Liberdade de expressão X obrigatoriedade do diploma de jornalismo

Uma primeira vitória. É assim que considero a votação, nessa terça-feira, 7, pelo Senado, da PEC que restabelece a obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo. O assunto segue pra Câmara. Os deputados ainda precisam votar a Proposta de Emenda à Constituição.

Quando o Supremo derrubou a obrigatoriedade do diploma para jornalista, não interpretei como o fim do mundo. Embora defenda a profissionalização da atividade, entendia que a decisão dos juízes não mudaria o mercado. Já existiam jornalistas não diplomados. Aos montes. E o fim do diploma também não provocaria uma enxurrada de contratações de gente desqualificada. Por outro lado, levaria para as faculdades apenas aqueles que realmente têm interesse em se tornarem verdadeiros profissionais, já que o simples “papel” não garantia – e vai continuar não garantindo – a contratação.

Entretanto, acho que a decisão do Supremo já cumpriu seu papel, pois colocou o assunto na pauta e provou que o jornalista diplomado ainda é imprescindível nas redações. Ainda que um advogado escreva muito bem, ele não tem as habilidades exigidas pela nossa profissão; vale o mesmo para o médico, engenheiro, arquiteto, pedagogo etc etc. Há exceções? Sim, e vão continuar existindo. Entretanto, exceção não é regra. E a regra é: Jornalismo é para jornalistas.

Entendo que o erro do Supremo foi confundir o exercício da nossa profissão com a liberdade de expressão. Uma coisa não tem necessariamente a ver com a outra. Liberdade de expressão é um direito de todos. Ter tal direito também não significa ser jornalista. E ser jornalista não é o mesmo que se expressar livremente. Por vezes, o jornalista é só um operário da informação. Liberdade de expressão vai muito além do simples noticiar. E o noticiar – embora seja um ato intelectual, que reclama conhecimento – é uma ação que pode ser desprovida de liberdade ao indivíduo.

Portanto, penso que restabelecer a obrigatoriedade do diploma representa a valorização de uma profissão, o reconhecimento de sua importância social. A liberdade de expressão seguirá garantida a todos, inclusive com espaço para ser verbalizada nos meios de comunicação.

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É só uma opinião

Uma das coisas que é preciso aprender rápido quando se expressa publicamente a opinião pessoal é que, independente do que você diz, alguns vão amar, outros vão odiar e haverá aqueles que vão ignorar. Depois disso, é necessário aceitar que você será julgado pelo que diz não pelo que é.

Esse negócio é complicado, confesso. Mas, depois de algum tempo, a gente aprende a lidar com isso. Jornalista tem que aprender e ser desapegado. Não dá pra sonhar ser querido por todos. Não funciona.

Particularmente, nunca quis ser uma pessoa pública, conhecida. Entretanto, por essas coisas que ninguém controla, tornei-me jornalista; por escolha, professor. As duas coisas me levaram às redes sociais, ao mundo da internet.

Por conta disso, tive de aprender a conviver com as críticas, por vezes, infundadas e injustas. Não vou dizer que as ignoro. Algumas levam a pensar. E essas não podem ser descartadas.

Entretanto, isso tudo me fez entender que nós somos complicados demais. Na verdade, chegamos a ser ridículos.

Como alguém pode julgar uma pessoa com base numa opinião que ela expressou? O que falamos até pode revelar pistas do que pensamos, mas não mostram quem somos.

Lembro agora de dois personagens da Câmara de Maringá, Heine Macieira e Humberto Henrique. São vereadores. Um é o principal defensor da administração municipal; outro, a figura com maior visibilidade da oposição no Legislativo local. Ambos são rivais políticos. Pensam diferente. Ocupam posições antagônicas. Promovem debates acalorados. Mas… respeitam-se. Trocam elogios, inclusive nos bastidores. Por isso, eu os admiro.

Mas como reagem os eleitores desses vereadores? Para os “seguidores” do doutor Heine, Humberto Henrique é um petista imbecil; para os fãs de Humberto Henrique, Heine é um político medíocre, ignorante, grosseirão.

Enquanto os vereadores conseguem diferenciar o que é a opinião e o que é a pessoa, muitos de seus eleitores preferem rotular, julgar esses políticos pelas ideologias que defendem e manifestam.

É isso que nos torna pequenos, rasos, superficiais. Opinião é opinião. Só isso. Você concorda ou não. Simples assim. E continua respeitando a pessoa, que é dona da opinião. Pois é um direito dela. Como você tem o seu.

Dia desses publiquei um texto sobre comportamento e um sujeito não gostou. Discordou. Até aí… normal. O que achei graça foi o camarada falar alguns impropérios e ainda dizer: não vou te ouvir mais na CBN. Impossível não rir. O que uma coisa tem a ver com a outra? Era só um texto, uma opinião minha. E nem fazia parte das temáticas geralmente abordadas pela emissora. O leitor pode não gostar? Claro que sim. Pode discordar? Obvio que sim. E pode até argumentar que não gostou. Mas isso não lhe dá o direito de usar adjetivos como vagabundo, sem vergonha ou qualquer coisa do gênero. E, convenhamos, quem recorre a esse tipo de expediente é porque não tem argumento. Sente-se ofendido em seus valores e, sem ter o que dizer, rotula quem o incomodou com uma opinião contrária. Coisa de quem pensa pequeno e não entende a máxima da liberdade de expressão.

Somos seres pensantes. Ou, deveríamos ser. Isto quer dizer que cada um tem direito de ter sua opinião. E ninguém precisa concordar com a opinião alheia. A beleza da vida está justamente em saber respeitar a diversidade e entendê-la como necessária, pois é no confronto de ideias que nos aperfeiçoamos.

Procuradoria quer censurar o BBB

O BBB 13 está longe de começar, mas o Ministério Público Federal já está de olho no programa. E quer censurá-lo. A Procuradoria não quer uma censura qualquer. Quer uma censura ética. Entende que o programa não pode atropelar determinados valores morais.

Sinceramente, não gosto de censura. Entretanto, vendo a falta de bom senso do CQC, as propostas bizarras do Pânico e o histórico de idiotices do Big Brother, hoje, não me sinto confortável em defender a liberdade de expressão. Não dessa liberdade que está aí…

Entendo que o problema desses programas não está neles, está no público. Porém, quando o público não sabe escolher – e nem tem formação crítica para isso -, o que pode ser feito? É correto deixar a “coisa rolar” e realimentar esse vazio cultural da sociedade?

Não sei. Não tenho uma resposta pronta.

A ideia de ter um mecanismo (um órgão) de controle, que regule a qualidade da programação, seria uma alternativa interessante se fosse formado por gente realmente comprometida com a promoção da cidadania, da democracia, educação e ainda entendesse que mídia também é entretenimento e espetáculo.

Cá com meus botões, tenho a impressão que nenhum órgão teria tal responsabilidade. Desvios ocorreriam. Exageros e censura propriamente dita. Sem contar os interesses nem sempre justificáveis que norteariam os critérios de julgamento dos programas.

Ou seja, trata-se de belo impasse. Parece até que ouço meu pai dizendo:

– Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Pois é… Deixar como está é aceitar passivamente o aprofundamento da banalização do conteúdo midiático; por outro lado, censurar – ainda que sob justificativa da ética, da moral – pode ser um retrocesso, uma ruptura com o direito de liberdade de produção e veiculação de conteúdo, conquistado depois de muita luta.

Ser cristão não me dá o direito de desrespeitar os ateus

Eu quero ser respeitado. Todos nós queremos. E na nossa individualidade. Por mais que haja um pensamento ou um comportamento dominante, meu jeito tem que respeitado.

Todas as vezes que meu jeito não afeta a coletividade, ou seja, não agride o outro, a sociedade não tem o direito de constranger-me a agir como a maioria deseja ou quer.

Digo isto depois de ler a matéria sobre um adolescente de Roncador que foi tirado de sala de aula por não ter se levantado para rezar o Pai Nosso.

Sou cristão, adventista. Quero que as pessoas respeitem minha fé, meus valores. Porém, se peço isso, também tenho que devolver tal comportamento ao universo que me cerca.

Posso discordar dos princípios católicos, posso discordar dos princípios espíritas, posso discordar dos princípios budistas, mulçumanos… Posso não concordar com as teses evolucionistas… Entendo que posso debater e até tentar convencer as pessoas, tentá-las levar a concordarem comigo, mas não tenho o direito de discriminar, excluir, desrespeitar a fé alheia.

É nisso que consiste a verdadeira liberdade. A minha liberdade de escolher e meu dever de respeitar o pensamento do outro. Se faço o contrário, atropelo a liberdade do meu próximo. Isso não é democrático, não é cidadão.

Posições, opiniões se debatem; nossas verdades se discutem e até se questionam. Mas não podem ser impostas.

Censura na Câmara de Maringá

Tem coisas que a gente não entende. Não existem justificativas. Uma delas é a censura interna na Câmara de Maringá.

Você sabia que os blogs seguem censurados no Legislativo? Sim. Ninguém pode acessá-los. No começo, apenas dois eram bloqueados. O meu e o do Rigon. Depois, para “democratizar” a censura, todos os demais foram bloqueados.

Mas a censura vai além. Na Câmara, estão proibidos Facebook, Twitter, Youtube… redes sociais. Sabia que até os vídeos do G1 estão bloqueados?

Quando alguém quer ver, no site, uma reportagem já veiculada pela RPC, tem que fazer isso em casa. Não dá pra assistir nos computadores do Legislativo.

Eu concordo com mecanismos de controle. Mas acho abusiva a censura. Desnecessária.

Hoje, tudo acontece nas redes sociais. Os blogs, por vezes, são mais importantes que os portais de notícias.

Não há razão para os bloqueios. Nem é válida a justificativa que os funcionários gastam muito tempo nas redes. Bobagem esse tipo de argumento.

Para ter acesso ao que se discute nos blogs, Facebook, Twitter etc etc tem assessor de vereador que paga internet 3G. Acompanhar o que acontece nas redes é fundamental para o trabalho deles. Afinal, vários parlamentares se pautam – e até promovem suas ações – pelos debates que ocorrem na internet.

Meu texto provavelmente não vai mudar nada na Câmara. Não vai sensibilizar a presidência, a direção… E, sinceramente, nem reflito sobre isso como uma defesa ao meu blog. Há algum tempo, deixei de focar na política. Hoje, minhas discussões valorizam o comportamento humano, a sociedade, a nossa vida. Portanto, não são temas do interesse direto dos vereadores, assessores e funcionários do Legislativo. Entretanto, sinto necessidade, como cidadão e jornalista, de registrar meu lamento por essa atitude. É o tipo de controle de conteúdo sem propósito, vazio. Não contribui. Não garante eficácia nas ações e nem melhora o desempenho da Câmara.