Só Deus faz justiça!

Inscreva-se no canal e ative o sininho!

Hoje, a gente lê o primeiro verso do Salmo 4. Diz assim… “Responde-me quando clamo, ó Deus que me fazes justiça! Dá-me alívio da minha angústia; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração”

Aqui temos Davi mais uma vez diante de Deus. Para falar com Deus, Davi usa a música, a poesia… Ele se expressa a Deus por meio da arte. Já parou pra pensar nisso? Talvez você possa vivenciar essa mesma experiência. Davi era um homem talentoso, um artista. E com a sua arte, ele fala com Deus. Lindo isso, né?

Mas o que ele diz no primeiro verso deste Salmo?

Davi demonstra uma certa urgência. Ele pede: Deus, responde-me quando clamo! Davi reclama justiça. Davi sabe que só Deus pode fazer justiça. E aqui já temos duas lições preciosas. A primeira delas, nem sempre Deus nos responde no momento que desejamos. O pedido do salmista é para que Deus ouça sua oração; ele precisa de socorro. Mas, ao que parece, Deus ainda não havia dado o que ele precisava. Por isso, ele pede misericórdia. Ainda assim, Deus segue em silêncio.

A segunda lição desse verso é que toda justiça vem de Deus. Às vezes, ao sermos injustiçados, quando alguém nos faz mal, a gente se aborrece e quer achar formas de fazer justiça, de obrigar a outra pessoa a reparar o erro cometido.

Aqui nós aprendemos que é em Deus que buscamos justiça. Davi reconhece que a justiça vem do Senhor. É Ele, só Ele que pode fazer justiça. A justiça humana sempre falha. 

Porém, tem mais uma coisa importante neste verso. Os filhos de Deus também sofrem. Às vezes, a angústia não bate à porta; ela arromba a porta e se aloja em nosso coração, nos machucando, minando nossas forças. 

Portanto, se é assim que você se sente, ore comigo: Deus pai, a gente começa a semana, mas a gente quer paz. Ainda que nos falte a sua resposta, queremos buscar só em ti a justiça e o conforto para nossa angústia. Que possamos permanecer em paz, ainda que o Senhor esteja em silêncio. 
Em nome de Jesus, amém!!

Que mundo novo estamos construindo?

Ouça a versão em podcast!

Nos últimos dias, tenho escutado algumas pessoas falando que a pandemia de coronavírus fez morrer o mundo que tínhamos e está fazendo nascer um mundo novo.

O mundo como o conhecíamos até semanas atrás teria deixado de existir. Noutras palavras, após a crise, nada mais será como antes.

Os valores que tínhamos, as coisas que possuíamos… tudo será ressignificado. Sem contar que perderemos muitas coisas, inclusive, pessoas.

Eu concordo que acontecimentos dessa proporção criam rupturas. E dão origem a uma nova história. Entretanto, ainda tenho dúvidas se o mundo que irá nascer será melhor que o que tínhamos.

O sofrimento tem um efeito poderoso sobre nós. Ninguém sai do sofrimento igual. Porém, os efeitos nem sempre são positivos. O sofrimento pode tornar alguém melhor ou pior do que era.

Justamente por saber disso, tenho dúvidas sobre o quê iremos construir quando sairmos dessa pandemia. Na verdade, depende inclusive de como estamos administrando nossas dores e perdas hoje.

O tempo de distanciamento e/ou isolamento social pode nos tornar mais generosos, mais solidários, mais altruístas, mais amorosos, menos apegados ao dinheiro…

Mas também pode produzir pessoas mais egoístas, gananciosas, invejosas, mesquinhas, individualistas…

Sinceramente, não sei que tipo de mundo teremos após a pandemia. Entretanto, espero que esse período tão difícil possa ter um efeito bom sobre mim, sobre as pessoas que estão comigo e também sobre você. Se nos tornarmos pessoas melhores com essa crise, já teremos boas mudanças. Afinal, se a nossa casa, empresa, sala de aula se tornarem um ambiente mais amável, afetuoso, caridoso, solidário, generoso… O nosso mundinho já será melhor.

Justiça de conveniência

Os brasileiros gostam que as regras sejam aplicadas. Explico, as regras que lhes são convenientes. Sim, a justiça, para a nossa gente, é relativa. Tudo depende de quem vai ser punido, quais as circunstâncias e quais as pessoas envolvidas.

Se o jogador derrubado na área for do meu time, torço para que o juiz não veja. Se o jogador é do time adversário e o pênalti não foi marcado, o juiz é ladrão. Sobra até pra mãe do juiz.

Na empresa, se o amigo quebrou as regras, desobedeceu claramente uma orientação da chefia e até causou prejuízos… Se é meu amigo, fico revoltado com a punição, tomo as dores. Se trata-se de alguém que não gosto, acho até que a demissão demorou demais.

Se um motorista furar o sinal vermelho e machucar alguém, ficamos indignados. Mas se sou eu no volante, é porque estava com pressa, não vi fechar, foi um minuto de bobeira…

Essa é a justiça de conveniência. É a que nós, brasileiros, efetivamente gostamos.

Tem a ver com a identidade da nossa gente. Somos o povo do jeitinho.

Quando viajamos para fora do Brasil, admiramos a organização, a eficiência de japoneses, alemães, franceses, americanos, e até desqualificamos tudo que temos no Brasil. Porém, quando se trata de adotar as práticas e a objetividade das ações – e até das punições -, a gente tenta achar um jeito brasileiro de operacionalizar as relações.

Na verdade, não gostamos de ambientes que levam tudo a sério. Não aceitamos bem as cobranças de pontualidade, de respeito aos prazos, de não uso do celular no ambiente da empresa ou da escola, de postura no que diz respeito ao que vestimos, ao que falamos, ao que escrevemos na internet…

As regras são para os outros. Quando afetam as coisas que defendemos, as regras devem ser relativizadas. Aí o chefe é intolerante, a empresa pratica censura, o professor é autoritário…

A gente quer um país melhor, mas este melhor tem que ter a minha cara, a cara dos meus amigos. Tem que ser construído com os meus valores – valores que são relativizados e flexibilizados de acordo com as circunstâncias.

Eu confesso a você que não acredito num país melhor se as regras não forem claras, não forem cumpridas e as pessoas não forem responsabilizadas por seus atos.

Sim, isso, por vezes, incomoda. Mas torna o jogo transparente, faz as relações funcionarem, as pessoas se respeitarem e a convivência social ser possível.

STF ignora realidade do povo brasileiro

Apesar do Brasil viver a pior crise de sua história, os ministros do Supremo Tribunal Federal aprovaram, nessa quarta-feira, um aumento de 16% nos próprios salários para 2019. Atualmente, a remuneração deles é de 35 mil reais. Com o reajuste, o salário vai para cerca de 39 mil.

Sete ministros votaram a favor do aumento; quatro foram contrários.
O assunto ainda será analisado no Senado Federal e, depois, terá que sancionado por Michel Temer.

Porém, há poucas dúvidas que o aumento será autorizado pelo Congresso e pela presidência. Afinal, ninguém quer se indispor com o STF. No Brasil, retaliações são práticas comuns.

O aumento dos salários dos ministros não beneficia apenas eles. Para quem não sabe, vale lembrar que o teto salarial do STF serve como balizador da remuneração de desembargadores, juízes… E ainda serve de parâmetro para que a própria classe política mexa em seus ganhos.

O que o STF fez ontem foi virar as costas para a realidade do povo brasileiro. Há cerca de cinco anos, o país sofre. O Brasil entrou em recessão, milhões ficaram desempregados, a renda média caiu.

Mas os ministros não estão preocupados com isso. Com a justificativa que o aumento não vai acarretar mais gastos, em função da proposta de remanejamento dos recursos, eles não se importam em dar o exemplo.

Na verdade, gente, essas pessoas formam um outro grupo. Uma casta privilegiada e que pouco se preocupa com a triste realidade do país.

Cerca de metade dos trabalhadores brasileiros ganha menos de um salário mínimo. Mas isso não sensibiliza ministros e a elite de Brasília.

Por isso, é tão importante observar em quem votamos. Um assunto como este, o aumento dos salários dos senhores ministros, é analisado pelo Congresso. Ter gente com coragem para enfrentar o Supremo pode fazer a diferença numa hora como essa.

O desejo de vingança

Viver é perigoso, dizia Guimarães Rosa. Embora experimentemos muitas coisas boas, emoções indescritíveis, a vida também nos machuca. Machuca pelas perdas… Machuca pelos danos sofridos nas relações.

Não são raras as vezes que somos profundamente magoados por pessoas próximas. Parentes ou não. Amigas e não amigas.

Talvez pela minha personalidade, por não me expor tanto, vivi poucas situações em que fui humilhado, agredido verbalmente… Mas ainda assim esses episódios me deixaram triste, com raiva, ódio. Quando recordo, ainda dói. E já desejei muita coisa ruim para essas pessoas.

A ofensa é tão danosa que, dependendo do impacto causado, gera tantos sentimentos que fica difícil controlá-los. A vontade de vingança é talvez o maior deles.

A pessoa que humilha, agride, ofende, geralmente esquece. Com o tempo, até acha que tudo não passou de uma bobagem. A vítima, não. A vítima sofre com as lembranças. E a vontade de ver o agressor punido é enorme.

Sim, a gente quer que o outro sofra também. Sofra como a gente sofreu. Quem sabe, sofra até mais.

De alguma maneira, queremos que a pessoa talvez possa aprender que não pode fazer o que fez.

E não estamos errados em sentir o que sentimos. O desejo de vingança é legítimo. É humano. A raiva, o ódio… A vontade de ver o outro ferido, chorando como choramos… Esses desejos são naturais.

Mas sabe de uma coisa? Raramente podemos efetivamente nos vingar. E, mesmo quando isso é possível, podemos até nos alegrar em ver a perda do outro, mas ela não repara o dano primeiro que foi causado. A ferida ficará para sempre em nós. Talvez sintamos prazer de saber que o agressor foi “punido”. Porém, as marcas deixadas pela humilhação sofrida sempre estarão conosco. O medo, a insegurança, a desconfiança… O receio de que volte a acontecer.

Então qual o melhor caminho? Perdoar. Perdoar não por causa da outra pessoa; perdoar por nós mesmos. Perdoar para não carregarmos o peso da mágoa, do desejo de vingança e até da culpa por nos apequenarmos em tentar retribuir na mesma medida a agressão sofrida.

Os sábios e os que levam pessoas à justiça

Às vezes, a gente lê um texto (ou imagem) e não consegue notar sua incrível beleza ou profundidade. Alguém precisa fazer isso por nós… Precisa chamar nossa atenção.

Foi o que aconteceu comigo ontem. Um historiador mencionou o livro de Daniel, capítulo 12, verso 3, ao falar de uma educadora que morreu na última semana. Abri o texto bíblico, que havia lido algumas vezes, mas nunca tinha me chamado atenção. Agora, as palavras saltavam aos olhos:

“Aqueles que são sábios reluzirão como o fulgor do céu, e aqueles que conduzem muitos à justiça serão como as estrelas, para todo o sempre.”

Uau! Lindo demais!! Que belas palavras… Que bela promessa! Os sábios sempre brilharão. E brilharão intensamente; possuem luz própria, encanto próprio. O que é o céu? O céu é imenso, misterioso e, ao mesmo tempo, revelador. Quanto mais olhamos, mais admiramos, mais descobrimos. Se observamos mais de perto (telescópios nos ajudam bastante), imagens ainda mais incríveis surgem diante de nossos olhos.

aqueles que levam as pessoas à justiça, serão lembrados… Serão as verdadeiras estrelas. Não uma estrela efêmera, dessas que conquistam “sucesso” com seus corpos, com as banalidades que falam, com o dinheiro que ganham… Não serão as estrelas cultuadas por valores transitórios. Serão estrelas, possuirão brilho eterno, porque terão feito a diferença na vida de outras pessoas. E isso é o que realmente vale a pena.

Qual o futuro da Operação Lava-jato?

A semana terminou com uma decisão judicial que pode mudar os rumos da Operação Lava-jato. O Supremo Tribunal Federal retirou do juiz Sérgio Moro novos casos que venham ser investigados. Na verdade, não há mudanças no rumo das investigações atuais. O que está em xeque são as novas investigações.

Como tudo na vida, a decisão do Supremo tem prós e contras. Pesa a favor o fato de que uma investigação dessa proporção não deve ficar nas mãos de uma única pessoa. É muito poder a um juiz só. Por mais que Sérgio Moro venha desempenhando com dignidade seu papel, estamos falando de um caso que envolve dezenas de pessoas e milhões de reais. Há muito em jogo.

A quantidade de procedimentos judiciais também é imensa. O desgaste é grande. E isso poderia comprometer as investigações. É justo dividir o trabalho. Também não parece correto um único juízo a respeito do tema.

Porém, pesa contra a decisão do Supremo o fato de a proposta ter surgido do ministro Dias Toffoli, que até anos atrás foi advogado do PT. O ministro Dias Toffoli, quando advogado, tem histórico honrado. Porém, sua ligação com o partido da presidente Dilma e de muitos envolvidos na Lava-Jato coloca sua iniciativa sob suspeita. Fosse outro ministro, o questionamento seria menor.

É impossível não questionar: por que essa decisão agora? Por que partiu do ministro que foi advogado do PT? Teria algum interesse em fragilizar as investigações?

Do ponto de vista jurídico, existem também aspectos bastante negativos. Ao desmembrar os processos, corre-se o risco de produzir processos órfãos, que podem fracassar.

A Lava-jato, embora envolva muita gente, políticos e empreiteiros, investiga o que pode ser considerada uma organização criminosa. Desmembrar processos pode significar desconsiderar a existência de uma grande organização por trás dos desvios de recursos da Petrobras.

Enfim, é com esse cenário que começamos a semana. Não temos incertezas apenas em relação ao futuro político e econômico. Até mesmo as investigações da Lava-Jato agora estão incertas.