. Bandido mesmo. Está condenado. Mas, por essas coisas que só o dinheiro explica e a Justiça aceita, o tal do Cachoeira está tranquilo na Bahia, curtindo tudo o que seus milhões podem comprar. E acompanhado da atual mulher, a Andressa, com quem casou em dezembro passado.

Ao lado de Andressa, vestida com um biquininho preto, Cachoeira parece insultar o povo brasileiro. É como se o bicheiro estivesse exibindo sua riqueza, a mulher bonita… rindo de nossa cara. Afinal, com ele ninguém pode. Nem a prisão.

Acho que imagens como essas deveriam nos fazer refletir sobre o país que queremos, a Justiça que desejamos. E mais que simplesmente dizermos que “é sempre assim; não tem jeito mesmo”, questionarmos: o que podemos fazer para mudar essa realidade? 

Justiça injusta: mensalão, impunidade e férias de 60 dias

No Brasil, a Justiça é lenta. Morosa.

A constatação está na boca do povo. Alguns podem dizer: “é senso comum”. Senso comum ou não é expressão de uma grande verdade. Como também é verdade que rico não vai preso; só pobre.

Afinal, como explicar que alguns crimes dos mensaleiros podem prescrever? É isso mesmo. Os caras fizeram a festa com o dinheiro do povo e podem ficar impunes. Motivo? Morosidade da Justiça.

E quem admite isso é o próprio ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal.

Dá vergonha.

Sabe o que é pior? O pessoal da Justiça reclama que tem muito trabalho. E até por isso os magistrados acham natural ter 60 dias de férias.

Gente, vamos ser sinceros, a estrutura judicial no Brasil não respeita o cidadão. Não existe igualdade. O sistema é falho, arcaico e cheio de privilégios – para quem está na Justiça e para quem tem recursos para ter acesso a ela.

As revistas da semana

VEJA: – A pesca dos indecisos no horário político da TV. A revista desta semana traz reportagem especial sobre o início do horário eleitoral e as estratégias dos marqueteiros para a conquista dos eleitores indecisos. Ainda na edição desta semana, a polêmica sobre a doença do ministro Joaquim Barbosa; pesquisa revela a posição da garotada em relação ao consumo e uma entrevista com o narrador da Rede Globo, Galvão Bueno.

ÉPOCA: – O passado de Dilma. Documentos inéditos revelam uma história que ela não gosta de lembrar: seu papel na luta armada contra o regime militar. Sobrou dinheiro e faltou educação: fundação ligada à Igreja Renascer é acusada de desviar R$ 2 milhões que deveriam ter sido. Também na edição desta semana uma reportagem sobre a escolha do cachorro ideal. Para que a relação dê certo, a raça do cachorro deve corresponder ao estilo de vida do dono. A polêmica das plantas. Em nova série de TV, Drauzio Varella investiga os riscos dos fitoterápicos e das ervas medicinais.

ISTO É: – Estresse engorda. A ciência descobre que as mudanças no organismo causadas pela tensão diária levam ao ganho de peso. Quem é e como agia o engenheiro Paulo Vieira de Souza, acusado por líderes do PSDB de ter arrecadado dinheiro de empresários em nome do partido e não entregá-lo para o caixa da campanha. As outras vítimas de Antonio Marcos Pimenta Neves. Pais de Sandra Gomide, assassinada pelo jornalista e ex-namorado há dez anos, perderam a saúde, o dinheiro e estão destroçados emocionalmente.

CARTA CAPITAL: – 80 anos de inteligência. Mais importante economista do Brasil, Maria da Conceição Tavares fala de seus heróis e dos governos FHC e Lula. Processo eleitoral rígido. Legislação brasileira é a mais restritiva e limita o exercício da democracia. E ainda, concurso de misses testa a paciência de uma noiva ciumenta logo após o casamento.

Depois de 27 anos, inocente está livre

Sempre que alguém defende a pena de morte, penso nos inúmeros erros da Justiça. Recordo de condenações injustas, de gente que passou anos na prisão por falhas no processo, por precipitação de promotores, advogados e pressão da própria imprensa que, tomando as dores do “povo”, reclama um “culpado” na cadeia.

Há pouco li sobre o americano que passou 27 anos na cadeia condenado por estupro. O cara tem hoje 45 anos. Ficou preso mais da metade da vida dele. E permaneceu atrás das grades injustamente. Agora, só agora, um teste de DNA o inocentou.

Dá pra imaginar a situação? O que terá passado Michael Green na cadeia ao longo desses anos todos? Além da possibilidade de ter sofrido todo tipo de violência lá dentro, ele foi violentado psicologicamente. Sofreu por um crime que não cometeu. Perdeu anos da vida dele. Certamente, perdeu amigos. Mas não foi só isso. Perdeu a chance de construir um futuro. Que futuro terá esse americano traumatizado por um erro Justiça? Que condições tem de acreditar que a vida pode ser justa, de que vale a pena lutar por justiça e por uma sociedade melhor?

Os quase R$ 4 milhões que o governo americano lhe oferece compensam tudo que passou e o que deixou de viver?

Creio que não. Nada e nem ninguém poderá pagar Michael Green. Mas ele é apenas um. E até pode-se dizer que teve sorte… Que triste ironia.