Pessoas boas estão condenadas à ruína

Às vezes a gente se depara com ideias ou mesmo premissas que incomodam profundamente. E incomodam, porque contrariam tudo aquilo que defendemos ou entendemos ser o certo.

Ainda ontem li uma citação de Nicolau Maquiavel que me machucou bastante. Diz:

O homem que tenta ser bom o tempo todo está fadado à ruína entre os inúmeros outros que não são bons.

Evidente que não sou perfeito. Nem reúno as qualidades que gostaria de ter. Mas uma de minhas lutas interiores é por ser uma pessoa boa. E por bom entendo a integridade, a honestidade, a sensatez, fidelidade, lealdade, a compreensão, o respeito à diversidade…

Entretanto, o desejo de ser bom parece não encontrar apoio no mundo em que vivemos. Semelhante ao lamento do rei Davi, que dizia não entender a prosperidade dos homens maus enquanto as pessoas boas sofriam, o mundo não premia quem busca ser correto, uma vida virtuosa.

Na verdade, fazer o certo agora parece ser errado; e o errado, o certo.

A recomendação de Maquiavel vai justamente nesta direção: quem deseja ter sucesso, ser próspero e respeitado pelo mundo, não pode ser bom. Num mundo em que as pessoas não são boas, quem é bom vai à ruína, segundo o filósofo.

Cá com meus botões, embora entenda que Maquiavel tem razão, ainda prefiro acreditar que vale a pena ter uma conduta digna, mesmo que a sociedade não garanta recompensas às boas pessoas.

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Em defesa de Felipe Melo

Adoramos apontar um culpado. É da nossa natureza. E, na eliminação do Brasil, ao que parece Felipe Melo será o responsável por deixarmos o Mundial da África do Sul. Ainda não encontrei ninguém que o defendesse. Então, vou propor uma breve reflexão: o volante se auto convocou? Ele obrigou alguém a colocá-lo entre os titulares? Claro que não. Logo, Felipe Melo, mesmo tendo falhado nos lances dos gols da Holanda e tendo feito por merecer as expulsões, não pode ser apontado como o culpado pela derrota.

Maquiavel, em O Príncipe (uma das obras de cabeceira do técnico Dunga), diz que o príncipe (o líder, o governante… o técnico, o presidente da CBF etc) é responsável pela escolha dos seus servos, daqueles que vão atuar em posições estratégicas. Segundo o pensador, quem governa responde pelo governo. Não pode transferir culpa aos subalternos. Afinal, estes foram escolhidos por ele.

Se Felipe Melo foi um desastre, o estrago poderia ser evitado por aqueles que o escolheram para defender a seleção. Ele falhou. Mas a torcida não pode crucificá-lo por não ser bom o suficiente para representar o time brasileiro.