Você tem medo?

O medo é um dos nossos maiores inimigos. É capaz de silenciar o que há de melhor em nós.

Nas mais diferentes áreas da vida, sonhamos realizar determinadas coisas e, por vezes, esses sonhos permanecem sendo apenas isso: sonhos.

Isso acontece por diferentes motivos. Às vezes, as circunstâncias são impeditivas – simplesmente, não dá, por mais que a gente tente. Mas outras tantas vezes esbarramos no próprio medo.

Medo de tentar, medo de se expor, medo do que os outros vão pensar, medo de revelar nossas fraquezas.

Todos nós temos uma espécie de instinto de preservação. Em maior ou menor medida, não queremos correr certos riscos.

E, para a busca de um sonho, é necessário se mexer. Ao se mexer, o mundo que está ao entorno também se move e nota que você está tentando fazer algo diferente.

Quando permanecemos imóveis, ou nos deixamos levar pelo movimento natural da vida, quase não somos notados. Isso traz segurança. Até certo conforto. E gente invisível não incomoda e nem se torna vidraça.

Por isso, sentimos medo do que pode acontecer, caso tentemos alguma coisa fora do lugar que parece já estar reservado a nós.

Entretanto, se não houver ousadia, se não assumirmos riscos, permaneceremos no lugar de sempre. Nada novo ocorrerá em nossa vida.

Carreira, relacionamentos, viagens… Nada escapará do comum, porque não plantamos para sermos incomuns. 

Portanto, que possamos nos dispor a enfrentar nossos medos e sejamos ousados na realização de nossos sonhos.

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A economia do medo

O medo da violência urbana, a insegurança nas cidades são dispositivos relevantes na sociedade capitalista.

Existe toda uma economia que funciona em função do medo.

Milhões de reais são gastos anualmente pela população (no mundo, falamos de bilhões de dólares). Milhares de empregos são gerados.

Gastamos com seguro de carro, blindagem de veículo, seguro de imóvel… Instalamos câmeras de segurança em vários ambientes, colocamos cerca elétrica nas casas, reforçamos grades, contratamos empresas de segurança e monitoramento…

Há toda uma série de produtos e serviços que só existem por causa do medo.

A economia do medo também criou uma arquitetura própria. Nas médias e grandes cidades, temos o registro crescente de imóveis verticais e, para quem tem mais dinheiro, condomínios fechados… Muros e grades, janelas reforçadas, também atendem o desejo de mais segurança.

A arquitetura das grandes empresas é pensada não apenas para garantir funcionalidade aos serviços; busca-se também a segurança dos trabalhadores e, principalmente, proteção do patrimônio.

Todo esse investimento milionário deixaria de existir se as pessoas tivessem segurança. Mas a economia do medo não alimenta apenas diferentes setores de produtos e serviços; é fundamental a manutenção de todo um aparato policial e judiciário.

Muito dinheiro é gasto com carros, armamento, policiais, advogados, promotores, juízes, além de uma enorme estrutura burocrática de cartórios e até o sistema prisional… Tudo em função da economia do medo, que existe em virtude da criminalidade – uma criminalidade, que como é possível notar, faz muito bem à economia.

O medo como estratégia para conquista de votos

Provocar o medo é uma das estratégias mais usadas nas campanhas eleitorais. Parte-se de um ou outro episódio factível, que possa sustentar uma “teoria”, e o medo se espalha. Foi assim no passado… Foi assim no passado recente do Brasil e se repete neste ano.

Efetivamente, não se fala em projetos. Com exceção de um ou outro candidato, que insiste em apresentar algumas de suas ideias, a maioria apela mesmo é para o discurso fácil, que mexe com as emoções das pessoas.

Lembro que durante muito tempo as pessoas tinham medo dos comunistas. Chegava-se ao ponto de temer o que os comunistas poderiam fazer com a vida das crianças.

O medo de comunistas ainda existe. Mas agora se associam a eles outros medos: fim da família, pedofilia, indulto ao ex-presidente Lula… Coisas do tipo.

Mas também existe o medo de que o país seja transformado numa outra Venezuela, que urnas eleitorais sejam fraudadas, que homossexuais sejam punidos, que negros percam os poucos direitos que conquistaram, que os professores sejam impedidos de se expressar livremente em sala de aula…

Ou seja, recorre-se ao medo como estratégia para conquistar os votos da população. Como o eleitorado conhece pouco da história, não entende as estruturas jurídicas, não sabe as atribuições de cada cargo na hierarquia público, muito menos compreende a psicologia social, as próprias pessoas ajudam a espalhar o medo por meio de mensagens de texto, vídeo e até memes nas redes sociais e whatsapp.

Tudo isso é lamentável, porque, no final das contas, não ocuparão os cargos de comando da nação e dos estados aqueles que têm os melhores projetos para nossa gente. Serão eleitos aqueles que forem mais eficientes em disseminar o medo.

A importância dos espaços públicos

A sensação de insegurança, o medo de sermos assaltados ou sofrermos algum outro tipo de mal, faz com que nos fechemos para o outro. Apostamos cada vez mais em espaços privados. Condomínios, clubes, associações etc. são algumas das estratégias que criamos e utilizamos para conviver com pessoas, mas evitar os desconhecidos.

Acontece que esse tipo de atitude, embora justificada, leva-nos a conviver apenas com iguais. Ou pelo menos, com pessoas mais parecidas conosco – principalmente no que diz respeito à classe social.

Hoje, as cidades limitam os espaços usados pelas pessoas e as separam, inclusive excluindo algumas delas. 

O movimento de restringir os espaços, torná-los privativos – ainda que se justifique, como eu disse -, traz alguns problemas.

A sociedade contemporânea precisa redescobrir o valor dos espaços públicos. Notamos, hoje, que as cidades de médio e grande portes pouco investem em praças, centros de convivência, áreas públicas de lazer, parquinhos etc.

Os espaços são públicos são lugares de convivência com pessoas diferentes, de classes sociais distintas, de orientações sexuais variadas, outras religiões… Ainda que estar com estranhos possa ser um tanto assustador, esses locais permitem que a diversidade seja valorizada. As diferenças ganhem visibilidade e sejam respeitadas.

É fundamental redescobrirmos quem são os outros. Num tempo em que nos ilhamos em espaços privados e as redes sociais na internet, por meio de seus algoritmos, criam tribos virtuais, os espaços públicos urbanos podem permitir o contato e o aprendizado com o diferente, e essencialmente desenvolver em nós a capacidade de nos sensibilizarmos com as desigualdades e até mesmo com as necessidades do próximo.

Ps. A praça da Catedral, em Maringá, é um exemplo de como os espaços públicos podem ser importantes para as pessoas. 

Quem quer sentir-se seguro?

Queremos segurança, mas o que temos? Apenas vislumbres, ilusões de segurança. Na prática, experimentamos crises e tensões contínuas, não temos controle algum do meio em que vivemos… O cenário é caótico. E em todos os setores.

Esse grau de insegurança é tão grande que atinge inclusive pontos fundamentais da nossa existência. Por exemplo, eu trabalho há 29 anos. No entanto, não tenho a menor ideia se vou me aposentar daqui 20, 25, 30 anos.

É difícil prever o que vai acontecer conosco em alguns poucos meses; mais difícil ainda é traçar expectativas de médio e longo prazos.

Sem controle algum da situação, temos tentado calcular e minimizar os riscos. Por isso, investimos em planos de saúde, fazemos poupança, pagamos previdência privada, compramos imóveis… Instalamos softwares em computadores, smartphones para que dados não sejam roubados… São estratégias nossas, numa busca quase desesperada para sobreviver a esse cenário.

Investimos nossos ganhos para reduzir as incertezas. E, ao fazermos isso, alimentamos um mercado que se sustenta justamente com o nosso medo.

Bauman avalia esse cenário falando da existência de um “capital do medo”. Ele não fala de um lugar, de uma cidade… Faz referência ao lucro. É como se dissesse que existe uma indústria do medo.

Existem vários segmentos que lucram milhões de dólares em virtude do nosso medo. Eu já mencionei alguns… Porém, o segmento de segurança é talvez o exemplo mais visível. Gastamos com seguros residenciais, de automóveis… Colocamos grades em nossas casas, cerca elétrica, câmeras de vigilância, blindamos veículos, instalamos alarmes… Empresas contratam seguranças…

A arquitetura é guiada pelo medo. As residências e edifícios são projetados para criar a falsa sensação de segurança. Temos criado fortalezas urbanas. Cada vez mais, surgem condomínios fechados.

Há milhares de tecnologias voltadas para a segurança – inclusive com o uso de inteligência artificial. A promessa de sempre é proteger os usuários em todos os campos – patrimonial, pessoal, dados etc.

A insegurança alimenta o mercado. Mas também a política se beneficia do medo. O discurso político geralmente transita por esse campo prometendo mais policiamento, viaturas, monitoramento das cidades por meio de câmeras… Prometem mudança nas leis… E quem parece ter a melhor proposta, ganha a simpatia do eleitorado. Tudo jogo de cena.

Diante disso que mencionei, alguém ainda acha que teremos respostas efetivas para pôr fim as causas de nossas inseguranças, de nossos medos?

É difícil ser honesto no relacionamento

A honestidade é um princípio fundamental em qualquer relacionamento. Porém, poucas coisas são tão difíceis de serem vividas. Quase todo mundo esconde alguma coisa do parceiro, da parceira. E, muitas vezes, esconde fatos que comprometem a relação, que vão distanciando o casal.

Não é fácil admitir, mas quem de fato é totalmente honesto com a pessoa amada?

Sabe aquele colega de trabalho que sempre faz elogios, que comenta sobre suas curvas e só não te levou pra cama por que ainda não teve oportunidade? E daí, você conta ou não para o seu parceiro?

E aquela amiga bonitona, que te deixa com tesão… Com quem vez ou outra você flerta? Coisa “inocente”, justifica. Você conta ou não para a parceira?

Eu cito aqui situações que parecem envolver fidelidade. E essa é uma das questões mais controversas e polêmicas nos relacionamentos. Afinal, a maioria exige fidelidade, mas até que ponto é de fato honesto na relação?

O ser honesto, entretanto, não tem a ver apenas com os flertes, paqueras com terceiros. Tem a ver também com as finanças, os sonhos para o futuro, as suas frustrações e até mesmo desejos (o que gostaria de viver) no romance.

Não são raras as ocasiões em que a pessoa esconde do outro quanto anda gastando, quais são seus projetos de vida, traumas passados e mudanças que desejaria viver no relacionamento.

Também se escondem amizades, contatos virtuais, fracassos profissionais e pessoais… E o que acaba sobrando para a vida a dois são imagens forjadas de pessoas que não existem de fato. O problema é que nossas máscaras não se sustentam por toda uma vida. E, por isso, com frequência, as relações esbarram nas mentiras que machucam, magoam e decepcionam, provocando desconfiança, medo, pondo fim à intimidade. 

O sofrimento é inevitável

problemas

Não é difícil observar o quanto gostamos de coisas que supostamente facilitam nossa vida. Meu filho, por exemplo, vive reclamando da falta de uma máquina de lavar louças. Diz ele que, assim que tiver dinheiro, vai comprar uma. E, concordo, trata-se de um aparelho doméstico que melhora a vida de quem está na cozinha. Lavar louça não é algo divertido.

Uma série de produtos promete tornar nossos dias melhores. E nos sentimos atraídos por eles. Quase sempre, a indústria nos seduz com a promessa de uma vida mais confortável.

Isso acontece porque queremos um pouco mais de conforto. E isso não é ruim. No entanto, essa busca de conforto não se dá apenas do ponto de vista prático, de tarefas que podem ser transferidas para máquinas, também desejamos uma zona de conforto emocional. Por isso, sempre que podemos, tentamos correr dos problemas. Entre terminar um relacionamento olhando nos olhos do outro e mandar uma mensagem dizendo que “não dá mais”, o que é mais fácil?

Pois é… A gente quer evitar os problemas. E, na verdade, pensamos que a felicidade consiste em estar sempre bem, sorrindo, alegre… Tudo igualzinho ao que sugere a publicidade – seja de xampu ou de carro novo. O problema é que essa imagem é distorcida, é falsa. Quando se busca o bem estar em qualquer aspecto, é necessário compreender que a felicidade não consiste em anular as emoções incômodos, mas sim aceitá-las e aprender a administrá-las.

Tenho dito que a dor é inevitável. Em alguns momentos, a vida se torna difícil. Enfrentamos perdas não esperadas, decisões de outras pessoas que nos afetam e que nos aparecem injustas, amigos nos decepcionam e também cometemos erros que, muitas vezes, resultam em dores, sofrimentos. Atravessar os momentos difíceis é viver a vida como ela é. É superar as fantasias dos filmes de Hollywood com finais felizes. Se agimos com as emoções da mesma maneira que fazemos com a dor física, corremos o risco de buscar o primeiro remédio que pareça aliviar nosso coração. Alguns se refugiam em ansiolíticos, outros na busca de emoções passageiras que não curam feridas.

As emoções “incômodas” tem um por que em nossa vida. A tristeza, a ira, o medo são emoções básicas com as quais nascem todos os mamíferos. Elas são processados em nosso sistema límbico e o motivo é muito simples: ajudam-nos a sobreviver. Se não sentíssemos medo, por exemplo, seríamos incapazes de fugir, de evitar situações que nos colocam em risco. Todas emoções têm um por quê. O professor de psicologia de Harvard, Daniel Gilbert, chega a dizer que só apreciamos as emoções boas porque existem as ruins. Ou seja, os momentos difíceis da vida fazem-nos valorizar as coisas boas, ansiar por elas. Na opinião dele, para apreciarmos as coisas necessitamos de contrastes e não os teríamos se vivêssemos bem 365 dias por ano.

Quando penso nos dias ruins, lembro do livro de um pastor e escritor maringaense que ganhou o sugestivo título “As coisas boas dos dias maus”. Por mais sofrimento que alguns dias possam nos trazer, o que aprendemos nos desertos da vida ou em situações que parecem nos sucumbir, não aprendemos nos momentos doces da vida. Por isso, temos que conviver com os momentos incômodos e com as emoções que não ganham espaço no marketing das empresas.

A felicidade não está na ausência da tristeza, do medo, da raiva, da decepção… Nem está na aquisição de objetos que tornam nossa vida mais cômoda. A felicidade está em saber aceitar os reveses da vida e encará-los como oportunidades de aprendermos com cada um deles.

Ele tem medo de compromisso

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Em que consiste o medo do compromisso? A pessoa tem mesmo uma espécie de bloqueio ou se trata apenas de uma desculpa para não se envolver de verdade?

Os pesquisadores do comportamento humano sustentam que as duas coisas podem acontecer. Porém, quem está do outro lado, ou seja, quem está envolvido emocionalmente com a pessoa que não quer o compromisso, muitas vezes sofre e sofre muito. Inclusive por sentir-se rejeitado(a).

A psicóloga Mila Cahue afirma que falar em “medo de compromisso” é tanto questionável. Não necessariamente porque não existe esse tipo de medo. Mas principalmente porque, hoje, existe uma confusão danada a respeito das expectativas envolvendo o relacionamento.

Tem gente que passa a viver junto quando ainda nem sabe direito o que sente pelo outro. A pessoa faz a opção de dividir o mesmo teto para conhecer o outro… E não por já conhecer e saber o que quer, o que espera da relação. Embora esse “modelo” possa parecer o ideal para algumas pessoas, acaba criando situações que podem resultar em problemas. Uma das partes pode sentir-se no direito de não assumir nada mais sério… Pode achar que está tudo bem pro outro… Pode se acomodar… Pode achar que esse “conhecer” não precisa ter um prazo pra virar outra coisa… E pior, quase sempre, uma das partes cria a expectativa de que já formam um casal; ou seja, é sério – quando, para o outro, ainda não é.

Na prática, o que acontece nesses casos é um descompasso nas expectativas. Enquanto pra um, está tudo funcionando como o previsto, para o outro, se estão juntos é porque possuem um relacionamento de compromisso pleno. Talvez por isso não seja recomendado morar juntos enquanto as pessoas não se conhecem de fato e não têm certeza do que desejam para elas.

Uma outra questão importante é que realmente tem crescido o número de pessoas que não querem se comprometer. Querem ter parceiras ou parceiros, dividir camas, ambientes etc, mas sem pensar em casamento. E embora para os mais tradicionais isso possa parecer um absurdo, faz parte da realidade. É necessário aceitar que hoje não há um único modelo de afetividade. Se a pessoa não quer chegar a um nível mais profundo de relacionamento, tem suas razões. Ela tem direito de fazer essa escolha. Cabe à sociedade, respeitar e ver com naturalidade que existem homens e mulheres que não desejam se comprometer da maneira mais tradicional.

Entretanto, o que não é justo, o que não é correto é deixar de avisar quais são seus propósitos no começo de um flerte. É fato que muita gente vai descobre o nome do parceiro depois da primeira noite na cama. Ainda assim, respeitar o outro é deixar claro quais são suas motivações. Algo do tipo “o que eu quero com você”, “o que você pode esperar de mim”. Não dá pra achar que o outro está na mesma sintonia e que também está apenas a fim de “curtir a vida”.

Mas também existem aquelas pessoas que simplesmente não dão conta de assumir um compromisso por algum bloqueio emocional. O pedagogo e autor do livro “Quieres casarte conmigo?”, Fernando Alberca, aponta que há pessoas que “estacionam” na fase da paixão. São incapazes de avançar para a etapa seguinte, a do amor, do comprometimento. Trata-se, segundo ele, de um estado típico da adolescência. E como a adolescência tem começado por volta dos nove anos, mas tem se estendido até os 35, muita gente não tem maturidade suficiente para envolver-se de forma plena. Essas pessoas, quando são cobradas para assumir um compromisso mais profundo, entram em “colapso emocional” – ficam com medo, confusas… Se reconhecem que alguma coisa está errada, devem procurar ajuda, principalmente na terapia. A maioria, porém, acha que está tudo muito bem.

Quanto àquele que está esperando a decisão do outro, há poucas possibilidades de solução de curto ou médio prazos. Ou aceita que o “parceiro” não vai se comprometer, ou vive a vida “na fé”, ou abre mão do romance e tenta se reconstruir. Afinal, nessas horas é preciso unir cabeça e coração. Valorizar os sentimentos sim, mas sem deixar de refletir sobre as implicações para a vida, para o futuro.